segunda-feira, 31 de julho de 2006

Desproporcionalidades (3)
A desproporcionalidade foi tanta que até Israel a reconheceu ao suspender hoje os raides aéreos no Sul do Líbano por 48 horas, o tempo necessário para realizar um inquérito sobre o bombardeamento de Qana. Há factos tão evidentes que nem os cegos se atrevem a contraditar. O problema da desproporcionalidade usada por Israel reside essencialmente no seguinte: no complexo desenho dos múltiplos poderes internacionais e da "opinião pública internacional" é preciso que Israel tenha razão para a sua actuação e não que a desbarate gratuitamente.

domingo, 30 de julho de 2006

Desproporcionalidades (2)

Desproporcionalidades!
Os israelitas encarregam-se de explicar, todos os dias, a noção de desproporcionalidade numa guerra, mesmo com as características desta, a quem tem dúvidas. Hoje dezenas de civis inocentes, incluindo muitas crianças, abandonaram este mundo às mãos dos generais israelitas. Eu insisto na desproporcionalidade nesta guerra porque, a banalizar-se o conceito de que numa guerra não há desproporcionalidade, não tarda muito que se admita, por exemplo, que o terror nazi e os campos de concentração foram apenas "danos colaterais" numa guerra de grandes dimensões ou que o julgamento de Saddam Hussein é uma palhaçada somente reservada aos derrotados. Por ironia do destino, já a ministra dos Negócios Estrangeiros britânica, Margaret Beckett e a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, mesmo medindo as palavras, falam em desproporcionalidade. Está tudo dito!
Termino: «Que quem já é pecador sofra tormentos, enfim! Mas as crianças, Senhor, porque lhes dais tanta dor?!…Porque padecem assim?!…»
(PS: já percebi que a guerra no médio-oriente não me vai dar tréguas durante as férias).

sábado, 29 de julho de 2006

Fim de estação.
Este ano – há quem conte os anos de verão a verão – as grandes discussões nacionais não estiveram mal de todo. Não tivemos Santana Lopes para animar a discussão, como no ano anterior, mas tivemos os cartoons, os mundiais de futebol e, já com os pés de molho, a guerra no Médio-Oriente que promete ocupar o verão. (Timor não chegou a ganhar o estatuto de tema nacional). Outros pequenos acontecimentos não ficaram na memória: uma corrupçãozita aqui, uma gaffe ministerial ali, um fábrica encerrada acolá, um arrufo de docente ou de polícia sem consequência. No fundo, nada de importante: apenas pequenos retalhos na vida do dia a dia. Não temos a ETA para negociar, nem um primeiro-ministro que convoque manifestações contra Israel. Não temos um Chirac, nem sequer uma luta de galos como a que nos ofereceu Dominique de Villepin e Nicolas Sarkozy. Nem temos um Berlusconi a abandonar um estúdio de televisão a meio da entrevista, nem equipas da primeira divisão a descer à segunda por compra das arbitragens. Não temos nada de jeito que exercite a sério a nossa alma crítica e maledicente. E assim nos vamos acinzentando, cada vez mais. Um "25 de Abril" é que vinha agora mesmo a calhar.

sexta-feira, 28 de julho de 2006

Foto do dia Dmitriy Lukyanenko (fotografia pós-soviética).

Simples e claro para o PCP entender: «Bons e maus presos políticos».

Simples e claro para intriguista entender : «O SEU A SEU DONO ».

As teias que o império russo tece.

Está lá? É da Guerra?

Envelopes (apesar do atraso).
Estava tentado a escrever que um país que mantem Souto Moura como Procurador Geral da República não pode ser tomado a sério, mas temo que esteja a ser benovolente na apreciação.

quinta-feira, 27 de julho de 2006

Questão importante.
«LÍBANO: UMA FORÇA DE INTERPOSIÇÃO DA NATO OU DA UE» Paulo Gorjão (Bloguítica). Esta, parece-me, é a questão mais importante neste momento, como escrevi no post anterior, ponto8.

Médio-Oriente Quase duas semanas depois pode concluir-se o seguinte: 1) Os militares israelitas depararam-se com inesperadas dificuldades no terreno no sul do Líbano. Bombardear à distância indiscriminadamente é uma coisa; avançar no terreno é outra. Hoje morreram em combate 9 soldados israelitas e, em consequência, Israel já declarou que o avanço no sul do Líbano já parou. 2) A comunicação social e, consequentemente, a opinião pública (não só a portuguesa) está a simpatizar com uma das partes: as imagens de destruição civil no Líbano, os dramas pessoais, as informações de que 30% dos mortos no Líbano são crianças, os comentadores e o próprio modo dos jornalistas abordarem os factos demonstram uma inclinação maior para a defesa da população libanesa em relação às vitimas israelitas. A morte dos 4 observadores da ONU pelos bombardeamentos israelitas ajudou muito a esta tendência, ou seja, a "desproporcionalidade" está a produzir os seus efeitos. 3) A conferência de Roma foi um exemplo de ineficácia. Esteve próximo da paródia. 4) É muito mau para a desejada paz no Médio-Oriente (e para o equilíbrio regional, incluindo a arrogância e as pretensões hegemónicas iranianas) que Israel tenha feito uma entrada de leão e venha a fazer uma saida sendeiro, hipótese que neste momento não está fora de causa. 5) A invasão do Iraque fragilizou Israel em vez do que muitos ainda pensam: que o fortaleceu.
6) Independentemente da solução final deste conflito, o Hezbollah sai reforçado significativamente junto da população libanesa.
7) Israel excedeu-se. Os israelitas não podem ter a ilusão de acabar com os extremistas arábes. Estão condenados a tê-los como vizinhos. No actual contexto internacional (caracterizado por uma crescente multipolarização de poderes internacionais: China, Rússia, América Latina, etc. e uma diminuição significativa do papel dos EUA, sobretudo depois do fracasso da invasão do Iraque) Israel deve contar mais com a inteligência política do que com os generais àvidos de medalhas.
8) Uma força militar europeia significativa no sul do Líbano seria um grande avanço na actual situação na região. Ao ouvir os representantes do PCP e do BE melhor se percebe essa importância. É triste que o PSD e o CDS (ou o PP, nunca sei como o designar) por mesquinhas razões politiqueiras digam que sim, mas levantem obstáculos, críticas, etc.).

Blogue do mês. Foram-se os anéis: um sitio onde tudo é contados pelos dedos.

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Até amanhã.

Estou preocupado, porque:
1) Agora quando visito o Abrupto fico sem saber se estou a ler o original se a cópia.
2) Não sei se está em causa a liberdade de expressão se um desvio das atenções da guerra no Médio-Oriente.
3) Também não sei se esta coisa de ter ter blogue à borla não é mais de "Estado-providência" do que de "liberalismo moderdo".

