terça-feira, 29 de abril de 2008

||| A fruta está madura.

Foram hoje entregues no Tribunal Constitucional 8 400 assinaturas para dar início ao processo de constituição do em novo partido político – o Movimento Mérito e Sociedade. Eduardo Correia, fundador do novo partido, «não se revê nas orientações políticas nem da Esquerda nem da Direita». Hoje, ao contrário de há cinco ou dez anos, no estado em que se encontra o CDS/PP e o PPD/PSD, a fruta começa a estar madura. Este (ou outro) partido novo pode ser a grande surpresa eleitoral de 2009. A ver vamos.

||| Celeridade chinesa.

A agência Nova China noticiou que o tribunal de Lassa condenou 17 tibetanos envolvidos nos distúrbios de 14 de Março a penas de prisão entre os 3 anos e perpétua. Os 17 condenados foram acusados pela «justiça» chinesa na morte de 18 civis e de 1 polícia, ferimentos em 382 civis e 241 polícias, incendiado sete escolas, cinco hospitais e 120 habitações e pilhado 908 lojas. A notícia da condenação não surpreende, como não surpreendem os factos imputados aos condenados. O que realmente me surpreende é o facto do deputado do PCP Bernardino Soares ainda não ter tecido o seu aplauso à celeridade da «justiça» chinesa em contraste com a «morosidade» da justiça portuguesa. Prender, investigar, acusar e condenar num mês só é possível nos regimes «democráticos» que o PCP nos quer dar.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

||| PSD.

Manuela Ferreira Leite apresentou, hoje, a sua candidatura à presidência do PSD. Do discurso, registo o mais fácil de entender: não se candidata «por ambição política ou vaidade».

sexta-feira, 25 de abril de 2008

||| Novos paradigmas.

Cavaco Silva, no seu discurso comemorativo de hoje, dissertou sobre um inquérito aos jovens. O Presidente da República mostrou-se perplexo perante os resultados: «O estudo colocou aos inquiridos três perguntas muito simples: qual o número de Estados da União Europeia, quem foi o primeiro Presidente eleito após o 25 de Abril e se o Partido Socialista dispunha ou não de uma maioria absoluta no Parlamento. Pois, Senhores Deputados, metade dos jovens entre os 15 e os 19 anos e um terço dos jovens entre os 18 e os 29 anos não foi sequer capaz de responder correctamente a uma única das três perguntas colocadas.» Com perguntas destas, ninguém acerta, obviamente. Nem nos programas do Malato que dão dinheiro pelas respostas certas. Experimentem perguntar aos manifestantes que hoje desceram a Avenida da Liberdade em que ano estreou o filme Blade Runner ou se Mick Hucknall é ou não o vocalista dos Simply Red. O resultado é o mesmo. Estamos apenas num tempo de mudança de paradigmas políticos, culturais e comunicacionais. (Ou, numa versão mais radical: se os políticos não nos ligam pevide porque razão havemos nós de conhecer as suas vaidades… ou, ainda, façam mais «experiências» na Educação e vão ver onde vamos parar...)

||| Azul, Ricardo Paula.

Ricardo Paula, pintura, na Galeria S. Francisco (Rua Ivens, 40 (ao Chiado), Lisboa), de 10 de Maio a 12 de Junho.
(Títulos das telas aqui pré-reproduzidas, por ordem: Rei, capitão, ladrão. O longo passeio na primeira luz. Azul.)

||| Agenda cultural [15]

Ofício diário, pintura de Torquato da Luz, até 12 de Maio, na Junta de Freguesia de S. João de Brito, Rua Conde Arnoso, 5-B, Lisboa.

||| Sem título.

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 23 de abril de 2008

||| Quem me avisa meu amigo é?

O «Tratado de Lisboa» (ou o que quer que seja, já que 99,9% dos portugueses, tal como eu, não o leram) foi aprovado na Assembleia da República. Avisam-me que isto é uma maldade. E porquê? Porque a «perda de soberania» devia ser submetida a referendo. E quem me avisa sobre a «perda de soberania»? Exactamente os mesmos que, em 1968, exigiram (ou aplaudiram) a entrada dos tanques soviéticos nas ruas de Praga, espezinhando a soberania checoslovaca. E quem me avisa sobre a necessidade de referendar o «tratado»? Os mesmos que há pouco mais de um ano não queriam que se realizasse um referendo sobre a despenalização do aborto (depois da rejeição num primeiro referendo), mas a aprovação da lei na Assembleia da República. Afinal, quem me avisa não acredita que o muro de Berlim caiu, como não acredita na corrupção em Angola. Outros, ainda, avisam-me que, mesmo sem referendo, o «tratado» devia ter sido mais «discutido». Pergunto: por quêm? Por meia dúzia de «especialistas», em linguajar hermeticamente fechado, nos Prós e Contras ou na Casa do Povo da Marmeleira? E, por aqui me fico, com uma frase obreirista de um velho caldeireiro da Lisnave: não recebo lições de quem sabe mais do que, mas de quem faz melhor do que eu.

||| Excitações.

Vasco Graça Moura é um optimista descontrolado, sobretudo quando faz uso dos seus dotes político-partidários. No DN de hoje, ele anuncia a aproximação de «duas vagas de fundo». A primeira vaga levará na crista Manuela Ferreira Leite à presidência do PSD; a segunda, ainda maior - «uma vaga de fundo no exterior do PSD» -, levará, então, a futura presidente do PSD à chefia do Governo. Pela pena de Vasco Graça Moura descobre-se, assim, que o PSD não anda pelas ruas da amargura. Está na praia à espera que surjam as duas vagas. Porque, segundo as previsões, «o ponto de encontro dessas duas vagas de fundo chama-se vitória». O perigo da previsão meteorológica de Vasco Graça Moura reside na possibilidade do desencontro das anunciadas duas vagas de fundo poder partir o PSD ao meio.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

||| Portugal dos pequeninos.

