domingo, 30 de setembro de 2007

||| Hoje é um dia tão bom como qualquer outro.

Depois de várias «ameaças» e outras tantas «ironias e cansaços», Paulo Gorjão põe termo ao Bloguítica. O «bichinho» não o vai deixar afastar-se por muito tempo, penso eu.

||| Percalços da história.

Karl Marx, numa carta a Friederich Engels, datada de Janeiro de 1858, onde explica quem foi Símon Bolívar, trata este como um inútil, um cobarde e mau carácter. São de Marx as linhas seguintes:
«Quando os prisioneiros de guerra espanhóis, que Miranda enviava regularmente a Puerto Cabello para mantê-los presos na cidadela, conseguiram atacar de surpresa a guarda e a dominaram, apoderando-se da cidadela, Bolívar (comandante do posto), embora os espanhóis estivessem desarmados, enquanto ele dispunha de uma forte guarnição e de um grande arsenal, embarcou precipitadamente à noite com oito dos seus oficiais, sem informar o que ocorria às suas próprias tropas, chegou ao amanhecer a La Guaira, e de lá se retirou para a sua fazenda de San Mateo. Quando a guarnição se inteirou da fuga do seu comandante, abandonou ordenadamente a praça, que foi logo ocupada pelos espanhóis sob o comando de Monteverde. Este acontecimento inclinou a balança a favor da Espanha e forçou Miranda a subscrever a 26 de julho de 1812, por incumbência do Congresso, o tratado de La Victoria, que submeteu novamente a Venezuela ao domínio espanhol. »

||| Ler os outros.

«O vidente de Celorico» por Miguel Abrantes, Câmara Corporativa.

«O modelo Húngaro?» por Medeiros Ferreira, Bicho Carpinteiro.
«Nada será igual» por Carlos Abreu Amorim, Blasfémias.

sábado, 29 de setembro de 2007

||| A Frase.

A frase que resistiu aos resultados eleitorais nas directa no PSD: «O PSD, lamento informar, está aí para lavar e durar. Com os seus defeitos e virtudes

Paulo Gorjão (Bloguítica)

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

||| Birmânia: chaC(h)ina à vista?

||| Contraditório.

Eduardo Graça foi das poucas vozes (não detectei qualquer outra*) a condenar a atitude de Santana Lopes, ontem, na SIC-Notícias. Não concordo, mas aplaudo o contraditório.
(*Adenda: detectei outra - Controversa Maresia)

||| O outro lado de Auschwitz.

O Holocaust Memorial Museum recebeu, em 2006, das mãos de um anónimo (um oficial norte-americano que o encontrou, em 1946, num apartamento, em Frankfurt) um álbum de fotografias do quotidiano de Auschwitz. Mas, desta vez, do quotidiano dos verdugos. Aqui, nesta foto, auxiliares de enfermaria das SS tocam, cantam e divertem-se a poucos metros da maior humilhação, do maior sofrimento e da morte. Para esta gente o holocausto não existiu. Para Mahmoud Ahmadinejad também não.

||| Pela boca morre o peixe.

«Comprova-se, uma vez mais, que radica no PSD a esência de Portugal»

Fernando Nogueira, DN, 9 de Dezembro de 1993 (citado por João Pombeiro, Pela boca morre o peixe).

||| Não se diz a um convidado: espere aí um bocadinho que eu já venho.

Só hoje vi em vídeo, via Público, o abandono de Pedro Santana Lopes de uma entrevista na SIC-Notícias, após ser interrompido para a estação televisiva cobrir em directo a chegada de Mourinho ao aeroporto. É uma atitude a louvar, naturalmente. E merece consenso: o Público tem um inquérito em que, neste momento, já se pronunciaram 516 pessoas. Resultados: 91% a favor da atitude de Pedro Santana Lopes. Penso que esta atitude, a primeira de um político, vai alterar qualquer coisa no futuro: ou as televisões mostram mais respeito pelos seus entrevistados, sejam políticos ou comentadores, ou arriscam a se tornar comum o abandono dos estúdios a meio das entrevistas, mesmo sabendo que quem não aparece na televisão não existe. Mas há mínimos de dignidade.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

||| O poder «a sério» começou a descobrir a «pólvora»...

||| Treinador de sofá. [4].

Se não fosse esta quarta-feira de futebol, ainda por cima com uma Taça inventada este ano, estávamos todos deprimidos a comentar a crise do PSD e as suas consequências na vida política nacional. Benditos jogos de futebol que nos afastam, pelo menos momentaneamente, qual potente analgésico, de tristes realidades.

||| Treinador de sofá. [3].

