sábado, 31 de março de 2007

Citações.

Extracto de Hábitos velhos e relhos, de José Pacheco Pereira, Público de 31.03.2007 (Sublinhados meus).
«Dêem-lhes um político severo, austero, sacrificado, falando contra a política e os políticos e esse político será popular entre as mesas de café, as cartas dos reformados ao Correio da Manhã contra os "ladrões", os ouvintes genuínos do Fórum da TSF, e as mil e uma expressões populares da demagogia entre "nós" (os trabalhadores esforçados que nunca meteram uma baixa fraudulenta, nunca beneficiaram duma cunha, nunca quiseram fazer uma marquise, nunca receberam qualquer dinheiro sem pagar factura por aqueles trabalhos na canalização, etc., etc.) e "eles" (os ladrões dos políticos). Não surpreende, por isso, que o espectáculo, qualquer que ele seja, seja o Big Brother ou Os Grandes Portugueses, atice os componentes demagógicos que existem um pouco por todo o lado, como forma dominante da iliteracia em política

Diálogos absurdos (4).

- Viste o cartaz xenófobo que o PNR colocou no Marquês?
- No Marquês? Não. Vi na capa do DN.

Arte e propaganda.

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O Deutsches Historisches Museum de Berlim, até finais de Abril, mostra a exposição a «Arte e a propaganda” (Ver a 6ª, do DN). Mas não só nas artes plásticas a arte esteve ao serviço da propaganda política, sobretudo nos regimes totalitários. Também na literatura, na poesia, do designe e por aí fora. Também em Portugal durante o Estado Novo. E quem não conhece as história do poeta cubano Herberto Padilla? Hubert Lanzinger e Viktor I. Goworkow são os pintores acima reproduzidos a par do cartaz da exposição, a qual demonstra que a arte tanto serve para "fazer", como para "desfazer" o servilismo da arte à propaganda política.

sexta-feira, 30 de março de 2007

Cego é aquele que não quer ver.

Mantenho desde há algum tempo uma cordial troca de «galhardetes» com Vítor Dias (O tempo das cerejas). Umas vezes é sobre o papel das manifestações nos regimes democráticos; outras, sobre o significado da "vitória" de Oliveira Salazar num recente concurso de "misses"( sem ofensa...), no qual Álvaro Cunhal foi a primeira dama de honor. Nestas conversas, naturalmente, vem sempre à baila aquilo que é decisivamente importante: democracia versus ditadura. E, como não podia deixar de ser, foge-me sempre a argumentação para a natureza do regime da ex-União Soviética, o qual Vítor Dias sempre defendeu com unhas e dentes. Desta vez, o meu interlocutor (para além de me atribuir um defeito que, sinceramente, julgo não ter: espírito superior), garantiu-me que: «se por acaso ele (Tomás Vasques) fosse do PS, a mim jamais me passaria pela cabeça responsabilizá-lo a ele ou ao PS português pelos crimes das guerras coloniais da Argélia e da Indochina onde o PS francês tanto sujou as mãos de sangue.» Meu caro Vítor: primeiro, eu sou militante do PS; segundo (e aqui reside toda a diferença): ninguém me pode responsabilizar por crimes cometidos por partidos socialistas de outros países porque eu condeno em tempo oportuno tais crimes, da mesma forma que crítico actuações erradas (na minha perpectiva) do PS português, quer enquanto governo, quer enquanto oposição. Ora, quem defendeu a URSS como o «sol da terra» não pode agora sacudir a água do capote; não se pode deixar de assacar responsabilidades por tal defesa. É, sublinho, aqui que reside a diferença que me parece tão elementar com a respiração.

Citações.

Extracto de As botas de Salazar, de Jorge Almeida Fernandes, Público, 30.03.2007.
«O episódio da "vitória" de Salazar no concurso da RTP confronta a esquerda com a sua histórica dificuldade em pensar o salazarismo. (...) Falo da esquerda e daquela tradição, de matriz comunista ou republicana, que nos "treinou" a pensar o salazarismo não só como regime liberticida mas também, e talvez sobretudo, como autor de todas as pragas históricas e sociais - atraso, pobreza, analfabetismo -, por definição incapaz de mudança e produtor de um país fechado, rural, antimoderno. O retrato político de Salazar oscila entre a hagiografia dos fiéis e os estereótipos da oposição, a quem nunca interessou conhecer o inimigo - era tranquilizador vê-lo como medíocre -, o que lhe custou caro. (...) Uma anedota ilustra a dificuldade de pensar a relação entre regime e mudança. Num manifesto de Janeiro de 1959, "Aos Portugueses", que até era inovador em alguns aspectos, a oposição do Norte, de republicanos a filocomunistas, pedia desenvolvimento mas denunciava o II Plano de Fomento e "excentricidades como a da Ponte sobre o Tejo", exigindo a suspensão das "obras de fachada".Ao longo dos anos 1960, esta representação entra em crise. Portugal conheceu nessa época as maiores taxas de crescimento da sua História. Nascia uma nova classe operária e cresciam os serviços, irrompiam novos temas e formas de luta. Os costumes mudavam aceleradamente. O país rural esvaziava-se. (...)Nos anos 1930, Salazar manipulou e ampliou o papel de um PC débil e quase inerte. O PC servia-se desta propaganda gratuita para mascarar a sua impotência. Salazar escolheu o "papão" comunista não pelo seu potencial de ameaça interna, que era nulo, mas em nome do anticomunismo e do inimigo soviético, que eram reais e pagavam dividendos políticos. Quase até ao fim, o regime tentou apresentar toda a oposição como manipulada pelo PCP. Hoje, é o PCP que devolve o favor, restaurando "objectivamente" a figura de Salazar. A demonização redunda em propaganda do objecto diabolizado

