quarta-feira, 11 de julho de 2007

Interesses.

Marques Mendes volta à carga com o jogo de interesses. Qualquer dia ainda o apanham a fumar... Outro tema maldito para meter debaixo do tapete.

Finalmente...

Estava preocupado com a votação em Telmo Correia. Para além de Paulo Portas e, hoje, na SIC Notícias, Nuno Melo, ainda não me tinha «cruzado» com alguém que declarasse ir votar em Telmo Correia. Afinal, as sondagens estão próximas da realidade. Já me esquecia: a forma de acordar exerce uma grande influência sobre o modo de olhar o mundo. A Brigitte Bardot também deve adorar o Ruben... e o Ruben também devia gostar de viver em Saint-Tropez.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Calamidade pública...

« ... a certas pessoas deve fazer muita confusão que seja possível tanta mulher engravidar sem o desejar. Ou talvez lhes faça confusão tanta mulher engravidar. Ou talvez lhe faça confusão haver homens que engravidam mulheres. Ou que há homens que fazem filhos. E - ó mente perversa!-, dou comigo a perguntar aos meus botões se este tão grande transtorno, esta fúria despropositada, é realmente dirigida às mulheres que fazem abortos, ou aos homens que as engravidam.»
Cristina Vieira (Contra Capa)

À atenção dos organizadores da Festa do Avante.

O Francisco, sempre atento, chama a atenção para uma entrevista de José Saramago, em Bogotá, ao jornal El Tiempo. E destaca o alerta de Saramago sobre a «tentação totalitária» da esquerda latino-americana. Francisco, se me permites, eu chamo a atenção, na mesma entrevista, para o que Saramago disse das Farc – os «guerrilheiros» que estiveram a convite do PCP na Festa do Avante: «Há (...) guerrilheiros, que em princípio, suponho, tiveram ideais para mudar alguma coisa mas que degeneraram em sequestradores, narcotraficantes, e o pior é que não saberão viver de outra forma.» Sublinho o elucidativo «suponho»...

Ópera bufa.

No dia 4 de Maio, sexta-feira, dois dias depois de Marques Mendes ter «demitido» Carmona Rodrigues da presidência da Câmara de Lisboa, e no dia seguinte à conferência de imprensa em que Carmona, em resposta, afirmou não «abandonar o barco», o Semanário escrevia, em título: «Júdice convidado para presidir à entidade que vai gerir a zona ribeirinha Santa Apolónia – Ajuda» e como antetítulo: «Sócrates vai criar agência que retira poderes à Câmara Municipal e ao Porto de Lisboa». A notícia caiu em saco roto: não aqueceu, nem arrefeceu ninguém. Nem à direita, nem à esquerda; nem entre futuros candidatos, nem entre comentaristas. Nenhuma boca, que me recorde, deu um suspiro. Hoje, nos derradeiros dias da campanha eleitoral, o DN (num golpe de memória do jornalista) publica a notícia requentada, após um telefonema a Júdice. O DN nem sequer escamoteia o facto do convite ter sido feito há 4 meses. Mas foi o suficiente para ser a notícia do dia. Agora, todos os candidatos criticaram o convite do Governo a José Miguel Júdice. A campanha eleitoral em Lisboa é um palco de mesquinhas lutas políticas e pessoais que nada têm a ver com a cidade. E Lisboa vai pagar por isso. É apenas uma ópera bufa.

a gastronomia é uma arte.