Completamente de acordo.
«Pólvora»: porque o mundo é a cores e não a preto e branco é preciso entender as variantes da conflitualidade e encontrar as soluções para aliviar e não para agravar.

Notas "sobre a proporcionalidade"(2).
Se não houvesse o conceito de desproporcionalidade numa guerra ou de resposta proporcional não existia o conceito de criminosos de guerra, nem tribunais especiais para os julgar. A teoria de que não há desproporcionalidade numa guerra é perigosa e absurda, com o respeito que me merecem alguns dos seus defensores.

terça-feira, 25 de julho de 2006

Notas "sobre a proporcionalidade".
Estava à espera de uma pausa para escrever algumas notas "sobre a proporcionalidade". Alinhavei alguns argumentos e algumas dúvidas, enquanto me dirigia para casa. Antes de começar a escrever, li: «O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pediu hoje a Israel que conduza uma investigação ao bombardeamento israelita que visou “aparentemente de forma deliberada” um posto dos observadores das Nações Unidas no sul do Líbano, provocando a morte a quatro funcionários onusianos.Os observadores morreram quando uma bomba israelita atingiu o edifício e abrigo do posto de observação da ONU em Khiam, perto da fronteira com Israel no sul do Líbano, indicou, por sua vez, o porta-voz da força interina das Nações Unidas (Finul), Milos Strugar. Ainda de acordo com o Strugar, equipas de socorro desenvolvem operações de busca entre os destroços do edifício para tentar encontrar outras eventuais vítimas do bombardeamento, mas que apesar da operação de socorro “Israel continua a atacar” a zona.» Após a leitura, disse para com os meus botões: para quê escrever "sobre a proporcionalidade". Há factos que valem mil palavra. E, para já, por aqui me fico. (O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, quando diz “aparentemente de forma deliberada” está a ser um amigo de terroristas?)

Falar sem códigos. Roteiros de verão .

O mundo a preto e branco.
Cá no burgo, há cientistas políticos que, se chegassem ao poder, Portugal só estabeleceria relações (diplomáticas, económicas, comerciais e outras) com países da mesma cor ideológica. É o mundo visto a preto e branco, o que quer dizer: eles acham que são os brancos.

Parece que o jornalismo está cada vez mais dependente dos blogues:«A notícia da reforma de Manuel Alegre, avançada hoje como «exclusivo» do Correio da Manhã, já fora divulgada, há 4 dias atrás, pelo blogue Câmara Corporativa. Haja respeito pela informação disponibilizada pelos blogues. E um pouco de ética jornalística

Dúvidas, quem as não tem?
Se não se consegue descortinar a noção de resposta proporcional numa guerra, também não se encontrará nunca a noção de legítima defesa. Quando se evoca esta última noção é necessário encontrar a primeira.

Apenas caos.
Range-oDente não concorda com o que aqui escrevi: o Iraque, hoje, é apenas caos, destruição e morte. Compreendo os argumentos, mas não estou de acordo. A propósito transcrevo parte de um texto de Teresa de Sousa publicado hoje no Público:
."Bem-vindos à nova desordem multipolar mundial", escrevia Timothy Garton Ash nas páginas do Guardian, exprimindo da forma mais concisa e mais precisa aquilo que começa hoje a ser visto como a mais séria ameaça à estabilidade e à segurança mundiais: a fraqueza dos Estados Unidos da América e a sua crescente incapacidade para liderar o mundo. Hoje, conhecemos o princípio desta história - a decisão unilateral de mudar pela força o regime de Saddam Hussein e de, por essa via, redesenhar o mapa do Médio Oriente. E já conhecemos também alguns dos últimos capítulos. O Iraque, que afinal não era a Alemanha pós-nazi, está hoje mergulhado no caos, muito longe da democracia e muito perto da guerra civil. A ameaça do poderio militar americano não levou à transformação democrática do Grande Médio Oriente, pelo contrário, alimentou o fundamentalismo islâmico e a sua arma do terror. O Hamas venceu as eleições na Palestina. O Hezbollah, apesar das transformações democráticas do Líbano graças ao empenho concertado de Paris e Washington, ameaça abertamente Israel. O próprio Líbano está à beira do colapso. E o Irão vai alimentando as chamas que ameaçam incendiar toda a região, enquanto prossegue desafiadoramente a sua política nuclear e apela a que Israel seja pura e simplesmente varrido do mapa. Ainda ontem voltou a fazê-lo. No Afeganistão, as tropas da NATO enfrentam cada vez maiores dificuldades para estabilizar o país. A Coreia do Norte desafia abertamente os Estados Unidos». (sublinhado meu).

Conceitos antigos
A condenação da desproporcionalidade dos meios usados na legítima defesa é um conceito jurídico, cultural e social muito antigo. Não é possível desfazê-lo na consciência colectiva de um dia para o outro. Mas se, por triste sina, isso acontecesse regredaríamos séculos de civilização.

Até amanhã.

segunda-feira, 24 de julho de 2006

Tu sabes que eu sei que tu sabes (resposta pública a um e-mail identificado):
1) Que a invasão do Iraque, que tu apoiaste (e, hoje, tens vergonha de recuar nessa posição) foi um "abuso de poder" militar do Ocidente, sobretudo dos EUA e da Inglaterra, que fracassou em toda a linha: nem armas de destruição massiva; nem retrocesso do terrorismo; nem democracia aerotransportada; nem paz na região - nada. Apenas caos, destruição e morte: centenas de milhares de mortes. Mas os mortos no Iraque estão longe. São apenas números, como se não tivessem mulher, filhos, mães, irmãos, enfim, uma vida igual à tua. Tens a sorte de viver nas Telheiras onde nada acontece, a não ser teres de ir passear o cão às onze da noite. A invasão do Iraque foi um desastre e cada dia que passa o confirma.
2) Que a existência do Estado de Israel não está em causa: tem o maior poderio militar da região e o apoio do Ocidente. Mas, depois dos esforços de Ariel Sharon, os novos dirigentes israelistas decidiram que tinha chegado o momento de "meter na ordem" o Hammas (alguém falou em eleições no Iraque?) e o Hezbollah. E é por isto que te regozijas com a destruição de Beirute. Resultado: caos, destruição e morte. Morrem aqueles que não têm cão para passear à noite. Esta retaliação israelita é um desastre e cada dia que passa o irá confirmar.
3) Já te disse pessoalmente (e volto a dizer agora): se tivesses idade para isso, em 1961, terias dito: "Para Angola, já e em força". Como sabemos foi um desatre.
A História não perdoa! O pior é que nos acomodamos a esta situação de destruição e morte como se nada de especial acontecesse. Analisamos política e intelectualmente a situação e arrumamos os mortes na coluna estatística dos "danos colaterais". E sabes porquê? Porque temos um cão para passear; um piriquito para tratar; um bom restaurante para jantar. Só por isso, cagamos de alto!

