quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Até amanhã.

Ricardo Paula, À espera, acrílico sobre tela.

Piscar o olho.

O 10 de Junho deste ano será comemorado, pela primeira vez, em Setúbal. O Presidente da República não perde uma oportunidade para piscar o olho ao "povo de esquerda".

Aniversários.

Liz Taylor completou ontem 75 anos de idade, deixando atrás de si um rasto de 50 filmes e 8 maridos. Fora o resto. É uma vida em cheio!

Citações.

Extractos de O meu reino por um título!, Joaquim Fidalgo, Público, 28.02.2007
«Exemplos destes ocorrem com alguma frequência e não ajudam a credibilizar o jornalismo. Lembro um episódio semelhante em tempos, quando uma jornalista resolveu perguntar a um político se tencionava vir a candidatar-se à Presidência da República. O político respondeu que não estava a pensar nisso. A jornalista insistiu: "Mas exclui essa possibilidade?". E ele, qualquer coisa deste género: "Não excluo nem deixo de excluir. Em política, as coisas por vezes mudam, nunca se deve dizer nunca, ainda falta tanto tempo... Mas posso dizer-lhe que, neste momento, isso é questão que eu nem sequer me coloco". E a jornalista, insistente: "Mas posso deduzir das suas palavras que não exclui essa possibilidade?". E ele, meio enfadado já: "Postas assim as coisas, é claro que não excluo, mas insisto que não está nos meus propósitos, não estou a pensar nisso...". No dia seguinte, era título de jornal: "Fulano admite candidatura à Presidência da República". E assim se fabricou uma notícia. Que não era notícia, e só o foi porque a jornalista quis que fosse, forçando o político a pronunciar-se sobre um assunto, mesmo não havendo nada de concreto a dizer. Também aqui o título era formalmente correcto, mas induzia em erro.Isto de fazer títulos é uma arte difícil. Só que entre a arte do jornalismo e as artes do ilusionismo há uma distância que convém respeitar

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Ler os outros:

Quem é que fica com o troco...?!
Elvira (Tabacaria)

Closed.

1. O anunciado cansaço de Paulo Gorjão confirmou-se. Espero que o "closed" dure pouco tempo porque é indispensável, sobretudo aos jornalistas.
2. Hoje, também, o Rui Perdigão foi pelo mesmo caminho, mas estou certo que vai regressar como em todas as outras vezes.

Informação/desinformação.

Numa pastelaria de um bairro histórico, em Lisboa, hoje, à hora pequeno almoço: Cliente idosa para a empregada do balcão: - Já viu D. Catarina, os socialistas fizeram uma lei para me tirarem metade da minha reforma. Que tristeza. Como é que eu vou viver? - D. Maria, isso não pode ser. Ninguém lhe vai tirar metade da reforma. Esteja descansada. - D. Catarina, acredite. É verdade. Li ali no quiosque no Correio da Manhã. Que tristeza. Se me tiram metade dos meus 600 euros, como é que eu vou comprar os medicamentos?

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Nus e realismo socialista.

Caro Rui: ao meu último "até amanhã" – um nu de Otto Griebel - contrapões Die Internationale , uma obra do mesmo autor na pura linha do realismo socialista, entendido como a representação figurativa do “paraíso” socialista e a exaltação das classes trabalhadoras. Depois da 2ª Guerra, Otto Griebel, na RDA, encabeçou, como representante da Associação dos Artistas Plásticos Revolucionários da Alemanha, a luta contra a "ditadura do abstrato" e o "formalismo decorativo" – arte promovida pelos estados capitalistas, como então Otto dizia. Alimentada teoricamente por Georg Lukács, esta escola definiu um programa aprovado na 1ª Conferência de Bitterfeld, em 1959. A partir daqui iniciou-se a persiguição a todos os pintores "dissidentes" – aqueles que não aceitaram o colete de forças da nova escola. Mas, apesar de tudo, Otto Griebel foi (é) um grande pintor e o nu reproduzido (realismo socialista ou expressionismo pouco importa) é de grande qualidade.

Humor.