A Isabel, pelos vistos, foge a sete pés da arte gastronómica; enquanto o Eduardo, como bom gourmet, e para não desfazer a cadeia, sugere requintados pratos de Verão. Gosto mais de cozinhar do que «comer fora», mas cozinhar exige 3 requisitos: a) tempo, todo o tempo necessário (nada pior do que o lume forte porque se está com pressa, por exemplo); b) «trabalhar» com produtos de qualidade e, de preferência, frescos (usar num refogado umas lascas de toucinho de porco preto adquirido num talho não é o mesmo do que usar um toucinho que se retira de uma embalagem de plástico, «fechada em vácuo, sem corantes, nem conservantes»; c) não ser uma obrigação, mas um prazer: cozinhar só pode ser encarado como criar uma obra de arte, como pintar uma tela, como tocar saxofone. Ou, porque não, como quem faz amor. Posto isto nestes termos, avanço para as minhas últimas refeições. No Domingo, o almoço foi no Afonso, em Mora. Um arroz de lebre que fica na memória durante semanas. Regado com Quinta do Carmo reserva 2001. À noite, em casa, um daqueles pratos que me saem sempre bem: pargo no forno com ervas aromáticas (Não se deixem levar por essa «etiqueta politicamente correcta» do vinho tinto para a carne e do vinho branco para o peixe. Há vinhos tinto que o peixe e o paladar agradecem). Na segunda-feira, um almoço de trabalho no Solar dos Nunes, na Rua dos Lusíadas: para além da entrada – salada de fígado de porco preto – um ensopado de eirózes à Porto Alto. À noite, o melhor bife de Lisboa, no Café de S. Bento. Aqui, o Marquês de Borba fez as honras da casa. Hoje ao almoço, de novo em casa, o prato que todos os meus amigos me dizem quando os convido: não é outra vez ervilhas com ovos escalfados? Mas as «minhas» ervilhas com ovos escalfados têm um requinte: a água para a cozedura é substituída pelo caldo de uma farinheira. E pronto. Não comer muito é uma coisa, mas comer mal é outra. De qualquer forma, continuo a seguir o sábio conselho da minha mãe: quem não é para comer, não é para trabalhar.

Citação: As insinuações e o descrédito da política.

«Os últimos dias de campanha para a Câmara de Lisboa arriscam-se a ficar manchados pelo que há de pior na política: a insinuação. Do estilo da que Marques Mendes lançou contra o n.º 2 da candidatura do PS, envolvendo o nome do arquitecto Manuel Salgado num suposto jogo de interesses em torno dos terrenos da Portela. Como presidente do PSD, Marques Mendes não pode fazer insinuações, nem ter comportamento levianos. Se tem indícios ou provas do que insinua, o mínimo que se lhe exige é que faça as acusações nos órgãos competentes antes de as fazer em público, apresente provas e explique em que se baseia. É essa a responsabilidade de quem quer ser primeiro- -ministro do País. Tudo o resto só contribui para a descredibilização da classe política.»
Editorial do DN, 10.07.07.

Trocadilhos.

O Jorge Ferreira escreve que «Só quem não sabe muito bem o valor da liberdade é que apupa a Estátua da Liberdade ». Pergunto: não foi o mesmo pessoal que apupou o primeiro-ministro?

segunda-feira, 9 de julho de 2007

O desassossego dos órfãos que sofrem pesadelos e acordam a pensar que vivem em ditadura.

