quinta-feira, 31 de maio de 2007

Semelhanças e diferenças.

Sem qualquer intuito de desprestigiar Gabriel Garcia Marques (um dos meus escritores preferidos), arrisco afirmar que este e José Saramago têm muitas coisas em comum: a idade, o jornalismo, o prémio Nobel, o apoio a Fidel Castro e, também, o encenado regresso às origens: em Novembro do ano passado Saramago foi, com pompa e circunstância mediática, a Azinhaga – a terra que o viu nascer. Gabriel Garcia Marques fez ontem o mesmo número mediático: foi a Aracataca, onde nasceu, de comboio, depois de 24 anos de ausência. Parece que a única coisa que os distingue é mesmo a escrita, o que não é displicente.

Até amanhã.

Todos à Feira - é uma óptima sugestão. 77ª Feira do Livro de Lisboa. Há sempre um livro que merece ser lido.

Doações.

O meu filho pediu-me seiscentos euros para comprar não sei bem o quê. Disse-lhe: - Nem penses! Nem sabes as complicações fiscais que isso me ia dar. Ele, que acha que ler jornais não significa saber mais, respondeu-me: - não me gozes!

Nova candidatura a Lisboa.

Aqui está uma verdadeira candidatura independente a Lisboa. Mas esta, porque não nasce de políticos profissionais que se armaram em «independentes» à última hora, não vai, certamente, conseguir as assinaturas. É pena.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Greve geral (2)

Em democracia, o direito à greve é inquestionável. Quem assim não entender pode emigrar para um dos muitos países onde esse direito é negado. Pela temperatura do ar e da água, património edificado e simpatia do povo, aconselho Cuba. Mas, entendo, que a utilização deste direito dos trabalhadores utilizado no quadro de uma necessidade político-partidária só pode prejudicar quem trabalha. Uma greve geral – uma mobilização que paralisa um país – é um instrumento que deve corresponder a uma conflitualidade social e laboral (e política) de ruptura. Uma greve geral a sério tem que produzir consequências. Ora, a «greve geral» de hoje, que o PCP decidiu levar para a frente, mesmo com vozes discordantes no seu interior, apenas banaliza o direito à greve. Porque é notório que não foi uma greve geral, independentemente da guerra de percentagens de adesão. E porque foi uma «greve geral» a brincar não terá a menor consequência. A conclusão é linear: o PCP está mais preocupado com a afirmação política do partido do que na defesa dos interesses do mundo do trabalho.

Anúncio.

Dão-se alvíssaras a quem estiver bem colocado junto de Jerónimo de Sousa de modo a influenciá-lo a convocar nova «greve geral» para o próximo mês. Respostas para o Palácio de S. Bento.

Greve geral.

- Sabes que o Carvalho da Silva disse que não há liberdade sindical em Portugal?
- Disse? Ele que diz é porque é verdade.
- Achas?
- Acho. Não te esqueças que Carvalho da Silva foi formado nas amplas liberdades sindicais da União Soviética e nas greves gerais que inundam as ruas de Havana.

Citações.

«Quanto à proposta de Rui Tavares para que os candidatos (à Câmara de Lisboa) fossem escolhidos abrindo "em cada área política um debate para constituição de programa, com a participação dos cidadãos que o desejarem, e depois escolher o melhor intérprete desse programa", só posso dizer que, de repente, me imaginei a viver na aldeia dos Pini Pons, aqueles bonequinhos cabeçudos e coloridamente assépticos. Mas após alguns breves segundos em que sorri perante a imagem dos encontros de cidadãos donde emergiriam candidatos fui confirmando que aquilo que Rui Tavares propõe é um projecto autoritaríssimo. Aliás, parece que só lhe interessa proibir e fazer engenharia social através do ordenamento urbano. Tudo, claro, sempre devida e folcloricamente explicado no tal fórum permanente. De facto, se o programa de Rui Tavares fosse seguido, Lisboa seria a cidade onde trabalhariam e circulariam os Pini Pons autorizados. Os outros partiriam à noite para o Camboja, local que tanto pode ser o expoente do delírio socialista como o que de pior existiu e existe na periferia de Lisboa
Helena Matos, Os Pini Pons vão ao Camboja, Público 30.05.07. (sublinhados meus.)

terça-feira, 29 de maio de 2007

Gato escondido...

A relevância directa em Portugal da escalada anti-democrática na Venezuela é identificar o modelo de sociedade que nos é proposto pelas forças políticas que, com palavras ou silêncios, defendem a caminhada chavista para a ditadura. “Eles” querem esconder o modelo com que nos acenam, mas deixam o rabo de fora.

Precisão.

A lista dos grevistas já tinha acabado há muito tempo.

«Comissão de protecção proíbe tratamento de dados dos trabalhadores em greve

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Treinador de sofá.

Ganhar a Taça, para mim, não foi relevante. Relevante foi o Sporting ter demonstrado falta de ambição no jogo contra o Benfica, tendo jogado para o empate com receio de perder o segundo lugar no campeonato. Ganhar ao Beleneneses é uma coisa. Ficar à frente do Porto é outra.

