quinta-feira, 27 de março de 2008

||| O PCP e o Tibete.

Hoje, o PCP foi o único partido na Assembleia da República que se recusou condenar a violência no Tibete. Está, agora, ao lado dos comunistas chineses, os mesmo que no início da década de 60 do século passado avançaram com a tese dos dois imperialismos – o americano e o soviético. O PCP, a «quinta coluna» do imperialismo soviético em Portugal, segundo a tese maoísta, apesar de envergonhado, está agora, a quase meio século de distância, a reconhecer a «justeza» das teses de Mao Tsé Tung. Não se trata de engolir um sapo, mas um elefante. Hoje, no Avante, Leandro Martins, em defesa dos comunistas chineses, escreve: «Agora, o tema mediático, servido por um simpático Dalai Lama, caixeiro-viajante do império, é a «questão» tibetana, que visa apresentar a China, gigantesco país onde convivem há séculos muitas nacionalidades, como um Estado opressor, visando, pelo menos, estragar-lhe os Jogos Olímpicos. Se forem só os jogos... É que a União Soviética, destroçada também pela ingerência externa na convivência exemplar que soube construir, continua a ser um exemplo de como o imperialismo sabe ganhar com a desunião dos povos.». As voltas que o mundo dá.

||| À mão?

Quando oiço ou leio declarações de ilustres políticos da oposição, sobretudo do PSD e do CDS, atribuir ao «Estatuto do Aluno» os casos de indisciplina nas escolas, vem-me à memória uma história que, um dia, ouvi da boca de Fernando Pessa: há muitos anos, tantos que ele já não se lembrava, houve um leilão de jóias da coroa no Teatro S. Luís. A dado momento, o leiloeiro, emprestando à voz um tom solene, abriu uma pequena caixa forrada a veludo azul-escuro, e disse: - e agora, apresentamos um broche de D. Amélia feito à mão. O silêncio foi, então, quebrado por uma voz grossa, vinda do segundo balcão, que revelando incredulidade, interrogou: à mão?

||| Professores, ainda! [2]

||| Professores, ainda!

Há 3 dias que não via televisão (nem sequer vi, ontem, o Portugal -Grécia). Vi hoje o telejornal da SIC. Percebi que o país – a televisão, a oposição, os costumeiros comentadores televisivos (jurídicos, psicólogos e quejandos) - ainda se está a alimentar do caso de indisciplina de uma aluna da Escola Carolina Michaelis. Mas acrescentam outros «casos». A jornalista diz: «Há alunos que se masturbam na sala de aula». Depois, mostram novas imagens de outras situações: alunos que dão pontapés em colegas; outros que batucam no tampo da carteira, enquanto a professora debita uma lição de economia. Acrescenta a reportagem, através de uma entrevista, que «num colégio privado estas situações são impensáveis». Mostram ainda casos nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha. Perante esta enxurrada informativa, resta uma única pergunta: porque razão os professores estão contra a avaliação do seu desempenho? Ou será que este laxismo nas salas de aulas é da responsabilidade do Bush?

||| Livros.

1) A Tradição da Contestação - Resistência Estudantil em Coimbra no Marcelismo, de Miguel Cardina: revisitar a contestação estudantil dos últimos anos da ditadura, as suas origens e percursos, numa escrita fluente e cativante, a partir de uma tese de mestrado. De leitura obrigatória.
2) O Enigma da Praia da Luz, de Frederico Duarte Carvalho. Apresentação na próxima segunda-feira, 31 de Março, às 18h30, na Fnac do CC Colombo, a cargo de Francisco José Viegas. O Frederico romanceia o desaparecimento de Madeleine e o drama dos McCann e atira achas para a fogueira.

quarta-feira, 26 de março de 2008

||| Lisboa Parada, eólica - dizem.

Vêm aí mais corvinas e amêijoas.

||| Mais IVA, menos IVA.

José Sócrates anunciou, hoje, a descida do IVA em 1%, fixando a taxa em 20%. É pouco. Há meia dúzia de anos este imposto era de 17%. A Espanha aplica a taxa de 16%. Apesar de pouco, é curioso anotar a oposição da oposição à anunciada descida do IVA. Uns dizem que esta descida só vai beneficiar as «empresas e não os cidadãos», de onde se deduz que a dita taxa não devia descer; outros dizem que devia «descer a taxa de IRC em vez do IVA», de onde se deduz que a referida taxa não devia descer; outros, ainda, dizem que se trata de «cosmética eleitoralista», de onde se deduz que a referida taxa não devia descer. E por aí fora. Fico com a ideia que, do ponto de vista dos efeitos mediáticos, é irrelevante se se trata de subir ou de descer um imposto. Se a economia não entrasse nesta conversa, o melhor seria estar quieto.

terça-feira, 25 de março de 2008

||| Treinador de sofá.

Finalmente, depois do jogo Vitória de Setúbal-Sporting, começo a ser acompanhado no que ando a dizer há muitos meses: o Paulo Bento deve ser um bom treinador de uma equipa da segunda divisão. O Carcavelinhos ainda joga? Deixem-no ir para lá.

||| Histórias de faca e alguidar.