Ontem à noite vi, pela primeira vez, o “novo” programa de Herman José. Aguentei meia hora à espera que aparecesse alguma coisa com piada, mas não aconteceu nada. Não consegui esboçar o menor sorriso. É o pior que pode acontecer a um humorista: não ter piada. Esgotou-se e, parece, ainda não deu por isso.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Até amanhã.

Otto Griebel (1895-1972 )

Velhos métodos para novas tecnologias.

Não invejo os bloguistas portugueses residentes em Macau/China.

Mais livros.

Ao contrário de Reinaldo Arenas, o escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez não foi expulso da Ilha e por lá vive, escreve e publica no estrangeiro. O que é bom porque vai transmitindo o que se passa no “paraíso” castrista. Está traduzido em português (D. Quixote) o seu Ciclo Havana Central, composto pelas obras Trilogia Suja de Havana, O Rei de Havana, Animal Tropical, O Insaciável Homem Aranha e, o último, Carne de Cão. Pedro Juan Gutiérrez retrata o quotidiano do povo cubano como ninguém. Num estilo simples e directo. Deste último livro transcrevo uma cena, passada na praia de Guanabo, a qual corresponde ao estilo de vida cubano moldado por meio século de “socialismo”:
«Finalmente acabou de chover. A uns passos de mim havia um grupo de gente bêbada. Um dos homens chateou-se com a mulher. Uma gorda descomunal. O gajo disse-lhe: -Não tens nada de falar a ponta de um caralho com ninguém. Sua puta! - O caralho mete-lo tu pelo cu acima e puta é a tua mãe, marado! O gajo enfiou-lhe um estalo na cara. A gorda desatou a chorar, mas pregou-lhe também um estalo. (…) O gajo tinha quatro correntes de ouro penduradas ao pescoço, com uma medalha enorme de uma santa qualquer, o peito peludo como um urso, e uma bebedeira descomunal. Arrastava a língua e dizia: - Vou-a matar! Não tinha nada que falar com aquele negro! »

Reinaldo Arenas

.

Aos poucos a obra literária do escritor cubano Reinaldo Arenas vai sendo traduzida para português. No final de 2006 foram editados mais dois títulos: O Assalto (Ambar) e O Engenho (Antígona). Deste último transcrevo um grito de revolta saído das entranhas da Ilha do velho ditador:
« Será que ninguém sente o crepitar desesperado da Ilha onde milhões de escravos (já nem cor têm) esgaravatam inutilmente a terra? Não há nada a dizer; resta-nos derrear o corpo e fuçar. Não há nada a dizer da liberdade; aqui ou nos calamos ou morremos com um tiro. Não há nada a dizer da humanidade; aqui, ou aplaudimos ou morremos com um tiro. Não há nada a dizer dos sagrados princípios da justiça: aqui, ou prostramos o nosso corpo de escravos ou morremos naturalmente com um tiro. Assim se resumem os nossos direitos

Acontece...

Como chatear o pessoal dos parquímetros

Blogues do arco da velha (2).

Há dias referi dois blogues de autores com mais de 90 anos - uma espanhola e um sueco. Torquato da Luz enviou-me o endereço de um blogue de um português com mais de 90 anos. Trata-se de João Silva, um homem ligado ao cinema, que pelas minhas contas deve ter nascido em 1916. E como não podia deixar de ser, com muitas histórias para contar, desde as tentativas de golpes militares depois do 28 de Maio até aos episódios da sua vida profissional, como por exemplo, alguns episódios durante as filmagens de Bocage , de Leitão de Barros, em 1937. A não perder.

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Até amanhã.

Pablo Picasso, óleo sobre tela.

Martín y Sicilia

Martín y Sicilia, acrílico sobre madeira recortada.
Quando há dias escrevi um balanço telegráfico da Arco 07, anotei: pessoalmente detive-me em dois jovens: José Arturo Martín & Javier Sicilia. Hoje tomei conhecimento que: "Los artistas canarios Martín y Sicilia - José Arturo Martín y Javier Sicilia -, con su instalación “El Combate”, han resultado los ganadores de la primera edición del Premio Brugal Artistas Emergentes, un premio de adquisición convocado por primera vez en ARCO con el objetivo de contribuir a la valoración y el reconocimiento de la obra de jóvenes artistas, habiéndose preseleccionado un total de 23 artistas.» O prémio foi decidido através da votação da imprensa especializada acreditada na Feira. Mero instinto.

