terça-feira, 9 de outubro de 2007

||| Como se constrói um mito.

Primeiro, é indispensável que o futuro mito possua os ingredientes necessários para ascender a mito. Em seguida, faz-se uma caçada ao futuro mito. Depois de caçado é necessário tratá-lo, pelo menos um ou dois dias, como um animal selvagem de rara perigosidade (o espancamento e a humilhação não podem ser descurados). Em seguida, abate-se o futuro mito com requintes de matadouro. Finalmente, não esquecer de lhe cortar as mãos antes de o enterrar para evitar que leve com o corpo as impressões digitais. Seguindo à risca estes procedimentos, não falha. Temos mito, pelo menos para um século.

||| De que falamos quando falamos de qualificação do Turismo.

«Aconteceu mesmo assim».

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

||| Democracia e Radicalismos.

A propósito deste texto do Francisco, lembrei-me de uma história que me foi contada, há mais de 10 anos, por um deputado de um partido da esquerda radical com representação no Parlamento catalão: o Rei, em visita à Catalunha, discursou no Parlamento, obviamente, em espanhol, a que se seguiu o discurso dos representantes dos diversos partidos. O representante do dito partido radical iniciou o seu discurso em francês. Foi de imediato interrompido pelos apupos de todo o parlamento. Então, interrogou: se o Rei pode vir aqui, ao parlamento da Catalunha, e discursar numa língua estrangeira, porque motivo eu não o posso fazer? No fundo, a democracia enriquece com esta diversidade de olhares. Os «outros» - as ditaduras - não têm estes pequenos prazeres.

||| Exageros ideológicos.

Parece não haver dúvida, à esquerda e à direita, que Hitler e o nazismo constituem o símbolo por excelência da barbárie. Por isso, serve de referência, de um lado e de outro, a todos os exageros... nem o bigode é o de Staline, mas o de Hitler. É significativo.

||| Pastorinhos?

«Más de mil videntes se ofrecen a los McCann para encontrar a Madeleine»

||| Referendos à vista ou ameça para inglês ouvir?

||| Polémicas.

Um estudo da revista Forbes diz que as capas das revistas com Jennifer Aniston são as que mais vendem, informa Coutinho Ribeiro. Por sua vez André, em tarde de Domingo, discorda e diz que o prémio devia ir para Scarlett Johansson. Cá por mim, nem Woody Allen me convence: ninguém vende mais do que a Angelina, (apesar de António Vitorino a ter confundido com Francisco Louçã) a actriz mais votada pela Forbes no The Celebrity 100. Aceitam-se mais sugestões...

||| Citações.

Excerto de O fim de Bush e o campo liberal, Francisco José Viegas, JN, 08.10.07.

«Não se percebe como, na história das ideias do último quartel do século XX, um termo tão expressivo e tão belo, "liberal" (reproduzo as palavras de Bernard Henri-Levy no seu último ensaio sobre a América), pôde ser tão enxovalhado pela esquerda e pela direita; ele diz respeito a uma consciência livre da cidadania, a uma independência de carácter que é herdeira dos cavalheiros e das ideias que no século XIX forjaram as nossas sociedades democráticas; diz respeito ao primado da liberdade, dos direitos dos cidadãos e do rigor republicano sobre o interesse absoluto do Estado e o prolongamento dos interesses de casta. Isso é ser liberal no nosso velho mundo.»

domingo, 7 de outubro de 2007

||| Alta tensão.

Foi você que pediu uma linha de alta tensão sobre a sua casa? A REN leva-a até si sem despesas, nem encargos. E se algum Tribunal se intrometer no seu desejo, não se preocupe: a REN está tecnicamente preparada para fazer valer os seus interesses e superar as «burocracias». Aliás, a REN «introduziu no pensamento empresarial o conceito de “cidadania”». Durma, pois, descansado, debaixo de uma rede de alta tensão. A REN zela por si e pelo seu sono.

sábado, 6 de outubro de 2007

||| Banda desenhada.

O Avante, num exercício de literatura infantil, explica detalhadamente o «processo eleitoral» em Cuba. O povo cubano deve estar ansioso à espera do próximo dia 21 de Outubro, dia das próximas «eleições». Num amanhã próximo, quando milhões de cubanos saírem à rua a festejar a queda do regime castrista, os comunistas portugueses vão ficar de boca aberta e exclamar atónitos: com um regime tão democrático que eles tinham isto só pode ser obra da CIA.

||| Madame Bobone.

