quarta-feira, 31 de maio de 2006

Professores zangados com a Ministra da Educação

Para avaliar o que os professores pensam da Ministra da Educação é elucidativo ler os comentários ao texto: Verdes pedem demissão de ministra por acusar professores de serem responsáveis pelo insucesso escolar. (Público online)

«Bush perturbado» - diz a notícia.
«O presidente norte-americano, George W. Bush, declarou-se hoje «perturbado» com as suspeitas de um massacre de civis iraquianos perpetrado por marines no Iraque e garantiu que, a confirmarem-se as alegações, os culpados serão punidos.
Bush notou estar preocupado com as informações iniciais que denunciam que um grupo de marines matou 24 civis, entre os quais mulheres e crianças, em Haditha, em 19 de Novembro, depois de um dos seus companheiros ter sido morto numa emboscada à unidade. O presidente recordou que o departamento de Defesa abriu uma investigação ao ocorrido, que alguns observadores compararam ao massacre de My Lai, no Vietname, em 16 de Março de 1968. Essa chacina é considerada por analistas como um ponto de inflexão na guerra do Vietname, que acabou com a derrota norte-americana em 1973». (Diário Digital)

Posto de escuta (em actualização) 1. «BELISQUEM-ME!», Jorge Ferreira (Tomar Partido). 2. «A opinião segundo a opinião como formulação do conhecimento colectivo», TR (Sapatos Pretos).
3. -«OUVIDOR?», Tiago Barbosa Ribeiro (Kontratempos)
4. «Hoje há festa! ». A Cristina (Objectiva 3) faz hoje dois anos de intensa actividade bloguistica, sobretudo nas fotos sobre NY.

O país está tranquilo. O Chefe do Estado anda discretamente pelo país a alertar contra a exclusão social e a motivar vontades privadas para este problema nacional; o Primeiro-ministro anda discretamente a governar Portugal; as oposições andam discretamente a opor-se ao governo; os sindicatos andam discretamente a protestar; a comunicação social anda discretamente sem assunto que valha. Os jacarandás estão em flor. Percebe-se, pelo ar que se respira, que o país está apenas à espera do mundial de futebol. (Ah, Timor! Se não fosse Timor como mataríamos o tédio até ao dia 9 de Junho).

terça-feira, 30 de maio de 2006

A Noite dos Animais Inventados

Foi hoje apresentado na Gulbenkian o livro infantil que foi distinguido com o prémio Branquinho da Fonseca 2005: A Noite dos Animais Inventados, da autoria de David Machado - um jovem escritor que vê a sua primeira obra publicada. Outras se seguirão, tenho a certeza!

segunda-feira, 29 de maio de 2006

Até amanhã (A propósito das vacas de Lisboa: GERSTEIN, Brush cow,105 x 70 cm, colecção permanente da Galerie du Pharos, Marseille)

Cavaco Silva.
O Presidente começou timidamente a exercer o seu mandato em Alcoutim.

Distracção americana. No tempo em que os animais falavam, ainda o muro de Berlim se mantinha intacto, o continente sul-americano era uma zona de influência dos Estados Unidos – quase uma coutada livre da influência de Moscovo, à excepção de Cuba. Nos anos 70 e 80 não havia ditadura, de Buenos Aires a Santiago do Chile, de Manágua a Montevideo que não estivesse assente sobre as estacas dos serviços secretos norte-americanos. E em milhões de dólares, obviamente. Estilhaçada a União Soviética, a partir do início dos anos noventa, os Estados Unidos abriram o apetite por outras paragens até então menos acessíveis, e aí concentram dólares, militares e serviços secretos, descurando completamente a retaguarda. Acreditam, certamente que, apesar de estarem ali ao pé da porta, sem a batuta ideológica de Moscovo e sem rublos, os Chavez, Morales e outros vão cair de podres. Para já, ainda não são esses os indicadores, antes pelo contrário: a América Latina – os povos da América Latina – massacrada e miseribilizada pelas ditaduras militares suportadas pelos Estados Unidos e pela incompetência e a corrupção de socialistas, sociais-democratas e conservadores, está madura para procurar novas experiências. E, quem conhece aquele continente; quem conhece aqueles povos, sabe que essas experiências não se reduzem ao colete-de-forças ideológico do pensamento europeu. Até ver, a distracção norte-americana com o Iraque/Irão, vai dando frutos. Eles que se cuidem..

(Lisboa, Santa Justa, Maio de 2006. Foto TV))

domingo, 28 de maio de 2006

28 de Maio (2)

(Meu caro Luis (Tugir) :o sol não gira à volta da terra, nem um "pide" quando torturava ou assassinava se interrogava se o que estava a fazer era em nome do fascismo ou do integralismo lusitano com a benção de Deus).

28 de Maio.

É uma questão académica, para emoldurar, discutir se o regime moldado por Oliveira Salazar durante quase meio século foi fascista ou não; saber se as suas caracteristicas respeitavam a pureza ideológica do fascismo é, hoje, bizarro e deslocado das preocupações das pessoas. Para além da questão académica, no plano ideológico e político, só meia dúzia de pessoas que gostariam de professar o salazarismo sem que levassem para casa o rótulo de fascistas é que levantam a questão tentando passar pela única nesga possível: o fascismo está, na consciência colectiva, associado ao terror da segunda guerra mundial e Salazar não. Mas a história não se repete. E se alguma vez as sociedades europeias avançarem para regimes ditatorias é porque se criaram condições objectivas para isso. É evidente que esta questão é, também, afectiva: dizer que o fascismo não existiu a quem lutou contra a ditadura e a quem sofreu as suas consequências, mesmo passados estes anos todos, dá vómitos. Porque, na altura, não era uma questão académica.
(Meu caro Luis, não é uma questão de desistir; é uma questão de situar a importância dos problemas com que nos defrontamos).

sábado, 27 de maio de 2006

Até amanhã. (Caterine Abel, Le Reve I 2001 (50 x 60 cm) Oléo sobre tela)

Arquivar por inutilidade superveniente da lide

Um pequeno texto de Vital Moreira, no Causa Nossa, intitulado ironicamente "O fascismo nunca existiu", mereceu uma resposta de André Azevedo Alves, no Insurgente, sob o título: "O Estado Novo não foi um regime fascista", onde este evidencia um conhecimento ideológico profundo próprio de quem viveu intensamente a ditadura do Estado Novo (talvez tenha conhecido a prisão, a tortura ou, quem sabe, algum parente próximo assassinado pela polícia política). Depois, é um ver se te avias entre Carlos Manuel Castro e Luis Novaes Tito, no Tugir.
O velho ditador caiu da cadeira (que fatalidade simbólica tão estranha) há muitos anos e o mundo moveu-se tanto nestas últimas quatro décadas. Hoje, quando entre os estudantes do secundário é difícil encontrar quem saiba distinguir Oliveira Salazar de Afonso Henriques, é inutil explicar a quem quer que seja que o sol não gira à volta da terra.