O Teniente-Coronel Hugo Chávez e o «movimento boliviano de cidadãos»

A primeira vez que estive em Caracas, em 1993, estava o Teniente-Coronel Hugo Chávez preso na sequência da tentativa de golpe militar (4F de 1992) contra um governo legal e legítimo, apesar da notória impopularidade deste. Na altura, tive oportunidade de ler a literatura política do «Movimento Revolucionário Bolivariano 200» – o movimento golpista. Frases vazias do tipo: «o movimento bolivariano consiste em estabelecer uma autêntica democracia fundamentada nas raízes históricas e no carácter de milhões de homens e mulheres venezuelanos.» Ou «o nosso movimento representa os cidadãos venezuelanos que se querem libertar da tirania que se esconde debaixo da capa de uma democracia …». Este paleio ganhou um bom número de adeptos entre os intelectuais que se encostaram ao golpismo militar em nome de uma «autêntica democracia» e que condenavam, sem apelo, nem agravo, os partidos políticos e os dirigentes políticos «corruptos» da Venezuela, nomeadamente Carlos Andrés Pérez. Muitos destes intelectuais aplaudiram de pé quando Rafael Caldera, eleito Presidente da República, libertou o golpista Teniente-Coronel Hugo Chávez. Entre estes intelectuais tenho vários amigos, sobretudo um com o qual almocei, em Caracas, há pouco mais de dois anos. Nesta altura, ele que apoiou Chávez na sua ascensão ao poder, que desempenhou cargos importantes, na área da cultura, durante os seu primeiro governo, já era considerado o «intelectual da contra-revolução» em múltiplos artigos na imprensa venezuelana, apesar de ainda manter uma crónica semanal no principal diário de Caracas. Acompanho ainda, à distância, as suas crónicas semanais, as quais, cada vez mais, abordam o deslize para a ditadura através de exemplo históricos. Esta lenga-lenga vem a propósito do fim da democracia na Venezuela, cujo ponto de não retorno foi o encerramento da RCTV - A emissora privada de TV Radio Caracas Televisión.
(Adenda: Só depois de visualizar este texto já editado reparei na data: 28 de Maio. Também há 81 anos um «movimento boliviano» se instalou em Portugal.)

Cenas do quotidiano.

O Pedro Correia é que nos topa. A todos.

Espanha.

Meu caro Francisco: estamos de acordo quanto ao essencial: gostamos ambos dessa Espanha «incivilizada» em que as tardes se derretem com café, copa y puro. E ainda nos encontramos entre os que adoram lacón con grelos. Essa Espanha – essa alma espanhola – que conheço desde os 3 ou 4 anos, porque sou raiano, nem Rajoy, nem Zapatero a vão matar. Quanto ao acessório: pode parecer uma questão de pormenor, mas insisto na «ilação» porque esta amplia o disparate e responsabiliza os seus autores. Sem esta denúncia insistente não há consequências, porquanto estas só podem ser assacadas pelos eleitores. É evidente que o afrontamento continua, mas apesar de algum grau de confiança negado a Zapatero, talvez haja uma consequência directa a tirar pelos próprios Rajoy e Aznar: entenderem que o «problema ETA», tal como foi colocado, não rende tanto como previam.

domingo, 27 de maio de 2007

Espanha a votos.

Raramente se tiram ilações das frases bombásticas proferidas no calor das campanhas eleitorais. Aznar, num comício do PP em Saragoça, afirmou: «Cada voto que no vaya al PP será un voto para que ETA esté en las instituciones». Os resultados eleitorais de hoje, em Espanha, terão demonstrado que metade dos espanhóis quer que a ETA «esté en las instituciones» ou, apenas, quer dizer que o pessoal não alinha em demagogias primárias?

Taças.

O Cambra conquistou a Taça de Portugal em hóquei em patins. O Sporting conquistou a Taça de Portugal em Futebol.

Uniões de facto.

« (...) O governo faz tranquilamente o que a direita no lugar dele faria. A direita agradece.(...
Vitor Dias, membro do Comité Central do PCP.
«(...) a greve geral, essa excepcional oportunidade para o mundo do trabalho dar um safanão no rumo desastroso que o governo Sócrates está impondo ao país
Vasco Pulido Valente, no Público de hoje (27/5).

Frases com história.

O túnel do Marquês é uma espinha cravada na garganta de Sá Fernandes.

Quem?

«O Zé faz falta»????? A quem?

Citações.

«Lisboa revelou a fraqueza dos dois grandes partidos do regime. Nem o populismo de esquerda do PS, nem o populismo de direita do PSD são fenómenos passageiros
Vasco Pulido Valente, Populismos, Público 27.05.05.
«Não sei se, num Congresso em Outubro, Marques Mendes poderá manter-se. Sei que, com esta candidatura autárquica, ele ilustrou da pior maneira a falta de autoridade que o tolhe. E sei que, com um mau resultado nas urnas, ele demonstrará o paradoxo que há muito revelou: é ser ele próprio o ventre mole do núcleo duro da sua liderança
Nuno Brederode Santos, A ESTRANHA MALDIÇÃO, DN, 27.05.07.

Verdade?

sábado, 26 de maio de 2007

Um ninho de cucos.

A diferença mais importante entre um «partido político» e um «movimento de cidadãos» é que o primeiro é um movimento de cidadãos organizado, com um percurso e um enquadramento ideológico, enquanto o segundo é apenas uma rábula (por natureza amorfa e inorgânica) destinada a sustentar o «sentido de oportunidade» (o oportunismo?) messiânico de um franco-atirador, sobretudo nos momentos em que há descontentamento popular com a «política» e os «políticos».

Um laboratório chamado Lisboa (3).