Uma tal senhora Bobone, apresentada como «especialista em etiqueta», o que significa que não faz das mãos talher, nem usa uma pedra quando não há papel higiénico, foi entrevistada pelo Sol, naquelas entrevistas de praia da página 2. De mãos na anca, tipo forcado, como manda a «etiqueta», é uma pedra da primeira à última linha: desde dizer que «sofre mais com uma árvore cortada do que com um enforcado» até «eu daria um “granda” política, mas não estou para isso», a senhora desfaz em caca em cada resposta. Mas, a má notícia, é que o país está cheio de Bobones.

||| O referendo.

Não há, na democracia portuguesa, uma tradição referendária. Nem os portugueses estão com isso preocupados. Antes pelo contrário: nos três referendos realizados mais de metade dos eleitores dispensou a participação. Não acreditam no «esclarecimento» que daí advém ou, quem sabe, ainda carregam o «trauma» do referendo à Constituição de 1933. Então, no que diz respeito à Europa e aos seus tratados, referendo é algo que nunca lhes passou pelo goto: não referendaram o Tratado de Adesão, assinado a 12 de Junho de 1985, nem o Acto Único Europeu, nem os Tratados de Maastricht e de Amesterdão. Porque cargas de água têm, agora, de referendar o novo Tratado? Porque há uns «ilustres» que precisam de espaço para «esclarecer» duas coisas que sabem de antemão: a primeira é que o Tratado é mau, muito mau mesmo. Provoca desemprego, pobreza e outras mazelas; a segunda é que um governo que quer ver aprovado este Tratado é mau, muito mau mesmo. Em consequência, votar neste governo nas próximas eleições legislativas é votar na «desgraça» que o Tratado nos traz. Cá por mim tanto o referendo, como o Tratado não alteram grande coisa.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

||| Corrupção e ditaduras.

Um juiz chileno ordenou, ontem, a detenção da viúva do ditador Augusto Pinochet e dos seus 5 filhos, envolvidos no saque de milhões de dólares durante a ditadura. Há 3 anos, uma investigação do Senado norte-americano descobriu quase uma centena de contas bancárias, nos Estados Unidos, em nome do ditador chileno, de familiares e amigos. As ditas contas, quase 15 anos depois do afastamento de Pinochet do poder, ainda totalizavam a «simpática» quantia de 27 milhões de dólares. Corrupção e ditadura sempre se conjugaram, em todos os tempos e latitudes. Verdade seja dita: o ditador de Santa Comba deve ser a única excepção.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

||| Outono.

O Outono está cada vez mais Outono. Noto no cheiro a terra molhada, no cair da noite e na pasmaceira política. A agitação nas hostes do PSD, no rescaldo da eleição de Filipe Menezes, amainou. Não resistiu uma semana. A oposição anda escondida. O CDS vegeta, enquanto Paulo Portas procura desesperadamente uma «nova oportunidade». O PSD está adiado até ao Congresso. O PCP está a recuperar do esgotamento em que a Festa do Avante o deixou. O BE ainda não se encontrou depois do «acordo de Lisboa». Neste silêncio, nesta ausência de política, a oposição ao Governo ficou esta semana nas mãos dos socialistas: João Cravinho, em entrevista à Visão, queixa-se da insensibilidade do PS para combater a «corrupção de Estado, a apropriação de órgãos vitais de decisão ou da preparação da decisão por parte de lóbis»; Carlos César, por sua vez, demonstrando a sua boa educação, disse qualquer coisa imprecisa contra o Governo, ao pisar terra madeirense. E, por não haver mais nada, se transformam em notícias importantes. Nesta pasmaceira, sem centelha de vida política, ao «povo» resta-lhe dedicar-se ao futebol (onde sente que pode participar, discutir, ter opinião) ou ao caso McCann (onde pode mudar de opinião todos os dias). Pela minha parte, à falta de melhor, e porque é Outono, a partir de amanhã inicio a época do cozido à portuguesa. E seja bem vindo quem vier por bem. E pode trazer outro amigo, também.

||| A ler.

A entrevista de João Cravinho à Visão, onde se declara chocado com a falta de sensibilidade do grupo parlamentar do PS quanto ao fenómeno da corrupção.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

||| Subtilezas.

Vasco Pulido Valente aproveita as páginas da revista Atlântico para, a propósito da crítica ao filme A vida dos outros, de von Donnerrsmarck, comparar em cada parágrafo a actuação da Stasi à Pide, a repressão na RDA à repressão salazarista. Como exercício de crítica cinematográfica não está mal.

||| Dia 4 de Outubro: todos os blogs pela Liberdade na Birmânia.

||| Maioria absoluta em marcha?

Daniel Oliveira (Arrastão) tem no seu blogue um inquérito: «Se as eleições fossem hoje em quem votaria?» O Bloco de Esquerda está às portas da maioria absoluta.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

||| Sem título, acrílico sobre tela.