Gostei de ler:

«Da cegueira ao ódio: uma coisa é fechar os olhos a crimes praticados há décadas, outra bem diversa é lutar para os repetir o mais depressa possível.»
Luis Rainha (Zona Fantasma).

Citações ou maioria de esquerda (3)

Citações(2) ou maioria de esquerda(2)?

Citações.

«Eleições intercalares não são solução para Lisboa.», Jerónimo de Sousa, DN, 24.02.07.

Treinador de sofá.

Afinal, eu tinha razão.

Maioria de esquerda?

.A propósito do pedido de demissão de Romano Prodi, Daniel Oliveira disserta sobre uma questão pertinente: devem os partidos de extrema-esquerda (a terminologia é minha) participar numa coligação de Governo com a esquerda democrática se e quando a oportunidade aparecer? Participar num governo de coligação pode significar deitar o seu programa político para o caixote do lixo; não participar pode significar o degredo e a persistência na “cartilha ideológica ou o populismo de circunstância.” - Reflecte Daniel Oliveira. E, no último parágrafo destas interessantes interrogações, conclui: “a resposta às repetidas dúvidas sobre a disponibilidade da esquerda para a governabilidade é esta: depende. Depende do governo, das circunstâncias, do peso de cada um. De tudo. Mas a disponibilidade não pode ser tão pouca que o poder seja apenas uma projecto sempre adiado. Nem tanta que o programa político seja apenas um objecto decorativo. Sendo certo que um partido que não se vê a si próprio no poder não é um partido. É um hobby. E se só imagina no poder daqui a cem anos é pior que um hobby. É uma perda de tempo.” Em minha opinião, esta reflexão é eterna e peca exactamente por não ter em linha de conta a história do movimento operário internacional. Ou seja, qualquer “maioria de esquerda” governamental passa por resolver antecipadamente o diferendo ideológico entre Marx e Bernstein (Kautsky, também de certo modo). Os desenvolvimentos deste diferendo ideológico não se complementam. Opõem-se. Esta é uma questão programática e decisiva para a qual não há solução enquanto a extrema-esquerda não assimilar Bernstein ao seu património ideológico. Outra questão, menor, mas relevante é pragmática: qualquer partido socialista ou social-democrata europeu só se coliga para governar com a extrema-esquerda se estiver demasiado debilitado eleitoralmente e não tiver qualquer outra solução à mão. Junta-se a fome com a vontade de comer. Acontece, porém, nesta circunstância, que a tentação da extrema-esquerda para sobrepor Marx a Bernstein é muito grande. E lá vai tudo por água abaixo enquanto arde um fósforo. Está provado, não precisa de mais demonstrações. São dois caminhos que se distanciaram: um deu a defunta União Soviética; outro contribuiu decisivamente para a Europa democrática. Juntar estes dois caminhos é fazer um pântano.

Águias e galinhas(2) .

Eleito para um mandato de 4 anos, Romano Prodi, perante uma dificuldade, ao 9º mês de exercício do cargo, pediu a demissão sem evocar que tinha sido eleito para um mandato de 4 anos.

Águias e galinhas

A diferença entre as águias e as galinhas (aparte a frase de Lenine sobre Rosa Luxemburgo) é exactamente esta: "Marques Mendes faria bem - só lhe fazia bem - em varrer sumariamente a Câmara e colocá-la à disposição do eleitorado de Lisboa. Nem que, a seguir, avançasse ele."

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Até amanhã.

Ricardo Paula, Com a alma assim muitos dias, acrílico sobre tela.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Será notícia?

O Irão não cumpriu o prazo dado pelo Conselho de Segurança para suspender o enriquecimento de urânio, que expirou ontem - noticiam os jornais com base em informações da Agência Internacional de Energia Atómica. O fracasso da invasão do Iraque terá alguma coisa a ver com este comportamento?

Memórias ilustradas (2).

.TÓ COLANTE - um blogue a consultar.

Memórias ilustradas.