Paulo Portas, aquando do seu recente regresso à liderança do CDS-PP, disse: «Se fosse para fazer mais do mesmo, não estaria aqui.» O seu objectivo, acrescentou, é fazer do CDS-PP «um grande partido de centro-direita». Nas eleições intercalares em Lisboa apresentou, em congresso, com pompa e circunstância, mais do mesmo: Telmo Correia. Tudo indica que nestas eleições o «centro-direita» vai estar todo ocupado e ninguém vai deixar Telmo Correia entrar nesse barco. Com «mais do mesmo» e sem «centro-direita», não é de estranhar que o candidato do CDS-PP nem sequer seja eleito. Resta a dúvida se Paulo Portas se demite na noite de 15 de Julho ou arrasta, pelas ruas da amargura, essa decisão até à noite das legislativas. De qualquer modo, este CDS-PP está a deixar lastro para o PSD.

Um laboratório chamado Lisboa (2).

Um bom resultado eleitoral de Helena Roseta em Lisboa (qualquer coisa entre os 10 e os 15 por cento), depois do resultado de Manuel Alegre nas presidenciais, vai levar à reflexão, por aquelas bandas, sobre as legislativas de 2009. Como nessas eleições os «independentes» ficam de fora, o tal MIC de Manuel Alegre pode, finalmente, encarar a hipótese de se constituir em partido político e concorrer às legislativas. Aí, o PS fica com o flanco «esquerdo» desprotegido, o que pode dar mau resultado, mas o PCP e o BE vão ter que fazer pela vida para manter a representação parlamentar. O laboratório chamado Lisboa pode deixar tudo na mesma, mas também pode ser o início de um grande trambolhão.

Um laboratório chamado Lisboa.

A agitação de Santana Lopes (esta semana já deu três entrevistas: a primeira para desancar Marques Mendes; a segunda para pedir desculpa por o ter desancado; a terceira, hoje, no DN, para dizer que não vai abrir a boca até 15 de Julho) antecipa a noite das facas longas. Se Carmona Rodrigues «triturar» eleitoralmente Fernando Negrão, Santana Lopes vai desembainhar a espada e iniciar a guerra, em campo aberto, a Marques Mendes. Fevereiro de 2009 está já ao virar da esquina. Por ironia, nestas eleições lisboetas, Lopes torce por Carmona, um dos amigos que lhe deu uma facada nas costas, segundo as palavras do próprio anavalhado. É a vida – como dizia o outro.

Art News.

Interiores.

«Love Seat», de James Hopkins.

Milão Fashion.

Diferenças!

Os nossos vizinhos do lado também brincaram, num programa de televisão semelhante ao nosso, com Los diez españoles de la Historia. E, no mínimo, revelaram ter resolvidos os traumas, quer da guerra civil, quer da ditadura. Gostam da democracia em que vivem (entre os escolhidos figuram Adolfo Suárez e Filipe González), da sua história e da sua cultura. De Francisco Franco não reza a História. Eles - os Espanhóis - escolheram:
1. Rey Don Juan Carlos I 2. Miguel de Cervantes 3. Cristóbal Colón 4. Reina Doña Sofía 5. Adolfo Suárez 6. Santiago Ramón y Cajal 7. Felipe de Borbón 8. Pablo Ruiz "Picasso" 9. Santa Teresa de Jesús 10. Felipe González.
(via Patrimónios)

Coisas simples.

«Ce traité simplifié, qui modifiera les traités de Nice et d'Amsterdam, pourra, comme eux, être soumis à la ratification du Parlement. Notre objectif devrait être de lancer au plus vite son élaboration de manière à l'appliquer dès les prochaines élections européennes, à partir de 2009, comme l'a confirmé le récent sommet de Berlin».
Nicolas Sarkozy, entrevista à revista Politique Internationale, número 115. (Via Corta-Fitas)

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Verdade?

«PSD está a ser palcos de guerras internas»

Citações.

«A pulverização da Esquerda não é sintoma de “pluralidade”, nem prova da existência de “alternativas”, nem indício de fortuna ideológica. Em Lisboa, a pulverização da Esquerda é a marca da desordem política – uma desordem política que passa por normalidade democrática. No Portugal profundo, Lisboa surge coberta por uma atmosfera de fim de regime
As Esquerdas em Lisboa, Carlos Marques de Almeida, Diário Económico, 25.05.07.

Ter tomates!

Um blog com tomates decidiu atribuir o prémio a quem tiver os ditos no sítio. Nestas coisas de botar palavra em defesa de qualquer coisa, naturalmente. E desenvolver os tomates é uma coisa boa, especialmente nos dias que correm. A Cristina – a quem humildemente agradeço – considerou que por aqui também havia tomates. Eu, pela minha parte, sigo o seu critério: blogs de pessoas que, individualmente e assumindo a sua verdadeira identidade, não deixam de meter o dedo na ferida. E nas teclas. Então, venham mais cinco:
Cristina Vieira
(Contra Capa);
Fernanda Câncio (Glória Fácil);
José Manuel Fonseca (Anarca Constipado);
João Gonçalves (Portugal dos Pequeninos);

Sondagens.

As primeiras sondagens para as eleições intercalares de Lisboa envolvendo todos os candidatos estão aí a marcar as tendências eleitorais. Na sondagem Expresso, António Costa seria o novo presidente da Câmara. De relevante: em primeiro lugar, Carmona Rodrigues está à frente de Fernando Negrão, o candidato do PSD; em segundo lugar, está em causa a eleição de vereadores pelo PCP, BE e CDS-PP. Mas ainda agora a procissão vai no adro.

Santana Lopes dá o dito por não dito.