A 8 de Outubro de 1967, Che Guevara (uma espécie de Trotsky latino-americano) foi assassinado na Bolívia, num desfecho previsível para a sua aventura da «revolução permanente». Não lhe restou outro caminho, porquanto as divergências com Castro não tinham sucesso à vista: ele era, em Cuba, um estrangeiro. 40 anos depois ainda há quem lhe tema o gesto de querer incendiar toda a América Latina. Significa, no fundo, temer o simbolismo da Irmã Lúcia, deixando de lado a Nossa Senhora de Fátima.

||| Democracia e partidocracia.

Na Marinha Grande, tal como em Setúbal:«PCP substitui presidente da câmara por vice-presidente». O eleitorado põe, e o Partido Comunista dispõe. Os eleitos não respondem ao eleitorado, mas ao partido. Um dia a casa vem a baixo, tal como na URSS...

||| Gostei de ler:

||| Treinador de sofá.

O Sporting está a fazer escola em matéria de guarda-redes: Stojkovic é tão mau como Ricardo; e, ao mesmo tempo, é tão bom com Ricardo. De qualquer modo, a vitória de hoje sobre o Dynamo Kiev, na Ucrânia, «deixa espaço» para os próximos jogos.

||| Afinal, o Poder Local não é tão insignificante como nos querem fazer crer.

Jorge Sampaio, «saltou» da presidência de uma Câmara Municipal para a Presidência da República. Santana Lopes «saltou» da presidência de uma Câmara Municipal para exercer o cargo de Primeiro-Ministro. Luís Filipe Menezes «saltou» da presidência de uma Câmara Municipal para a presidência do principal partido da oposição. Conclusão: parece que se pode começar a falar na necessidade da «tarimba» no poder local como condição necessária para o exercício de cargos políticos de nível nacional.

||| Já os antigos tinham a solução…

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

||| Meteorologia política.

A margem de erro na «meteorologia política» aumenta na proporção do envolvimento. Quando este é elevado, a tendência é para confundir desejos com realidades. Quando se deseja sol, não se dá conta das nuvens negras que se aproximam. Marcelo Rebelo de Sousa atingiu o patamar – o que não é fácil, é preciso errar sistematicamente – da «previsão» ao contrário, como há 30 anos o «boletim meteorológico»: se diz que vai chover é porque, sem réstia de dúvida, o sol vai brilhar. É obra!

||| Polícias.

As manifestações de polícias são, para mim, um sinal da vitalidade das democracias. Não me perguntem porquê. É mais da área emocional, do que da racional. Vibrei com a manifestação de polícias em 21 de Abril de 1989, no Terreiro do Paço. Era, então, primeiro-ministro Cavaco Silva. A memória retém aquela acção do Corpo de Intervenção da PSP que dispersou os agentes da mesma PSP com bastonadas, canhões de água, cães e gás lacrimogéneo. Polícias contra polícias, uns secos, outros molhados. Uma tarde memorável. Para hoje, os jornais tinham-me prometido a maior manifestação de sempre da PSP. Com apoio de polícias europeus. Agucei o dente, e fiquei alerta. Uma desilusão: uma participação tímida mas, sobretudo, o que não deixo passar: estavam todos à civil. Assim não vale. São polícias ou não são?

||| Mau tempo no canal.

«Se for eleito presidente da Câmara, serei altamente populista».
Marcelo Rebelo de Sousa, Expresso, 18 de Novembro de 1989.

||| Publicidade.

Segundo dados recolhidos pelo Diário Económico, os investimentos em publicidade cresceram, no primeiro semestre deste ano, 4,1%. Destaque para a quebra de investimento publicitário nos jornais diários e na rádio e para o crescimento significativo nos canais por cabo e na Internet. Este último meio cresceu 136,4%, apesar de representar apenas 1,9% do investimento total.

||| Sem dó, nem piedade...

A Cristina, de regresso da Feira do Amor, em Beja, desanca sem dó, nem piedade: «Eu, sinceramente, não entendo o espanto desta gente...como é que um grupo de dirigentes medíocres e uma elite cobarde, daquela que dá tudo para não se despentear, achava que só o facto de existirem era garantia de vitória? Esta gente não se enxerga. Quando assim é, é preciso fazê-los compreender, e foi muito bem feito, que o facto de existirem não é, por si só, uma bênção para o partido

||| Citações.