Até amanhã.

(VALERY KOSORUKOV , Oil on Canvas, 24" x 30")

quinta-feira, 29 de março de 2007

25 cêntimos.

- ¿Qué apostamos a que no lo sabe? - Lo que quieras ... ¿Cómo no va a saber Zapatero cuánto cuesta un café? ¿Crees acaso que vive en las nubes?

Diálogos absurdos (3).

- Sabes que o Salazar ganhou um prémio? - Quem? O Abel?

quarta-feira, 28 de março de 2007

Portugal, um retrato social.

Passou ontem à noite, depois do telejornal, na RTP, o primeiro de sete documentários que constituem Portugal, um retrato social, um estudo de António Barreto, realizado por Joana Pontes. As conclusões advinham-se à primeira: os portugueses vivem hoje, em todos os domínios, muito melhor do que há trinta, quarenta ou cinquenta. E têm consciência dessa realidade. Ainda há trinta e poucos anos uma mulher contou que foi transportada de carroça na altura do parto. Estava a duas horas da assistência mais próxima. A criança nasceu no caminho e morreu antes de chegar ao destino. Um taxista, à conversa com António Barreto, resume a evolução (cito de memória): «Quando saía com o meu pai ia descalço. Os meus filhos são licenciados. Os meus netos calçam Nike e andam sempre de iPod pendurado nas orelhas» Não há «neo-salazarismo», nem »neo-realismo» que resistam.

Palermices.

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Meu caro Vítor Dias: na rectificação de hoje ao seu post sobre conquilhas estragadas toca exactamente no ponto nevrálgico. Cito: “num quadro em que desde principio não se falava de outra coisa do que da possibilidade de Salazar ganhar, se porventura se verificou uma mobilização espontânea (política e sociologicamente compreensível) de uma parte dos militantes e simpatizantes comunistas para votar em Álvaro Cunhal, isso – longe de representar qualquer forma de «fanatismo» – só abona a favor da sua consciência e postura combativamente antifascista.» É exactamente aqui que, do meu ponto de vista (apalermado, obviamente), a porca torce o rabo. Uma mobilização espontânea dos militantes e simpatizantes comunistas para votar Álvaro Cunhal abona a favor da sua consciência anti-fascista? Na merda de um programa daqueles? (que palco que os comunistas escolhem para a luta!) Votar? (votar? – repito. Que noção de votação e de democracia! Que palhaçada encarar aquela treta como votação!) Consciência anti-fascista? (aumentar as audiências de um reality shows medíocre já passou à categoria de luta anti-fascista!). Noutros tempos recusava-se a participação nas farsas eleitorais montadas pelo regime do “botas” e agora mobilizam-se as “consciências anti-fascistas” para esta cagada? Haja decoro! PS1: Muita boa gente, e perdoem-me a acidez, ensandeceu com esta história do Salazar da Maria Elisa. Até já se fala em “neo-salazarismo” como referência de uma direita desnorteada. Tretas. Vinte mil basbaques fazem dez telefonemas cada um e está a coisa montada. Até já falam no “povo” revoltado. Que idiotice! Não tenho dúvidas de que, nesta palhaçada, igual à Quinta das Celebridades, os «anti-fascistas» que se «mobilizaram» e, aprisionados a uma cultura política com teias de aranhas, tomaram a sério este programa, como se de uma «luta política» se tratasse, deram um brinde ao ditador de Santa Comba Dão. PS2: Caro Vítor Dias: eu por ser um homem livre e que penso pela minha cabeça (a minha obediência é a minha consciência) posso ganhar o prémio «Os Grandes Palermas da Blogosfera Portuguesa». E que prémio atribuir a quem considera que na URSS existiu a «democracia mais avançada do mundo»? Prefiro ser «palerma» do que cúmplice de assassinatos políticos (processos de Moscovo) e das ditaduras e dos ditadores que o comunismo produziu. Durmo de consciência anti-fascista tranquila!

terça-feira, 27 de março de 2007

Moínhos de vento.