Pensei - mal, pelos vistos - que Santana Lopes não produzira as afirmações que trancrevi aqui no seu estado habitual de excitação. Ainda alvitrei - mal, pelos vistos - que ele queria voltar a ser primeiro ministro. Mas, afinal cumpriu-se o velho estilo. O ex-primeiro ministro terá reconsiderado: «Retiro o que disse. Não tenho por hábito ofender ninguém e cheguei à conclusão de que usei termos exagerados e até ofensivos». Eu bem avisei: ele diz que nada diz sobre o assunto, mas se dissesse diria que... e depois de dizer retira o que disse. E depois o Mário Lino é que paga as favas.

Horizontes.

«Os relatos sobre minha morte foram desmedidamente exagerados»

Mark Twain, New York Journal , 2 de Junho de 1897.

Até amanhã.

Pierre Auguste Renoir (Limoges 1841-1919 Cagnes)

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Lisboetas.

Em 2001, a editora Livros Horizonte, em colaboração com o grupo Os amigos de Lisboa, publicou o Dicionário das Alcunhas Alfacinhas a partir de uma relíquia constituída por mais de um milhar de folhas de bloco de pequeno formato, manuscritas, desconhecendo-se o seu autor. Ninguém deve renegar os seus antepassados. Transcreve-se uma das 1250 entradas: «Chico do Alegrete: Chamava-se Francisco Pedro ou Francisco Silva e era carpinteiro. Foi um dos amantes da Severa. Frequentador das vielas da Mouraria, acabou por deixar o ofício e tornou-se um vadio e desordeiro, resolvendo as contendas à facada. Outros fadistas desse tempo eram: o Bichoso, sapateiro, filho de um contrabandista, chamado Eleutério; o Macaco Encarnado, alcunha que lhe puseram no Bairro por ter o cabelo ruivo, era pedreiro; o Zanaga, rufião chamado Sebastião, amante de Maria Nazaré, a Ervanária da Mouraria, que viveu na Rua Capelão (essa mulher de boa figura vendia mesinhas e perfumes para bruxedos, emprestava dinheiro sobre penhores e era proxeneta, prestando-se ela mesmo a substituir as suas protegidas quando a preferiam); o Carolas, que foi sapateiro antes de se entregar à vadiagem; o Preto do Borratém, tipo perigoso de largo cadastro; o Licanço, que foi marujo, tendo levado baixa pelo seu mau porte; o Nicas, bolieiro chamado Tomás, que foi um terrível fadista (trabalhou como sota em casa dos marqueses de Tancos e condes de Atalaia) ; o Luísinho de Setúbal, que foi serigueiro e deixou o trabalho para se entregar à vadiagem; o Cantante, gatuno, desordeiro e vadio que foi degredado para Africa; O José dos Riscos, faquista muito conhecido na Mouraria, Bairro Alto e Alcântara (foi morto à facada pelo Ranhoso); o Carlos Miminho, amante de uma colareja a quem explorava e o Minhoca, que assassinou uma velhota em Arroios

Carneirada.

O pior que pode acontecer a um democrata é encarneirar.

Andar por aí.

A regra do PSD, segundo a qual os autarcas arguidos devem renunciar aos seus mandatos é «estalinista» e «nazi». Esta classificação não é minha. É de Santana Lopes. Mas, no seu estilo peculiar de dizer que nada diz sobre o assunto, mas se dissesse diria que..., acrescentou: «não estou a chamar estalinista ao doutor Marques Mendes nem nazi», (estará a chamar o quê?). Contudo, sublinhou que são «regras próprias de ditaduras». Santana Lopes tem o condão de desconcertar tudo e todos: neste momento, em que eu estava tentado a acreditar que o ex-presidente da Câmara de Lisboa, pelo menos até 15 de Julho, «odiava» mais Carmona Rodrigues do que Marques Mendes. Mas não. Ele não quer voltar à presidência da Câmara, quer voltar a ser primeiro-ministro. Há dúvidas?

Dinamitar a Ponte Vasco da Gama?

Jamais! Jamais!

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Carmona Rodrigues também é candidato.

Finalmente, os dados estão lançados. Depois de Garcia Pereira, pelo MRPP, e Gonçalo da Câmara Pereira, pelo PPM, um «novo» independente: Carmona Rodrigues.

Nova candidatura à Câmara de Lisboa.

Gonçalo da Câmara Pereira é o candidato do PPM à Câmara de Lisboa. E o programa que defende está cheio de novidades: um festival de fado e a reabilitação da revista à portuguesa no Parque Mayer – «uma Broadway nos Restauradores» – disse; atribuição de um barco à vela a cada escola de Lisboa, para incentivar a prática da vela e fazer a cidade virar-se para o Tejo - «É uma ideia barata de conseguir, as velas podem ter publicidade e seria bom para o turismo» - argumentou. «Monsanto tem que ter vida, tem que ser uma parte da cidade como o Hyde Park faz parte de Londres e o Central Park faz parte de Nova Iorque, ser um local de convívio com boas acessibilidades» - acrescentou ainda. E por aí fora. Disse ainda que é uma «candidatura para ganhar» e que o PPM «deixou obra feita» dando como exemplo o Túnel do Marquês. De facto, ninguém quer perder este barco. Ninguém quer deixar de dar nas vistas.

Outro «movimento de cidadãos» à conquista de Lisboa.

Garcia Pereira vai entregar a lista da sua candidatura e diz que esta tem «um esqueleto formado por inúmeros cidadãos independentes». O líder do PCTP/MRPP afirmou, ainda, que irá destacar a «ruína existente em Lisboa» e defendeu que «não são os partidos que podem rasgar soluções, mas os cidadãos». Mais um candidato a entrar na área dos candidatos Helena Roseta e José Sá Fernandes.