Excertos de Quatro ideias simples sobre as directas no PSD, Pedro Magalhães, Público de 1.10.2007.
«1. A vitória de Menezes não foi uma surpresa. Nas sondagens, enquanto José Sócrates perdia popularidade desde Março deste ano, Marques Mendes conseguia o feito notável de perder ainda mais do que Sócrates. À beira das directas, Luís Filipe Menezes era visto como mais apto para liderar o partido quer pelos eleitores em geral, quer pelos eleitores do PSD. (…) Isto é importante porque ajuda a explicar uma das consequências que tendem a resultar das eleições directas dos líderes partidários: a sintonia entre as lideranças e a base eleitoral dos partidos e eliminação precoce de líderes eleitoralmente inviáveis. Digo "tendem", porque nem sempre é assim. Nas famosas directas de 1998 para a liderança do PSOE, a surpreendente vitória de Josep Borrell sobre Joaquin Almunia colocou no poder uma figura desejada apenas pelos militantes situados à esquerda quer dos quadros dirigentes, quer das bases eleitorais do partido. Contudo, em partidos como o PSD, onde a ideologia conta para pouco, não há grandes diferenças entre os militantes e base eleitoral mais alargada.
2. A culpa do que se passou não é das directas. Há sempre quem ache que são elas as culpadas de que o debate político se centre nos atributos dos líderes e não em programas políticos. Ou de que se beneficiem figuras que recorrem directamente aos media e aos apelos directos à opinião pública, em vez de adquirirem capital político em percursos tradicionais no Parlamento ou no governo. O resultado é, ao que parece, o "populismo". Mas quem critica tudo isto, de que julga que se faz, nas democracias modernas, a política eleitoral? E quem poderia achar que o PSD é, neste momento, outra coisa que não aquilo que se viu? As directas trazem para dentro dos partidos o que está lá fora e revelam para fora aquilo de que eles são realmente feitos. A primeira função é útil para o partido. A segunda é instrutiva para todos nós.
3. O resultado ilustra a crescente importância do poder local na política nacional. Há uns meses, a propósito do fenómeno dos "candidatos independentes", mencionei aqui que uma das características emergentes em muitos partidos contemporâneos é a sua transformação em "estratarquias", onde cada nível da organização partidária - nacional, regional, local - é relativamente autónomo em relação aos restantes, dispondo de mãos livres para gerir a distribuição de lugares políticos no nível respectivo. (…) Marques Mendes quis remar contra esta maré, e a maré passou-lhe por cima.
De resto, o resultado destas directas no PSD chama claramente a atenção para outra das consequências da eleição directa das lideranças partidárias. Nos Estados Unidos, a generalização das primárias - fenómeno que só acelerou decisivamente no início dos anos 70 - produziu uma mudança no perfil dos candidatos presidenciais: um aumento dos ex-governadores estaduais em desfavor dos detentores de cargos públicos a nível federal. (…) A vitória de Borrell em 1998 pode ser vista pelo mesmo prisma: o da ascendência, através das directas, de figuras que retiram parte do seu capital político da ligação sólida a interesses e bases eleitorais subnacionais, em vez de o retirarem exclusivamente de uma carreira política nacional no topo da hierarquia partidária. Menezes já pode ser contado como um exemplo adicional deste mesmo fenómeno.
4. O resultado não é um desastre para o PSD. Há quem preveja um futuro de divisionismo, o abandono das "elites" do partido e a queda no abismo. Calma. Em primeiro lugar, convém recordar que, em rigor, foi Marques Mendes quem foi abandonado pelas "elites" no meio do seu labirinto lisboeta, quem sabe se por alguns daqueles que agora vêm profetizar a "desgraça". Em segundo lugar, voltemos ao caso das directas do PSOE: é certo que, na altura, dividiram o partido, mas isso não chegou para pôr em risco a sua coesão. De resto, foi com o abalo causado pelas directas de 1998 que o PSOE começou a sair da passividade e da sombra do "filipismo". (…) Se quisermos ser realistas, toda a gente sabe que as próximas legislativas, para o PSD, seriam sempre, em princípio, para perder. E o que preferiam essas tais "elites" do PSD? Que seja Menezes o derrotado em 2009, ou que fosse Menezes a aparecer como líder após essa derrota? Se pensarem bem, verão que a coisa não correu tão mal como isso.»

domingo, 30 de setembro de 2007

||| Hoje é um dia tão bom como qualquer outro.

Depois de várias «ameaças» e outras tantas «ironias e cansaços», Paulo Gorjão põe termo ao Bloguítica. O «bichinho» não o vai deixar afastar-se por muito tempo, penso eu.

||| Percalços da história.