Em nenhum outro país da Europa (talvez na Albânia, sem que esta referência seja uma ofensa aos albaneses) um canal de televisão - no caso, a SIC – abre o telejornal com uma «notícia» de rodapé: a ida a julgamento de um dirigente desportivo, acusado do crime de corrupção activa desportiva. A acusação é o resultado de 4 anos de «investigação», refere-se a um jogo de futebol em que a equipa do acusado não ganhou e sustenta-se no testemunho de uma pessoa ressabiada que viveu com o acusado. Todos sabemos que os subterrâneos do futebol não são flor que se cheire mas, pela amostra, tudo isto não passa de uma pequena história de faca e alguidar. Uma vingança pessoal que, ao arrastar atrás de si instituições como o Ministério Público, os Tribunais e a Comunicação Social, dá a medida do nosso empobrecimento.

segunda-feira, 24 de março de 2008

||| Alma portuguesa.

Há coisas que não entendo. Quando se fala, em abstracto, em combater a «fuga ao fisco» todos estão de acordo. Quando, em concreto, o Fisco procura inquirir situações em que a fuga aos impostos é frequente – os banquetes de casamentos e serviços associados, desde fotógrafos a floristas, por exemplo – cai o Carmo e a Trindade. «Coitados» dos contribuintes são «ameaçados» com a aplicação da lei. Pressionado pela comunicação social que, quase abertamente, defende a fuga aos impostos, lá vem o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Carlos Lobo, falar em «excesso» das Finanças. Afinal, querem combater a fuga ao fisco ou não? Decidam-se!

domingo, 23 de março de 2008

||| Do Iraque ao Tibete.

Através de João Tunes chego às declarações de Jerónimo de Sousa, hoje, em Lisboa: aconselha prudência no julgamento da violência no Tibete. Ou seja, descodificando, significa que apoia a repressão chinesa. O que é normal em Jerónimo de Sousa e no PCP. O descaramento está no facto de tais declarações terem sido proferidas durante a inauguração de uma exposição sobre os cinco anos da guerra do Iraque.

sábado, 22 de março de 2008

||| Treinador de sofá.

Penáltis? Paulo Bento? Taça de quê?

||| Intendência.

O Canhoto está de volta.

sexta-feira, 21 de março de 2008

quinta-feira, 20 de março de 2008

||| Quem não se dá ao respeito, dificilmente será respeitado.

A televisão transmitiu, no telejornal de hoje, o que se passou numa sala de aula na Escola Carolina Michaelis, no Porto, filmado via telemóvel por um outro aluno, que impávido e sereno, tal como todos os outros colegas, assistia à cena escabrosa de falta respeito e agressão de uma aluna para com uma professora. O estado a que, neste país, a Escola e a Educação chegaram é o resultado de mais de 30 anos de desmandos: de governantes, sindicalistas e professores. Só é de estranhar não ser conhecido ainda o castigo exemplar à aluna autora deste desmando. Contudo, acrescento, sabendo ser politicamente incorrecto, que não é impunemente que em programas de televisão, como os Prós e Contras, professores chamam mentirosa, cara a cara, à ministra da tutela; como não é impunemente que professores vão fazer arruaça para a porta de partidos políticos ou de comícios de partidos políticos; como não é impunemente que professores se vistam de negro, colectivamente, para dar aulas ou que envolvam as escolas com panos negros para cenas televisivas; como não é impune a linguagem, muitas vezes insultuosa para com o governo, de dirigentes sindicais dos professores. Os alunos sabem de tudo isso e comentam entre eles. O respeito e a autoridade não são servidos de bandeja, conquistam-se. Quem não se dá ao respeito, dificilmente será respeitado.

||| O velho Marx dá para tudo: é só puxar o brilho.

António Abrunhosa, economista e militante do PS, no Público de hoje, escreve: «Existe uma questão central que caracteriza a crise do Socialismo Democrático e, com particular acuidade em Portugal, do PS: trata-se do progressivo afastamento da “Utupia Igualitária”, matriz Identitária do Socialismo que Marx sintetizou no princípio: “ de cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades”. Depois da questão central, vem a conclusão: «É pois nesse sentido que devemos empenhar os nossos esforços, com vista a levar a cabo, em primeiro lugar, uma Refundação Doutrinária do Partido Socialista”. Com a devida modéstia, a esta questão eu já tinha dado a resposta há quase dois anos.

quarta-feira, 19 de março de 2008

||| Recados.

Escreve Paulo Gorjão, homem avisado: «Lembram-se como Aníbal Cavaco Silva era criticado pelas suas reformas e como na hora da verdade obteve uma segunda maioria absoluta?» O recado tem um destinatário directo: o PSD. Mas, aplica-se que nem luva, ao PCP: na hora da verdade, ninguém quer uma ditadura comunista cá em cada. Nem sequer uma parte dos que têm cartão do partido.

||| Agenda cultural [13]

Hoje o Hot Club faz 60 anos. Para comemorar temos a sua Big Band, Maria João e Mário Laginha, no Cinema São Jorge.

||| O mundo está perigoso.

«Êxito que está a ser vivido no Iraque é inegável», disse George Bush, Presidente dos EUA.
«Estamos no meio de uma dura luta envolvendo sangue e fogo, uma luta de vida e morte com a camarilha do Dalai", disse Zhang Qingli, secretário do Partido Comunista do Tibete.

||| Ler os outros.

João Tunes: «…ele ficará a comer porrada comunista, daquela boa que aos operários e camponeses cai em cima do lombo para serem felizes, enquanto nós vibraremos com o salto à vara e a maratona
Sofia Loureiro dos Santos: «Ninguém se apercebe da absoluta e perigosa voracidade das inutilidades
João Pinto e Castro: «Obama aceita, no essencial, a ideologia oficial americana, tal como é inoculada nos programas da Oprah Winfrey: se uma pessoa é pobre, discriminada ou oprimida, algum mal há-de ter feito; está nas mãos dela salvar-se com a ajuda do Senhor