Ilustração Portuguesa: um blogue a consultar.

Uma bica...

O Rui também gosta de bicas...

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Até amanhã.

Otto Müller (1874-1930)

Romano Prodi apresentou a demissão.

Romano Prodi levou ao Senado uma moção de apoio à política externa do seu governo. A direita berlusconiana, com a colaboração da extrema-esquerda da Oliveira, a coligação que sustenta Prodi, chumbaram-lhe a moção. E porquê? A direita não quer soldados italianos na missão da NATO no Afeganistão, nem quer o alargamento de uma base militar americana em solo italiano. E a extrema-esquerda também não. Que grande combinação!

Blogues do arco da velha.

Maria Amelia nasceu em Muxía, Galiza, em 1911. Completou já 95 anos. E tem um blogue. Tem sido notícia nos jornais por ser a bloguista mais velha do mundo. Também um sueco de nome Allan Loof, com 94 anos, nascido em 1912, mantem em actividade um blogue. Boa leitura e parabéns aos autores.

Conversas de café.

Com atraso: Cappuccino e conquilhas, no Kontrastes.

Reino Unido e Dinamarca começaram a retirada.

Invadiram um país soberano em nome da luta anti-terrorista, mas hoje o Iraque é um palco previligiado do terrorismo, o que não era antes da invasão. Derrubaram um ditadura, mas não encontraram nada do que procuravam e que sustentou a "legitimidade" da invasão. Enforcaram o ditador, mas em troca atearam o caos, a guerra civil e a mortandade por anos e anos. Agora, lavam as mãos, e de rabinho entre as pernas vão começar a debandar. Uma coisa é certa: para mal dos nosos pecados o fundamentalismo muçulmano sai reforçado e com a certeza de que os EUA não se vão meter noutra tão cedo.

Citações.

Extractos de O branco e o vermelho de Ségolène Royal, Teresa de Sousa, Público, 21.02.2007. (Sublinhados meus) «O que correu mal a Ségolène nas últimas semanas? Pagou caro alguns erros e algum amadorismo? Está esgotada a fase "participativa" da sua campanha? Está de novo refém da velha esquerda socialista e das suas velhas fórmulas desacreditadas? Quebrou-se a corrente entre ela e os cidadãos?
(…) No princípio, Ségolène montou o cerco ao PS apelando às bases do seu partido e, sobretudo, às camadas populares, normalmente arredadas da esfera eleitoral socialista.(…) Nenhum compromisso e muita abertura. Foram estes os ingredientes com que estabeleceu uma corrente de confiança e de simpatia com os eleitores, que a colocaram persistentemente no topo das sondagens e lhe deram de mão beijada a impossível vitória sobre os "elefantes" do seu partido. O que viria a seguir seria necessariamente mais exigente.
(…) Quando finalmente apresentou, no dia 11 de Fevereiro, o seu programa político, a dama de branco envergou o tailleur vermelho. Guinou à esquerda, regressando às velhas panaceias socialistas. Deveria ter sido o momento de contrariar as críticas ao tom demasiado vago do seu discurso. Tudo acabou por resumir-se num elenco de promessas sociais - da subida do salário mínimo e das pensões mais baixas, às melhorias salariais generalizadas, passando por toda a espécie de ajudas aos jovens à procura de um primeiro emprego, pela garantia de habitação, pelo velho "assistencialismo" (que ela própria condenou) do nascimento à morte. Mais do mesmo.
(…) No Monde, o filósofo Yves Michaud, apoiante de Royal, diz que o seu maior problema "é estar refém da esquerda". Esqueceu, por exemplo, "a relação entre direitos e deveres", que foi uma das suas principais diferenças, para "só prometer direitos". Evitou cuidadosamente as questões da ordem e da segurança com que, antes, tinha incomodado a doutrina politicamente correcta dos socialistas. Deixou espaço ao candidato da UDF, François Bayrou, e esqueceu a máxima de que as eleições se ganham ao centro.
(…) Qual é a verdade de Ségolène: a da primeira etapa, das suas intuições, ou a do seu programa? Le Boucher admite que a candidata não pode avançar sozinha no seio de um partido voluntariamente "fechado na esterilidade intelectual".Muitos analistas explicam também a sua viragem à esquerda com a necessidade de fixar os eleitores de PS e, sobretudo, de secar a habitual miríade de candidatos de protesto (do PCF aos trotskistas, passando pelos altermundialistas) que normalmente se situam à sua esquerda. Lembram que foram eles que minaram a candidatura de Lionel Jospin em 2002 e lhe infligiram, a ele e à França, a suprema humilhação de ver Jean-Marie Le Pen passar à segunda volta. A questão é saber se Ségolène consegue seguir esta via na primeira volta sem alienar o capital de simpatia que conquistou muito para lá do eleitorado fiel da esquerda