Karl Marx, numa carta a Friederich Engels, datada de Janeiro de 1858, onde explica quem foi Símon Bolívar, trata este como um inútil, um cobarde e mau carácter. São de Marx as linhas seguintes:
«Quando os prisioneiros de guerra espanhóis, que Miranda enviava regularmente a Puerto Cabello para mantê-los presos na cidadela, conseguiram atacar de surpresa a guarda e a dominaram, apoderando-se da cidadela, Bolívar (comandante do posto), embora os espanhóis estivessem desarmados, enquanto ele dispunha de uma forte guarnição e de um grande arsenal, embarcou precipitadamente à noite com oito dos seus oficiais, sem informar o que ocorria às suas próprias tropas, chegou ao amanhecer a La Guaira, e de lá se retirou para a sua fazenda de San Mateo. Quando a guarnição se inteirou da fuga do seu comandante, abandonou ordenadamente a praça, que foi logo ocupada pelos espanhóis sob o comando de Monteverde. Este acontecimento inclinou a balança a favor da Espanha e forçou Miranda a subscrever a 26 de julho de 1812, por incumbência do Congresso, o tratado de La Victoria, que submeteu novamente a Venezuela ao domínio espanhol. »

||| Ler os outros.

«O vidente de Celorico» por Miguel Abrantes, Câmara Corporativa.

«O modelo Húngaro?» por Medeiros Ferreira, Bicho Carpinteiro.
«Nada será igual» por Carlos Abreu Amorim, Blasfémias.

sábado, 29 de setembro de 2007

||| A Frase.

A frase que resistiu aos resultados eleitorais nas directa no PSD: «O PSD, lamento informar, está aí para lavar e durar. Com os seus defeitos e virtudes

Paulo Gorjão (Bloguítica)

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

||| Birmânia: chaC(h)ina à vista?

||| Contraditório.

Eduardo Graça foi das poucas vozes (não detectei qualquer outra*) a condenar a atitude de Santana Lopes, ontem, na SIC-Notícias. Não concordo, mas aplaudo o contraditório.
(*Adenda: detectei outra - Controversa Maresia)

||| O outro lado de Auschwitz.

O Holocaust Memorial Museum recebeu, em 2006, das mãos de um anónimo (um oficial norte-americano que o encontrou, em 1946, num apartamento, em Frankfurt) um álbum de fotografias do quotidiano de Auschwitz. Mas, desta vez, do quotidiano dos verdugos. Aqui, nesta foto, auxiliares de enfermaria das SS tocam, cantam e divertem-se a poucos metros da maior humilhação, do maior sofrimento e da morte. Para esta gente o holocausto não existiu. Para Mahmoud Ahmadinejad também não.

||| Pela boca morre o peixe.

«Comprova-se, uma vez mais, que radica no PSD a esência de Portugal»

Fernando Nogueira, DN, 9 de Dezembro de 1993 (citado por João Pombeiro, Pela boca morre o peixe).

||| Não se diz a um convidado: espere aí um bocadinho que eu já venho.

Só hoje vi em vídeo, via Público, o abandono de Pedro Santana Lopes de uma entrevista na SIC-Notícias, após ser interrompido para a estação televisiva cobrir em directo a chegada de Mourinho ao aeroporto. É uma atitude a louvar, naturalmente. E merece consenso: o Público tem um inquérito em que, neste momento, já se pronunciaram 516 pessoas. Resultados: 91% a favor da atitude de Pedro Santana Lopes. Penso que esta atitude, a primeira de um político, vai alterar qualquer coisa no futuro: ou as televisões mostram mais respeito pelos seus entrevistados, sejam políticos ou comentadores, ou arriscam a se tornar comum o abandono dos estúdios a meio das entrevistas, mesmo sabendo que quem não aparece na televisão não existe. Mas há mínimos de dignidade.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

||| O poder «a sério» começou a descobrir a «pólvora»...

||| Treinador de sofá. [4].

Se não fosse esta quarta-feira de futebol, ainda por cima com uma Taça inventada este ano, estávamos todos deprimidos a comentar a crise do PSD e as suas consequências na vida política nacional. Benditos jogos de futebol que nos afastam, pelo menos momentaneamente, qual potente analgésico, de tristes realidades.

||| Treinador de sofá. [3].

Esta foi a noite de futebol de todos os milagres. Paulo Bento, impotente para ganhar o jogo no tempo devido, acreditou na Nossa Senhora dos Penaltis. E a nossa Senhora ouviu as suas preces...

||| Treinador de sofá [2].

Camacho, naquele momento crucial em que o Benfica perdia, aos 90 minutos de jogo, olhou para a Nossa Senhora de Fátima e, em sofrimento, pediu um milagre. O árbito não se fez rogado. Concedeu-lhe o milagre: o fiscal de linha, mal viu um jogador do Amadora cabeçear a bola, gritou através de uma «bandeirinha»: é penalti. E, assim, se faz a história num país de milagres...

||| Treinador de sofá.