No rescaldo da «negra noite salazarista», no último Domingo, uma das frases mais apologéticas do papel de Oliveira Salazar na nossa história recente veio inesperadamente da esquerda pela boca de Vítor Ramalho. Atente-se: «Isto não é apenas um concurso nem deve ser desdramatizado. Pelo contrário, é um grito de protesto, de revolta. O povo português sente que a nossa grandeza de alma se tornou pequenina. Não temos conseguido forjar um projecto galvanizador de afirmação externa de Portugal

Cerejas e conquilhas dão azia?*

Já alguma vez vos tocaram numa ferida? Obviamente, reagem assim!

(* Naturalmente, aqui trata-se de ideias. Nada tenho contra Vítor Dias. Senão, diria que chapéus há muitos).

Dar novos mundos ao mundo.

Depois da capa do Público (com a mesma fotografia de El Mundo) fiquei a saber que, depois de Figo, Cristiano Ronaldo, Durão Barroso e os rapazes do Rugby que defrontaram os uruguaios no campo e numa discoteca, temos agora Michelle de Brito, a nova Sharapova. Não é coisa pouca para um país de fado e vil tristeza. Que Deus nos conserve para dar «novos mundos ao mundo». Não há Salazar que nos mantenha «orgulhosamente sós»

segunda-feira, 26 de março de 2007

Informação.

X Jornadas de Comunicação Social na Universidade do Minho, dias 27 e 28 de Março.

Diálogos absurdos (2).

- És defensor da Ota? - Não. Não sou otário.

Será verdade?

«Para Rita Vaz, dirigente da Juventude Nacionalista (JN) do PNR, a Faculdade de Letras pode ser a primeira de muitas associações que o partido pretende conquistar. A lista, acrescenta, apesar de ter simpatizantes do PNR, é "apolítica", porque também há elementos da Frente Nacional, um movimento nacionalista, e do Bloco de Esquerda, para "mostrar que todos podem participar".»
Extrema-direita quer entrar nas secundárias e universidades, Bárbara Wong, Público, 26.03.2007

Dizem que é uma espécie de...

A RTP realizou um reality shows durante 6 meses com um formato importado, como é usual. Desta vez, em vez de usar cidadãos anónimos sedentos de fama, como no Big Brother, ou o jet set à portuguesa, como na Quinta das Celebridades, usou personagens da nossa história como participantes. Chamou-lhe os «grandes portugueses». O público que normalmente se envolve e participa neste tipo de programas podia escolher entre uma vasta lista de nomes. Só que, desta vez, um “novo” público se empenhou na participação: os defensores de Álvaro Cunhal, ou seja, os militantes comunistas. A “superioridade mal dos comunistas” não resistiu à participação neste Big Brother da história. E procuraram obter aqui, nesta brincadeira do faz de conta, uma “vitória política” que não conseguem em eleições emocráticas. Foi só ouvir Odete Santos para perceber o empenhamento nessa “vitória”. Mas, como não podia deixar de ser, o tiro saiu pela culatra. Conseguiram mobilizar pessoas suficientes para impedir que a militância telefónica do PCP levasse Cunhal a ficar em “primeiro” nesta destrambelhada Quinta das Celeridades. Odete Santos, mal viu o resultado final, em que Salazar estava claramente em “primeiro”, ainda esboçou o argumento de que a “votação” era anticonstitucional porque promovia o fascismo. Mas, rapidamente, virou a agulha para não cair no ridículo. Com o devido respeito por ilustres comentadores, penso que não são precisas grandes explicações sociológicas e politicas para justificar este resultado caricato de Cunhal e Salazar ocuparem os lugares cimeiros deste jogo. Aliás, na sondagem que foi apresentada “ganhou” D. Afonso Henriques. Neste jogo, tipo monopólio, o PCP investiu e perdeu. Mais: empurrou o Salazar para cima. Agora já podem lutar de novo contra o fascismo…

Perguntar não ofende.

Quando é que o Ministro do Ambiente manda demolir o bairro de barracas (a que os moradores chamam «parque de campismo«) na Costa da Caparica, o qual está abaixo do nível do mar e em zona protegida?

Até amanhã.

Luis Leoold Robert (1794-1835)

domingo, 25 de março de 2007

Efemérides.

Amanhã, a convite de Cavaco Silva, há regabofe institucional em Belém para lembrar os 50 anos da «Europa». Parece que o senhor presidente lhe está a fugir o pé para o chinelo: não convidou para a efeméride Mário Soares. Mas Mário Soares só pode agradecer o não-convite porque em matéria de «Europa» não se confunde com Cavaco Silva e Durão Barroso. E se não agradece é porque lhe retiraram o prazer de dizer que não podia estar presente.
(foto aqui)

Diálogos absurdos.