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Tortura e silêncios cúmplices (2) : em Outubro passado escrevi isto. A primeira decisão judicial já foi proferida. Há factos que é preciso ir apanhá-los ao fundo do poço!

Pequeno balanço.

(Las tentaciones de José y Javi, acrílico sobre tela).
Terminou ontem a 26ª edição da Feira Internacional de Arte Contemporânea de Madrid. A Arco nunca desilude, mas este ano nada me fez abrir a boca. Nota-se cada vez mais o peso da fotografia, com utilização das mais variadas técnicas - sinal dos tempos e das tecnologias. Um decréscimo das instalações e uma clara falta de inovação na arte abstrata. Gostei dos trabalhos dos artistas coreanos em geral. Pessoalmente detive-me em dois jovens: José Arturo Martín & Javier Sicilia, na Galeria Ferran Cano (obra reproduzida em cima). A cobertura jornalística dos principais diários de referência de Espanha faz parte do sucesso de público. Última nota para a qualidade das obras apresentadas pelas galerias portuguesas, o que parece ter tido reflexos nas vendas. No Centro de Arte Reina Sofía interessantes exposições do coreano Kiwon Park e do norte-americano Chuck Close. Para o ano há mais.

Carnaval.

.

Scarlett Johansson (via E DEUS CRIOU A MULHER )

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Os novos ditadores.

Volto a António de Oliveira Salazar, cuja memória não oferece qualquer perigo para a democracia e nada obsta a que seja devidamente enquadrado no plano histórico. Aliás, é esse o entendimento de Fernando Rosas, quando faz de académico, a propósito de Salazar, o homem e a sua obra (Entrevistas de António Ferro a Salazar, Parceria A. M. Pereira, 2003): “Já não pode ser um livro de propaganda. Transformou-se, com a erosão do tempo, numa fonte histórica. Provavelmente no “livro de História” que Salazar, ao iniciar a conversa com Ferro, em Setembro de 1938, previa que ele pudesse vir a ser”. Volto a Salazar porque, à míngua de uma extrema-direita digna desse nome, é a extrema-esquerda bloquista que assume parte da herança salazarista, apesar das raízes ideológicas e a intolerância congénita mergulharem no totalitarismo comunista. Há dias, a propósito de um programa de televisão, em que alguém fez a defesa de Oliveira Salazar, Daniel Oliveira, em tom censório, de lápis vermelho na mão, pediu que tal não se viesse a repetir: “A RTP é um canal público que deve defender os valores do Estado Democrático. Não é nem tem de ser neutral nesta matéria.” – Escreveu. Hoje, Joana Amaral Dias, no DN, sustentada no mesmo suporte ideológico, antes do Ministério Público proferir acusação e, sobretudo muito antes do julgamento a que qualquer cidadão tem direito num Estado de Direito Democrático, proferiu já a sentença, como nos tribunais plenários: “atolada no lodo da corrupção e das traficâncias, a maior autarquia é uma intriga de máfia medíocre.” A situação na Câmara de Lisboa tornou-se insustentável politicamente, como aqui já escrevi. Mas daí à arruaça de rua bloquista vai um abismo. E sobre Salvaterra de Magos? A Dra. não escreve? Pois… Digo: se, daqui a um ou dois anos, os Tribunais se decidirem pela inocências dos arguidos, é preciso cobrar a esta gente estas “condenações” sovietizadas; é preciso, então, puxar o autoclismo.

Revistas de cinema.

.

O deserto.