Esta foi a noite de futebol de todos os milagres. Paulo Bento, impotente para ganhar o jogo no tempo devido, acreditou na Nossa Senhora dos Penaltis. E a nossa Senhora ouviu as suas preces...

||| Treinador de sofá [2].

Camacho, naquele momento crucial em que o Benfica perdia, aos 90 minutos de jogo, olhou para a Nossa Senhora de Fátima e, em sofrimento, pediu um milagre. O árbito não se fez rogado. Concedeu-lhe o milagre: o fiscal de linha, mal viu um jogador do Amadora cabeçear a bola, gritou através de uma «bandeirinha»: é penalti. E, assim, se faz a história num país de milagres...

||| Treinador de sofá.

Jesualdo Ferreira só percebeu que o Porto estava a jogar em Fátima depois da marcação das grandes penalidades. Aliás, naquele estádio, nenhum árbitro se aventura a fazer milagres...
(Adenda: Afinal não foi milagre, a culpa foi da «canalha que jogou daquela maneira, como uma equipa de bovinos esdrúxulos, um bando de repolhos mancomunados em púrria para envergonhar as camisolas do FC Porto», explica o Francisco.)

||| Achas para a fogueira.

Pedro Correia leva longe as consequências da crise no PSD: «O PSD acabou» – escreve –, apesar de, no último parágrafo do seu texto, limitar o objecto dos estragos: «O PSD – este PSD – acabou. E ainda bem». A questão que paira no ar, ao aceitar esta mortífera conclusão, é a de saber de onde renascerá o novo PSD. Ou será que o PS se irá dividir para, uma parte, ocupar o espaço político, reformista e eleitoral do PSD; e outra parte ocupar o espaço da «esquerda democrática» vocacionada para acordos com o PCP e o BE? A paz dos cemitérios permanecerá ainda mais tempo ou vem aí um grande furacão?

||| Hoje há Time Out Lisboa.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

||| Os dois santinhos.

||| Ahmadinejad, o mentiroso.

Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irão, personagem que merece a simpatia, muitas vezes envergonhada, de «alguma» extrema-esquerda europeia (seguindo a velha “teoria” segundo a qual os inimigos dos Estados Unidos, meus amigos são), repetiu, agora nos EUA, que o holocausto nunca existiu. Mas, o momento mais ridículo da sessão, foi a afirmação, na mesma linha da anterior, de que no Irão não existem homossexuais. Com esta revelação «estatística» procurou Ahmadinejad rebater o argumento de que o seu regime reprime violentamente os homossexuais. Pelos vistos, é verdade que é mais fácil apanhar um mentiroso do que um coxo...

||| Há tiros que a culatra não aguenta.

Afinal, o «pagamento das quotas» dos militantes do PSD, tratado em Julho como uma questão «menor», meramente «processual», transformou-se na questão central das eleições directas naquele Partido, numa questão política incontornável. Manuela Ferreira Leite, ontem, foi clara: não devia ser necessário o pagamento das quotas para se votar, mas se assim não se entendesse, devia-se poder pagar as quotas até ao momento do acto eleitoral. É óbvio, desde o momento da convocação destas eleições directas. Como diz a sabedoria popular: quem semeia ventos, colhe tempestades.

||| Sociedades por quotas [2].

- Vais votar na sexta-feira? - Vou. - Já pagaste as quotas? - Ainda não. Eu sou dos Açores.

||| Sociedades por quotas.

Em nenhum momento da transacção se pode saber o número dos cartões que pagaram as quotas por Multibanco, garante a SIBS ao Diário Económico de hoje. Então, se assim é, como é que «eles» sabem quem anda a pagar as quotas de quem? Anda aí bruxedo.

||| Sem qualquer vergonha.

Ainda se lembram do que as bocas do mundo disseram sobre a ida de Pina Moura para a TVI? Avivemos a memória: «PSD vê ida de Pina Moura para TVI como controlo político "assumido e sem qualquer vergonha"». Mas a memória é curta e, para além do mais, paira no ar um cheiro a impunidade política. Hoje, passados meia dúzia de meses, Pacheco Pereira, como se não fosse assunto seu o que o PSD diz, escreve: «Já há alguns dias que tenho reparado que o escapismo futebolístico prima na RTP, seguida pela SIC, enquanto a TVI está a fazer aquilo que é normal num noticiário, dar notícias. Como hoje: Madaíl em directo na RTP e SIC por longos minutos do prime time do prime time, e na TVI notícias e notícias a sério Será que a verdade é como o azeite ou, pelo contrário, o azeite é como a verdade?

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

||| André Gorz.