O pessoal de direita não se sente lá muito bem. E com razão. Está órfão de pai e mãe, o que não é coisa fácil. E as desilusões sucedem-se vertiginosamente, umas atrás das outras. Luta desesperadamente para ver os «seus» governar Portugal, mas não lhes sai nada. É como no euromilhões: só sai aos outros. Acalentou a esperança de dias melhores quando, numa noite fria de Dezembro de 2001, inesperadamente, António Guterres bateu a asa. Mas, a sorte foi madrasta. Saiu-lhe um prémio pequeno, quase desprezível: Durão Barroso (a quem não podia perdoar o facto de ter sido, enquanto jovem, um discípulo de Arnaldo Matos e Saldanha Sanches) e Paulo Portas (que tinha sido um dos coveiro do «cavaquismo»). Do mal, o menos. E o mal seria os socialistas estarem no governo. Já antes, outros tinham engolido sapos. Não eram, pois, os primeiros. Eis senão quando o céu caiu em cima das suas imaculadas cabeças. Durão foi tratar «da vida» para outro lado e deixou a «coisa pública» entrega a Santana Lopes. Sentiram-se traídos e envergonhados. O descalabro bateu à porta de tal forma forte que deu aos socialistas a sua primeira maioria absoluta. Restava ainda uma réstia de esperança: a vitória de Cavaco Silva nas presidenciais. Cavaco – o «cavaquismo» em pessoa – meteria rapidamente os socialistas na ordem. Governaria o país. Despedia os socialistas assim que aparecesse a primeira oportunidade (Jorge Sampaio já tinha dado o exemplo ao despedir uma «maioria absoluta»). Ainda pensaram que o discurso da tomada de posse de Cavaco continha a «génese» dos seus desejos. Mas, cedo perderam o pai: Cavaco numa entrevista televisiva, disse, traduzindo para linguagem de café: «Deixem-se de merdas. O País está mal e este governo está a fazer o que é necessário». Ficaram entregues, como estão agora, a Marques Mendes e a Paulo Portas. Compreendo o desconforto. Compreendo a orfandade. Mas não precisavam de se desorientarem ao ponto de copiarem os comunistas: «aí vem o fascismo». ou «Sócrates é um ditador». Não estou a inventar, a paranóia chegou ao ponto de alguém que reclama o estatuto de jornalista escrever «Temo a falta de isenção da justiça, claramente servil ao poder político e ao ditador Sócrates.» porque a directora de um museu apresentou uma queixa-crime por se sentir ofendida contra um (ou vários) escritos do senhor. Felizmente, estamos em democracia e num Estado de direito. Temos a liberdade de apontar o dedo ao poder quando ultrapassa os limites da lei ou do bom senso - coisa que qualquer democrata deve sempre fazer - da mesma forma que uma cidadã que se sente injuriada pode utilizar os tribunais em defesa do seu bom nome ou da sua honra. Alguma direita perdeu a cabeça e, por ironia, quer ultrapassar os comunistas na treta de que o «fascismo» está aí. Mas, sejamos sinceros: os socialistas não têm culpa que a direita tenha entregue os seus combates políticos a Marques Mendes e a Paulo Portas. Ou será que têm e isto é tudo um grande «complot»?

Pequenas notícias desagradáveis para as oposições.

Citação (2).

«Também acho que devíamos eleger (sim, pela inernet, por 'sms' ou por carta) os cem livros essenciais da nossa cultura, as cinquenta canções da nossa história, os cinquenta mais belos fragmentos paisagísticos do país, os vinte filmes portugueses de sempre, os cinquenta pratos fundamentais da nossa gastronomia - tal como se votou nos cem portugueses. Sou pelas listas e pelas nomeações. Elas ajudam a que se fale das coisas que de outro modo se hão-de perder no meio da bazófia do dia-a-dia e da mediocridade da nossa cultura televisiva. » Francisco José Viegas, JN, 09.07.07. (sublinhados meus).

Citação.

«As multidões não assobiam nem aplaudem, marram.» Ferreira Fernandes , DN, 09.07.07

Bruxas...

«Veja-se o que se passou na Freguesia de Benfica, a última freguesia a ser apurada na noite das eleições. Entre os eleitores de Benfica contados pelas mesas das secções de voto e os dos números do STAPE, houve uma discrepância de 387 votos. Ora, curiosamente, a vantagem que a lista de Pedro Santana Lopes obteve nessa freguesia sobre a de João Soares foi precisamente 387 votos». (Eleições Viciadas?, João Ramos de Almeida, página 109)

sábado, 7 de julho de 2007

Diálogos absurdos.

- Está? Pedro? É sou para fazer um desabafo. - Um desabafo? Já sei que vais falar mal do governo. - E qual é o problema? - Agora não dá. Quando estiver em casa ou no café ligo-te. - Como?

Antecipando a noite de 15 de Julho.

O Eduardo acha que na noite das eleições, veremos Marques Mendes a contabilizar, por junto, «o eleitorado do PSD», ou seja, somar os votos de Carmona Rodrigues e Fernando Negrão. Sabemos que os votos em Carmona Rodrigues são votos contra o PSD, do mesmo modo que sabemos que os votos em Roseta são votos contra o PS. Mas, minutos depois, a ripostar, virá Miranda Calha somar os votos de Helena Roseta aos de António Costa. Marques Mendes não se consegue livrar do labirinto que construiu sem ter decorado o caminho de saída.