Leituras de fim de semana

À procura de Sana, de Richard Zimler, é uma boa história, muito bem contada, para além da acidental oportunidade: duas mulheres, Helena e Sana, amigas desde a nascença, com a particularidade de uma ser israelita e a outra ser palestiniana. Zimler nasceu em Nova Iorque, é judeu, um excelente escritor e um profundo humanista. (Mais não acrescento porque estou de acordo com Manuel António Pina: «De certa forma, a crítica literária será sempre contra a escrita e a edição. Nada do que possas dizer me fará voltar a escrever sobre os livros dos outros. Desculpem-me, outros sobre quem ousei escrever».

Perguntar não ofende

Há avanço nas investigações sobre o autor que "pirateou" o Abrupto?

A teoria da guerra justa A teoria da guerra justa é antiga. Era justa a guerra dos povos colonizados contra os colonizadores. E sendo justas as guerras de libertação nacional, logo se desculpava (em nome de valores superiores) quaisquer atrocidades cometidas pelos guerrilheiros dos movimentos de libertação nacional contra colonos civis. Estas matanças eram irrelevantes para o processo histórico. E quem levantasse o dedo para colocar uma dúvida estava ao lado dos colonizadores. Hoje, a guerra que Israel mantêm contra os seus vizinhos, sobretudo aqueles que querem riscar do mapa o Estado de Israel é, também, para muito boa gente, uma guerra justa. E, assim sendo, quaisquer atrocidades e matanças de civis estão desculpadas. E quem levantar o dedo para colocar alguma dúvida… mesmo quando:
ou
ou

domingo, 23 de julho de 2006

Até amanhã. Paul Laurenzi.

Velhas teses.
Vagueia por aí uma tese, segundo a qual ou se defende Israel - se é amigo de Israel independentemente do que Israel fizer – ou se é seu inimigo e, consequentemente, anti-semita e amigo do Hezbollah, do Irão e por aí fora. Esta tese não é nova: foi aplicada noutros contextos históricos e ideológicos, mas só amedrontou alguns temporariamente. A razão acabou sempre por vir ao de cima.

A ler
«CORRAM-NOS À PEDRADA», Paulo Gorjão (BLOGUITICA).

Fotos do dia

Beirute e coluna militar israelita numa estrada ao sul do Libano (foto aqui).

DO EXTREMISMO.
Tomei conhecimento - através de Tiago Barbosa Ribeiro (Kontratempos) - da existência de um site (resistir.info de seu nome) de uma seita que, no fundo, diz frontalmente, preto no branco, o que o PCP e o BE, por meros motivos eleitorais se acobardam e não assumem com a mesma frontalidade. O substrato ideológico (e cultural) desta gente é o da nomenclatura partidária que foi varrida do poder com a queda do muro de Berlim. Ainda não perceberam que a democracia os triturou.

A ler
«Publicidade », Nuno Brederode Santos, DN.
«Património», João Morgado Fernandes , DN.

Dúvidas metódicas, quem as não tem? Será que Pacheco Pereira entregou a investigação sobre a "pirataria" de que o seu blogue foi alvo – segundo diz - ao senhor Procurador Geral Souto Moura?

Com ou sem conquilhas: abertas ao natural não provocam azia.

Apanham-se as conquilhas, com o pé ou com um “chalavar”, conforme as aptidões, ali entre a ilha de Tavira e a ponta da areia, em Vila Real de Santo António – zona onde eu nasci. As conquilhas devem ser mantidas em água do mar até serem abertas. Numa frigideira, em lume forte, deita-se azeite, muitos dentes de alho esmagados e um molho de coentros. Depois é só deitar as conquilhas e tapar a frigideira. Quando estiverem abertas, mas antes de tirar do lume, esprema um limão.

sábado, 22 de julho de 2006

Até amanhã.

Camouflages, Desirée Palmen. (via a little bit of joy)

Porque hoje é sábado: The Jonzun Crew

A História os absolverá ?
"Não tenho dúvida de que quem está hoje no poder - em Belém, no Governo, na presidência da Câmara de Lisboa ou na liderança do PSD - faz hoje muito mais felizes certas pessoas que apostaram na minha derrota política - Diz Santana Lopes ao DN.

Economista?

Há economistas que deviam ser pedreiros, com todo o respeito que os pedreiros me merecem. Melhor, há pedreiros que sabem mais de economia que certos economistas. Mas, o problema mais grave, é quando quem devia se pedreiro é professor de economia. Em suma, quanto mais o país se afundar mais possibilidades de arregimentar uns votos - pensa ele. Porquê 36 horas de trabalho e não 25? E com 15 horas semanais não atingiremos o pleno emprego, mesmo sem se receber salário?

Foram-se os anéis.

(Aqui)

Palavras que me tiraram da boca
«Espanto. Impotência. E a seguir?», Miguel Vale de Almeida (OS TEMPOS QUE CORREM).
«TRAMADOS », João Gonçalves (Portugal dos Pequeninos).
«A guerra», João Morgado Fernandes (french kissin').
«Os bárbaros », João Paulo Sousa (Da Literatura )

Há gente que tem a sorte de viver em Portugal
Ainda há, nesta altura do campeonato, quem fique cego, surdo e mudo, em silêncio sepulcral, quando um jornalista (não há sindicalistas porque não há sindicatos livres) , em Cuba é encarcerado sem julgamento (e mesmo com julgamento não seria mais do que uma farsa) por 5 ou 10 anos de prisão. Mas, quando aqui, nesta terra lusa, onde quem exerce o poder foi eleito democraticamente, um sindicalista é, apenas, aposentado compulsivamente, no respeito pela legislação vigente, ( e se assim não é há tribunais independentes do poder político para julgar tais decisões) dizem cobras e lagartos. É aquela gente que se diverte quando um dirigente sindical da PSP chama "gatuno" ao primeiro ministro; é aquela gente que tem a sorte de viver em Portugal e não em Cuba, para onde deviam emigrar.

Fidel Castro não melhora com a idade (ou a lei da rolha). Apesar de se sentir agora politicamente mais seguro do que nos anos noventa quando estava completamente isolado – desmoronara-se o bloco soviético e não tinha interlocutores na América Latina – o velho ditador das Caraíbas, digno comparsa de Rafael Leónidas Trujillo, continua igual a próprio, mesmo fora de portas: ontem, na Cimeira do MERCOSUR, um jornalista cubano a trabalhar em Miami, durante uma conferência de imprensa, perguntou-lhe pela situação da médica cubana dissidente Hilda Molina, cujos filhos e netos vivem na Argentina. Com o rosto tenso a sublinhar a contrariedade, Castro vociferou que o jornalista era “um infiltrado” na Cimeira, “um mercenário de Bush”. Juan Manuel Cao, o jornalista cubano, disse à imprensa argentina: "Nadie me paga, yo hago mi trabajo. No me asombra por supuesto, pero debería asombrar un poquito más que se moleste por una simple pregunta".Yo estoy haciendo el trabajo de periodista que es el de cuestionar al poder. En Cuba no hay prensa libre, toda la prensa está en manos del Estado. Yo sé que aquí Fidel es visto como un ídolo pero hay otro rostro de la dictadura cubana que nadie quiere ver que es éste".