Farmácias João Morgado Fernandes, DN. (sublinhados meus)

Para o consumidor/eleitor, as medidas que ontem foram anunciadas para o sector dos medicamentos têm, antes de mais, um valor simbólico.
José Sócrates tomou posse com um discurso em que prometia afrontar os lóbis e escolheu como exemplo as farmácias. Passados alguns meses, a promessa estava cumprida e era possível comprar medicamentos em hipermercados. Ontem, a poderosa Associação Nacional das Farmácias (ANF) assinou um acordo com o Governo acerca da propriedade dos ditos estabelecimentos que, à partida, parecia impossível a quem viu, não há muitos meses, um debate televisivo entre o presidente da associação e o ministro da Saúde de rara violência verbal.
Ou seja, de uma clima de guerra, em que a palavra de ordem era "contra os lóbis legislar", passou-se a uma fase em que até parece ser possível negociar. A mensagem para o consumidor/eleitor é que um governo empenhado pode sempre, se o quiser, aplicar o seu programa eleitoral. Seja por uma via mais impositiva seja pela via negocial. Que o exemplo frutifique e que os lóbis deixem de ser apresentados como travão.
Para o eleitor, independentemente das leituras sobre a coragem política do Governo ou mesmo da orientação mais ou menos liberalizadora, importa saber se, enquanto consumidor, ganha alguma coisa com as mudanças anunciadas.
Aparentemente, sim. A par da liberalização da propriedade das farmácias, o Governo anunciou outras medidas que, embora talvez de forma mitigada, poderão representar quer um mais fácil acesso aos medicamentos quer a sua compra a preços um pouco mais baixos.
Resta saber se haverá, de facto, condições de mercado que permitam a concorrência e o livre funcionamento do mercado. E isso depende, fundamentalmente, do muito que ainda há a negociar entre o Governo e a ANF, por exemplo, no que respeita ao modo como o Estado devolve às farmácias a comparticipação da venda de medicamentos. A intenção programática do Governo é retirar o monopólio dessa lucrativa intermediação à ANF. Será que teremos novidades para a tal teoria do relacionamento com os lóbis?

As farmácias, finalmente. Paulo Ferreira, no Público (Sublinhados meus)
«A pergunta que deve ser feita perante o pacote de medidas para o sector das farmácias apresentado ontem pelo primeiro-ministro não é "porquê?", mas antes, "porquê só agora?".
Por que é que um regime de escandalosa protecção de uma corporação, a dos farmacêuticos proprietários de farmácias, demorou 40 anos a ser desmantelado, 30 dos quais passados já em democracia? Por que é que um cidadão pode ser dono de uma clínica médica ou de uma companhia de aviação mas não pode ser dono de uma farmácia?
(...) As questões são apenas retóricas, porque nem João Cordeiro, o presidente da Associação Nacional de Farmácias e primeiro rosto destes interesses, nem qualquer dos governantes das últimas décadas terão respostas plenamente esclarecedoras. Como não têm os deputados que permitiram, durante tanto tempo, que um grupo de algumas centenas de proprietários de farmácias mantivessem protegidos os seus negócios de elevadas margens de comercialização em prejuízo do interesse comum dos cidadãos.
Este é um tema onde há poucos inocentes e que simboliza a forma como se arrastam no país os problemas, não por falta de solução mas por evidente falta de determinação.
(...) As medidas apresentadas ontem pelo Governo, e largamente inspiradas numa recomendação recente da Autoridade da Concorrência, são uma lufada de ar fresco. Mais do que serem essenciais para a competitividade do país, porque o sector farmacêutico tem reduzida importância nesse plano, têm um valor simbólico: as corporações têm que ser combatidas e o interesse geral tem que estar sempre acima de coutadas privadas.
Este é um mérito que tem que ser creditado a José Sócrates, à sua determinação e teimosia. Pode sempre apontar-se uma cedência aqui e ali à ANF, a falta de coragem para ir mais longe na liberalização ou ainda as dúvidas que subsistem sobre a passagem das propostas à prática. Mas isso são apenas detalhes quando a perspectiva é que o panorama do sector mude de forma tão radical e no sentido certo.

sexta-feira, 26 de maio de 2006

Lisboa, Rua da Escola Politécnica. (Mercedes-benz, foto TV)

HOJE, NO ROCK IN RIO

Shakira (Isabel Mebarak Ripoll), nascida em Barranquilla, Colombia, em 1977, volta a atacar Don´t Bother (La Tortura, no original) que integra o album Fijacion Oral .

quinta-feira, 25 de maio de 2006

Cenas do quotidiano

Dirigiu-se para a rua Nova do Almada, subindo as Escadinhas do Santo Espírito da Pedreira. Entrou na livraria Ferin e, alongando a preguiça por entre estantes e escaparates, passou os olhos pelas novidades editoriais, vasculhando aqui e ali, e folheando um ou outro título que lhe despertava interesse. Finalmente, dirigiu-se ao balcão com a escolha desse dia: O Vento Assobiando nas Gruas, de Lídia Jorge.
O empregado perguntou-lhe com ar profissional: - «É para oferta?»
- «Não. É para mim». E acrescentou: - «Tenho um princípio de muitas décadas que nunca transgredi: não abandono uma livraria sem comprar, pelo menos, um livro. Para mim, os livro são amigos com quem convivo, que descubro, escuto e com quem falo. Além disso, têm a vantagem de os poder levar comigo e de estar com eles no café ou em casa».
O empregado, distraído na azáfama da caixa registadora, não ouviu uma palavra, apesar do sorriso comercial.

Citações.
1. «Duzentos: A Feira do Livro do Porto convidou duzentos escritores, presumo que vivos, para «cafés literários», mesas-redondas, colóquios e sessões de autógrafos. Duzentos. Como a feira dura vinte dias, haverá dez escritores diferentes por dia. Ao pé disto, Frankfurt é o cabaré da coxa! » ( Eduardo Pitta , no Da Literatura)
2. «Subtilezas diplomáticas: Diogo Freitas do Amaral escreve a Kofi Annan. O secretário-geral da ONU coloca o ministro dos Negócios Estrangeiros no seu devido lugar e fala directamente com o Primeiro-Ministro, José Sócrates...» (Paulo Gorjão, no Bloguitica)

Assim não vale. À luz do direito internacional, das duas, uma: ou anulam o jogo ou anulam o referendo. Mesmo depois do referendo em que os montenegrinos escolheram a separação da Sérvia, ainda jogámos contra a Sérvia-Montenegro.