Nem tudo o que parece é, tal como nem tudo o que é parece.

A propósito deste post da Cristina lembrei-me de uma pequena história. Desde há 25 anos que, em Fevereiro, cumpro o ritual de visitar a Feira de Arte Contemporânea de Madrid. Aproveito sempre a ocasião para «passar os olhos» por outras exposições. Numa destas incursões, no final dos anos oitenta, entrei com o meu amigo Fernando no Rainha Sofia por volta da hora do almoço. Num dos pisos expunha-se a obra – pintura e instalações – de um norte-americano, cujo nome não me ocorre. Numa das salas, quase geometricamente ao centro, estava uma caixa de ferramentas, de tampa articulada, aberta. A caixa estava cheia de ferramentas. Junto à caixa, repousava um martelo, duas chaves de fendas e meia dúzias de buchas negligentemente espalhadas pelo chão. Dois casais, especados, observavam e comentavam a «obra de arte». O meu amigo hesitou: este gajo passou-se? – Interrogou-me, referindo-se ao artista. Durante meia dúzia de segundos lancei os olhos sobre as obras expostas, e respondi: - Isto não é nada. Ou é um incidente ou uma provocação. Palavras não eram ditas entrou pela sala um operário, de fato-macaco, recolheu a ferramenta espalhada pelo chão, fechou a caixa, pegou pela asa e retirou-se descontraidamente sem reparar na cara de parvos dos dois casais que procuravam disfarçar o embaraço da confusão. Na arte contemporânea nem tudo o que parece é, tal como nem tudo o que é parece.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Pequenas verdades sobre flexi-segurança.

À atenção de Carvalho da Silva e da Intersindical.

Como se prova, pela imagem acima, da EFE, reproduzida em vários blogues, há manifestações que, não só têm toda a cobertura da comunicação social, como não passa pela cabeça de ninguém discutir o número de participantes. Mais: ninguém questiona se os manifestantes são correias de transmissão de um qualquer partido comunista. É só uma questão de imaginação. «Bullfighting is Cruel»? Tudo Bem. Não há problema.

O desassossego de um homem bom que só pensa em estar tranquilo à beira mar.

Fernando Negrão é um homem bom a quem só fazem maldades. É notório que não tem o menor jeito para estas andanças eleitorais, apesar de ser um incorrigível voluntarista. E nem sequer esconde essa falta de jeito. Não foi talhado para fazer o «número» de candidato ao que quer que seja, muito menos a umas eleições autárquicas em Lisboa. Tanto lhe dá para dizer que vai fazer jardins suspensos no Largo do Rato, como fazer, com o seu ar cândido, a maior baralhação que seria possível imaginar com a EPAL, a EPUL e o IPPAR. Nunca os profissionais da política o deviam ter desencaminhado da sua toga de Juiz de Direito enviando-o para Director da Polícia Judiciária. Foi a primeira maldade que lhe fizeram. E ele, qual masoquista, tomou-lhe o gosto. Teve de se demitir do cargo por andar a revelar segredos de justiça a jornalistas, com a mesma ingenuidade com que agora, ao visitar o aterro de Vale do Forno, diz que vai transformar as águas residuais para regar as ruas da cidade (numa Câmara que nem dinheiro para regar as ruas tem) ou em visita a um centro de terceira idade diz, com ar enfastiado, que «os idosos são a sua primeira prioridade» sem ter uma única ideia sobre como traduzir isso no dia a dia. Já o tinham mandado para Setúbal, mas com uma justificação: há muitos anos que aí reside. Agora, candidato à Câmara de Lisboa? Só o desespero de Marques Mendes se lembraria de mais esta maldade. Deixem o homem tranquilo, não o convidem para «batalhas» destas porque ele, incapaz de dizer que não, aceita tudo.