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Palavras que me tiraram da boca
«Lugar para um "líder" que não existe», Pedro Correia (Corta-fitas).
«Da lista de Mercês à lista do Protocolo», José Medeiros Ferreira (Bicho Carpinteiro).

Foto do dia

'Changa', uma gorila de dez anos tem nos braços seu recém nascido em 'Allwetterzoo', na Alemanha. (Aqui).

Até amanhã. Tom Bagshaw

Bater no ceguinho
Jorge Ferreira já tinha anotado a coincidência dos quatro países incumpridores do déficit terem participado nas meias finais do Mundial de Futebol: Alemanha, França, Itália e Portugal. O que não anotou foi a seguinte coincidência: os mais encarniçados detractores da euforia futebolística eram naturais do Porto, incluido o Pacheco Pereira.

Terrorismo informático
Sou um iletrado em matérias como: "DNS hacking é para rir [...] inclino-me para o “simples” hacking ao Blogspot [ou seja, ao Blogger] dos spammers e sploggers.» (cito Eduardo Pitta, Da Literatura), mas acho que esta história do Abrupto é um golpe de publicidade ou, a ser verdade, pela violência das narrativas, é obra do Hezbollah, do Hammas ou de Israel.

quinta-feira, 20 de julho de 2006

Semelhanças
Há temas sobre os quais Ana Gomes, Joana Amaral Dias, Fernando Rosas ou Miguel Portas, por exemplo, não deviam falar, e muito menos escrever, para não retirarem credibilidade às opiniões que, com outros fundamentos e outra matriz, se assemelham. O actual conflito no Médio Oriente é um exemplo.

Opiniões!
Não vi o debate de hoje na Assembleia da República com a Ministra da Educação. Andei a ler o que pude entre jornais online e blogues. Depois telefonei à minha prima Josefina, que como já aqui disse várias vezes, é uma mulher informada e muito opinativa. Ela disse-me, em conclusão: "para os políticos da oposição, jornalistas encartados e militantes com cartão gold o debate foi ganho pela oposição. Para os pais dos alunos que são, pelo menos cinquenta vezes mais, ganhou a serenidade e a seriedade da ministra."

Mios hermanos en buenas manos
Zapatero, primeiro ministro de um país da União Europeia, com o seu estilo meio low-profile, meio obstinadamente decidido, vai atalhando caminho numa Europa amorfa e acomodada: depois de se ter recusado a ir à missa com o Papa - uma pedrada no charco na hipocrisia reinante - cobre uma manifestação do PSOE nas principais cidades de Espanha contra a «ofensiva israelí en Líbano».

Agradecimento
Ao meu amigo João Soares, um pioneiro dos blogues/sites pessoais - mantem diariamente o seu site há 5 anos, pelo menos, se a memória não me falha - pela referência simpática a este modesto blogue. Sei, o que é importante, que a simpatia da referência está para além da amizade de muitos anos, como sei que ele gosta tanto de conquilhas como eu.

A ler «Ministra a exame», João Morgado Fernandes, DN.

Até amanhã. Paul Laurenzi, óleo sobre tela.

quarta-feira, 19 de julho de 2006

EDUCAÇÃO - " REVOLUÇÃO PERMANENTE? "
A oposição, nomeadamente o único partido que pode ser alternativa ao PS na governação, necessita como pão para a boca de motivos para mostrar que pode ser essa alternativa e que tem capacidade de, se for governo, fazer mais e melhor, de modo a retirar-nos a esta pobreza franciscana em que estamos atolados a todos os níveis. Não me parece, no entanto, que seja a àrea da Educação a porta de entrada. Maria João Rodrigues, Ministra da Educação, mostrou mais uma vez, em entrevista esta noite à SIC, ter uma linha de rumo e uma preparação para o desempenho do cargo muito acima dos seus antecessores. Amanhã, na Assembleia da República, a Ministra vai dar explicações, a pedido do PSD, sobre a forma como decorreram os exames no ensino secundário. Estou certo que o PSD não vai tirar dividendos desta contenda. De resto, estou de acordo com EDUCAÇÃO - " REVOLUÇÃO PERMANENTE? " de Eduardo Graça (Absorto).

Substituição de deputados.
Aqui está uma matéria para a qual se deveria procurar uma largo consenso. Também não se entende porque motivo os deputados do PS querem aprovar este regime à pressa, antes de férias, se só entra em vigor em 2009.

Internacionalistas
Antigamente, no tempo longíquo em que um muro dividia Berlim, existiam em Portugal uns rapazes de ideias feitas para quem a União Soviética era o sol da terra. Hoje, existem outros, que pensam que nada têm a ver com os primeiros (geneticamente, são irmãos gémeos), para quem os Estados Unidos são o farol da civilização ocidental. A cabecinha deles funciona da mesma maneira, como o positivo e o negativo da mesma fotografia.

Confissões
«Confesso que sinto uma enorme ternura pela boçalidade texana de W. Bush. E sou francamente pró-americano. Talvez por isso, penso ser oportuno recordar que foi justamente esta parelha do pãozinho com manteiga que levou os EUA - a Europa não conta - a soçobrar no Iraque». João Gonçalves (Portugal dos Pequeninos).

terça-feira, 18 de julho de 2006

Foto do dia Kenyan Wangari Maathai, Prémio Nobel da Paz em 2004, na sessão de abertura da II Conferência de Intelectuais da África e da Diáspora , a decorrer em São Salvador da Baía, no Brasil. (aqui)

A maior descoberta da semana

A ler
«Quando um Estado, para responder a uma acção bélica inimiga, resolve atacar alvos civis, matar gente inocente a esmo, destruir estradas e pontes, portos e aeroportos, centrais eléctricas e bairros urbanos, isso tem um nome feio: terrorismo. No caso, terrorismo de Estado. Na vertigem da violência que é o interminável conflito israelo-palestiniano, Israel adopta decididamente a mesma lógica fatal de que acusa os seus inimigos, ou seja, transformar os civis em carne para canhão.» Entre as ruínas, ninguém leva a melhor, Entre as ruínas, ninguém leva a melhor, Vital Moreira, Público 18.07.

segunda-feira, 17 de julho de 2006

Estão a brincar com quêm?
Os chefes de Estado e de governo da CPLP anunciaram hoje, em Bissau, o seu compromisso com os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, prometendo trabalhar no sentido de erradicar a fome e a pobreza até 2015.