Scolari deve estar a rir em surdina. Os jovens jogadores da selecção portuguesa de futebol sub-21, depois de duas derrotas consecutivas e sem capacidade para meterem um único golo, demonstraram não estar à altura de participar no Campeonato do Mundo. Nenhum deles, obviamente.
(Actualização: «Quaresma? Qual é?» - Perguntou o treinador da Sérvia-Montenegro quando alguém lhe disse que aquele jogador queria estar no Mundial da Alemanha)

O resultado do referendo em Montenegro fez subir a esperança na Catalunha entre os partidários do NO no referendo ao Estatuto Autonómico que se realiza a 18 de Junho próximo. Neste final de Maio, Barcelona aquece.

quarta-feira, 24 de maio de 2006

NEW LOOK - Cansado de aspirinas, o Barnabé passou a Arrastão.

Timor: não esquecer que, para além do mais, há a Austrália e o petróleo.

A LER: «Espionagem», Eduardo Moura, Jornal de Negócios.

terça-feira, 23 de maio de 2006

Marques Mendes ainda não descalçou a bota: Já passaram 48 horas e Marques Mendes ainda não falou sobre a gaffe ( utilizando as palavras de Paulo Gorjão) dos fundos europeus para pagar as rescisões amigáveis na Administração Pública. Mandou Arlindo Cunha e José Silva Peneda alisar o caminho, mas tal método só demonstra que não é um dirigente à altura das circunstâncias: quando surge uma grande dificuldade, um lider salta para a frente do palco e enfrenta o obstáculo (quer tenha sido criado pelo próprio ou por outros). A atitude de Marques Mendes - de se esconder atrás de outros - é uma atitude politicamente cobarde.

BLOGUE DO MÊS - A a Z.

Nuno Júdice brinda-nos, dia a dia, gota a gota, poema a poema, no A a Z, com a sua produção poética de rara beleza. Não sei como se articula esta divulgação blogosférica com os interesses da edição, nem quero saber. (É poesia, não conta.) Apenas sei que tudo isto - os blogues - alteraram (ou podem alterar) muitas regras de jogo. Aqui vai mais uma reprodução, cujo título é Laranja :
Ocasionalmente, uma laranja descasca-se por si só. Arranco-a da árvore, e parte da casca fica presa ao ramo. Vejo o sumo a escorrer pelos rasgões; e tiro lentamente cada pedaço até ficar, por fim, com os gomos na mão. Não me custou nada; e ia levá-los à boca se o homem do pomar não me tivesse prevenido: «Cuidado com a calda contra os insectos.» Poderia dizer-lhe: «Mas não vou comer a pele, só me interessa o sumo»; e ele não me ouviria. A sua função é evitar que a laranja seja comida antes de tempo. Então, resta-me esperar que ele se volte, e vou para trás da árvore, onde mato a sede.

Futebol

Começou agora - 23 de Maio, às 19.45, o Portugal-França para o Campeonato da Europa de Sub-21. Daqui até 9 de Julho - final do Campeonato do Mundo - já não vai parar mais. Depois de tanto trabalho e sofrimento a assistir a oitenta jogos em quarenta e cinco dias vêm as merecidas férias!

(Actualização: a minha prima Josefina telefonou-me e perguntou de rompante: "Viste o jogo?". Eu, quase a medo, respondi: "Sim e não. Estive a ler e a ouvir o comentador da televisão". Ela, com voz enérgica acrescentou: "Não viste o Quaresma? Hoje toda a gente percebeu o motivo porque o Scolari não o convocou para o Mundial. Um desastre, até foi substituido para não causar maoires estragos". Não respondi e, depois de um breve despedimento, desliguei o telefone.

Tenho a certeza: Manuel Maria Carrilho não vai apertar a mão de Ricardo Costa no final do "prós e contras".

Manuel Maria Carrilho já não devia ser objecto de qualquer comentário; pelo menos da minha parte. Mas fico com os nervos à flor da pele ao ouvir as barbaridades que, sem pudor, lhe saltam da boca. O pior é que o homem é filósofo com doze concursos públicos a comprovar (oh ironia, filosofia e concurso público não rimam). Face ao vertigionoso aumento do preço do petróleo, o que exige a procura de energias alternativas; face à agressividade do Irão em relação à questão nuclear, o "senhor professor" diz com ar angélico que a questão nuclear foi introduzida na agenda nacional pelas agências de comunicação. Não há pachorra!

lugar comum - o balão encheu, encheu e rebentou... é pena.

segunda-feira, 22 de maio de 2006

José Socrates cavalga, e bem, a desastrada proposta de Marques Mendes: “Perante esse tipo de proposta [do presidente do PSD], só tenho um comentário a fazer: acho que os políticos devem primeiro estudar antes de fazerem qualquer proposta. Os políticos nunca devem fazer propostas sem primeiro as estudarem”, declarou Sócrates. Aguarda-se a todo o momento uma explicação de Marques Mendes. De contrário, esfuma-se (se é que já não se esfumou) qualquer possibilidade de ganhar um mínimo de credibilidade.
(Actualização: "Tenho a suficiente experiência negocial com Bruxelas para saber que praticamente não há impossíveis" - explicou Arlindo Cunha, vice-presidente do PSD e antigo ministro da Agricultura. Marques Mendes ainda não descalçou a bota)

Marques Mendes não fez o trabalho de casa (apesar de Marcelo Rebelo de Sousa lhe ter dado 16 valores) : a) «Marques Mendes desafiou ontem o Governo do PS a aprovar um programa especial de rescisões amigáveis na função pública e a cativar uma linha específica dos fundos do próximo Quadro Comunitário de Apoio para o pagamento de indemnizações aos funcionários que entendam "aderir a esta iniciativa"». (Público, 22.05.2006)
b) «O líder do PSD não quer despedimentos, mas sugere, em alternativa, "um programa especial de rescisões amigáveis na função pública", mas adiantou a forma de o financiar, consagrando, no próximo Quadro Comunitário de Apoio, uma linha específica para pagar as indemnizações.» (DN, 22.05.2006)
No entanto, a confirmar-se as declarações do porta-voz da Comissão Europeia para a Política regional, percebe-se que Marques Mendes anda a trabalhar em cima do joelho:
«Função pública: Comissão Europeia rejeita uso de fundos comunitários para pagar indemnizações. "Desconheço a proposta em detalhe, mas esse tipo de utilização de fundos comunitários está excluído do âmbito dos regulamentos actuais", disse Ana-Paula Laissy, porta-voz da Comissão Europeia para a Política Regional, em declarações à Lusa». (Público online)