- O que faziam os marines ingleses tão longe de casa? - Andavam à pesca.

Concursos...

Anda por aí muita gente excitada com o receio de que, hoje, pela calada da noite, António de Oliveira Salazar salte da tumba onde repousa, em Santa Comba Dão, e venha por aí abaixo, no mesmo comboio que o transportou àquele lugar, tomar conta disto outra vez. Estejam descansados: estou em condições de vos assegurar que o “botas”, mesmo que ganhe o tal concurso, ficará onde está enterrado eternamente.

Nus de Amedeo Modigliani (1884.1920) estão pela primeira vez expostos na Rússia. A sua obra nunca ali entrara, apesar de ser conhecido dos russos pela sua relação com a poetiza Anna Ajmátova. Esta semana inaugurou, no museu Pushkin de Moscovo, “Encontro com Modigliani” – uma mostra para a qual contribuíram quase 30 museus de todo o mundo. Não esquecer que Modigliani morreu tuberculoso e na pobreza aos 35 anos.

sábado, 24 de março de 2007

Ricardo Quaresma.

O mestre da trivela.

(in)coerências.

É preciso ter desplante! (via João Tunes)

Semanada.

1. «o verdadeiro escândalo não é recuperar-se a casa de Salazar, mas manter a de Aristides de Sousa-Mendes em ruínas.» do Pedro Correia (Corta-fitas).
2. «Salazar não ganhará o programa da D. Elisa porque não precisa. Nunca chegou a sair de nenhuma das televisões, mesmo das outras duas que não criou.» do João Gonçalves (Portugal dos Pequeninos).
3. «Historicamente, Portugal tem perdido muito por causa de bufos profissionais e de inventores de estórias. No período da Inquisição, os profissionais da intriga dedicavam-se a inventar bruxarias para enriquecerem à custa do património alheio e aquecerem os ossos nas fogueiras. Agora, os bufos têm uma arte mais sofisticada. Há um negócio que não corre bem? Vamos retaliar… Vamos perseguir o decisor politico e dedicar-lhe umas boas paginazinhas de jornal.» de Miguel Abrantes ( Câmara Corporativa).
4O jornalismo de referência do “Público”, por exemplo, é pior do que muitos possam pensar: a directoria obedece à voz do dono e presta-se às mais abjectas vinganças. Conheço o géneroEduardo Graça (Absorto).
5. «Não é meu hábito escrever neste blogue sobre assuntos de delito comum. E o CDS não passa hoje de um assunto de delito comum.» de Jorge Ferreira (Tomar Partido).
6. «Até quando, Público, abusará da nossa paciência?» de João Pinto e Castro (...bl-g- -x-st-)

quinta-feira, 22 de março de 2007

David Machado lançou o seu segundo livro para crianças: OS QUATRO COMANDANTES DA CAMA VOADORA. Anteriormente ganhou o Prémio Branquinho da Fonseca 2005 da Fundação Calouste Gulbenkian/ Semanário Expresso, com o livro infantil A Noite dos Animais Inventados. Além destes, já publicou o romance O FABULOSO TEATRO DO GIGANTE (Editorial Presença). David Machado é um jovem que se atirou à escrita com alma.

Investigação conclui:

«...entre os seis membros da direcção do PÚBLICO, só um completou a licenciatura, e não é o director.» Público, 22.03.2007.

Citações.

«Não é fácil escrever sobre a balbúrdia que grassa no CDS: ou se envereda pela justa condenação da "malandragem" que quer tomar de assalto o partido ou se opta por um higiénico silêncio sobre os últimos capítulos deste miserável enredo. O mais fácil, parece-me, é espumar de indignação perante o triste espectáculo oferecido por um grupo de delinquentes políticos que decidiram suicidar-se em directo. O mais prudente, no entanto, é ignorar a matéria, evitando envolver-se na teia de pormenores sórdidos que vieram a público, nos últimos dias. O festival de insultos e de acusações em que se transformou o conselho nacional de domingo não convida, de facto, a grandes reflexões sobre a "refundação" da direita e a sua suposta "modernidade". Dois anos depois de ter perdido as eleições legislativas, a direita (ou que resta dela), em vez de se ter "refundado", como anunciavam alguns espíritos mais optimistas, discute acaloradamente o hipotético empurrão de um tal Hélder de Viseu e as qualidades intrínsecas de qualquer beirão que se preze.»
Ficções e caricaturas, Constança Cunha e Sá, no Público de 22.03.2007.

Mike Tyson em Lisboa?