«Visto à distância, Júdice diz mais ou menos isto: não vale a pena estar no partido, uma vez que José Sócrates ocupou o espaço do PSD. Na verdade, o que o PS de Sócrates ocupou, e bem, não foi o espaço político do PSD mas sim o deserto que o PSD deixou criar à sua volta ou até no seu interior. Nada que não mereça.»
Francisco José Viegas, JN, 19.02.2007.

Referendos.

A Andaluzia foi ontem a votos num referendo destinado a alterar o Estatuto Autonómico. A participação esteve pelas ruas da amargura: 36% de votantes. O SIM ganhou com 87,4 %, contra os 9,4% que votaram NÃO. Neste caso, a previsão da esmagadora vitória do SIM pode ter a ver com a elevada abstenção mas, de qualquer modo, não é só por cá que, nos referendos, a abstenção atinge números elevadíssimos. Até ao momento, ninguém teve o desplante de somar a abstenção aos votos do NÃO e reclamar a “ilegitimidade” dos resultados.

Até amanhã.

O impressionismo russo, sucede ao realismo socialista: Konstantin Lomykin (1924 -1993), 1980, Pastel on Board, 90cm x 70cm

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Realismo socialista

Yakov Kirichek (1925 - 2000) 1970Oil on Canvas180 x 160cm.

Moda: vem aí a Primavera.

Arrumações.

Aproveito o fim de dia de Domingo para arrumar papéis soltos, todos eles seguramente com mais de 10 anos. Encontrei um que me foi enviado durante uma reunião, provavelmente partidária, cuja letra não reconheço, e que reza assim: «A teoria é tudo saber e nada fazer. A prática é tudo fazer sem saber porquê. Aqui, a teoria e a prática estão reunidas. Nada se faz e ninguém sabe porquê

Citações.

.

(José Arturo Martín & Javier Sicilia, óleo sobre tela.)
Sobre arte, texto de MANUEL VICENT, El País, 18/02/2007.
«La esencia de la pintura moderna consiste en que su energía se expande más allá del marco por la pared donde está colgada; desde la pared se apodera del espacio, impregna todo el aire y a través de la piel penetra en el alma del espectador apasionado para convertirlo también a él en una parte de esa obra de arte. Visto así, la pintura moderna exige que su amante esté a la altura todas las horas del día porque su energía no se agota al final de una inauguración o de la visita a un museo o al formalizar la compra de una obra en cualquier galería o subasta. Una vez colocada en casa la pintura moderna exige a su dueño que se comporte como tal y lleve una vida estética. El cuadro emite una onda magnética que no debe quebrarse. No se puede tener en la pared un lienzo de piscinas californianas, con cuerpos solares entre hamacas y refrescos frutales, del pintor David Hockney y meterse en su presencia entre pecho y espalda un cocido con garbanzos, tocino, chorizo y morcilla. Aunque el arte moderno parezca frívolo, ingenioso e inane, muchas veces lleno de impostura, no obstante, es profundamente ascético hasta llegar al sadismo. Si quieres vivir de acorde al fluido que emite la Modern Tate Gallery de Londres o el MOMA de Nueva York deberás llevar un botellín de agua mineral en una mano y en la otra una manzana para roerla como una ardilla en el parque. Todos los años, en la inauguración de la feria de ARCO me fijo en la expresión del rostro del rey Juan Carlos ante una escultura vanguardista, un montaje cibernético o una instalación. Aquella cara que al principio ponía de incredulidad o de tomadura de pelo a un punto de la carcajada se ha ido atemperando a la sensibilidad de los tiempos hasta acomodar su rostro a la descarga que recibe. Cuando uno sale de MOMA o de la Modern Tate Gallery, de la feria de Basilea o la FIAC de París descubre que la energía concentrada en esos espacios continúa en la calle donde la gente también vive la modernidad de forma natural. En cambio, en los primeros años, al abandonar el recinto de ARCO, uno se encontraba con un barranco insalvable. Pasabas directamente de una materia de Tapies a la Violetera de Álvarez del Manzano, del refinamiento morboso de Francis Bacon a unas calles de Madrid llenas de excrementos de perro. Ya no se puede decir lo mismo. Al fin de cuentas el arte de hoy es un calzador que te obliga a meter el pie lleno de callos y juanetes en la sensibilidad de la vida moderna. Arte de vanguardia es el que haría ahora con ordenador Velázquez si viviera