André Gorz, austríaco, filosofo, considerado um pensador da ecologia política e do anti-capitalismo, marxista desalinhado, um dos fundadores de Le Nouvel Observateur, em 1964, com o jornalista Jean Daniel, co-director da revista Les Temps Moderns, com Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir, entre outros, em 1941, autor de Adeus ao proletariado, entre várias outras obras, suicidou-se hoje de manhã, aos 84 anos, juntamente com a mulher. Talvez - quem sabe - o último acto de um grande amor.

||| Serviço público.

|||«sound-bytes», dizem eles (ou será «PowerPoint»?)

||| As três fases de um sportinguista.

1. Antes do campeonato começar; 2. durante o campeonato; 3. No fim do campeonato.

(Recebido por e-mail).

||| O fantasma de Lenine.

Lenine, durante o II Congresso do Partido Operário Social-Democrata Russo, em 1903, definiu o estatuto de militante do partido: aceitar o Programa; militar numa das organizações do partido; e pagar as quotas. Ainda hoje, passado mais de um século, o fantasma de Lenine paira sobre as eleições internas do PSD. A discussão sobre o pagamento das quotas, condição essencial para exercer os direitos de militante, está na ordem do dia, como em 1903. Há um século esteve na origem da cisão entre bolcheviques e mencheviques. Hoje, no PSD, transformou-se numa questão essencial cujas consequências ainda não se advinham.

||| Tugir de novo.

Palavra Aberta é o novo espaço blogosférico do Carlos Manuel Castro, depois do naufrágio do Tugir.

||| Baixa-Chiado.

domingo, 23 de setembro de 2007

||| Treinador de sofá.

O Porto ganhou em três estádios: em Paços de Ferreira, em Alvalade e em Braga. O Benfica é Rui Costa, enquanto o Sporting antes tinha um guarda-redes. Agora tem Stojkovic. O Marítimo vai tapando o fosso.

||| Dia europeu sem carros.

Como escreve o Pedro Correia: «A ministra da Cultura foi pela primeira vez de autocarro para o seu gabinete no Palácio da Ajuda e levou com ela um batalhão de jornalistas, o que diz tudo sobre a arte de governar em Portugal nos tempos que correm.» Por seu lado, o João Gonçalves joga no reverso da medalha: «A saúde e a felicidade não se decretam. Nem tão pouco a redução do uso do carro. Ao lado destes esforços, o caos persiste indiferente ao voluntarismo folclórico da política e dos homens e mulheres do fato de treino.» Pela minha parte, não andei de autocarro, nem de fato de treino. Usei o táxi.

||| Público e privado.

A propósito deste post, porque suscitou alguns reparos enviados por e-mail, é devido um esclarecimento e uma declaração de interesses. O esclarecimento: o que está em causa é o facto de, só por si, alguém que exerce, ou exerceu, um cargo dirigente no sector privado ser, sem mais, alvo de censura política ao ser nomeado para um cargo público. Deixar passar isto em claro é, em primeiro lugar, condescender com a ideia de que a «pessoa» que exerceu um cargo privado está «contaminado», sem apelo, nem agravo, por interesses privados que se opõem ao interesse público. Em consequência, transportará sempre o «vírus» da prevalência do interesse privado sobre o interesse público ou, no mínimo, está latente um conflito de interesses, o que não é verdade (o Director Geral de Imposto que agora termina as suas funções é um exemplo, entre muitos outros); em segundo lugar, esta barreira, cujos fundamentos resvalam da esfera ideológica e não da ética, impede a Administração Pública de «entender» outras dinâmicas. Para além de tudo, não está provado (antes pelo contrário) que os «profissionais» do interesse público o sirvam melhor que os «outros«. A declaração de interesses: não tenho em vista exercer nenhum cargo público, mas tão só não aceitar uma cultura que, invariavelmente, conduz ao Estado totalitário. E, aí, está demonstrado, o interesse «público» não está ao serviço dos cidadãos, mas de uma nomenclatura - os «profissionais do interesse público».

||| O presidiário Fujimori.

Mário Vargas Llosa escreveu El pez en el agua, editado em 1993: memórias do autor sobre a campanha eleitoral para a Presidência do Peru, nas quais defrontou Alberto Fujimori. Aí, entre outras explicações, Vargas Llosa diz porque se candidatou: «se a presidência do Peru não fosse o ofício mais perigoso do mundo jamais tinha sido candidato». Palavras proféticas. Fujimori, que derrotou Vargas Llosa nas eleições presidenciais realizadas a 13 de Junho de 1990, está preso para ser levado a julgamento por corrupção, enriquecimento ilícito, evasão de divisas e genocídio, pela morte de 25 peruanos durante manifestação contra seu governo.

sábado, 22 de setembro de 2007

||| Acontecimentos.

Há dois tipos de acontecimentos a que já não faço referência, na medida em que se repetem com demasiada frequência: as vitórias de Vanessa Fernandes e o aniversário de blogues.

||| Citações.