Estará Mike Tyson (aquele que comeu uma orelha ao adversário) disponível para entrar ao serviço de Paulo Portas no próximo Concelho Nacional do CDS/PP, marcado por Maria José Nogueira Pinto para 31 de Março, substituindo o deputado beirão Hélder Amaral? Eu não sei. Mas a Maya deve saber.

Tiro no escuro.

Hoje (ontem: o meu dia não vai das 0 às 24; é o período compreendido entre o acordar e o adormecer)) houve debate na Assembleia da República com o primeiro-ministro. O assunto principal foi o aeroporto da Ota. Não sei nada do que lá se passou. Mas, consultando os blogues do costume, não encontrei nenhum comentário digno de registo. Presunção óbvia: José Sócrates ganhou o debate. Fico a aguardar o nascer do dia para ler os jornais.

A Ota (2).

Há argumentos contra a construção do aeroporto de Lisboa na Ota que, pelo seu «brilhantismo», parecem encomendados pelos defensores da Ota.

quarta-feira, 21 de março de 2007

A Ota.

O Público de hoje dá conta que: «Dados do barómetro da Organização Mundial do Turismo revelam que Lisboa foi a cidade da Europa que mais cresceu em 2006 no que concerne à ocupação hoteleira (dormidas), que avançou 14,6 por cento face a 2005. Este crescimento de dois dígitos supera o de cidades concorrentes de Lisboa, como Madrid, Londres ou Paris. Para o responsável (da ATL), há três grandes factores que explicam este crescimento: a recuperação económica dos mercados emissores, a contratualização com os privados da promoção turística e o fenómeno das companhias aéreas low cost, que trouxe novos clientes à capital.» Quando o aeroporto de Lisboa se situar na Ota (caso venha a contecer) os "nossos" turistas vão levar tanto tempo entre o aeroporto e o hotel do que o tempo de voo desde o destino e o viajante low cost vai pagar mais para chegar ao hotel do que pagou para chegar à Ota. Lá se vai, então, a competitividade turística de Lisboa pela Ota abaixo.

terça-feira, 20 de março de 2007

Dia Mundial da Poesia na Casa Fernando Pessoa

Não entro na Casa Fernando Pessoa há, pelo menos, sete anos. Desculpo-me sempre com afazeres vários. No entanto, é uma ausência nostálgica. Uma ausência presença. Recordo-me das reuniões em que João Soares, em finais de 1990, «desfez» a cedência daquele espaço, na Coelho da Rocha, ao «Aero Club» (já não sei se é este o verdadeiro nome) feita por Nuno Kruz Abecassis, como me recordo das reuniões com a Sabrina para definir o projecto da intervenção arquitectónica. Depois vieram as vicissitudes da obra de reconstrução do edifício. (A empresa que ganhou o concurso público já depois do início da obra foi à falência. A questão era saber se voltava tudo à estaca zero, com novo concurso, e o consequente atraso de um ano nos trabalhos, ou se a empresa classificada em segundo lugar podia assumir a posição da primeira). Finalmente, recordo-me do convite a Manuela Júdice para dirigir a Casa e o dia da abertura, como me recordo de muitas iniciativas que lá tiveram lugar. (Importante: não esquecer o logo do Rui Perdigão). Tudo com muita determinação, empenho e amor. Amanhã, 21 de Março, comemora-se Dia Mundial da Poesia na Casa Fernando Pessoa. Mais uma vez não poderei estar presente: afazeres vários. Fica para a próxima. Parabéns ao João Soares e ao Francisco José Viegas.

4 anos depois...

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Até amanhã.

Pére Pruna (1904-1977)

segunda-feira, 19 de março de 2007

Caldeirada à Caldas

Paulo Portas gosta muito de jogar às escondidas ou à apanhada. Tanto lhe faz: esconder-se ou ser apanhado. Nos últimos anos deixou-se mais apanhar do que se escondeu. Em 2001, disse com voz grossa, aquando das eleições para a Câmara de Lisboa: «Eu fico!». Mentira. Assistiu a 2 ou 3 sessões de Câmara como vereador e foi-se embora para o Governo. Obviamente, era mais importante (para ele) ser membro do Governo do que vereador. Como para o «outro» foi mais importante (para ele) ser presidente da Comissão Europeia do que primeiro-ministro. Comportou-se como se os eleitores fossem uma cambada de mentecaptos. Mas foi mais uma vez apanhado: os «mentecaptos» não apreciaram o «homem de estado» e deram-lhe sopa nas eleições legislativas de 2005. Frustrado com os resultados eleitorais, quase como quem cumpre um triste fado, fez o número do «desgraçadinho» na esperança de que, mais cedo ou mais tarde, isso lhe rendesse umas moedinhas: abandonou a presidência do CDS/PP. Mediu dia a dia o seu regresso. Passados dois anos decidiu voltar. Pensou com os seus botões, e disse, eufórico: este Marques Mendes é um nabo e o centro direita está desocupado. Arregaçou as mangas e foi para o centro cultural de Belém dar uma conferência de imprensa. Mas, como qualquer criança mimada, quis o «brinquedo» mal o desejou. Não soube esperar, nem respeitar as regras do jogo. O resultado da «birra», ontem, em Óbidos, foi simplesmente degradante. Mostrou, sobretudo a quem ainda tinha ilusões sobre a personagem, o que vale e o que é Paulo Portas. Pode, depois de um congresso extraordinário e de eleições directas, reocupar a presidência do seu partido, mas ontem ficou politicamente ferido de morte.
Em tempo: O que se passou ontem em Óbidos, na reunião do conselho nacional do CDS/PP, que me recorde, só foi suplantado, em 1974, no teatro Vasco Santana, a Entre-Campos, aquando da eleição da direcção da associação de amizade Portugal-China, entre facções do PCP(m-l), envolvendo as tendências Mendes e Vilar. Aí houve mesmo facadas.