França: o braço de ferro entre Dominique de Villepin e Nicolas Sarkozy não tem fim à vista. O general Philippe Rondot, importante testemunha do “caso Clearstream”, que se recusou a semana passada a comparecer perante os juízes que o convocaram, foi levado à força, hoje, às 8 da manhã, por um grupo de polícias, a fim de prestar declarações no Tribunal. A luta política e pessoal entre os dois direigentes da direita francesa e membros do governo -Primeiro-Ministro e Ministro do Interior - só pode ter uma consequência: o regresso dos socialistas ao poder.

Ler é poder (TR, Sapatos Pretos): Há choque tecnológico para os lados da Associação de Editores e Livreiros.

«Voltando costas aos vestidos naufragados, aperfeiçoou-se com inúmeras penteadelas, primeiro amplas e ousadas, depois minúsculas e subtis, circunspectas, apenas esboçadas, toques enigmáticos e carícias impalpáveis, buscas de um absoluto infinitesimal de que só uma mulher poderia compreender a pertinência e apreciar a utilidade. Tudo com muitos trejeitos, sorrisos de ensaio, recuos, franzir de sobrancelhas, longos olhares escrutadores. Declarando-se encantada, depois de uma última olhadela imparcial, saiu da casa de banho reanimada e segura do seu destino. »(Albert Cohen, Bela do Senhor)

domingo, 21 de maio de 2006

Protocolo de Estado: alterar o protocolo estabelecido não é tarefa fácil. Todo o mundo está em bicos de pés a coberto da dignidade da função que ocupam. Mas, diga-se, só se lembra de tal alteração quem não tem mais nada que fazer.

O Congresso de Manuela Ferreira Leite.

Manuela Ferreira Leite devia ter ocupado, naturalmente, o cargo de primeiro-ministro quando Durão Barroso abandonou o país. Jogos partidários e pessoais impediram essa solução - a única séria. Manuela Ferreira Leite anda há meses, pacientemente, a demonstrar que é a mais sólida alternativa a Marques Mendes. Este Congresso do PSD foi mais dela do que de Mendes. Marcelo Rebelo de Sousa que se cuide! (Actualização, 22.05: «A nova comissão política nacional de Marques Mendes foi hoje eleita com 556 votos, menos 37 dos que Manuela Ferreira Leite obteve para o cargo de presidente da mesa do congresso».)

Moda 2006 - Victoria Secret's mostra trapinhos para este Verão.

Manuela Ferreira Leite, Belém e Oposição ao Governo: a intervenção de Manuela Ferreira Leite no Congresso do PSD esclarece, no essencial, o posicionamento de Belém em relação ao Governo, a saber: o Governo está a governar bem; está a governar com a “marca do PSD” – “Os socialistas colaram-se às nossas ideias e tiveram o descaramento de nos imitar a toda a hora” – disse a conselheira de Estado. Perante este facto, criticar o governo socialista pelo que está a fazer “esvazia o discurso do PSD”. A solução é obrigar o governo socialista a fazer o que diz que quer fazer: “O que de pior podemos fazer ao PS é exigir que façam. Não é aglutinar o descontentamento em torno do que não fazem. Se querem ter a nossa marca, terão que a provar na prática" – disse Ferreira Leite. Esclarecedor e coerente.

sábado, 20 de maio de 2006

Notas soltas:

1) Souto Moura faz política, como o Michelle faz arroz de cabidela.
2) Pedro Mexia, mexe.
3) Marques Mendes vai passar o dia a estudar as Páginas Amarelas.

Há coisas que nos ficam no ouvido: «A levíssima revista «Única», do pesadíssimo «Expresso» incluiu, no último número [sábado, 13, Maio, p.p.], uma instrutiva «reportagem» do Bairro Alto, assinada por um dito Bernardo Mendonça. Texto deplorável, de problemática legibilidade. O cavalheiro afirma, peremptório, que, «há 30 anos era a colina dos vadios, fadistas e prostitutas. Há 20, morada restrita dos intelectuais, artistas e poetas». A tolice é notória, o insulto evidente, a calúnia abjecta, o analfabetismo de palmatória. Segundo o Mendonça, no bairro só residia gente do piorio. Gente honrada, jamais, em tempo algum. Acaso fossem vivos os meus amigos Zeca Machado e Porfírio Silvério, gente ali nascida e criada, a coisa resultaria num asseado par de murros. Além do escoicinhante tolejo, o audaz Mendonça nem uma linha dedica ao facto de que parte importante da Imprensa portuguesa ali teve poiso, guarida, glória e grandeza. Ilustrando o armorial do ofício, gente como Rodrigues Sampaio, Norberto Lopes, Norberto de Araújo, Artur Portela, Artur Inez, Acúrcio Pereira, Manuela de Azevedo, Francisco Mata, Carlos Ferrão, José de Freitas, Urbano Carrasco, no Bairro Alto fizeram a parte mais estelar das suas vidas profissionais. Há trinta anos, um dos patrões de jornais era Francisco Pinto Balsemão, actual dono do «Expresso» e, então, proprietário do «Diário Popular» e ali com banca diária de jornalista. Não consta que praticasse a vadiagem ou que se dedicasse aos cantares do fado. Mendonça, impávido iletrado, ignora, ainda, que os maiores nomes da cultura portuguesa ali viram a luz do dia (Camilo Castelo Branco, por exemplo), ou ali moraram: Tolentino, Bocage, O’Neill. O texto é mal escrito, mal pensado, mal resolvido. Feito à matroca - imagem reflexa da mediocridade impante e impune que pelo País grassa. Interrogo-me: Que jornalistas temos? Que raio de jornalismo é este?»
Baptista Bastos, Mediocridade impante e imune (Jornal de Negócios)

A publicidade à volta da estreia do Código Da Vinci tem permitido várias confusões. Por favor, tenham cuidado, os evangelhos gnósticos não autorizam determinadas confusões, como por exemplo confundir a estrada da Beira com a beira da estrada; ou esta com esta.

sexta-feira, 19 de maio de 2006

Não acredito: ouvi dizer que o PSD quando foi Governo mandou encerrar 150 (cento e cinquenta) maternidades. Não acredito!