Jesualdo Ferreira só percebeu que o Porto estava a jogar em Fátima depois da marcação das grandes penalidades. Aliás, naquele estádio, nenhum árbitro se aventura a fazer milagres...
(Adenda: Afinal não foi milagre, a culpa foi da «canalha que jogou daquela maneira, como uma equipa de bovinos esdrúxulos, um bando de repolhos mancomunados em púrria para envergonhar as camisolas do FC Porto», explica o Francisco.)

||| Achas para a fogueira.

Pedro Correia leva longe as consequências da crise no PSD: «O PSD acabou» – escreve –, apesar de, no último parágrafo do seu texto, limitar o objecto dos estragos: «O PSD – este PSD – acabou. E ainda bem». A questão que paira no ar, ao aceitar esta mortífera conclusão, é a de saber de onde renascerá o novo PSD. Ou será que o PS se irá dividir para, uma parte, ocupar o espaço político, reformista e eleitoral do PSD; e outra parte ocupar o espaço da «esquerda democrática» vocacionada para acordos com o PCP e o BE? A paz dos cemitérios permanecerá ainda mais tempo ou vem aí um grande furacão?

||| Hoje há Time Out Lisboa.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

||| Os dois santinhos.

||| Ahmadinejad, o mentiroso.

Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irão, personagem que merece a simpatia, muitas vezes envergonhada, de «alguma» extrema-esquerda europeia (seguindo a velha “teoria” segundo a qual os inimigos dos Estados Unidos, meus amigos são), repetiu, agora nos EUA, que o holocausto nunca existiu. Mas, o momento mais ridículo da sessão, foi a afirmação, na mesma linha da anterior, de que no Irão não existem homossexuais. Com esta revelação «estatística» procurou Ahmadinejad rebater o argumento de que o seu regime reprime violentamente os homossexuais. Pelos vistos, é verdade que é mais fácil apanhar um mentiroso do que um coxo...

||| Há tiros que a culatra não aguenta.

Afinal, o «pagamento das quotas» dos militantes do PSD, tratado em Julho como uma questão «menor», meramente «processual», transformou-se na questão central das eleições directas naquele Partido, numa questão política incontornável. Manuela Ferreira Leite, ontem, foi clara: não devia ser necessário o pagamento das quotas para se votar, mas se assim não se entendesse, devia-se poder pagar as quotas até ao momento do acto eleitoral. É óbvio, desde o momento da convocação destas eleições directas. Como diz a sabedoria popular: quem semeia ventos, colhe tempestades.

||| Sociedades por quotas [2].

- Vais votar na sexta-feira? - Vou. - Já pagaste as quotas? - Ainda não. Eu sou dos Açores.

||| Sociedades por quotas.

Em nenhum momento da transacção se pode saber o número dos cartões que pagaram as quotas por Multibanco, garante a SIBS ao Diário Económico de hoje. Então, se assim é, como é que «eles» sabem quem anda a pagar as quotas de quem? Anda aí bruxedo.

||| Sem qualquer vergonha.

Ainda se lembram do que as bocas do mundo disseram sobre a ida de Pina Moura para a TVI? Avivemos a memória: «PSD vê ida de Pina Moura para TVI como controlo político "assumido e sem qualquer vergonha"». Mas a memória é curta e, para além do mais, paira no ar um cheiro a impunidade política. Hoje, passados meia dúzia de meses, Pacheco Pereira, como se não fosse assunto seu o que o PSD diz, escreve: «Já há alguns dias que tenho reparado que o escapismo futebolístico prima na RTP, seguida pela SIC, enquanto a TVI está a fazer aquilo que é normal num noticiário, dar notícias. Como hoje: Madaíl em directo na RTP e SIC por longos minutos do prime time do prime time, e na TVI notícias e notícias a sério Será que a verdade é como o azeite ou, pelo contrário, o azeite é como a verdade?

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

||| André Gorz.

André Gorz, austríaco, filosofo, considerado um pensador da ecologia política e do anti-capitalismo, marxista desalinhado, um dos fundadores de Le Nouvel Observateur, em 1964, com o jornalista Jean Daniel, co-director da revista Les Temps Moderns, com Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir, entre outros, em 1941, autor de Adeus ao proletariado, entre várias outras obras, suicidou-se hoje de manhã, aos 84 anos, juntamente com a mulher. Talvez - quem sabe - o último acto de um grande amor.

||| Serviço público.

|||«sound-bytes», dizem eles (ou será «PowerPoint»?)

||| As três fases de um sportinguista.

1. Antes do campeonato começar; 2. durante o campeonato; 3. No fim do campeonato.

(Recebido por e-mail).

||| O fantasma de Lenine.