A noite dos animais inventados.

Quinta-feira, dia 24 de Maio, estreia em Coimbra, no Museu dos Transportes, a peça infantil A Noite dos Animais Inventados, com texto adaptado do conto com o mesmo título de David Machado. A peça, levada ao palco pela companhia O Teatrão, vai estar em cena até 7 de Julho. De Segunda a Sexta-Feira com duas sessões diárias, às 10:30 e às 15:00. Aos Sábados e feriados, às 17:00.

Distracções.

Meu caro Francisco: a verdade pode estar em mais do que um lado. Ora, se de um lado, amor com amor se paga, do outro, Sarkozy não deixa, pelo menos parar mim, de ser uma agradável surpresa (nestes poucos dias) diante da caquéctica esquerda francesa. (o provavelmente tem por missão proteger o está tudo explicado). Diz-me o meu instinto que Sarkozy pode fazer ao PSF (e a toda a esquerda francesa) o que a dupla Cavaco-Sócrates está a fazer ao PSD (e, de um modo geral, a toda a direita portuguesa): secá-los até acordarem. Para isso, talvez Sarkozy conte, também, com o Grande Oriente de França. Se não tiver a tentação de se desviar deste caminho pode trazer um choque de verdade de que o país precisa.

Citações.

«Tudo o que atrás fica escrito permite que os bons resultados daquela escola se prolonguem no ensino secundário, tendo o ano passado ficado em 32º lugar nos rankings feitos a partir dos resultados a Matemática dos seus alunos no 12º ano. Uma boa posição, se nos lembrarmos que falamos de uma escola que não foi feita para alunos de elite. Contudo, para o quadro ser completo, é necessário sublinhar outra: esta é uma escola privada. O seu nome completo é Externato João Alberto Faria (em Arruda dos Vinhos, concelho rural dos arredores de Lisboa). Mas os seus alunos não pagam para a frequentarem, pois, como é a única do concelho, tem um contrato de associação com o ministério. Estes contratos de associação são relativamente raros no país, havendo mesmo assim quem defenda que o Estado devia construir escolas públicas ao lado de estabelecimentos privados como este. Mesmo que tal saísse muito mais caro. E resultasse numa menor qualidade de ensino. Só que a Alberto Faria mostra como fazer o contrário pode resultar muito melhor.
Conclusões? Que se as escolas escolhessem os professores, se os alunos escolhessem as escolas, se o Estado se limitasse a dar orientações gerais, em vez de dirigir, e desse um cheque-ensino aos alunos menos abonados que quisessem ir para uma escola mais exigente, ou melhor, privada e paga, ganharia a qualidade de ensino e o ministro das Finanças agradeceria. Só os interesses instalados se revoltariam
Extracto de A escola que é um manifesto contra o "eduquês", José Manuel Fernandes, Público de 23.05.07 (sublinhados meus).

O esplendor da América Latina.

O assunto merece, certamente, mais desenvolvimento para não parecer «demagogia», mas voltarei ao tema com mais demora. Por agora, apenas registo o seguinte: conheço o suficiente do processo que, na Venezuela, transportou Hugo Chàvez ao poder que hoje detém, para indentificar, de imediato, nos «movimentos de cidadãos» e no paleio do tipo «Roseta comprometeu-se a não aprovar “nenhum grande projecto” municipal “sem dar voz aos lisboetas”, e afirmou que “o programa, o orçamento” e “os grandes projectos não podem ser decididos longe dos cidadãos”» o mesmo palavreado de Chàvez contra os partidos políticos depois de, em 1994, ter saido da prisão. Agora, na Venezuela, são «os movimentos de cidadãos» que decidem! O camarada Chàvez é apenas um instrumento dos «cidadãos». Por isso, fico deliciado quando oiço as palmas do maralhal da direita a Roseta. Lá, em Caracas, eles arrependeram-se. Por cá estão protegidos pelo guarda-chuva democrático da União Europeia.

terça-feira, 22 de maio de 2007

O delator.

Elia Kazan foi um dos maiores directores de cinema e de teatro da história americana. Já na década de 40 se destacou como director do teatro da Broadway. Recebeu dois Óscares de melhor director, foi indicado outras três vezes, e, se houvesse alguma dúvida sobre seu talento para dirigir actores, bastaria lembrar que levou nove deles a ganhar estatuetas. Outros 15 foram nomeados. No entanto, sempre que se fala do realizador de Viva Zapata! fala-se de «o delator». Os Óscares, Leões e Ursos de Ouros que lhe foram atribuídos em festivais de cinema, o último dos quais em 1996, em Berlim, nunca apagaram o facto do cineasta, que durante a sua juventude pertencera ao Partido Comunista, ter denunciado os camaradas do seu ex-partido no Comité de Investigações de Atividades Anti-Americanas, a partir de 1952, para ele próprio salvar a pele e não entrar na lista negra dos estúdios de cinema. Lembrei-me de Kazan – o delator – porque só hoje percebi, através deste texto, que o tal professor que contou uma anedota sobre a licenciatura de José Sócrates, o fez «durante uma conversa com um colega, dentro do seu gabinete». Há aqui, também, nesta história, um delator. E, penso eu, os delatores, são o sustentáculo das prepotências e devem, na mesma medida, ser denunciados. Esta não é uma questão de pequenas lutas de poder entre o PS e o PSD numa Direcção Regional. É uma questão de saúde democrática.

Eu já vi este filme!