A minha prima Josefina, mulher muito interessada na coisa política e, como quase todos os portugueses, opinativa sobre todas as matérias, telefonou-me a esta hora tardia para dizer: «O Marques Mendes não medra porque está entalado entre o Cavaco e o Sócrates». Como? - Interroguei com ar ensonado. «Não medra, não medra» - Respondeu-me.

Repouso
Esta manhã, quando acordei, e a tua imagem
se atravessou à minha frente, ainda olhei pela
janela, não fosse ter nascido da luz que entrava.
Depois, pensei que podia ter sido um pedaço de
sonho que se partiu durante a noite, quando
o atirei para o chão. Mas não vi
nada, à minha volta, como se uma imagem pudesse
ter desaparecido de um momento para o outro,
ou a noite nunca tivesse existido. Saí
de casa, atravessei a rua até ao café e, enquanto
o bebia, fechei os olhos. E a imagem voltou,
tão real que, quando olhei de novo para a frente,
a mesa vazia transformara-se num sofá onde
estavas estendida, em repouso, como se o dia todo
tivesse passado por ti, e a noite te envolvesse
com o seu peso branco.

O Código fez dois anos no dia 17. A palavra Código foi a mais escrita e mais falada em todo o mundo nesse dia. Não há coincidências...

Mais vale tarde que nunca

«Fechou todas as janelas e portas, amarrou raivas nos corações, pôs choros de lágrimas nos olhos. Só mesmo Dina é que ficou, levantando, sacudindo na poeira, no barro da boca e dos olhos, com essa dor grande que lhe dava alegria no mesmo tempo, a bater no peito pisado pelos sapatos. O carro limpou o escuro com os faróis e, na luz amarela que varreu o chão, o velho negro nasceu, os dentes arreganhados para o céu, a boca torcida para trás despejando sangue em cima dos cabelos brancos e a camisa aberta, mostrando o vermelho a correr no buraco do peito com a picareta sem cabo, espetada e suja..Maluca de dor, xinguilando, a berrar, dentes para morder, Dina correu nos polícias, pelejando insultando:- Mataram-lhe! eu vi, mataram-lhe! Filhos da puta!Então, em cima dos seus olhos, uma noite mais negra que a noite que corria lhe tapou nas estrelas e o cassetete arrancou-lhe para longe, para o tempo onde nada lembra. (...)»
José Luandino Vieira, Vidas Novas, 1968

Agradecimento: a TR, dos Sapatos Pretos, pela referência simpática. Há sempre um lugarzinho para quem gosta de conquilhas.

quarta-feira, 17 de maio de 2006

ADENDA: muita gente no PS gostaria de ser o autor da frase, mas o cartão de militante inibe-os.

Até amanhã. (Lucian Freud, óleo sobre tela.)

terça-feira, 16 de maio de 2006

CRISE? DESPEDIMENTOS? DEPRESSÃO? Qual quê! Jogo no Casino, futebol por todo o lado, fado e touros. Parece o Titanic com a orquestra a tocar. (De vez em quando Pacheco Pereira perde o ar chato e diz coisas sérias a brincar)

Globo de Ouro da Blogosfera (o melhor que li no último ano)

CARTAS A ZAPATERO [1] Ei pensado mucho tempo escrevier-te, pêro no lo ei echo por causa de mi malo espaniol, pero depois de haber escochado Marques Mendes a hablar en el congresso del PP ei concluido que me entedererias en la perfección e pense “si el congresso del PP de Aznar entiendeu Marques Mendes, entonces voi escribir a Zapatero en mi mejor español”. Bueno, y aquí estoy. Como lo sapes isto esta mui malo, Don Jose Barroso ha partido e nos deixo en una desgracia, Don Santana lo ha eccho pior e ahora anda or aí, Don Sócrates no se sabe, e Don Sebastián nunca mas vuelta, esto es, nuestro país no funciona, no tiene pilas. El Infante ha muero a mucho tempo, el oro del Brasil acabou, as ayudas comunitárias han sido convertidas en coches alemanes, bueno solo nos resta que España acate devoluciones, e Portugal passe a ser una región autonómica. El mayor problema es el Juan de Madera pero se puede sugerir a Libia que vuelve a defendir que la Isla pertenece a África, pode ser que Maruecos cambie la Madera por sus pretensiones en Sahara Occidental. De resto solo tienes a ganar, nosotros no tenemos presuntos asesinos, nuestro dinero solo da para bocadillos de courato, e deprisa vas resolver el problema com los etarras, ellos mudaran sus bases para Portugal e nunca más serán un grupo organizado. Adiós
No Jumento

Notas soltas

1) Em Portugal todos os engenheiros, mecânicos de automóveis, pasteleiros, advogados, motoristas de táxi, arquitectos e afins vivem frustrados com a profissão que escolheram. O que muitos deles gostariam de ser era treinadores de futebol. Mais: acham que a sua competência nessa matéria é superior a qualquer um que escolheu aquela profissão. O convencimento é de tal ordem que o facto de um treinador de futebol ter levado uma selecção à vitória num campeionato do Mundo e outra à final de um campeonato da Europa é, digamos, insignificante. Eles sabem melhor do que ninguém quem deveria ser seleccionado; que tácticas deveriam ser usadas em cada jogo; que jogadores deveriam ser utilizados; a que minuto do jogo se devia fazer a substituição e quem devia ser substituido. E se não lhes fazem a vontade, como qualquer petiz mimado, dizem com um beicinho afivelado nos lábios: esta não é a minha selecção e vão ver que vai perder todos os jogos. É pena que estes entendidos quando tiverem uma doença grave não sigam o conselho do calista ou do merceeiro. Aí já escolhem um especialista e de preferência com experiência. Haja pachorra!

2) Fidel promete sair do poder se for provada a sua fortuna. O velho ditador da ilha caribenha, Fidel Castro, respondeu à notícia da revista Forbes, sobre uma alegada fortuna, com ironia: «Lanço o desafio, em primeiro lugar ao presidente (dos EUA, George W. Bush), à CIA, aos 33 organismos de serviços secretos dos EUA, aos milhares de bancos que há no mundo, para ver se me conseguem calar agora». Já aqui escrevi que a Fidel Castro terá, a título pessoal, tanto dinheiro como Oliveira Salazar. Deste se disse que lhe podiam voltar os bolsos que não caía um centavo. Do outro, também. São da mesma linhagem, apesar de, aparentemente, estarem em pólos opostos. Estranho, por isso, que pessoas lúcidas e informadas , como o Jorge Ferreira não entendam isto.