Agulha no palheiro

Internacionalistas
Nem o PCP, nem o BE, sempre tão ciosos da nossa independência face à "nomenclatura" da União Europeia, botaram uma palavra sobre a peregrina ideia do Ministro dos Negócios Estrangeiros português ter de prestar declarações numa comissão de inquérito do Parlamento Europeu. Nacionalistas uma ova: uns, os primeiros, são herdeiros da III Internacional; outros, os segundos, são os homens da IV Internacional.

O namoro entre Bush e Blair ou um pequeno exemplo dado pelos senhores da guerra.
W. Bush foi apanhado em amena cavaqueira com Tony Blair, com a boca cheia, durante um jantar, por um microfone inconvenientemente ligado, na cimeira do G-8. desconhecendo que a sua voz estava a ser gravada. Bush, entre outras pérolas adequadas à sua visão estratégica, em que as vidas humanas são apensas "danos colaterais", exprimiu-se na sua melhor forma: «O que eles precisam de conseguir é que a Síria faça com que o Hezbollah pare de fazer merda, e tudo acaba» - Disse o presidente dos EUA. Para além do tom da conversa entre W. Bush e Tony Blair, o que não é menos relevante é que só os organizadores do evento - os russos - podiam ter fornecido à comunicação social o som recolhido na instalação audio .

Impagável, como sempre.
Luis Delgado, no DN: «Sócrates sabe que ainda está para chegar a oposição que o inquiete, abane e cause insónias. Talvez lá para 2015... »

Até amanhã.

(Edward Hopper, 1961, óleo sobre tela).

domingo, 16 de julho de 2006

Uma boa notícia
Quando uma boa notícia está bem fundamentada não há nada a dizer.

Memórias da América Latina (2)

Casa com Bicicleta e Casa de Cultura com areia, (Elaine Ling, Havana 2002)

Memórias da América Latina.

Mulheres indígenas quiches velam as ossadas desenterradas num cemitério clandestino com restos de vítimas de um massacre cometido pelo exércitoguatemalteco nos anos oitenta, no interior da igreja de San Andrés Sajcabaja. foto Jorge Uzon "Gautemala"1996 - 2000)

Ultimatum

Falência geral de tudo por causa de todos!

Falência geral de todos por causa de tudo!

Falência dos povos e dos destinos — falência total!

Desfile das nações para o meu Desprezo!

Tu, ambição italiana, cão de colo chamado César!

Tu, «esforço francês», galo depenado com a pele pintada de penas! (Não lhe dêem muita corda senão parte-se!)

Tu, organização britânica, com Kitchener no fundo do mar mesmo desde o princípio da guerra! (It 's a long, long way to Tipperary and a jolly sight longer way to Berlin!)

Tu, cultura alemã, Esparta podre com azeite de cristismo e vinagre de nietzschização, colmeia de lata, transbordamento imperialóide de servilismo engatado!

Tu, Áustria-súbdita, mistura de sub-raças, batente de porta tipo K!

Tu, Von Bélgica, heróica à força, limpa a mão à parede que foste!

Tu, escravatura russa, Europa de malaios, libertação de mola desoprimida porque se partiu!

Tu, «imperialismo» espanhol, salero em política, com toureiros de sambenito nas almas ao voltar da esquina e qualidades guerreiras enterradas em Marrocos!

Tu, Estados Unidos da América, síntese-bastardia da baixa-Europa, alho da açorda transatlântica nasal do modernismo inestético!

E tu, Portugal-centavos, resto da Monarquia a apodrecer República, extrema-unção-enxovalho da Desgraça, colaboração artificial na guerra com vergonhas naturais em África!

E tu, Brasil, «república irmã», blague de Pedro-Álvares-Cabral, que nem te queria descobrir!

Ponham-me um pano por cima de tudo isso!

Fechem-me isso à chave e deitem a chave fora!

Álvaro de Campos, Novembro de 1917

sábado, 15 de julho de 2006

Uma surpresa

«Como era de esperar, e muita gente percebeu, o efeito da aventura do Iraque foi o contrário do que os neoconservadores previam: não enfraqueceu e dividiu o islão, enfraqueceu e dividiu o Ocidente. A derrota de Bush e Blair, ou se preferirem da América e da Inglaterra, permite agora a chantagem nuclear do Irão. Pior ainda, permite que o Irão, através do Hezbollah e do Hamas, que financia, arma e comanda, alargue a guerra entre Israel e a Palestina ao Líbano e, não tarda, à Síria. A resposta a uma ofensiva falhada é, como as regras mandam, a contra-ofensiva. Nunca, desde que desapareceu a URSS, o Ocidente andou tão próximo de uma catástrofe. Curiosamente, excepto pelo preço do petróleo, nunca também o cidadão comum do Ocidente se interessou tão pouco pela ameaça iminente à sua bolsa e segurança. Vem aí uma verdadeira surpresa. » Vasco Pulido Valente, Público 15.07

A intelectualidade no lugar comum - aqui está um tema para uma boa discussão.
«Falar ou escrever sobre política geral, partidos, correntes de opinião política e opções gerais governativas é um pouco como escrever sobre jogadores e jogos de futebol: toda a gente o sabe fazer, porque é demasiado simples e convoca emoções certas. Falar e escrever sobre problemas concretos, técnicos, de educação, justiça, direito, ciência, e analisar ou criticar propostas, é outra coisa e não é tarefa para intelecuais diletantes e de banca assente nos jornais ou blogs. O exemplo mais flagrante deste tipo de intelectualidade, podemos aliás, encontrá-lo nos editoriais dos directores dos periódicos. Jornalistas com cursos de generalidades ou práticas de especilidades adiadas, peroram sem pejo, sobre seja o que for que lhes dê na veneta. Especialistas da superficialidade, arvoram opiniões abalizadas pelos cargos. E são eles quem convocam os demais "intelectuais" para lhes fazer companhia no exercício opinativo. Avalizam o mérito de quem lhes parece sábio e é assim que se formam escolas de opinião pública. Com um professorado diletante e alunos basbaques. Algumas das razões do nosso atraso geral, podem muito bem residir neste nicho de mercado
(José, Grande Loja do Queijo Limiano). Sublinhados meus.

Estão sempre a distrair o pessoal...

Depois do mundial de futebol, acontecimento que desconcentrou os portugueses dos reais problemas da Nação, nem nos deram tempo para respirar:
Em qualquer actividade profissional a ambição de fazer melhor é sempre de louvar.

Hoje há açorda de bacalhau. Num recipiente alto, coloque coentros, hortelã, dentes de alho, sal e azeite. Tudo à medida do que achar conveniente. Com a "varinha mágica" triture muito bem todos os ingredientes até ficarem em papa. Ponha água ao lume a ferver com um fio de azeite e coza o bacalhau mais ou menos 5 minutos. Ponha ao lume uma caçarola com água e um pouco de vinagre. Quando a água estiver a ferver escalfe os ovos que irá utilizar na açorda. Logo que os ovos estejam no ponto, retire-os e coloque-os num recipiente com água fria, afim de parar a cozedura. Coloque a papa dos coentros dentro de uma terrina, verta a água onde cozeu o bacalhau que deverá estar a ferver. Rectifique de sal, introduza o pão alentejano cortado muito fininho, os ovos e o bacalhau (as postas ou previamente desfiado conforme a preferência. Eu prefiro em lascas. (Patrícia: preferiste ir com os motares para Faro, nem sabes o que estás a perder. Já me ia esquecendo: uns empurraram a açorda com cerveja gelada; outros, com Duas Quintas 2001).