As artes visuais, a pintura e o cinema, por exemplo, são pródigas nas transmutações entre cópias e originais, entre passado e presente. Com igual beleza estética, narrativa e autonomia criativa. Às vezes - muitas vezes, por sinal - o dia a dia reserva-nos «remakes» que só «as meninas» de Velasquez e «as meninas» de Picasso nos permitiam.

Crenças.

Há quem acredite em fadas. Eu já não sei se estou para aí virado.

Atitudes.

O eurobarómetro divulgado hoje pela Comissão Europeia sobre a atitude dos europeus face ao tabaco fornece dados curiosos. Está lá escarrapachado que 92 por cento dos portugueses apoiam a proibição de fumar nos escritórios e outros locais de trabalho fechados e 91 por cento defendem a interdição de fumo em todos os espaços públicos fechados, sendo que, no dito estudo, nestes casos, a média europeia é 88 por cento. E quanto à proibição de fumar em bares e pubs, 74 por cento dos portugueses está de acordo, contra a média europeia de 62%. Pior ainda: o estudo demonstra que Portugal é o país da União Europeia com uma maior percentagem de pessoas que nunca fumou (64 por cento dos inquiridos, contra 47 da média da UE). E por aí fora. Face aos resultados fico com o sentimento de que o estudo foi feito num sanatório ou, então, os portugueses são gente tramada. São de modas, mais do que de convicções; divertem-se a parecer aquilo que não são e pulam de contentamento quando trocam as voltas às sondagens.

Distracções.

Mostrei-me surpreendido com algumas nomeações de Nicolas Sarkozy. Escrevi, então - o novo presidente francês não pára de surpreender: nomeou para ministro dos negócios estrangeiros o socialista Bernard Kouchner. Voz amiga escreveu a chamar a minha atenção para o seguinte: Alain Bauer, ex-grão mestre do Grande Oriente de França, antes das eleições presidenciais, disse: «Creio que Nicolas Sarkozy é capaz de sair da lógica do slogan e trazer um choque de verdade de que o país precisa.». Provavelmente está tudo explicado.

Ler os outros.

«A candidatura de António Costa não pode correr o risco de surgir como uma candidatura do governo para conquistar Lisboa contra todos as outras que se vão tentar posicionar como candidaturas de Lisboa para derrotar o governo. É este o cerne da dificuldade que António Costa tem que ser capaz de tornear
Eduardo Graça (Absorto).

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Até amanhã.

RUBENS, Pieter Pauwel (Siegen (28-7-1577) - Amberes (30-5-1640)

Lisboa

(PÁTEO D. FRADIQUE, EM LISBOA, JUNTO AO CASTELO de S. JORGE, Fotos de Cristina Garcia, em 8 de Maio de 2005).

Surpresas...

Ou muito me engano ou Nicolas Sarkozy vai ser o coveiro da caquéctica esquerda francesa.

Bernard Kouchner.

Nicolas Sarkozy começa bem o seu mandato ao nomear para ministra da Justiça Rachida Dati, uma filha de magrebinos - escrevi num post anterior. Mas, o novo presidente francês não pára de surpreender: nomeou para ministro dos negócios estrangeiros o socialista Bernard Kouchner.

domingo, 20 de maio de 2007

Treinador de sofá.

Para um sportinguista, a melhor notícia dos resultados da jornada futebolística de hoje é saber que Jesualdo Ferreira continua como treinador do F.C. do Porto.

Bajulices.

Chego atrasado ao assunto, mas não posso deixar de comentar o insólito caso da Direcção Regional de Educação do Norte ter instaurado um «processo discilplinar» a um professor que disse uma piada sobre a licenciatura de José Sócrates. A história está cheia de exemplos de lambe-botas, normalmente gente medíocre, que arrasta para a lama as botas que lambem. A despropósito, o que adiantou a Governador Civil de Lisboa, a quem compete marcar a data das eleições municipais, estar presente no lançamento da candidatura de António Costa? Falta de senso? Bajulice? Venha o diabo e escolha. Quando me contam a «história» de que «eu estou aqui como cidadã» lembro-me do Titanic: embarcaram todos como passageiros, mas...

Rachida Dati.

Manual Alberto Valente iniciou a sua colaboração ao lado de Francisco José Viegas no Origem das Espécies. E chama a atenção para uma evidência: Nicolas Sarkozy começa bem o seu mandato ao nomear para ministra da Justiça Rachida Dati, uma filha de magrebinos.

Treinador de sofá (ou o cavalo de tróia).

«E agora é só aguardar pelos jogos de mais logo. Espero que o Porto vença, mas confesso publicamente que, em minha opinião, foi o Sporting a melhor equipa deste campeonato. Só que a juventude, por vezes, paga caro estar muito perto dos deuses...» Manual Alberto Valente (Origem das Espécies)

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Tonterias.

Aprendi há muito tempo, talvez na 4ª classe, que o desconhecimento da lei não beneficia o seu infractor. E pensei que tal princípio se aplicava a todos os cidadãos. Mas não é assim. Há cidadãos que pensam que o desconhecimento da lei só deve ser aplicado aos outros.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Ainda...

Fonte bem informada mete um ponto final no assunto: «não haverá convergência entre Sá Fernandes e Helena Roseta para uma lista comum e independente, por indisponibilidade, ainda não explicada, da candidata.» Gostei, sobretudo, do «ainda não explicada». Para ser mais preciso o «ainda» encheu-me as medidas. Azar! Assim se gorou, sem mais, nem menos, a minha secreta esperança de ver Helena Roseta em número 2 na lista do BE. Paciência. Pode ser que para a semana que vem as coisas mudem.

Assim não vale.