Lenine, durante o II Congresso do Partido Operário Social-Democrata Russo, em 1903, definiu o estatuto de militante do partido: aceitar o Programa; militar numa das organizações do partido; e pagar as quotas. Ainda hoje, passado mais de um século, o fantasma de Lenine paira sobre as eleições internas do PSD. A discussão sobre o pagamento das quotas, condição essencial para exercer os direitos de militante, está na ordem do dia, como em 1903. Há um século esteve na origem da cisão entre bolcheviques e mencheviques. Hoje, no PSD, transformou-se numa questão essencial cujas consequências ainda não se advinham.

||| Tugir de novo.

Palavra Aberta é o novo espaço blogosférico do Carlos Manuel Castro, depois do naufrágio do Tugir.

||| Baixa-Chiado.

domingo, 23 de setembro de 2007

||| Treinador de sofá.

O Porto ganhou em três estádios: em Paços de Ferreira, em Alvalade e em Braga. O Benfica é Rui Costa, enquanto o Sporting antes tinha um guarda-redes. Agora tem Stojkovic. O Marítimo vai tapando o fosso.

||| Dia europeu sem carros.

Como escreve o Pedro Correia: «A ministra da Cultura foi pela primeira vez de autocarro para o seu gabinete no Palácio da Ajuda e levou com ela um batalhão de jornalistas, o que diz tudo sobre a arte de governar em Portugal nos tempos que correm.» Por seu lado, o João Gonçalves joga no reverso da medalha: «A saúde e a felicidade não se decretam. Nem tão pouco a redução do uso do carro. Ao lado destes esforços, o caos persiste indiferente ao voluntarismo folclórico da política e dos homens e mulheres do fato de treino.» Pela minha parte, não andei de autocarro, nem de fato de treino. Usei o táxi.

||| Público e privado.

A propósito deste post, porque suscitou alguns reparos enviados por e-mail, é devido um esclarecimento e uma declaração de interesses. O esclarecimento: o que está em causa é o facto de, só por si, alguém que exerce, ou exerceu, um cargo dirigente no sector privado ser, sem mais, alvo de censura política ao ser nomeado para um cargo público. Deixar passar isto em claro é, em primeiro lugar, condescender com a ideia de que a «pessoa» que exerceu um cargo privado está «contaminado», sem apelo, nem agravo, por interesses privados que se opõem ao interesse público. Em consequência, transportará sempre o «vírus» da prevalência do interesse privado sobre o interesse público ou, no mínimo, está latente um conflito de interesses, o que não é verdade (o Director Geral de Imposto que agora termina as suas funções é um exemplo, entre muitos outros); em segundo lugar, esta barreira, cujos fundamentos resvalam da esfera ideológica e não da ética, impede a Administração Pública de «entender» outras dinâmicas. Para além de tudo, não está provado (antes pelo contrário) que os «profissionais» do interesse público o sirvam melhor que os «outros«. A declaração de interesses: não tenho em vista exercer nenhum cargo público, mas tão só não aceitar uma cultura que, invariavelmente, conduz ao Estado totalitário. E, aí, está demonstrado, o interesse «público» não está ao serviço dos cidadãos, mas de uma nomenclatura - os «profissionais do interesse público».

||| O presidiário Fujimori.

Mário Vargas Llosa escreveu El pez en el agua, editado em 1993: memórias do autor sobre a campanha eleitoral para a Presidência do Peru, nas quais defrontou Alberto Fujimori. Aí, entre outras explicações, Vargas Llosa diz porque se candidatou: «se a presidência do Peru não fosse o ofício mais perigoso do mundo jamais tinha sido candidato». Palavras proféticas. Fujimori, que derrotou Vargas Llosa nas eleições presidenciais realizadas a 13 de Junho de 1990, está preso para ser levado a julgamento por corrupção, enriquecimento ilícito, evasão de divisas e genocídio, pela morte de 25 peruanos durante manifestação contra seu governo.

sábado, 22 de setembro de 2007

||| Acontecimentos.

Há dois tipos de acontecimentos a que já não faço referência, na medida em que se repetem com demasiada frequência: as vitórias de Vanessa Fernandes e o aniversário de blogues.

||| Citações.

«A histeria contra o novo Código de Processo Penal é deliberadamente alimentada por quem sabe – alguns polícias e magistrados – e destinada a ser consumida, pronta a servir, por quem não sabe – jornalistas alarmistas e público de telenovelas
Miguel Sousa Tavares (Expresso, 22.09.07)

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

||| Vender gato por lebre.