«A histeria contra o novo Código de Processo Penal é deliberadamente alimentada por quem sabe – alguns polícias e magistrados – e destinada a ser consumida, pronta a servir, por quem não sabe – jornalistas alarmistas e público de telenovelas
Miguel Sousa Tavares (Expresso, 22.09.07)

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

||| Vender gato por lebre.

Francisco Louçã questionou, hoje, no Parlamento, José Sócrates sobre duas nomeações para cargos públicos de coordenação na área da saúde de personalidades que têm funções dirigentes na actividade privada. Esta é uma falsa questão. Para Louçã é irrelevante que essas pessoas deixem de exercer o cargo que ocupam ao serem nomeados para cargos públicos. Não está em causa a competência técnica das pessoas ou a sua isenção. O que está em causa para ele – Louçã – é que exercer (ou ter exercido) cargos na actividade económica privada é uma espécie de antecâmara de «criminalidade». Estão «infectados». Duas consequências: no modelo de sociedade «socialista» que o BE almeja, a propriedade privada, como «crime», será abolida (até o partido comunista chinês percebeu o desastre deste «socialismo»); no entretanto, os cargos públicos serão destinados, apenas e só, a quem decidiu «abraçar» a causa pública e não se deixa «contaminar» pela «ideologia» dos interesses privados, nomeadamente pessoas que giram à volta das nomenclaturas partidárias e fazem disso modo de vida. Aí, onde a «competência» se mede pela fidelidade ao partido. Por exemplo, como os 11 assessores de um vereador sem pelouro na Câmara de Lisboa. Louçã não perde uma oportunidade para escorregar para a «revolução permanente». Não tem nada de mal, antes pelo contrário. As sociedades democráticas são feitas da (e na) diversidade. É essa a sua principal riqueza em relação a todos os modelos experimentados. Louçã não precisa é de vender gato por lebre.
(Adenda: «Declarando-se "profundamente sentido", Joaquim Gouveia (um dos visados) declarou: "Desminto categoricamente e lamento profundamente uma acusação desta grandeza feita numa situação em que não me era possível defender." Em comunicado precisou que foi "substituído na direcção do Serviço de Oncologia do Hospital Cuf Descobertas a 7 de Abril de 2006» e «Não dirigo um serviço cardiovascular nos Hospitais Privados de Portugal. É mentira", disse Seabra- Gomes (outro dos visados)», segundo o Público de hoje.

||| Alma portuguesa [2]

A SIC apresentou, hoje, no Jornal da Noite, mais um exemplo da verdadeira e insondável alma portuguesa: o valor de um «passe» mensal para a viagem de comboio entre Barcelos e o Porto é 57 euros mais cara do que a soma dos «passes» Barcelos – Nine e Nine – Porto. Ou seja, centenas de utentes, apercebendo-se da idiotice, adquirem os 2 «passes» e fazem descansadamente a viagem entre Barcelos e o Porto por menos 57 euros por mês do que aqueles que, por desconhecimento, adquirem o «passe» Barcelos – Porto. A história repete-se em dezenas de outros percursos no território nacional. É mais barato comprar bilhete do Entroncamento até à Azambuja e, depois, da Azambuja até à Gare do Oriente, do que o bilhete Entroncamento – Gare do Oriente ou Azambuja – Setil, Setil – Entroncamento e por aí fora. Parece que este tarifário está em uso há muitos anos. A «sorte» deste bom povo é que vai encontrando a «solução» para «enganar» o deixa-andar de Administrações da coisa pública que deviam decidir sobre estas «engenhosas” complicações à portuguesa. Essa «sorte» estava estampada no sorriso maroto de uma entrevistada que dizia: «há cinco anos que eu compro os dois «passes», o que é como quem diz: «esses senhores importantes têm a mania que são espertos, mas eu sou mais esperta do que eles». Seria muito fácil resolver este tipo de situações mas, por isso mesmo, por ser muito fácil, é que, para nós – portugueses – se torna difícil.

||| Recordes com nuvens negras na paisagem.

O crude atingiu ontem o seu valor mais alto de sempre – 83,80 dólares. O euro atingiu anteontem o seu nível mais alto de sempre – ultrapassou a barreira de 1,40 dólares. Pescadinha de rabo na boca: a queda do dólar aumenta a procura do petróleo. A tormenta financeira com epicentro no outo lado do Atlântico vai contrair o crédito por todo lado. Vem aí borrasca. Antes de tempo. Acumulam-se os sinais de que não vai dar tempo para desapertar o cinto.
(Adenda: «Razões para inquietação?» por Vital Moreira (Causa Nossa).

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

||| Treinador de sofá.