Hoje: leituras recomendadas.

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Paulo Portas vs CDS.

É natural que, a partir de amanhã, o CDS/PP tenha dois presidentes. Um a convocar um congresso extraordinário e outro a convocar eleições directas. Também não é de admirar que, pelo rumo que a discussão tomou hoje no conselho nacional, ambos os presidentes - Ribeiro e Castro e Paulo Portas - reclamem a "legitimidade" que lhes foi conferida pelo dito conselho para tomarem de assalto a sede, os ficheiros de militantes e organizarem processos eleitorais paralelos. Em suma, Paulo Portas regressou em forma.

domingo, 18 de março de 2007

Notícias.

O Francisco José Viegas teve, no mesmo dia, duas merecidas notícias: um boa; outra . Haverá algum prémio literário a ser atribuido daqui a 15 dias?

Sem título (para não incomodar os meus amigos portistas).

sábado, 17 de março de 2007

Descalçar as botas.

José Sócrates tinhas duas botas para descalçar: as Scuts e a Ota. Uma já descalçou. Quando é que descalçará a outra?

Detector de Spin©.

Manuela Ferreira Leite foi apreciada, pelos mesmo motivos (não estar de acordo com Marques Mendes na proposta de redução de impostos) com seta para cima no Expresso e com seta para baixo no Sol.

Citações.

1. «Ao tomar posse em condições de poder inéditas à esquerda, José Sócrates inicia a concretização de um programa político de influência ideológica neoliberal que tem como objectivo desestruturar o papel social do Estado tal como foi construído no pós-guerra (em Portugal, após o 25 de Abril), não só na vertente de garante de direitos democráticos, mas também na da redistribuição de riqueza, numa pressão inédita, numa luta de classes invertida, por forma a retirar poder de compra e qualidade de vida a quem trabalha, a favor do mercado, do capital e da classe dominante que o representa, as elites de gestores e empresários. O resultado tem sido o dumping social dos últimos dois anos.»
(São José Almeida, Dois anos da "nova política",17.03.2007, Público).
2. «Acreditem apenas na vossa consciência socialista e na vossa organização socialista - diz às massas o partido operário. Conceder aos liberais burgueses a primazia na luta e o direito de dirigi-la, significa trair a causa da liberdade, deixando-se desorientar por frases sonoras e vistosas etiquetas na moda. Nenhuma ameaça das centúrias negras em relação à Duma causará tanto prejuízo quanto a corrupção da consciência das massas que acompanhem cegamente a burguesia liberal, as suas palavras de ordem, as suas candidaturas, a sua política
(V. I. Lênin, Qual é a atitude dos partidos burgueses e do partido operário frente às eleições para a Duma?)

sexta-feira, 16 de março de 2007

Verdades politicamente incorrectas...

«ahh, pois é! » de Cristina Vieira (Contra Capa).

Ofíco Diário

Sessão de lançamento do livro OFÍCIO DIÁRIO, de Torquato da Luz (editado por Papiro Editora), no dia 30 de Março, às 21 horas, na Bulhosa de Oeiras.

quinta-feira, 15 de março de 2007

Esquizofrenia ou manobra de diversão?

Hoje foi aprovada legislação que proíbe o uso dos isqueiros vulgares. A partir de agora só serão permitidos isqueiros que não possam ser accionados por quem não tenha a intenção de acender um cigarro. (Num país que tem uma´"época de incêndios" não deixa de ter piada). Em nome da “segurança” dos cidadãos e da legislação comunitária. Digamos que, com benevolência, se pode considerar uma medida “interessante” que nos transmite a ilusão de que acompanhamos a “civilização”. Mas, num país estruturalmente atrasado como Portugal, estas medidas destinam-se apenas a desviar a atenção do essencial. Tal como a acção de hoje desencadeada pela ASAE: “Falta de livros de reclamações em cabeleireiros”; “peixe fresco, acabado de sair do mar, mas em caixas não regulamentares” e outras "ilegalidades" de igual calibre. Cheira que me estão a querer desviar a atenção de qualquer coisa importante.

quarta-feira, 14 de março de 2007

FAMAFEST 2007.