Oposição em apuros
1. «Mendes leva PSD por mau caminho» - Diz António Borges ao "Expresso". Alguém tinha que começar por dizer em voz alta o que todos dizem em voz baixa.
2. «CDS contesta Cavaco Silva», informa também o "Expresso". O pretexto é a Lei da Procriação Medicamente Assistida. Mas, na verdade, é toda a actuação do Presidente da República que os centristas pôem em causa. Não tarda muito tempo para dizerem que se enganaram quando deram o apoio a Cavaco Silva nas presidenciais.

sexta-feira, 14 de julho de 2006

Choque tecnológico: «Muita transpiração, pouca inspiração».

Zidane explica a Chirac o modus operandi (foto da Tabacaria)

À atenção do pessoal do costume...
«O Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias condenou ontem o Governo português pela retirada de três mil hectares à Zona de Protecção Especial (ZPE) Moura/Mourão/Barrancos, sem apresentar fundamento científico.» - informa o Público Online. O que o referido jornal não diz claramente é que o Governo que alterou a Zona de Protecção Especial foi o do PSD, chefiado por Durão Barroso, em 2002. Esta facilidade de escrever que «o Estado português decretou ...», como se lê na peça em causa, pode não ser intencional, mas pode ter água no bico...

Falácias Acabou o mundial de futebol. Já não há bandeiras às janelas; nem multidões eufóricas nas ruas e praças das nossas cidades; nem carros a buzinarem pela noite fora. Estamos agora todos concentrados no debate da Nação; nos trabalhadores da Azambuja; no deficit orçamental. No sangue que escorre no Iraque; em Israel, na Palestina, em Beirute; na Coreia do Norte, em Timor. Estamos concentrados, também, na próxima reunião do G-8. E? Nota-se alguma diferença? (A greve dos professores foi durante o mundial de futebol. Depois do dito ainda não houve nenhuma greve, nenhuma manifestação). A distracção do futebol é uma falácia.

AMOR

Desfolho a rosa furtiva, com
os veios corroídos pela seiva
de um relâmpago frio.

Amo a lentidão imprevista
do instante que os teus seios
elaboram.

E ouso o rio de púrpura
exangue que irrompe no leito
do teu sexo.
Nuno Júdice.
(Ontem, Nuno Júdice parece ter posto termo, infelizmente, à sua experiência bloguística. O "A a Z" chegou ao FIM.)

Citações: Israel nas bocas do mundo. (actualizado)
«O problema central, quando olhamos para Israel, o Líbano e os territórios palestinianos, é o crime continuado contra a humanidade. Aquilo a que assistimos é a um confronto assimétrico entre aparelhos de guerra e de guerrilha que aniquilam de forma absoluta, cruel e premeditada vidas humanas inocentes. Esta é a questão primeira, antes de qualquer interpretação política e estratégica. ». Indignidades, António José Teixeira (Editorial do DN).

«Um Estado que lança bombas sobre civis não pode nunca explicar o seu acto com a legítima defesa contra o terrorismo; porque de forma consciente e deliberada também o está a praticarBombas sobre civis, Manuel Carvalho (Editorial do Público).
«Los graves focos de inestabilidad abiertos en Irak, Irán, Gaza y ahora Líbano deberían ser suficiente motivo como para que la comunidad internacional reaccionara con mayor diligencia y que fueran objeto de debate y medidas concretas del Consejo de Seguridad de la ONU. Especialmente, el asunto del bloqueo israelí de todo el territorio libanés en respuesta al secuestro de dos militares hebreos y la muerte de otros ocho soldados por Hezbolá y que ha causado ya más de medio centenar de muertos.» Tambores de guerra, Editorial El País.

Voltemos à arte: até amanhã. (Edward Hopper , óleo sobre tela, 1909).

Coligações (3)
É a análise concreta da situação concreta que leva alguns sociais-democratas (precisando: militantes do PSD) a voltarem-se para o liberalismo como possibilidade ideológica e política de sustentar uma oposição à actual coligação PS/PSD.

Coligações (2): Começo a não ter dúvidas...

«O PSD fez um pacto secreto com o governo e o PS. Apenas esta realidade pode explicar a inexistência de uma oposição capaz por parte do partido de Marques Mendes. Atentemos numa realidade muito simples: Ambos os partidos são maioritariamente compostos por quadros que pertencem e/ou vivem lado a lado com o Estado. Os dois sabem, melhor que ninguém, quanto dependem do voto da função pública. Há dias, mencionando o artigo de Pacheco Pereira, publicado no Público, em que este sugeria ser a oposição liberal a única possível, aventei a hipótese de o PSD vir, a longo prazo, pagar caro a defesa de políticas de cariz socialista. Seria o preço de quem se omite da política. Qual quê. Na política não há lugar a ingenuidades. Tudo se pensa, tudo se prepara e nada é deixado ao acaso. Este PSD, com os militantes que agora o governam, nada omite, mas tudo faz para que pouco mude. Porque qualquer alteração das políticas públicas implicaria um terramoto no meio onde vivem. O PSD não peca por omissão. O seu pecado é o da acção, de quem age pela calada de forma a passar imune ao abanão que apenas se pode adiar.» André Abrantes Amaral , O Insurgente.

Coligações (1)

Começo a não ter dúvidas: o Governo resulta de uma coligação PS/PSD sob a direçcão exclusiva do PS e em que o PSD está excluido da ocupação de lugares ministeriais: «Ideologicamente, a situação é ainda mais complicada. Eu sou um homem da direita moderada (aquilo que a direita musculada chama "um homem de esquerda"). O Governo é um Governo de centro-esquerda (aquilo a que esquerda ideológica chama "um Governo de direita"). Assim, tenho dificuldade em embirrar com este executivo dito socialista. Chego a pedir interiormente a Sócrates que diga qualquer coisa de esquerda (como no filme de Nanni Moretti), para que eu o critique com convicção. Mas o máximo que Sócrates consegue é um remoque à General Motors. No mais, um reformismo sem ideologia e muita bazófia. Alguns coices à "esquerda conservadora e corporativa". E a ideia totalmente direitista de que se há contestação sindicial, isso é uma "homenagem ao Governo". » Pedro Mexia, DN 13.07.

quinta-feira, 13 de julho de 2006

Efeitos perversos
Poucos falaram tanto sobre futebol neste último mês como José Pacheco Pereira. Ele, como poucos outros (talvez a par de Miguel Sousa Tavares e Pinto da Costa - não é por acaso que os três são naturais do Porto), deu um tão grande contributo para que muitos que pouco ligam ao futebol fizessem da participação da seleçcão portuguesa no Mundial uma questão nacional.

