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sábado, 30 de junho de 2007

Coisas do arco da velha.

O Tiago e o Nuno Ramos de Almeida abriram-me o apetite para ler uma insurgente de nome Patrícia Lança. Diverti-me imenso com a leitura. Eu não conheço pessoalmente nenhum exemplar destes – assim, ao vivo e a cores – mas pressentia que ainda existem. Mas, penso, a prosa da senhora D. Patrícia não tem nada a ver com «novos inimigos da civilização democrática» ou qualquer coisa de natureza «ideológica». Com religião ou com Bush. Com liberalismo ou com fundamentalismo. É só sexo e fantasias. É apenas uma posição defensiva, na linha do provérbio popular: «quem tem cu, tem medo». É só isso!

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Sondagens e miragens.

Pois é, caro João Villalobos. Em Lisboa, nestas eleições, as aritméticas estão todas estilhaçadas. À esquerda e à direita. O que permite todas as leituras e o seu inverso. Mas uma coisa é certa (e sempre assim foi): os partidos não são donos dos votos. Precisam mostrar que os merecem – pelas propostas ou pelo perfil dos candidatos. O PS já passou por essa experiência com o PRD, nas legislativas de 1985. Quanto à arrumação dos candidatos e às aritméticas de esquerda e direita, eu não alinho na simplicidade da «vitoriosa esquerda». Há uma esquerda moderada (ou centro esquerda) e há uma extrema-esquerda. Como há um abismo entre elas. Agora, nas presentes eleições, o que me parece é que Roseta, pela sua postura e pelas suas propostas para a cidade, está a dar um salto para galgar esse abismo. Mas, quem ainda integre Roseta na esquerda moderada, deve somar as suas intenções de voto às de António Costa. E, neste caso, o resultado é superior a 40%, segundo a dita sondagem. Neste momento, o que conta a sério é saber que o estado de saúde de Lisboa é mau e está estacionário. Vamos aguardar a evolução e ver a medicamentação que os lisboetas lhe vão aplicar.
(foto de Cristina Garcia).

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Procissão de Santo António.

«Lisboa, Portas do Sol. Procissão de Santo António. Lisboa entre a tradição e a universalidade». (Francisco Costa Afonso, Berra-boi).

Esquerda versus Direita

A Alameda Digital é uma excelente revista de actualidade, ideias e cultura de direita, sobretudo num tempo em que os partidos de direita em Portugal não dão uma para a caixa. No tema do último número citam uma frase de Guido Aristarco, datada, mas significativa: “Quem não é comunista é fascista, use camisa negra ou não”. Não há meio termo no sectarismo comunista. Mas esta lógica não caiu com o muro de Berlim. José Saramago disse o mesmo, há dias, por palavras mais adequadas aos tempos que correm: «Já não há governos socialistas, ainda que tenham esse nome os partidos que estão no poder». Conclusão: não há meio termo: ou comunistas ou fascistas; ou comunistas ou capitalistas; ou comunistas e direita - é a mesma coisa. Por isso, e só por isso, a esquerda (os não comunistas, claro) é estúpida porque não vê que o fascismo está aí a bater à porta e nada faz para o travar. Afinal de contas, ao contrário do que Saramago pensa, quer a esquerda, quer a direita, são leques abertos e em movimento. E eu que tinha dificuldade em acompanhar Norberto Bobbio em muitos dos seus argumentos fico cada vez mais disponível para dar como certas as suas conclusões sobre a existência da esquerda e da direita. Lugar onde os comunistas não cabem.