3) Longe de mim querer atribuir a Manuela Ferreira Leite o papel de carteiro - porque seria profundamente injusto - mas permitam que considere que em Belém se pensa sobre o encerramento das maternidades o mesmo que a ex- ministra das finanças. Tenham Juízo - foi o recado.

Coerência (Para além da coerência, não há coincidências): Manuela Ferreira Leite defende fecho de maternidades .

segunda-feira, 15 de maio de 2006

Tempos houve em que homens sem medo - generais ou não - enfrentavam com coragem as dificuldades.

Feria del libro sin papel - Tudo sobre a política do Livro na vizinha Espanha a propósito da Feira do Livro de Madrid. (no Periodista 21)

Lisboa está cheia de vacas, não perca a oportunidade.

Carlos Martins - "Do outro lado", amanhã, às 19 Horas, no S. Luis.
Com Bernardo Sassetti, Alex Frazão e Nelson Cascais. Convidado para uma canção: Carlos do Carmo.

Hoje há novidades: O Presidente da República falou e convocou o país (para utilizar a expressão que Francisco Louçã utilizou quando apresentou a sua candidatura à Presidência da República, mas o país não entendeu e deu-lhe menos expressão eleitoral que ao partido que o apoiou) para "pensar global e agir global" . Esperamos que o país e, principalmente os empresários, a quem a mensagens se dirigiu, entendam o que Cavaco Silva quiz dizer.

Será recado para alguém que assina os seus textos como historiador?: «Um dos deveres dos historiadores é não fazerem previsões, pois ninguém sabe o futuro, mas usarem o seu sentido da História para dar uma ideia, fazer uma previsão educada sobre direcções prováveis. Para mim, a linha que não se deve cruzar é a do envolvimento directo em política partidária. Quando se faz isso - e, claro, muitos colegas meus fazem-no - inevitavelmente corrompe o nosso julgamentoGarton Ash, em entrevista ao Expresso.

A raiz do medo, Medina Carreira, no Público de ontem.
«Perante estas dificuldades e incertezas, o quadro político vigente é caracterizado pelo imobilismo. Todos os partidos com assento parlamentar estão "cercados" pelos cinco a seis milhões de portugueses que, sustentados pelo Orçamento, reclamam respeito pelos direitos e pelas expectativas "adquiridas": políticos, funcionários, reformados, subsidiados e familiares - o nosso Portugal mais conservador e privilegiado - constituem uma permanente "ameaça", que só tem consentido a mentira ou a dissimulação. Eles são a raiz do medo. Os políticos activos fingem assim desconhecer que o Estado Social europeu do século XX é filho de um "negócio" entre os capitalistas e os trabalhadores, destinado a "redistribuir" por todos a abundante riqueza que se criava. E que agora, sem nada para redistribuir a contento de todos, o "negócio" terá de ser repensado ou acabará arruinado. Não há solução à vista, resta a demagogia e o País segue à deriva. O Estado Novo, perante o problema colonial, recusou também repensar e simulou desafiar os "ventos da história". A democracia de Abril, já mais vesga que aquele, tenta ignorar esses "ventos". É sina e será desgraça nossa.»

sábado, 13 de maio de 2006

Mais eficaz que a extrema-direita em Vila do Rei

Uma manifestante do Greenpeace protesta oportunamente. As fotos correram mundo. Prova-se, assim, que uma manifestante bem talhada e mal vestida vale mais que 40 matulões de cabelo rapado embrulhados em cabedal.

Extrema-direita. Hoje a extrema-direita mobilizou-se a nível nacional para protestar em Vila do Rei contra a iniciativa da presidente da autarquia local de trazer para Portugal 250 brasileiros até 2008. 40 pessoas responderam à convocação e, passe o ridículo, foram observadas pela pacífica população de Vila do Rei. Alguém sugeriu a censura a tal manifestação. Esse é sempre o pior caminho. A prova dos nove está feita.

França. A direita francesa está em estado de coma. Chirac, Villepin e Sarkozy parecem autênticos canibais: comem-se uns aos outros. Paulo Portas ao pé deles é um menino de coro.

sexta-feira, 12 de maio de 2006

A maioria de esquerda na Catalunha explodiu. Pasqual Maragall pôs fim à coligação entre socialistas, esquerda republicana e comunistas que governava a Catalunha desde as últimas eleições. A gota de água foi a defesa do "não" ao novo Estatuto Autonómico por parte da esquerda republicana liderada pelo polémico Josep Lluis Carod Rovira.

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Memórias do cinema

(Eider Astrain, óleo e carvão sobre tela, Festival Internacional de Cinema de San Sebastian, 2002)

Relações perversas. Manuel Maria Carrilho mantem uma relação perversa com a comunicação social só igualável a Santana Lopes. A a ânsia de aparecer, de dar nas vistas é porporcional à mágoa de ter aparecido, de ter dado nas vistas de forma diferente do que queria. O livro hoje apresentado tem metade de ressentimento e metade de ansia de promoção. Já conseguiu aparecer em todos os noticiários e vai ter o orgasmo numa entrevista esta noite num canal de televisão. O problema de Carrilho é o mesmo de Santana Lopes: quanto mais dão nas vistas mais se enterram.

Diálogo de praia. O senhor está a tomar banho com a bandeira vermelha, por favor identifique -se - Diz o guarda. Senhor guarda: estou em calção de banho não tenho identificação comigo. - Responde o banhista. Não me interessa vou passar a multa e é pagamento imediato. - Replica o guarda. Não tenho aqui o multibanco, senhor guarda. Então, acompanha-me ao posto - ordena o guarda já irritado. O banhista interroga: senhor guarda, não é ofensa aos bons costumes atravessar a cidade e entrar no posto em calção de banho?. Óh homem, não chatei que eu tenho que cumprir a lei. - Remata o guarda.

Citações incómodas: «o ex-embaixador em Madrid e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Martins da Cruz, administrador de uma empresa do grupo Afinsa, que costuma falar muito, ainda não deu um ar da sua graça». (No Diário da República)

Há dias de azar. Gosto de uma critica arrazadora, desde que inteligente e florentina; gosto de uma boa picardia, desde que não insultuosa. Mas para quem tem a profissão de jornalista, mesmo escrevendo num blog, confundir dois institutos diferentes (mesmo que seja IPRIS e IPRI) e, a partir desse erro construir uma insinuação é pouco saudável; é grave! É caso para dizer: há dias de azar.