Duas informações recentes: o INE informou que o crescimento da economia portuguesa acelerou no primeiro trimestre, com um aumento homólogo de 2,1%. O mesmo INE informou, também, que a taxa de desemprego aumentou 0,7 pontos percentuais em Portugal, no primeiro trimestre deste ano, face a igual período do ano passado, para 8,4 por cento. Perante esta última informação – o aumento do desemprego –, o Ministro do Trabalho afirmou que há dados que contrariam tendência mostrada pelo INE. Ora, assim não vale, porque me permite pensar que, provavelmente, há dados que contrariam o crescimento da economia em de 2,1%, anunciado pelo INE.

Descer a escada.

Fico divertidamente compungido ao ver passar a procissão do Santo António de Lisboa. À direita do PS atiraram foguetes quando Helena Roseta anunciou a sua candidatura à frente de um «movimento de cidadãos». E fizeram romagem às Portas de Santo Antão, doando assinaturas, num simulacro de quem cumpre um dever cívico. Entretanto, Roseta, ofendida na sua honra ideológica, caminha inexoravelmente para o espaço residual que lhe alimenta os sonhos: a extrema-esquerda. A pedido de Roseta (já tolhida pelo desespero do fiasco que a espreita), Paulo Fidalgo, Bernardino Aranda e João Bau, do «movimento de cidadãos» denominado Refundação Comunista, discutem esta tarde a conjugação de esforços e a mercearia dos lugares nas listas, enquanto Sá Fernandes não se cansa de enviar bombons e ramos de flores à ex-socialista (a bagunça conta-se assim para quem tem memória curta: Fidalgo integrou, em 2005, a lista do Bloco de Esquerda liderada por Sá Fernandes à Câmara Municipal de Lisboa; João Bau, foi eleito pelo BE para a Assembleia Municipal de Lisboa e Bernardino Aranda, foi compensado com uma assessoria a Sá Fernandes). O espaço político (e ideológico) de Roseta está, assim, definitivamente fixado. Na ala direita desta procissão lisboeta, onde as velas já arderam até ao fim do pavio, o «movimento de cidadãos» encabeçado por Carmona Rodrigues aguarda, até ao último segundo, e sem recurso para o Tribunal Constitucional, que alguém que beneficie com a sua candidatura lhe diga que avance que a recolha das assinaturas está garantida. Sem essa garantia não vai avançar para lado nenhum, naturalmente. Lisboa transformou-se no laboratório de todas as experiências, de todos os ressabiamentos, de todas as vaidades e de todas as guerras políticas-partidárias. Aguardo serenamente que algum dos muitos candidatos esteja mesmo a pensar em Lisboa.
(foto daqui.)

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Importa-se de repetir?

«Fernando Negrão é actualmente vice-presidente do grupo parlamentar do PSD e vereador na Câmara Municipal de Setúbal. Segundo a mesma fonte, Fernando Negrão foi a única pessoa a ser convidada formalmente pela direcção do PSD, liderada por Marques Mendes, para encabeçar a lista do partido às eleições intercalares para a autarquia da capital.» (Diário Digital)

terça-feira, 15 de maio de 2007

Desorientação geral?

Presidente da Câmara de Vila Real de Santo António, autarca do PSD, «vai ajudar Cuba na sua recuperação económica e social.» Agora é que os cubanos vão ser felizes!

Ameaças (3).

Há quem pense que a candidatura de Helena Roseta à Câmara de Lisboa é uma ameaça ao PS. Num primeiro momento reagi com o que me pareceu evidente: que a ameaça iria mais para o lado do PCP e do BE. No entanto, depois da recusa de Seara e o anúncio de Fernando Negrão como candidato do PSD, a avaliar, por exemplo, o «estado de espírito» de Rodrigo Moita de Deus , Paulo Gorjão , João Gonçalves e JoaoMiranda, parece que a ameaça vai atingir sobretudo o PSD e o CDS-PP. Vou comprar bilhete junto ao relvado porque o jogo promete.

Citações.

«Na tragédia da pequena inglesa estão inscritos os nossos medos mais íntimos e o eterno mistério do mal. É por isso que toca tão fundo em qualquer pessoa, mesmo que não o saiba verbalizar. Ora, esta é a matéria, triste e profunda, de que são feitos os grandes filmes, os grandes livros, as grandes obras de arte que inspiram Pereira e Júdice. Mas eles, e outros como eles, parecem incapazes de o perceber. É como se só se pudessem interessar pela tragédia de Madeleine McCann se ela viesse impressa em softcover, numa edição da Penguin. Quem sabe um dia
(João Miguel Tavares, DN 15.05.2007)

Até amanhã.

Tamara de Lempicka (1898-1980).

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Novos amores.

Não há cão, nem gato, dos que adoravam ver o PS perder as eleições em Lisboa, que não se tenham tomado de amores por Roseta.

Lisboa (3)

É estranho o nervosismo de Helena Roseta em obter numa semana 4 mil assinaturas de eleitores numa cidade em que o «movimento de cidadãos» que representa obteve o voto 73 454 eleitores nas presidenciais.