Zidane vs Materazzi
Afinal não foi nenhuma provocação racista ou religiosa que originou a tal cabeçada. Foi tão só um problema com a mãe de Zidane. Mas não se compreende tão forte reacção porque a senhora já não deve ter idade para isso.

quarta-feira, 12 de julho de 2006

Hoje
O estado da Nação: uns, vão dizer que estamos no bom caminho; outros, vão dizer que por este caminho nunca mais lá chegamos. Uns, vão dizer que nunca se fez tanto como agora; outros, vão dizer que no tempo deles é que era bom. De resto, não se espera nada de novo.

terça-feira, 11 de julho de 2006

Cartas de amor. (via Agence Eureka)

Crónicas de um mundial de futebol (ou a história de uma mulher desapaixonada) (2) 17 de Junho de 2006, Sábado.
A minha prima Hermenegilda, apesar de estar a roçar os cinquenta anos – diz ela –, ainda é uma mulher apetecível – as mamas fartas, as pernas esguias, o rabo arrebitado, sobretudo quando enverga jeans, e o ar blasé dão-lhe um charme balsaquiano. Até parece, à primeira impressão, pela postura, uma mulher de esquerda. Mas, decididamente, não é! Não é pelo facto de votar sistematicamente no PSD (votou – disse-me – em José Sócrates, não acreditei, mas fiz de conta). É, sobretudo, porque a vida dela está feita num fanico – a sua infelicidade interiorizada como destino é projectada nos demais cidadãos deste país. O resultado é que odeia tudo o que dá felicidades aos outros. Desta vez, o futebol serviu-lhe o queixume. Quem a viu e quem a vê! Depois de Abril de 74, ainda mal refeita dos vertiginosos acontecimentos, adere ao MRPP e toma-se por “mulher do povo” – uma nova padeira de Aljubarrota contra o capitalismo, o imperialismo e o revisionismo. E por aí andou, em devaneio “revolucionário”, dois ou três anos. Mas sempre foi mulher de muita leitura: por esses dias, mesmo citando Mao Tsé Tung a despropósito, descobriu Castoriadis e Edgar Morin, e na literatura o Orwell. Nem sei como, mas também chegou ao Spinoza, enquanto recapitulava os clássicos gregos. Mas mantinha-se ondulante: não sabia se queria fazer teatro, se queria acabar o curso, se ser apenas dona de casa, dependia dos maridos que foi coleccionando. Uma coisa é certa: nunca fez nada na vida que se apalpasse. Mas, a vida da Hermenegilda não tem, para mim, a menor importância, desde que não me atazane nos momentos importantes da minha vida, como foi aquele momento final do jogo Portugal -Irão. Portugal acabara de ganhar por 2-0. A inclusão de Costinha, Maniche e Deco, ao contrário do primeiro jogo, permitiram a Portugal cobrir mais espaço, e estender mais o seu futebol no relvado, alargando o bloco, facilitando assim as transições e, por outro lado, pressionando mais o último reduto iraniano. O próprio Cristiano Ronaldo incutiu mais velocidade e dinâmica, quer em raides individuais, quer nas tentativas de finalização, constituindo-se como o jogador mais perigoso do ataque português. Figo, desta vez, descansou. Mas tudo lhe é perdoado. Temos 6 pontos e a qualificação à vista. O México ajudou ao empatar com Angola. Scolari, finalmente, começa a desmoronar os seus críticos. É neste preciso momento – de supremo deleite – que a Hermenegilda, calculista e venenosa, me telefona para me perguntar: “Viste o Marcelo? Mas ele não tem mais nada para fazer? Não é professor universitário? Não tem exames para corrigir. É patético. Simplesmente patético. Até o Marcelo, pobre país!”. Aqui, fazendo um inusitado uso da minha pouca paciência, atalhei num tom conciliatório: “Se detestas futebol porque vês exactamente os canais que passam futebol? Não tens mais 30 ou 40 canais para ver? É só para te exasperares ou há outro motivo?”. Ela, sempre na sua voz de falsete, despachou-me: “ Vê-se bem que não está em Lisboa e não te incomoda a chinfrineira que por aqui vai: gente feia, pobretana, inculta, arvorando bandeiras nacionais parecem orangotangos. Até já vomitaram no meu carro. Este país é uma merda!”. E desligou o telefone, para meu descanso.

A cobardia volta a matar
Em Bombaim os terroristas utilizaram os métodos de Madrid: explosivos em carruagem de comboios superlotados. Neste momento, há pelo menos duas centenas de mortos - gente inocente.

Podemos ir de férias descansados
A situação política está calma: Ribeiro e Castro anda entretido com Telmo Correia; Marques Mendes, esse, desapareceu há mais de um mês, e ainda não deu conta que o mundial de futebol já acabou, enquanto "Cavaco e Sócrates pedalam para o mesmo lado". Há dois anos, nesta altura, o país estava a ser varrido pelo furacão Santana, mas disso já poucos se lembram.

Citações

Isenção de IRS? Então e os outros 10 milhões de portugueses?