Aparte a choruda indemnização que Abramovic vai desembolsar (muitas dezenas de milhares de salários mínimos) , José Mourinho sai do Chelsea no momento certo. O clube londrino vai passar mais 50 anos à espera de voltar aos títulos que obteve nos últimos 3 anos. E Mourinho já não conseguia mais do que aquilo que obteve.

||| Evidências inacessíveis a quem não quer ver.

«Kouchner», por Ana (ana de amsterdam).

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

||| Cataventos.

Os gémeos polacos bloquearam a ideia de um dia europeu contra a pena de morte, como tudo fazem para que o tal «tratado» ou «constituição» europeia não seja aprovado. O curioso é que há muito boa gente que não quer ver a relação entre as duas posições. E, simulando ingenuidade, se ofende com os gémeos quanto à pena de morte e se coloca ao lado dos gémeos quanto à não aprovação do dito tratado. Decidam-se!

||| A cada um a sua causa.

«E onde é que estavam os verdeufémicos ein?», de Cristina Vieira (Contra-Capa).

||| Treinador de sofá.

Foi bonito ver o estádio de Alvalade – quarenta e tal mil espectadores – a aplaudir Cristiano Ronaldo, o marcador do golo da equipa adversária - o Manchester United. O Sporting esforçou-se, não se intimidou, mas está com um problema grave: o guarda-redes raramente defende a bola com as mão, o que é invulgar para um guarda-redes.

||| Aquilino Ribeiro.

Aquilino Ribeiro já está no Panteão. Algumas vozes – poucas – discordaram. É normal. Sucedeu o mesmo com Amália Rodrigues e Humberto Delgado, como deve ter sucedido com todos os outros inquilinos. Se ninguém discordasse era um forte sinal de que não mereceria estar lá. A unanimidade não engrandece, diminui.
(Imagem daqui).

O debate.

Os dois candidatos à liderança do PSD, Luís Filipe Meneses e Marques Mendes, encontraram-se ontem num debate na SIC-Notícias. Entalados entre falar para os militantes do partido ou falar para país (o que pressupõe temáticas e linguagem diferentes) e arruinarem (ainda mais) ou não a imagem do partido (o que evitou, de parte a parte, a frontalidade que seria entendida com «lavar de roupa suja»), não conseguiram ir além de uma conversa frouxa, sem chama. Aliás, aquele «esquema» do agora falo eu, agora falas tu, transforma qualquer debate em dois monólogos. António José Teixeira, comentando o debate, disse que o vencedor tinha sido José Sócrates. Talvez seja exagerado, mas não está longe da verdade.
[Adenda: De mal a pior, do Pedro Correia (Corta-fitas)]

terça-feira, 18 de setembro de 2007

||| Alma portuguesa.

A propósito do caso da ambulância estorvada na sua marcha de urgência, pela Brigada de Trânsito, quando seguia a caminho do Hospital de Ponte Lima, aprendi o que qualquer mortal sujeito a necessitar, de um momento para o outro, de um desses veículos, deve saber. Aprendi que as ambulâncias não são todas iguais. Numa primeira classificação, existem as ambulâncias públicas e as ambulâncias privadas. Numa segunda classificação, existem as ambulâncias que podem circular com as luzes de emergência ligadas e as que não podem circular com as luzes de emergência ligadas. As que podem são as públicas; as que não podem são as privadas. Ora, esta distinção é muito importante, sobretudo para os médicos em serviço nos Centros de Saúde. Quando enviam um doente para um Hospital têm de diagnosticar também (e escrever na respectiva ficha) se o doente está capacitado para seguir numa ambulância que não pode circular com as luzes de emergência ligadas ou se, pelo contrário, deve seguir obrigatoriamente numa ambulância pública. E não se pode enganar, a bem do doente. Porque as ambulâncias privadas, aquelas que não podem circular com as luzes de emergência ligadas, transgridem o código da estrada quando acendem as ditas luzes. Mas nesta teia em que se espraia a alma portuguesa fica por resolver as situações em que o doente, transportado numa ambulância privada, já a caminho, de improviso, e sem se esperar, dá notórios sintomas de urgência. Acende a luz ou não acende a luz? Acho que deve ser nomeada uma comissão para estudar estas situações, a cujas conclusões se dê forma regulamentar. Pela minha parte, esteja em que situação estiver, desde que fale, antes de entrar numa ambulância, perguntou: é pública ou privada? Já não me enganam. Nas privadas, nunca.

Boas novas.

The Royal Art Lodge, um grupo de jovens artistas plástico canadianos que tem a particularidade de só realizar obras colectivas, expõe pela primeira vez em Madrid, na Galeria Mínimo. Até 20 de Outubro.
A revista Artes e Leilões volta às bancas a partir de 28 de Setembro.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Os malefícios da entrada em vigor do novo código de processo penal.