O I Encontro Nacional de Blogues de Cinema (e mais genericamente de Cultura, que tenham uma forte componente Cinematográfica) tem lugar no próximo fim-de-semana, a partir de sexta-feira, dia 16, na Casa das Artes, em Famalicão.

Intriga em Família.

Sou um leitor de Eduardo Pitta. Não só como poeta, ensaísta, escritor, crítico literário, mas também como bloguista. No próximo mês vai estar nas livrarias Intriga em Família: uma selecção dos textos publicados no Da Literatura nos últimos dois anos. «Inconveniente é com certeza.» Também tenho essa certeza.

A «cultura» do drama.

Casos como o de Andreia Elisabete/Joana Filipa – porventura, com protagonistas muito próximos – aconteceram vários durante os últimos trinta anos. Contudo, este caso é paradigmático da «cultura» de faca e alguidar a que chegou a comunicação social nos nossos dias. Há trinta anos aparecia (quando aparecia) meia dúzia de linhas, sem o menor relevo, numa qualquer página interior dos jornais, aquando do rapto. A televisão nem perdia tempo com o assunto. Quando era encontrada a raptora, os jornais ampliavam a notícia, sem sair das páginas interiores, e sem destaque significativo. A televisão poderia dar uma nota de fim de telejornal, do tipo: “A bebé desaparecida há um ano do hospital X foi encontrada graças ao trabalho da polícia judiciária. Encontra-se bem de saúde e os tribunais decidiram entregá-la aos pais naturais, apesar de se tratar de uma família de fracos recursos económicos e com 7 filhos.» O assunto morria por aqui. Passados trinta anos, é o que se lê e vê e que todos conhecemos. Há mesmo programas de televisão com participação do «público» sobre o assunto com duração de horas, enquanto os jornais e os noticiários não largam o osso. Não há discussão política que resista a esta «cultura» de faca e alguidar.

domingo, 11 de março de 2007

Até amanhã.

Caren Thompson, Nova Zelândia, 1951

O velho, o rapaz e o burro...

Nunca pensei que a Sisi viesse ainda a ser tão falada. Mas esta nova história da Sisi faz-me lembrar a história do velho, do rapaz e do burro. Se o senhor engenheiro se descarta e atira a responsabilidade para cima dos outros, ministro ou outra figura desconhecida e não sujeita a sufrágio, a "voz do povo" comenta: lá está ele a lavar as mãos e a fugir às responsabilidades. Se o senhor engenheiro assume a responsabilidade directa pela segurança lá cai o carmo e a trindade: sovietização do regime é a apreciação mais benovelonte. Cá por mim, nos tempos que correm, prefiro saber que quem dá a cara e é responsável pela Segurança é alguém em quem eu possa votar ou não votar.

Ler os outros.

Eduardo Pitta (Da Literatura) está sempre atento. Não só à Literatura. Mas, também, à Política.

Foto do dia.

O "fugitivo" pede um café para a senhora Merkel.

Diz que é uma espécie de...

Santana Lopes foi o criador daquela coisa que se diz que é uma espécie de de Câmara de Lisboa; depois, foi o criador daquela coisa que se dizia ser uma espécie de governo. Agora, quer criar uma coisa que seja uma espécie de partido de centro direita. E sabem porquê? Porque "Portugal está próximo da Rússia e da Coreia do Norte" - disse esta tarde nos "estados gerais da direita". Com Paulo Portas e Santana Lopes como líderes da oposição, a tentarem vingar a gigantesca derrota eleitoral de 2005, José Sócrates ficará onde está mais tempo que Oliveira Salazar. Com uma substancial diferença: em democracia.

O culto de Sócrates (2).

Vem aí o grande cisma. Quem o anuncia é Santana Lopes, nos “estados gerais da direita”. Depois de Paulo Portas se ter apresentado recentemente de cara lavada para retomar o comando e conduzir o CDS/PP para a conquista do centro-direita, chegou a vez de Santana Lopes entrar na corrida pela “reformulação inevitável do centro-direita”. Daqui até às próximas legislativas Paulo Portas e Santana Lopes vão tentar recuperar o "templo perdido". Não tem nada a ver com luta ideológica. Nem com Direita. Tem a ver com "carreiras políticas". E descobriram agora, ambos, o "centro direita" como quem descobre a pólvora. Enquanto Santana Lopes e Paulo Portas mexerem o "culto de Sócrates" estará bem vivo.

O culto de Sócrates.