Pergunta inocente: porque é que o "iberismo" deixa os cabelos em pé à direita e é indiferente à esquerda?Uma resposta possível é que a esquerda acredita na identidade nacional milenar dos portugueses e a direita não acredita e, por isso, esta vê fantasmas em todo o lado. Outra explicação é aquela que arruma a direita na prateleira de um nacionalismo bacoco. De qualquer modo, eu não acredito na divisão entre esquerda e direita, mas que ela existe é uma realidade.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Plinio Apuleyo, no seu livro “Aqueles tempos com Gabo” (Teorema) conta-nos que o Outono do Patriarca foi inspirado, em Caracas, nos dias que viveu a seguir à queda do ditador venezuelano Juan Vicente Gómez e, um ano depois, nas ruas de Havana com a queda de Fulgêncio Baptista. O que Plínio não nos conta é como Gabriel Garcia Marques, com a experiência dos dias vividos em ditaduras latino-americanas, não consegue encaixar Fidel Castro no Outono do Patriarca.

Palha

«Hasta las personas escasamente atraídas por la lectura saben que a un buen relato no debe faltarle ni sobrarle una sola palavra. Lo que sobra es paja, y cuanta más paja, peor.» Luis Goytisolo, Diario de 360º, Seix Barral

O livro do ressentimento «... Carrilho ainda não entendeu o que lhe aconteceu em Outubro».

(no Portugal dos Pequeninos)

quarta-feira, 10 de maio de 2006

Sugestões para o próximo Verão (Clique aqui)

Liberdade de expressão e liberdade de manifestação
1) A extrema-direita está a promover uma manifestação, em Vila de Rei, contra a iniciativa da presidente da autarquia local de trazer para Portugal 250 brasileiros até 2008. Tudo bem, vivemos em democracia.
2) O DN dedica, hoje, uma página ao assunto. Tudo bem, vivemos com liberdade de expressão e de informação.
3) Rui Pena Pires é de opinião que o DN não devia dar tal notícia a anteriori, mas apenas no caso de a manifestação ser notícia, ou seja, se "mobilizar muito mais do que o esperado". Tudo mal! Ou consideramos que vivemos numa democracia limitada que por razões históricas ou políticas proíbe a liberdade de expressão e manifestação à extrema-direita ou a notícia do DN de hoje é perfeitamente normal. O argumento da reduzida representatividade eleitoral da extrema-direita parece-me falacioso. A prova dos nove não está no uso da “censura prévia”, mas no resultado: a extrema-direita, mesmo mobilizando-se a nível nacional, não vai realizar uma manifestação com um mínimo de significado. Se assim não for, aí sim, devemo-nos preocupar, mas não censurar.

Más notícias. Cerca de 43 por cento dos pensionistas de velhice do regime geral que se reformaram em 2005 tinham menos de 65 anos, segundo dados do relatório final sobre a sustentabilidade da Segurança Social – informa a Lusa.

Azarento. Sabemos que os seus antigos discípulos não lhe perdoam uma mas, para além disso, Freitas do Amaral é um homem azarento: mal chega aos Emirados Árabes Unidos, num qualquer corredor de um Ministério, teve o azar de se cruzar com o ministro dos Negócios Estrangeiros palestiniano, Mahmoud al-Zahar - um homem do Hammas. A sua boa educação impediu-o de fazer vista grossa e lá cumprimentou com "um aperto de mão" o seu homólogo. Coisa pouca, mas não há nada a fazer: arranjou mais lenha para se queimar junto dos seus antigos discípulos.

Boa notícia. O Diário da República recomeçou, agora na IV série.

terça-feira, 9 de maio de 2006

Maternidades. Estou de acordo com Vitor Reis e Paulo Gorjão. E cito, respectivamente: «O PS está a fazer aquilo que o Governo de Durão Barroso quis fazer e que o aparelho do PSD conseguiu impedir!» ou «É impressão minha, ou a posição do PSD é, nesta matéria, politicamente irresponsável?» Um e outro sem papas na língua.

Iraque - Estudantes iraquianas, 1963 (no an iraqi tear)

Iraque - Estudantes iraquianas, 2006 (no an iraqi tear)

Milão - último jogo do Inter no campeonato italiano deste ano.

O carteiro enganou-se no endereço (2). Afinal havia carta. O presidente iraniano, Ahmadinejad, enviou mesmo uma carta a George W. Bush, através do embaixador suíço em Teerão, Philippe Welti, que a recebeu das mãos do ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Manuchehr Mottaki.

segunda-feira, 8 de maio de 2006

Citações: «Uma direita com bicos de papagaios, muitas gralhas e outras tralhas. Com Freitas absolutamente possesso com as parangonas do Expresso que desmente categoricamente, outras categorias da direita lusitana se passearam: Marques Mendes foi a Setúbal comemorar o aniversário do PPD/PSD, num jantar equivalente ao que Luís Filipe Vieira costuma fazer aos fins de semana, numa das casas do Benfica, dado que, com as directas, os nossos partidos passam a disputar o terreno de participação cívica que mobiliza os adeptos para as eleições dos nossos grandes clubes de futebol». (No Sobre o tempo que passa)

Blogs: ¿La nueva información? Os profetas da informática afirmam que, em 2021, "os cidadãos-jornalistas" produzirão a metade das notícias mundiais. (La Nación, Argentina)

O carteiro enganou-se no endereço: «Presidente do Irão propõe "novas soluções" numa carta enviada a George W. Bush», Público Online, 08.05.2006, 9h56m. «Casa Branca diz desconhecer conteúdo da carta enviada pelo Presidente do Irão» Público Online 08.05.2006 - 17h35.

lugar comum - um lugar a visitar.