Presunção de inocência? Direitos, liberdades e garantias dos cidadãos? Tudo bem, não tenho nada contra, desde que não me obriguem a trabalhar mais. Por favor, deixem-nos em prisão preventiva mais uns anitos que eu tenho mais que fazer. Não pode ser? Ao menos atrasem a entrada em vigor do código para ter tempo de me ajustar. Não dá? Então esperem pela pancada: vou já telefonar para a Sky News a denunciar os presos perigosos que tenho que libertar. Evocar a especial complexidade? Não estou para isso, hoje tenho um jantar de amigos. Eu já sabia que o código ia entrar em vigor agora? E depois? Eu não estou em prisão preventiva.

Manual de instruções para crimes banais.

Pedro Vieira ilustrou, no seu estilo inconfundivel, a acção da Brigada de Trânsito da GNR no caso da ambulância que cometeu o «crime» de circular com as luzes de emergência ligadas. A propósito, aguardam-se os resultados do «inquérito» instaurado para o apuramento de «responsabilidades». Ao menos, que a perda de uma vida ajude a salvar outras.

sábado, 15 de setembro de 2007

Quando não há bom senso, não há planos tecnológicos que nos salvem.

Uma ambulância, a caminho de um hospital, é mandada parar pela Brigada de Trânsito, durante 20 minutos, numa auto-estrada, por «circular com as luzes de emergência ligadas», como se tal facto não fosse normal. Teste de alcoolémia para aqui, documentos para ali, mais isto e aquilo a que estamos habituados. O doente que a ambulância transportava, enviado para o Hospital de Ponte de Lima, por um Centro de Saúde, devido a «uma forte dor no peito» morreu minutos depois de entrar no Hospital. Esta situação, como milhares de outras que moldam a «qualidade» do nosso quotidiano, tem a ver com o nosso nível cultural, é indiossincrático, e daqui nunca mais saímos.

Citações.

Excertos de O fim do mundo?, Vasco Pulido Valente, Público de 15.09.2007.
«As civilizações percebem ou pressentem as grandes catástrofes? Não há uma resposta clara: às vezes sim, às vezes não.
(...) neste ano de 2007, vale a pena fazer um intervalo para pensar. Bush criou no Iraque um problema insolúvel. A estratégia do general Petraeus, que ele explicou serenamente no Senado, reforça o tribalismo sunita e, por assim dizer, "institucionaliza" a guerra civil. Pior ainda: para além "abandonar" os curdos, Petraeus tornou de facto inevitável a soberania do Irão sobre o Iraque xiita. O que ameaça a dinastia Saud e o Egipto e, através do Hezbollah e do Hamas, põe em perigo a própria existência de Israel. A América não pode sair e não pode ficar e já hoje, a qualquer momento e como em Junho de 1914 por um incidente sem sentido, uma explosão geral pode acontecer. Sobre isto, como dizia o outro, "paira o espectro" da bomba do Irão. Do partido republicano ou do partido democrático, nem um único candidato à sucessão de Bush deixou de prometer (e com a maior solenidade) que não permitirá um Irão "nuclear": Hillary, Obama, Giuliani, Romney e por aí fora. E, se a América, por absurdo, permitir, Israel com certeza não permite. Só falta descobrir a maneira de meter o Irão na ordem, sem provocar uma guerra suicida, que tarde ou cedo envolveria a Arábia, a Síria e o Egipto. Existem planos de uma enorme sofisticação; e de uma enorme falibilidade. O risco de intervir é igual ao risco de não intervir. É deste género de situações que se resvala, de repente, para o fim do mundo. De quando em quando, como hoje, com o mundo inteiro distraído.»

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Gostei de ler.

«Povo que lavas no rio», do Pedro Correia (Corta-fitas).

Europa a«duas velocidades»?

A chanceler alemã Angela Merkel recebe, no seu gabinete, o Dalai Lama, no próximo dia 23 de Setembro.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

O problema é linguístico*.

Os portugueses não conseguem traduzir fair play.

Comunicação social.

Luiz Felipe Scolari esmurra Kate McCann, afastando-a momentaneamente do palco.

Dalai Lama? Quem é?