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Lisboa

É sobejamente evidente que, em Lisboa, o executivo municipal eleito nas últimas eleições autárquicas, há pouco mais de um ano, não tem condições políticas para levar o mandato até ao fim. E, se isso acontecer, por cumplicidades várias, Lisboa ficará irreconhecível - quase uma cidade mártir como Bagdade ou Beirute, se me permitem o exagero. Mas não devemos esquecer que, neste caso concreto, somos todos responsáveis: eleitos e eleitores, desde as eleições de Dezembro de 2001.

Pequenas viagens

Uma pessoa mete-se no carro, ao fim do dia, e ruma a Madrid, com jantar em Trujillho, para cumprir uma rotina de 25 anos: ir à ARCO. Chega tarde e vai dormir tranquilamente. De manhã, acorda. Procura na Net se há notícia e é submerso numa avalanche de acontecimentos: Lisboa treme e definha, com direito a conferências de imprensa, reuniões e muitos silêncios. Como se isto fosse pouco, ainda tomo conhecimento de um golpe de Estado no DN e no 24 Horas. Assim, tudo de rompante, às 10 da manhã, mal se liga o computador. Já não se pode sair de casa.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

ARCO ' 07, Madrid.

A partir de hoje e até Domingo há ARCO '07, Madrid.
(Imagem: Jung Woong Lee, Óleo sobre papel, Gana Art Gallery, uma das galerias coreanas presentes).

Citações

A Igreja, a direita e os valores: «Embora a esquerda, com o seu incurável optimismo, se refugie, mais uma vez, no improvável progresso da história para saudar efusivamente a entrada de Portugal no século XXI, só muito dificilmente o mapa eleitoral deste fim-de-semana se presta a este tipo de simplificações. Nem o distrito de Braga, onde ganhou o "não", se pode tomar como um exemplo de "arcaísmo" e de "ruralidade", nem o Alentejo, pobre e desertificado, preenche os requisitos mínimos que se exigem à "modernidade" (...) A partir de agora, a "direita dos valores", se quiser representar a direita, vai ter de repensar esses mesmos valores
15.02.2007, Constança Cunha e Sá, Público.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Top 99 women 2007.

Para Daniel Oliveira a televisão ainda devia ser a preto e branco, como no tempo de Oliveira Salazar e de Leonid Brejnev . Quando ele descobrir que já estamos no século XXI e que agora é tudo a cores até se passa.

(classificação: 1ª Beyonce ; 2ª Scarlett Johansson ; 3ª Jessica Alba. Confirmei até ao último classificado e respectiva pontuação. Garanto que até ao 99ª o nome Salazar não consta, nem sequer o do hermano Fidel).

Empresários bons são aqueles que...

«No ano passado, vários empresários norte-americanos consideraram o bloqueio e a política externa da Casa Branca em relação a Cuba desajustada e improcedente
Avante, 8.02.2007

Ditadores e ditaduras.

.