Lisboa (2)

Helena Roseta vai impugnar junto do Tribunal Constitucional a data da marcação das eleições em Lisboa, a 1 de Julho, hoje anunciada pelo Governo Civil, depois de auscultados todos os partidos políticos representados na Assembleia Municipal (Helena Roseta também foi ouvida sobre o assunto, mas não há notícia de tal diligência se ter estendido a outras candidaturas anunciadas: Manuel Monteiro ou José Pinto Coelho, por exemplo). Evoca para tal o facto de hoje ser o último dia para o anúncio da apresentação de coligações. Ora que se saiba, a questão suscitada não afecta Helena Roseta que não concorre em coligação. Quem concorre em coligação – o PCP, mais não se bem quem, o que dá a CDU – sugeriu também o dia 1 de Julho. Roseta utiliza este argumento porque o dia 1 de Julho não lhe convém. Precisa de mais uns dias para conseguir obter as 4 mil assinaturas necessárias. Todos compreendemos essa situação. Não se compreende é a evocação de um argumento estranho. Começa mal!

Lisboa (1)

Os males da Câmara Municipal de Lisboa são por demais conhecidos. Até por quem não conhece «aquela máquina». Os lisboetas já embarcaram em várias «experiências»: nuns casos porque o candidato era «simpático», noutros por ser «independente»; nuns por prometerem tudo e mais alguma coisa, como quem vende bacalhau a pataco; noutros, talvez o «rigor técnico» merecesse o apoio maioritário dos lisboetas. E a cidade e a sua Câmara estão como estão. «Há, nos olhos meus, ironias e cansaços» - diria o poeta. Por isso, qualquer candidato ao cargo de presidente com possibilidades reais de o ser – refiro-me ao PS e ao PSD – não podem vir à liça com paninhos quentes. Ainda por cima com um mandato limitado a menos de 2 anos de trabalho efectivo. Isso significa duas coisas: primeiro, concentração (prioridade) em 3 áreas e um programa a 100 dias. As 3 áreas são: saneamento financeiro, espaço público e reabilitação urbana, planeamento e gestão urbanística. E já não é pouco. O saneamento financeiro implica, sobretudo: 1. extinguir nos primeiros 100 dias todas as empresas municipais que não tenham participação privada (não existe uma única razão para a transferência das competências municipais para as «ditas» empresas»); 2. Reestruturação a 100 dias da «máquina municipal» reduzindo-a a 5 direcções municipais; 3. Os gabinetes do Presidente e dos vereadores não devem ultrapassar o que a lei consagra: o Presidente tem direito a um chefe de gabinete, 2 secretárias e 2 adjuntos. (Ouvi dizer que no presente mandato só o vereador do Bloco de Esquerda tem 9 ou 10 assessores). Há muitos interesses das nomenclaturas partidárias instalados que vão espernear, mas isso não pode pesar face aos interesses da cidade. Sem propostas deste tipo, concretas e calendarizadas, as eleições em Lisboa são uma roleta russa.
(foto daqui)

domingo, 13 de maio de 2007

Treinador de Sofá.

Hoje, quase se repetia o milagre. Desta vez mais a norte: em Paços de Ferreira.

A história é uma armadilha permanente.

O suplemento do Diário de Notícias da Madeira, de hoje, faz referência a um acontecimento histórico interessante: em 1882, chefiava o Governo Fontes Pereira de Melo, foi necessário realizar eleições intercalares para eleger o deputado da Madeira. O representante do Funchal, Luís de Freitas Branco, morrera a meio do mandato. Estava, então, o «fontismo» no auge e os madeirenses descontentes por via do completo abandono em que o Governo os deixava. Fontes Pereira de Melo e o Partido Regenerador escolheram como candidato Anselmo José Braamcamp. Os madeirenses, querendo contrariar o Governo, escolheram o republicano Manuel de Arriaga e este ganhou, à segunda volta, apesar das intimidações do Governo. Dois anos depois, em 1984, o Governo não esteve com meias medidas e impediu a eleição de Manuel de Arriaga, através da fraude eleitoral e da repressão (a polícia disparou sobre a população que se oponha à descarada fraude provocando 7 mortos e muitos feridos). Em consequência, foi «eleito» o candidato do Partido Regenerador. Vinte e tal anos depois, em 1911, Manuel de Arriaga voltou a ser eleito pelo círculo do Funchal e mantinha essa qualidade quando, no mesmo ano, foi eleito Presidente da República. Quando um dia Raul Brandão perguntou a Arriaga qual a melhor impressão que guardava de toda a sua vida, este respondeu: - a ternura do povo da Madeira por mim.

sábado, 12 de maio de 2007

Umbigo

Muitas vezes um olhar de fora, mesmo condensado, é mais certeiro que mil divagações internas. The Time (citado pelo Sol de hoje) escreveu um peça jornalística sobre o futebol em Portugal. Entre outros, entrevistou Graeme Souness, antigo treinador do Sporting. E este declarou em relação aos portugueses que assistem aos jogos de futebol: «Dão-nos 1o minutos para marcar antes de começarem a assobiar. É a filosofia da tourada, onde tem de haver sempre uma vítima». Mas não é só no futebol que nos comportamos assim; também na política.
Adenda: Graeme Souness foi antigo treinador do Benfica e não do Sporting. Vários amigos me alertaram para o erro. Obrigado.

Até amanhã.

Benes Knupfer (Czechoslovakia, 1848-1910)

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Gostei de ler.

«Um amigo e colega acaba de se me dirigir indagando se não penso candidatar-me à Câmara de Lisboa. Podia ser uma boa ideia. Mas tinha que entregar o cartão do PS para passar à categoria de independente pois não tenho muitas esperanças que o Eng.º Sócrates me convide. E essa coisa de entregar o cartão faz-me espécie, não gosto de entregar cartões, tenho uma relação difícil com a inconstância clubista, ou talvez seja uma questão de fé
Eduardo Graça (Absorto).

Dia Internacional dos Museus.

Dia 18 de Maio, no Museu de Évora.