Francisco Louçã questionou, hoje, no Parlamento, José Sócrates sobre duas nomeações para cargos públicos de coordenação na área da saúde de personalidades que têm funções dirigentes na actividade privada. Esta é uma falsa questão. Para Louçã é irrelevante que essas pessoas deixem de exercer o cargo que ocupam ao serem nomeados para cargos públicos. Não está em causa a competência técnica das pessoas ou a sua isenção. O que está em causa para ele – Louçã – é que exercer (ou ter exercido) cargos na actividade económica privada é uma espécie de antecâmara de «criminalidade». Estão «infectados». Duas consequências: no modelo de sociedade «socialista» que o BE almeja, a propriedade privada, como «crime», será abolida (até o partido comunista chinês percebeu o desastre deste «socialismo»); no entretanto, os cargos públicos serão destinados, apenas e só, a quem decidiu «abraçar» a causa pública e não se deixa «contaminar» pela «ideologia» dos interesses privados, nomeadamente pessoas que giram à volta das nomenclaturas partidárias e fazem disso modo de vida. Aí, onde a «competência» se mede pela fidelidade ao partido. Por exemplo, como os 11 assessores de um vereador sem pelouro na Câmara de Lisboa. Louçã não perde uma oportunidade para escorregar para a «revolução permanente». Não tem nada de mal, antes pelo contrário. As sociedades democráticas são feitas da (e na) diversidade. É essa a sua principal riqueza em relação a todos os modelos experimentados. Louçã não precisa é de vender gato por lebre.
(Adenda: «Declarando-se "profundamente sentido", Joaquim Gouveia (um dos visados) declarou: "Desminto categoricamente e lamento profundamente uma acusação desta grandeza feita numa situação em que não me era possível defender." Em comunicado precisou que foi "substituído na direcção do Serviço de Oncologia do Hospital Cuf Descobertas a 7 de Abril de 2006» e «Não dirigo um serviço cardiovascular nos Hospitais Privados de Portugal. É mentira", disse Seabra- Gomes (outro dos visados)», segundo o Público de hoje.

||| Alma portuguesa [2]

A SIC apresentou, hoje, no Jornal da Noite, mais um exemplo da verdadeira e insondável alma portuguesa: o valor de um «passe» mensal para a viagem de comboio entre Barcelos e o Porto é 57 euros mais cara do que a soma dos «passes» Barcelos – Nine e Nine – Porto. Ou seja, centenas de utentes, apercebendo-se da idiotice, adquirem os 2 «passes» e fazem descansadamente a viagem entre Barcelos e o Porto por menos 57 euros por mês do que aqueles que, por desconhecimento, adquirem o «passe» Barcelos – Porto. A história repete-se em dezenas de outros percursos no território nacional. É mais barato comprar bilhete do Entroncamento até à Azambuja e, depois, da Azambuja até à Gare do Oriente, do que o bilhete Entroncamento – Gare do Oriente ou Azambuja – Setil, Setil – Entroncamento e por aí fora. Parece que este tarifário está em uso há muitos anos. A «sorte» deste bom povo é que vai encontrando a «solução» para «enganar» o deixa-andar de Administrações da coisa pública que deviam decidir sobre estas «engenhosas” complicações à portuguesa. Essa «sorte» estava estampada no sorriso maroto de uma entrevistada que dizia: «há cinco anos que eu compro os dois «passes», o que é como quem diz: «esses senhores importantes têm a mania que são espertos, mas eu sou mais esperta do que eles». Seria muito fácil resolver este tipo de situações mas, por isso mesmo, por ser muito fácil, é que, para nós – portugueses – se torna difícil.

||| Recordes com nuvens negras na paisagem.

O crude atingiu ontem o seu valor mais alto de sempre – 83,80 dólares. O euro atingiu anteontem o seu nível mais alto de sempre – ultrapassou a barreira de 1,40 dólares. Pescadinha de rabo na boca: a queda do dólar aumenta a procura do petróleo. A tormenta financeira com epicentro no outo lado do Atlântico vai contrair o crédito por todo lado. Vem aí borrasca. Antes de tempo. Acumulam-se os sinais de que não vai dar tempo para desapertar o cinto.
(Adenda: «Razões para inquietação?» por Vital Moreira (Causa Nossa).

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

||| Treinador de sofá.

Aparte a choruda indemnização que Abramovic vai desembolsar (muitas dezenas de milhares de salários mínimos) , José Mourinho sai do Chelsea no momento certo. O clube londrino vai passar mais 50 anos à espera de voltar aos títulos que obteve nos últimos 3 anos. E Mourinho já não conseguia mais do que aquilo que obteve.

||| Evidências inacessíveis a quem não quer ver.

«Kouchner», por Ana (ana de amsterdam).