segunda-feira, 10 de julho de 2006

Crónicas de um mundial de futebol (ou a história de uma mulher desapaixonada) (1) 11 de Junho de 2006, domingo.
A minha prima Hermenegilda é uma mulher desapaixonada, ao ponto de lhe azedar os dias e lhe avinagrar as palavras. Podia cair na tentação de uma explicação fácil: nunca teve o menor bambúrrio de sorte nos amores – já lá vão três divórcios e nunca teve filhos. Mas não o faço, sobretudo, porque ela insiste que “viver sozinha é uma graça de Deus”. Que seja! Isso não seriam contas do meu rosário se ela não me atazanasse sempre que lhe dá na gana. Ora, estava eu a banhos, entre amigos, deleitado a ver o jogo Portugal – Angola, o primeiro deste mundial de futebol, num domingo ao fim do dia, enquanto o sol avermelhava um mar tranquilo que se diluía no fio do horizonte, quando a Hermenegilda me liga e, na sua voz de falsete, implacável, me diz: - “ Pela barulheira já percebi que estás a ver o futebol. Este país está reduzido ao futebol. Não se fala em mais nada, como se não houvesse mais nada importante neste país para se falar.”
Neste momento, Figo quase me descansava com um remate à baliza dos angolanos, depois de três fintas ao seu jeito, que podia ter feito o 2-0. Petit e Tiago estavam a jogar muito recuados e muito perto um do outro, o que cavava um fosso entre meio campo defensivo e o meio campo ofensivo, enquanto Zé Kalanga e Mendonça, pelos angolanos, embora ofensivamente ineficazes, prendiam os laterais portugueses. Com a entrada de Maniche a equipa tinha ganho outra velocidade, mas o 1-0 persistia, enervando-me. “Hermenegilda – respondi, depois de uns segundos de silêncio (que me permitiu admirar um daqueles carrosséis de Cristiano Ronaldo que se desfazem em espuma) – pensei que estavas a ler qualquer coisa, que tinhas ido ao teatro, ao cinema, a um concerto.” Ela sentiu a ironia na minha voz, retorquiu: “Não te faças de sonso. Esta paranóia do futebol serve apenas para distrair este povo pequenino que, alegremente, se afunda todos os dias”. O árbitro apitou, finalmente. Ganhámos 1-0. Soube a pouco, mas ganhámos. Despachei a Hermenegilda, como quem sacode um tapete: “Amanhã ligo-te, agora vou comemorar a vitória de Portugal”. Queria gozar a vitória de Portugal, saborear até à última gota a minha cerveja, imaginar a cara de Miguel de Sousa Tavares e de Pinto da Costa, mas a Hermenegilda não me saía da cabeça: tem um percurso de vida ondulante. Frequentou a faculdade de letras, mas não acabou o curso – dedicou-se ao teatro. Foi sol de pouca dura, mas serviu de desculpa para os insucessos universitários. Nestes anos, de 70 a 74, a política não estava na lista das suas preferências. Mantinha com ela, nessa altura, conversas de horas e horas sobre a necessidade da luta contra a ditadura e a guerra colonial, mas ela não estava para aí virada – chegou ao desplante de, em 1969, furar uma greve universitária, quando os trabalhadores da Carris e da Lisnave enfrentavam a polícia de choque. E agora, quando eu estou a ver o jogo Portugal – Angola, a Hermenegilda – aquela que eu conheço há quase cinquenta anos – vem me dizer que: “ Esta paranóia do futebol serve apenas para distrair este povo pequenino que, alegremente, se afunda todos os dias”. Oh Batista Bastos, onde é que ela estava antes do 25 de Abril?

Da noite Ela trabalhava numa casa de alterne. Ele alternava as noites entre casa e casas de putas. Ela vestia sempre preto. Ele achava o preto deslocado. Uma noite sentou-se na mesa dela. Ofereceu-lhe uma bebida e um sorriso. Ela aceitou a bebida. Hesitou no sorriso. Aceitou.

Procurou-lhe os olhos. Ela baixou-os. Ele gostou.Ele não falou. Ela nada disse. Olhava-a. Ele ficou na mesa dela toda a noite. Lendo, interpretando o silêncio. Os gestos pudicos, o negro da roupa. O recato numa casa de putas.
No fim da noite ela saiu sem lhe perguntar se a queria. Simplesmente, levantou-se e saiu. Ele voltou na noite seguinte e todas as noites. A noite dele a mesa dela. O dia dele a espera da noite. A espera dela.
Uma noite ele estendeu-lhe a mão. Saíram. Na rua falou dele. Falou dela. Falou na casa que era dele onde uma estranha habitava. Não ela. Falou no lugar que era o dela. Ela não pertencia ao lugar. Não era o lugar dela. Tão diferente o preto que ela vestia da cor do lugar. Tão diferente o silêncio dela dos sorrisos falsos, das palavras abundantes e ocas. Tão diferente o recato, o pudor nos olhos baixos, da luxúria, da oferta do corpo no lugar.
Ela apertou-lhe a mão como se só ele entendesse. Ele sentiu-se único e responsável. Ela fez amor com ele como se o amasse. Ele fez amor com ela amando-a.
Ele deixou de alternar entre casa e casas de putas. A noite, o bar, a mesa dela, casa única.
Uma noite ele assumiu perdas e derrotas, impotência e exageros. Disse-lhe: - Vem viver comigo. Ela apertou-lhe a mão.
Nessa noite não pegou, como todas as outras noites, no dinheiro que ele pousava ao lado da mala. Como se não existisse compra. Como se nunca tivesse havido venda. Fez amor com ele como se o amasse. Ele fez amor com ela amando-a. Chamando-a sua.
No dia seguinte esperou-a no quarto feio e frio a que chamava agora lar. Ela não chegou. Esperou-a mais um dia e uma noite. No outro lado do telefone o silêncio.
Procurou-a. A mesma mesa. O mesmo vestido preto. O mesmo recato. Outro homem. Agarrou-a por um braço. Gritou-lhe dor e amor. Declarou-se perdido, a culpa dela.
Alguém o expulsou da noite, do bar, da mesa, da vida dela. Alguém lhe disse rindo: - É a melhor puta da casa. (O regresso de Encandescente)

domingo, 9 de julho de 2006

Italia Campione del Mondo

Milhões de italianos ocuparam as ruas e as praças de todas as cidades de Itália mal acabou o jogo com a França. A festança vai durar até às tantas. Vai ser a noite mais longa dos últimos anos - dizia um reporter televisivo. Tal como cá, lá também deve haver meia dúzia de jarretas que se incomodam com o barulho, com as bandeiras italianas, com as buzinas. Lá, tal como cá, também deve haver meia dúzia de cinzentões que ficariam contentes se a Itália perdesse. (Cartão vermelho directo ao Zidane?)

Como não Morrer de Sede no Inferno

Francisco José Viegas é o autor do livro com o título em epígrafe, cujo lançamento é no dia é a 19 de Julho na Cervejaria Trindade. «Isto não tem nada a ver com literatura. Gosto de cerveja e escrever sobre cerveja faz parte do lado festivo da vida que é preciso preservar» - Disse o autor à Lusa. Nesta tarde calmosa de Alentejo profundo, com 42º graus à sombra, como eu te entendo.

O ENTREVISTADOR ILEGAL.
«Georg Blume, corresponsal alemán en China, fue interrogado durante cinco horas por las autoridades del país acusado de realizar entrevistas "ilegales", según ha indicado el semanario 'Diez Zeit' para el que trabaja.» (Ler mais: comunicar a direito)

Internacional Color. (via Perdido)

Inside - O jornal à tua medida.

Entrevista a Lou Rhodes.

A ler «Os segredos do sigilo », Nuno Brederode Santos , DN 09.07.

Sectarismo estrábico

Hoje, notáveis blogueiros, muitos deles com o espírito bem alimentado, derramaram-se em milhentas citações, desde Augusto Mateus sobre o Plano Tecnológico (não passa de um exercício de "powerpoint", sem substância ou utilidade - terá dito) até às alterações legislativas que permitem à administração fiscal passar a ter acesso a informações bancárias dos contribuintes em casos de reclamação administrativa (o que só serve os poderosos - dizem). Ninguém citou o Expresso, página 4: «Socialistas consolidam maioria absoluta».

Demagogia?
Hoje, para demonstrar o que vale, Scolari deu rédea solta e a selecção nacional jogou "à portuguesa".