Oposição renovada regressa em força. Depois das "directas" no PSD e do Congresso do CDS/PP a oposição regressa finalmente em força. Marques Mendes anuncia um "novo ciclo" político; Ribeiro e Castro vai mais longe: garante que o CDS "está unido" e conta com o seu grupo parlamentar para "uma oposição combativa". A acreditar nas palavras dos dirigentes deste dois partidos, agora é quevai ser!

sábado, 6 de maio de 2006

Até amanhã (Botero, óleo sobre tela)

Começou a festa no Palácio das Necessidades: «Gabinete desmente que Freitas do Amaral esteja cansado de ser ministro» Depois de atirarem os foguetes começaram a correr para apanharem as canas.

sexta-feira, 5 de maio de 2006

Tretas. A «Forbes» atribuiu a Fidel Castro o sétimo lugar na lista de líderes mais ricos do mundo. Para dar veracidade à "notícia" dão números: a sua fortuna se situa nos 900 milhões de dólares. De imediato, os arautas da desgraça da nossa praça fazem eco da notícia e acrecentam cobras e lagartos em notas de rodapé. Nem reservam um minuto para pensar. Está aqui um bom post e , assim, avançam em roda livre. Primeira pergunta: onde está tal fortuna? Num Banco nos Estados Unidos? Na Suiça ou no Banco Nacional de Cuba, onde a revista pediu a informação que de imediato lhe foi entregue via e-mail? Em acções na industria de armamento dos Estados Unidos ou nos Petróleos da Venezuela e da Bolívia? Não percebem que para Fidel Castro, tal como para Oliveira Salazar, o dinheiro não tem o significado que tem para a familia Bush que enriquece com cada guerra que promove? Que cegueira é esta que não sabe distinguir um velho ditador na linha de Salazar dos dirigentes políticos que enriquecem com os cargos que ocupam como a família Bush, por exemplo.

Sentido de oportunidade: Freitas do Amaral decidiu sair do Governo pelo seu pé. «Chego ao fim do dia completamente estoirado», foi o argumento que avançou ao Expresso para justificar o "pedido de demissão".

Scarlett Johansson ansiosa aguarda alguém que não chega.

O tempo dirá. É normal que, em eleições directas para a eleição do líder de um partido na oposição, se apresentem vários candidatos. (Quando um partido está no Governo o líder é o vencedor: ganhou o partido e ganhou as eleições legislativas, logo é normal não ter opositor interno). Com o PS foi assim: nas últimas eleições internas defrontaram-se 3 dirigentes nacionais do partido – José Sócrates, Manuel Alegre e João Soares. Hoje, no PSD – partido na oposição – Marques Mendes vai a votos sem opositores. Das duas, uma: ou a oposição interna no PSD quer queimá-lo mais dois anos em fogo lento; ou, quem sabe, cumpre-se a profecia de Vasco Graça Moura: “Marques Mendes é um vencedor”.

Peço desculpa, mas há coisas que eu não entendo: um Secretário de Estado norteamericano apelou à Turquia para respeitar a soberania do Iraque...

Citações
«PUTA DA VELHA. Durante uma brincadeira de mau gosto com touros à mistura em Samora Correia, uma pessoa morre e uma velha muito bem formada vomita a seguinte pérola "por morrer uma andorinha não acaba a primavera". Uma cagadela de andorinha na puta da velha e ainda era pouco...» No je t'aime moi non plus

quarta-feira, 3 de maio de 2006

O milagre de Merkel: Economia alemã regista o maior crescimento desde 2000, apesar da galopante subida do preço do petróleo. A receita, segundo os analistas: maior confiança por parte dos empresários; diminuição do desemprego; subida do consumo e das exportações e cumprimento das regras do défice público. E o IVA vai subir 3 pontos percentuais em Janeiro de 2007.

O igualitarismo absoluto: a descredibilização (a dessacrilização?) dos titulares de orgãos de soberania não tem fim à vista. Depois do Governo ter reduzido os Juízes a funcionários públicos, a palavra dos Deputados deixa de fazer fé: o abstrato conceito de trabalho "político" deixa ser justificativo suficiente. O Deputado tem de dizer aonde estava. Mas, mais cedo ou mais tarde, vai levantar-se a questão de fixar o conceito de "trabalho político". Assistir a um jogo de futebol é "trabalho político"? E ir às compras num grande centro comercial à hora de maior movimento?

Incoerências? Em regra, respondo a todos os e-mail que alguns leitores das parcas linhas que aqui alinhavo se dão ao trabalho de me dirigirem. Ultimamente recebi meia dúzia de e-mail que levantam, no essencial, a mesma questão: nas minhas breves notas quotidianas, umas vezes inscrevo-me à esquerda; outras vezes pareço de direita. Em que ficamos? – Quase me perguntam, como se de incoerência se tratasse. Depois de alguma reflexão (o que me permitiu avaliar se os meus os interlocutores teriam alguma razão) decidi responder a todos de uma só vez: as minhas observações são as de um liberal que preza, em primeiro lugar a democracia e, em segundo lugar, a liberdade. Daí misturar Teerão com Havana; daí, também, a minha simpatia com as expressões artísticas alternativas ou com os casamentos gays. Prefiro o arejamento ao mofo, ou seja, o preservativo à Igreja; a flexibilidade à rigidez, ou seja, o contrato de primeiro emprego ao vergonhoso recuo de Chirac. Um último exemplo: para um europeu, seja em Lisboa, Londres ou Roma, sentado na sua poltrona, em frente ao computador a escrevinhar num blogue, depois da saída da empregada doméstica, deve ser fácil “criticar “ as nacionalizações de Evo Moraes na Bolívia. Mas nunca lá estiverem. Não conhecem a profunda pobreza estampada no rosto dos bolivianos – de quase todos os bolivianos! Enquanto a democracia não for posta em causa, as medidas do Governo de Evo Moraes têm por objectivo melhorar as condições de vida do povo boliviano, mesmo sabendo que medidas idênticas não resultaram noutros tempos, nem em outras latitudes. Mas não se trata de jogos de futebol, em que a clubite domina. Trata-se da vida de milhões de pessoas. Se vai conseguir ou não ainda não sabemos. A única coisa que sabemos é que socialistas, sociais-democratas e democratas cristãos (para usar uma terminologia conhecida) afundaram a Bolívia, tal como afundaram a Venezuela, na corrupção e, consequentemente, na pobreza. Daí a simpatia por Evo Morales e pelo contrato de primeiro emprego. Incorência?

terça-feira, 2 de maio de 2006

Erotismo na Cidade

Sou um leitor assíduo de Erotismo da Cidade; direi mesmo: sou um apreciador compulsivo da poesia da Encandescente. Congratulo-me, pois, com a publicação deste seu segundo livro. E dos outros que atrás virão.

Finalmente. Os EUA viveram ontem um dia diferente: o "Dia sem imigrantes". Esperamos pelas consequências.

segunda-feira, 1 de maio de 2006

Vem aí uma Nova Vaga? Provavelmente não, mas este país precisa de gente com convicções.

1º de Maio. Dia do Trabalhador em todo o mundo. Ou quase: no Irão e em Cuba, dezenas de milhares de trabalhadores saíram à rua para apoiar os respectivos governos. Carvalho da Silva, fazendo uso do seu espírito combativo em defesa dos direitos dos trabalhadores, faria um sucessonas ruas de Havana.