A República Popular da China está a duas ou três décadas de se transformar na maior potência do mundo, ofuscando por completo a influência dos Estados Unidos e da União Europeia. O nosso umbigo está a Ocidente e, por isso, perdemos de vista o que se passa para além da nossa rua. Parece que é preciso visitar Pequim ou Xangai, por exemplo, para perceber a dinâmica da «coisa». A «revolução proletária” saída da barriga do «modo de produção asiático», em 1949, associada à experiência negativa do modelo soviético, está na origem de novos conceitos «marxistas» produzidos pelos dirigentes do partido comunista chinês, algo que ninguém quer encarar na sua real dimensão teórica e prática: adicionar o «melhor» da prática marxista (o partido único, a ausência de liberdades e de democracia, de sindicatos, partidos, comunicação social e outras «minudências) ao «melhor» do capitalismo na versão dos primórdios desavergonhados da revolução industrial (trabalho infantil, 16 horas de trabalho diário, e por aí fora). Esta é uma combinação explosiva, acreditem. O Presidente da República e o Primeiro-Ministro, em Portugal, ignorarem o Dalai Lama é apenas um sinal insignificante. O PCP, sempre atento, também sabe da poda. Enquanto isto se passa, a «blogosfera» participa, em regra, no jogo: concentra-se no acessório - em Cuba e na Coreia do Norte - , e despreza o essêncial - a República Popular da China. Todo o mundo vai, cada um a seu modo, metendo a cabeça debaixo da areia. Não esqueçam: «o Oriente é vermelho, o ocidente o será».

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Treinador de sofá.

Portugal jogou, sobretudo após o golo de bola parada, para o empate, «táctica» utilizada em todos os jogos desta fase de qualificação do Europeu. Desta vez, esteve quase a deixar escapar o objectivo. Mas a sorte esteve do «nosso» lado, e o empate que se desejava acabou por chegar. Os «empatas» estão de parabéns. Scolari, no final, deu largas ao seu contentamento «comemorando» o resultado com um jogador da Sérvia. Como este e o anterior, o próximo jogo será decisivo...

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Coligações de esquerda [2]

A primeira e única experiência de coligação de esquerda em Portugal com significado político concretizou-se a nível autárquico, e ganhou a Câmara de Lisboa, em Dezembro de 1989. Esta coligação assentou no entendimento entre o PS e o PCP, apesar de «arrastar» outros pequenos partidos (sobretudo aqueles que vieram a constituir o BE). Na altura, também se escreveu, e muito, o mesmo que André Freire agora repete a propósito do entendimento PS-BE na Câmara de Lisboa: «Mas podemos também olhar para esta coligação como um ensaio que, se correr bem, poderá eventualmente ser replicado ao nível do país.» A experiência da primeira coligação de esquerda, em Lisboa, não vai neste sentido. Aliás, a meu ver, o entendimento entre o PS e o PCP só foi possível, em primeiro lugar, por ser a nível autárquico; em segundo lugar, por ter apanhado o PCP num momento de completa desorientação estratégica e ideológica: Gorbachev tinha lançado, desde 1985, a «Glasnost» e a «Perestroika» minando os alicerces do modelo soviético e dos países de Leste, a que se juntavam as críticas e dissidências internas. O PCP, em silêncio, pagava a fidelidade canina ao PC da União Soviética e viu cair o muro de Berlim ainda antes das eleições autárquicas de 1989. Retomada a orientação estratégica nos finais dos anos 90, o que podemos constatar hoje é que o PCP não esteve politicamente disponível para se coligar, em Lisboa, com o PS e o BE. O que é significativo. E não é pelo alegado facto do PS estar no governo a executar uma política de «direita». Em 1997, a coligação de esquerda concorreu à câmara de Lisboa, numa altura em que o PS também executava uma política de «direita». O «grau de inovação nas fórmulas governativas» em Portugal, a que alude André Freire, provavelmente, não passa pelo PS, mas sim pelos partidos à sua «esquerda». Será o BE diferente do PCP?

Há dias assim.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Coligações de esquerda [1]

Hoje, no Público, André Freire disserta sobre «Coligações e democracia: os dilemas da esquerda», onde perpassa a «simpatia» pelo acordo PS-BE na Câmara de Lisboa e, também, onde se estranha as incompreensíveis «declarações de certos dirigentes do BE parecendo rejeitar liminarmente uma coligação em 2009» (com o PS e a nível nacional). Os fundamentos que sustentam a «tese» de André Freire passam ao lado do essencial, mas mereceram de imediato o elogio de «certos» apoiantes do BE, o que não é de admirar. O assunto começa a estar na ordem do dia, não só no interior do BE, mas também no PS. Darei conta da minha modesta opinião sobre o tema.

«sound-bytes», dizem eles.

«Défice comercial português baixou 7,5 por cento no primeiro semestre

Onde se misturam corvinas e chineses.