Na sequência do programa televisivo “Grandes Portugueses” veio mais intensamente à baila o nome do nosso ditador mais conhecido, António de Oliveira Salazar. Aliás, na última década muitos livros foram editados sobre o homem, uns mais apologéticos, outros mais críticos, uns mais factuais, outros mais ideológicos. E tenho na minha estante, para além de outros, uma excelente fotobiografia de Salazar, da autoria de Fernando Dacosta, editada em 2000, como tenho Fidel Castro, biografia a duas vozes, de Ignacio Ramonet, recentemente editado pela Campo de Letras. Há quem considere que o ditador Oliveira Salazar deve figurar entre os “grandes portugueses”. Não estou de acordo, obviamente. Não vou agora e aqui aduzir as razões do meu obviamente mas, apesar da minha opinião, não posso deixar passar em branco que muitos dos que dizem cobras e lagartos dos “defensores” do nosso ditador como um “grande português” escondem as suas simpatias actuais (ou relativamente recentes) por outros ditadores, dos quais enumero: José Estaline, Nikita Khrushchov, Leonid Brejnev, Andropov, Tchernenko, Honneker, entre outros, para citar apenas ditadores mortos. Mas, continuam a morrer de amores por ditadores vivos e no poder: Fidel Castro, Mahmoud Ahmadinejad e Kim Jong-il, por exemplo. Ou alimentam a esperança de que Hugo Sànchez substitua, na América Latina, o retirado Fidel Castro. Não merece crédito a voz de quem se “indigna” com esta brincadeira televisiva sobre o Salazar, como se o homem pudesse, a qualquer momento, sair da tumba para nos prender a todos e nos lançar na miséria, quando se mete debaixo do tapete as simpatias por ditadores e ditaduras que, de facto, aprisionam e lançam na miséria milhões de pessoas. Essa história dos ditadores de esquerda serem “melhores” que os ditadores de direita cheira a história da carochinha ou, pior ainda, a má consciência. Atirar pedras com tantas paredes de vidro é pecado! (Corrigido)

Gostei de ler.

«O estilo Sócrates, o estilo Vital», do Pedro Correia (Corta-fitas)

São Valentim

Boa vida, boa mesa.

O Cogumelo Mágico, a ervanária especializada que, há dias, abriu em Aveiro, encerrou por «ruptura de stock».

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Até amanhã...

O Lauro António, durante uns dias (os que antecederam a votação de Domingo), mostrou cinco imagens das que fazem o meu "Até amanhã". Lançou também um desafio para identificar cada obra e cada autor. Hoje, finalmente, explicou a motivo do seu post: uma homenagem à mulher e porque era importante votar pela liberdade. Bem-haja Lauro António e até uma das próximas tertúlias no Vá-Vá.
(Lauro: qual é o autor desta obra? Acrílico sobre tela 130x90 e o original pertence à minha colecção).

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Gostei de ler

«ontem, noite, avenida, liberdade, teatro».

Hoje, alguém acordou assim?

... há muitos anos que não sei o que é ter os cabelos em pé, por isso, não entendo como é possível alguém, hoje, precisamente hoje, acordar assim, como a anunciar um terramoto...
(foto: Isaac Madera)

Patetices.

Só agora li o artigo de Luis Delgado no DN de hoje. Seguindo o fio do seu “refinado” raciocínio, direi: em 1998, a Assembleia da República, no quadro das suas competências legislativas, aprovou uma lei de despenalização do aborto. António Guterres, primeiro-ministro, e Marcelo Rebelo de Sousa, presidente do PSD, urdiram a tese de que tal lei só deveria entrar em vigor depois de ser referendada. Ora, como essa consulta de 1998 não foi vinculativa, o que seria normal era ter entrada em vigor a lei aprovada na Assembleia da República. Mas não foi, no respeito pela vontade maioritariamente expressa. Evocar-se, hoje, o inverso é patético. A dúvida que me fica é se Delgado é mesmo patético ou se acha que lhe coube em sorte representar esse papel.

Grandes portugueses constituem governo*

1º Ministro - D. João II M. Finanças - Salazar M. Defesa - Afonso Henriques M. Obras Públicas - Marques de Pombal M. Interior - A. Cunhal M. Cultura - F. Pessoa M. Educação - Camões M. Transportes - Vasco da Gama M. Justiça - Aristides Sousa Mendes M. Negócios Estrangeiros - Infante D. Henrique

(*Recebido por e-mail).

Minguante nº 4

Já saiu. Ver aqui.

Novidade

O Público hoje aparece renovado. Gostei.
«A generalização da banda larga pulverizou radicalmente os canais de distribuição da informação. O surgimento dos blogues alargou o espectro do debate público. A facilidade de colocar na rede textos, sons e imagens dessacralizou a função dos jornalistas e alterou irremediavelmente a superfície de contacto entre a informação e os seus destinatários. A pressa da vida moderna nem sempre tolera espaço e tempo para o prazer de ler jornais. Num ápice, constatámos que qualquer alteração incremental redundaria numa mera atitude de resistência e estaria condenada ao fracasso. » Editorial, Público, 12.02.2007.