«Há qualquer coisa no português que se manifesta como uma complacência paralisante, a complacência no pequeno. É esse o nosso mundo, e o nosso mundo tem que ser pequenino, e nós nos fazemos pequeninos como nosso mundo»
Entrevista de José Gil (1939, Moçambique).

||| Ver mais de um palmo à frente do nariz.

Vital Moreira tem razão quando esclarece sobre «o indisfarçado contentamento que se manifesta em alguns círculos socialistas com as desventuras do PSD». Desculpem-me o desaforo, mas há tontos em todo lado…

||| Jornalismo e jornalistas.

Depois de uma pausa, retomo a conversa com uma sugestão de leitura que me parece estar a ser ignorada: a entrevista de Jeff Jarvis, hoje, no P2 do Público. É qualquer coisa entre o visionário e uma análise despretensiosa da realidade, na linha do seu blogue, o BuzzMachine .

segunda-feira, 7 de abril de 2008

||| Treinador de sofá.

Estamos no começo de Abril e o F. C. Porto já ganhou o campeonato nacional (os meus parabéns a todos os portistas). O Sporting, este fim-de-semana, conseguiu subir de 5º para 4º e voltou à luta pelo 2º lugar. Se acabar o campeonato em 2º lugar e chegar à final da Taça UEFA, Paulo Bento ganha o direito a mais um ano à experiência. Caso contrário, o melhor é assinar contrato com o Carcavelinhos antes que o lugar seja ocupado. Já basta um Chalana na Segunda Circular.

||| Leituras.

As tentações do êxito, Francisco Sarsfield Cabral, Público de 07.04.08 (sublinhados meus).
«(...) o essencial está em que, pela primeira vez na história da democracia portuguesa (e não apenas desde o 25 de Abril), estamos a caminho de pôr ordem nas contas públicas. Há 80 anos, Salazar iniciou esse caminho e teve sucesso - mas à custa da liberdade. Em dois anos o défice baixou de 6,1 por cento do PIB para 2,6 por cento, uma descida mais rápida do que a prevista pelo próprio Governo. Algo inédito na União Europeia e considerado até há pouco impossível por muitos analistas. »

sexta-feira, 4 de abril de 2008

||| Qualidade da democracia e qualidade do Parlamento.

É notório que a oposição – as oposições – está desfalcada de argumentos para questionar o governo. Só isso explica o tema da interpelação de hoje na Assembleia da República: a qualidade da democracia. Mas, pior que o tema, foram os casos apontados: Helena Pinto, do BE, lembrou as deslocações de polícias a um sindicato dos professores; pelo CDS-PP, «a deputada Teresa Caeiro, que se apresentou como alguém “entre os 30 e os 40 anos” que “nunca fez greve” mas que a defende como “um direito”, contestou a utilização, para avaliação de desempenho em vários centros de Saúde de Lisboa, do número de dias de greve». As notícias não nos dão conta de outros casos. É pouco, sobretudo para daí extraír «mediáticas» conclusões políticas: «A democracia não está morta, mas está em agonia», como declarou o social-democrata Montalvão Machado. Esta pobreza diminui a Oposição, o Parlamento e os Deputados da Nação.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

||| Agenda cultural [14]

IN JAZZ: no Teatro Aveirense, de 4 a 12 de Abril. (via Três Tristes Almas Contestes)

||| Adopção e custas judiciais.

O Governo descobriu mais uma fonte de receitas: quem estiver interessado em adoptar uma criança paga 576 euros de custas judiciais. Alguém tem de introduzir sensibilidade social na nomenclatura do ministério das Finanças, senão ainda aparecerão propostas mais «arrojadas»…

||| Dois coelhos (António Costa e Sá Fernandes?) de uma cajadada.

Não conheço os pormenores, mas Vital Moreira não deve gostar de António Costa: com esta proposta, parece querer afundar, financeiramente falando, mais do que já está, a Câmara de Lisboa. Transfiram para os lisboetas os encargos que indevidamente estão a ser suportada por todos os portugueses... é bem urdida.

||| Revista Atlântico.

Não acreditam nas consequências económicas da descida de 1% do IVA e, depois, não se venham queixar.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

||| O PCP e o terrorismo.

As FARC – um grupo terroristas que o «nosso» PCP integra nas forças da «revolução mundial» - sequestrou há seis anos Ingrid Betancourt, uma senhora que no exercício dos seus direitos democráticos se apresentou como candidata à presidência da Colômbia. Ingrid Betancourt, após este tempo num campo de concentração das FARC, está num estado de saúde muito complicado. Há múltiplos esforços internacionais para salvar a vida desta vítima do terrorismo. O meu «instinto» diz-me que, se algo correr mal, o «imperialismo internacional» vai ser responsabilizado pelo PCP pela morte de Betancourt. No caso de o desenlace ser feliz, o Avante tecerá loas ao «humanismo» das FARC. Mas, sejamos pragmáticos: tudo isto não tem importância. O que conta nas salas de reunião do hotel vitória e nos meandros da oposição é que o PCP meteu 100 000 professores na rua.