O Expresso do último sábado noticiava que Maria José Nogueira Pinto, de novo à frente do projecto de reabilitação da Baixa-Chiado, agora pela mão do PS, quer acabar com as lojas chinesas na Baixa de Lisboa. Esta «ideia» pouco fica a dever à «ideia» das amêijoas e das corvinas de Sá Fernandes. Para além de poder ser interpretada como xenófoba (os partidários de Sá Fernandes já escreveram: «a Câmara ter uma “comissária” para a Baixa-Chiado, que já pela segunda vez dá provas da mais bafienta xenófobia é, no mínimo, desprestigiante para uma cidade que se quer moderna, cosmopolita e desenvolvida»), a «ideia» só é concretizável, a curto prazo, violando as mais elementares regras de mercado e violando a Constituição. Ou seja, impedindo (ilegalizando) a compra, o arrendamento ou o trespasse na Baixa a um determinado tipo de comerciantes, em função da nacionalidade (chineses) ou do objecto do comércio (produtos chineses). É óbvio que se trata de uma tonteria. A Baixa lisboeta está degradada, a todos os níveis, e é apenas um ponto de passagem. A restauração definha em qualidade e até a Loja das Meias sucumbiu por falta de clientes, por exemplo. As boas marcas e o comércio de qualidade não querem a Baixa e, por isso, a compra, o arrendamento e os trespasses são baixos em relação a outras zonas da cidade. Só a requalificação daquele território, em função dos desejos, dos hábitos e das necessidades das pessoas (e não em função de «projectos» saídos da cabeça de «iluminados»), que dê nova vida à Baixa, irá permitir a valorização dos espaços físicos, da procura e do comércio, e então, haverá uma selecção da oferta e da qualidade. Um dos males do nosso «planeamento» passa, em primeiro lugar, pela noção de que nunca se executará; em segundo lugar, pela (ir)responsabilidade dos «responsáveis» em função dos resultados. Assim, podemos brincar à vontade às cidades, ao planeamento, etc. O último a sair que apague a luz.

Ilustração.

Amanhã, 11 de Setembro, às 19 horas, inauguração (se não for cancelada até 3 horas antes) da exposição de ilustração de Pedro Vieira. Na Trem Azul Jazz Store, Rua do Alecrim, 21 A, em Lisboa.

domingo, 9 de setembro de 2007

Peúgas brancas.

No comício de encerramento da Festa do Avante, Jerónimo de Sousa centrou o seu discurso nas «medidas contra o desemprego e o endividamento das famílias». Percebeu que o anunciado discurso dos «traços da deriva antidemocrática e fascizante» do Governo PS não se coadunava com a comemoração da revolução soviética de Outubro de 1917 e a presença dos «camaradas» da Coreia do Norte ou da Bielorússia. Isto de usar peúgas brancas com fato preto não só é de mau gosto, como dá muito nas vistas.

Um Domingo televisivo.

Durante a manhã podemos assistir a «uma operação de salvamento» do casal que, ampliando uma desgraça, se lançou, por vontade própria, nas bocas do mundo – os McCann. Neste momento, com a contribuição de uns cães ingleses, estão na corda bamba: ou vão presos ou substituirão o já gasto culto de Diana.
Ao começo da tarde a selecção nacional de basquetebol venceu (com uma intranquilidade desnecessária no período final) a selecção de Israel, na segunda fase do Eurobasket-2007 que decorre em Espanha. Abriu, com esta vitória, espaço de sonho para o confronto com a Grécia.
Mas, quase sem tempo para digerir, já decorre o primeiro jogo da selecção nacional de râguebi, em Saint-Étienne, um jogo para o Mundial da modalidade, onde Portugal, uma equipa amadora, participa pela primeira vez a este nível por direito próprio. Não ganham milhões, mas dão o corpo ao manifesto.
PS. A nadadora portuguesa Sara Oliveira venceu os 200 metros mariposa do 36.º Campeonato Brasileiro Absoluto de Natação, que hoje terminou em Florianápolis.

sábado, 8 de setembro de 2007

Treinador de sofá.

Fim de ciclo do «empata». Nem o eventual apuramento o salva.

A síndrome de Ulisses, Santiago Gamboa.

O último romance de Santiago Gamboa (Bogotá, Colômbia, 1965), A Síndrome de Ulisses, editado pela ASA, conduz-nos aos meandros da imigração em Paris. Revela-nos uma outra cidade, diferente de Paris nunca se acaba, de Enrique Vila-Matas ou Paris é uma Festa, de Ernest Hemingway. É um outro retrato literário: uma Paris vivida por imigrantes colombianos, onde se cruzam ex-guerrilheiros do M-19, gente simples à procura de uma vida digna e jovens candidatos a escritores, mas também africanos, outros sul-americanos e orientais. «Nós, chegamos pela porta das traseiras, tirados à sorte do lixo, vivíamos muito pior do que os insectos e os ratos». Histórias de vidas que se desenvolvem, ao nosso lado, quer em Paris, quer em Madrid, em Londres ou em Lisboa, muitas vezes abaixo da «linha de visibilidade».