Há por aí muito boa gente – alguns amigos meus, também – preocupados com o culto de Sócrates, título da crónica de Vasco Pulido Valente no Público de hoje. Apesar de vivermos num tempo hiper-mediatizado, em democracia, os cultos (tal como o poder) são efémeros: esfumam-se de um dia para o outro se não corresponderem a resultados. No entanto, se toda a crítica (ou quase) a José Sócrates se anicha na discussão do “culto”, como está a acontecer, transferem para a área da “propaganda” a avaliação dos resultados. E, por este caminho, são os críticos, mais do que o próprio, a construirem o "culto".

Leituras recomendadas.

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O Voo da Rainha, do argentino Tomás Eloy Martínez e Doutor Pasavento, do catalão Enrique Vila-Matas.

Os europeus estão tramados.

«El esperma de los europeos pierde calidad»

Não há desculpas.

Cavaco Silva deu hoje, mais uma vez, em Coimbra, o seu apoio ao primeiro-ministro, dizendo-lhe que não vacile nas reformas da Administração Pública, nas reformas hospitalares e em todas as outras reformas que tenha que levar a cabo. Mais um pouco e teria acrescentado: não ligue a manifestações e faça o que tem que fazer porque eu estou aqui para o apoiar: "Acho que hoje existem no país condições de estabilidade política para que se faça aquilo que é necessário fazer para que o país se desenvolva e se modernize. Não há assim muitas desculpas para adiar o que é preciso fazer", afirmou o Presidente da República. Como escreve Paulo Gorjão: não há desculpas, apesar de me parecer que não partilhamos a mesma interpretação sobre as declarações de Cavaco Silva.

François Bayrou.

As sondagens introduziram um sobressalto na campanha eleitoral em França: François Bayrou, o candidato da UDF. Depois de saltar de 6% para 19% nas intenções de voto, as mesmas sondagens dizem que Bayrou venceria, na segunda volta, qualquer adversário. Para além disso, os franceses tem melhor opinião de Bayrou do que dos seus mais directos adversários: Ségo e Sarko. Provavelmente não passa de um sobressalto, mas não há dúvida que veio animar as eleições presidenciais francesas.

sábado, 10 de março de 2007

Manif. (4)

Em Madrid, desde Cibeles até Colon, o PP reuniu mais de 2 milhões de pessoas (segundo números avançados pelos organizadores) para protestar contra a política anti-terrorista de Zapatero. O discurso de Mariano Rajoy, que acompanhei pela TVE, mostra um PP ressabiado pela derrota eleitoral no rescaldo dos atentados terroristas de 11 de Março de 2004 e a centrar definitivamente na luta anti-terrorista (rompendo um pacto de muitos anos entre os principais partidos políticos e fracturando a coesão política contra a ETA) a sua estratégia de luta contra o Governo de Zapatero. É uma estratégia perigosa: se Mariano Rajoy perde as próximas eleições, mesmo que a razão principal essente nos resultados económicos obtidos pelo Governo, não se livra da leitura de que os espanhóis não querem a sua forma de lutar contra a ETA. De qualquer modo, a luta contra a ETA ficou claramente, a partir de hoje, no centro da luta política em Espanha.

Erro de casting.

O que faz ali, no meio daquela história, um gajo do BE? É neto da anfitriã, Sr.ª Barbedo de Silva? É filho da cozinheira, mas com direito a comer à mesa com os patrões? E é assim tão "dócil" , tão "leite creme" que se sujeite aquela almoçarada?

A fotografia holandesa: Desiree Dolron. (2)

A fotografia holandesa: Desiree Dolron.

Ainda a Arco 2007: a galeria holandesa Gabriel Rolt apresentou trabalhos de Desiree Dolron. A artista holandesa manipula as suas fotografias através de computador. Os modelos que escolhe e a manipulação transformam o trabalho de base fotográfico em "quase" pintura. Alguns dos trabalhos assemelham-se, nos rostos, na ambiência e na luz aos flamengos primitivos e, nomeadamente, a Vermeer.

A manif. (3)

(Foto: Cristobal Manuel - 09-03-2007)
A Direita espanhola vai hoje realizar nas ruas de Madrid uma grande manifestação contra o governo de Zapatero. Os dirigentes do PP acreditam que será a maior manifestação realizada em Espanha nos últimos 30 anos. Ontem, o PP fez um ensaio geral organizando manifestações em todas as cidades espanholas. As grandes manifestações de rua contra os governos não são, pois, monopólio dos comunistas. E muito menos dos comunistas portugueses. (Aliás, a Direita chilena, nos 2 anos que antecederam o golpe militar de 11 de Setembro de 1973, organizou grandes manifestações de rua em Santiago.) Enquanto assistirmos a grandes manifestações de rua, quer seja na Rua de S. Bento , quer saja na Praça Colon, é porque vivemos em Democracia.