segunda-feira, 30 de abril de 2007

Leituras.

«Los diversos sectores políticos que han gobernado Venezuela en el último medio siglo (...) presuadidos de que tenían en sus manos un magnífico instrumento para superar de raíz el estado de pobreza en que o país, decidieron utilizar os ingresos fiscales petroleros para emprender un proceso de modernización amplio e sostenido. Se desarrollaron, en consecuencia, sistemas de educación y salud caracterizados por la prestación pública y centralizada de tales servicios, se creó o seguro social, se realizaron planes de viviendas y se intentó transformar al campo mediante una refforma agraria. Durante un largo período se pensó que el Estado era el dador de bienes que podía alterar radicalmente la composición social del país. Los años, como sabemos, han mostrado que os resultados no fueron los previstos

(Carlos Sabino, de cómo un estado rico nos llevó a la pobreza, 1994)

sábado, 28 de abril de 2007

Treinador de sofá.

Pois ...pois... equipa de matraquilhos. Já ouvi o uso de outros sinónimos para «tremideira».

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Ainda há essa coisa do segredo de justiça?

»Fonte judicial» informou a comunicação social que Carmona Rodrigues ia ser constituido arguido no processo Bragaparques. Também, segundo o Público: «Fonte judicial avançou, por sua vez, que o autarca deverá ser confrontado com factos que indiciam prevaricação e participação económica em negócio, quando for ouvido pelo Ministério Público.» Já ninguém se escandaliza que sejam »fontes judiciais» a alimentar a comunicação social e a marcar as agendas noticiosas?

Debate parlamentar.

Não assisti ao debate parlamentar de hoje, mas confio sem reservas no retrato feito Pedro Correia. Aliás, a descrição encaixa nos objectivos de Paulo Portas: «transportar» o CDS-PP para o centro-direita. Paulo Portas pode não atingir os seus objectivos, mas não será por falta de ajuda de Marques Mendes.

Arguidos bons e arguidos maus.

Ao instalar-se o uso da «constituição de arguido» como arma de arremesso político, o PCP e o BE classificam os arguidos em bons e maus, a partir de critérios políticos e não dos ilícitos criminais em investigação. Arguidos bons são os do PCP e do BE: eles defendem os «trabalhadores» e o «povo» dos capitalistas, e só leis feitas por «capitalistas» podem incriminar do que quer que seja os seus representantes; arguidos maus são todos os outros porque estão ao serviço do «capitalismo» e da «reacção». O raciocínio é sobejamente primário, mas faz escola na comunicação social.

Pegou a moda...

A presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, foi hoje constituída arguida. Entre a constituição de arguido e a transição em julgado de uma sentença condenatória vai um abismo. Mas, por razões políticas, o PCP, o BE e Marques Mendes, lançaram lama sobre todo e qualquer autarca que seja constituido arguido num qualquer processo de investigação. Agora a lama começa a cair-lhes em cima!

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Até amanhã.

Controlo da comunicação social.

Neste momento, às dez e meia da noite, é noticiado que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carmona Rodrigues, vai (foi) ser constituido arguido. A SIC Notícias dá a notícia e quem entrevista sobre o assunto? O representante do Bloco de Esquerda, um tal Sá Fernandes, o qual, entre os vereadores eleitos, foi o que recolheu menos votos dos lisboetas. Então e os representantes do PS, do PCP e do CDS? Controlo da comunicação social - dizem eles.

Notas soltas.

1. - «Ninguém chora pela morte dos lacaios. A não ser que, com lágrimas de crocodilo, pretendam os patrões encorajar novos lacaios a servi-los com a mesma perfeição que os defuntos. » LeandroMartins, Avante, 26.Abril.2007 (Referindo-se a Boris Ieltsin).
2. - Marie-George Buffet, candidata do Partido Comunista Francês, recolheu 1,9% dos votos dos franceses na primeira volta das eleições presidenciais.

Exportações.

Portugal especializou-se na exportação de ex-primeiros-ministros e ex-presidentes da República para o desempenho de cargos em instituições internacionais. Esta especialização é sinal de que não temos a menor influência no contexto internacional, apesar de ser vendido o inverso. Depois de António Guterres e Durão Barroso coube a vez a Jorge Sampaio ser nomeado o primeiro alto representante da ONU para o Diálogo das Civilizações. O problema é que estas exportações, ao contrário do concentrado de tomate e das conservas de atum, não ajudam a equilibrar a balança de pagamentos.

Citações.

Uma cooperação pouco estratégica, Constança Cunha e Sá, Púlico de hoje:
«Seria curioso reler, agora, os inúmeros textos apologéticos que se escreveram, há um ano, quando o actual Presidente da República se estreou, no Parlamento, com um discurso frouxo e demagógico sobre a "exclusão social". Da habilidade táctica do orador, à importância única do tema, passando pelos efeitos grandiosos dessa sua primeira intervenção, tudo foi devidamente escalpelizado pelo entusiasmo fácil dos que se deixam levar pelos altos desígnios que supostamente animam a retórica de um homem providencial. Basta lembrar que houve quem considerasse que esse piedoso conjunto de banalidades era o mais importante discurso que alguma vez havia sido feito depois do 25 de Abril!Com o tempo, o entusiasmo naturalmente esfriou: os "roteiros" sobre a exclusão acabaram por se diluir numa série de iniciativas inconsequentes, polvilhadas de boas intenções e de lugares-comuns inevitáveis; e a "cooperação estratégica", essa prometedora inovação presidencial, tem brilhado secretamente nos bastidores do Estado, sem quaisquer resultados visíveis que se possam avaliar. Já, as recomendações públicas que acompanham invariavelmente a promulgação de algum diploma mais controverso, o Governo faz o favor de as ignorar, como aconteceu, presentemente, com a lei sobre o aborto, ou, no passado, com a colecção Berardo.Não é, portanto, de estranhar que, um ano depois da sua "fulgurante" estreia, o Presidente se tenha apresentado, ontem, na Assembleia da República, com umas dúvidas soltas sobre as comemorações do regime e umas frases comoventes sobre os jovens de sucesso que ele, para surpresa dos portugueses, encontra, por aí, prontos a ser observados, em todas as esquinas do país. É natural que alguns exegetas, atentos a todos os "sinais" emitidos de Belém, descortinem dois ou três "recados" cirúrgicos numa intervenção que se distinguiu pela irrelevância das dúvidas e pela vacuidade das considerações. Infelizmente, o discurso do Presidente da República, por si só, encarrega-se de diluir higienicamente qualquer significado político que lhe queiram, à viva força, atribuir

quarta-feira, 25 de abril de 2007

25 de Abril de 2007

Um dia perfeito!

25 de Abril de 2007

Faz hoje 33 anos, às 8 da manhã, entrei a porta de armas da Escola Prática de Serviço de Material, em Sacavém, onde prestava serviço militar obrigatório. Aí fiquei durante os dias seguintes a seguir os acontecimentos pela televisão e a destituir o comandante que, encerrado no seu gabinete, no dia 26 ainda não se tinha decidido para que lado havia de cair. Só saí do quartel no dia 30 de Abril integrado na «força militar» que foi para Caxias «guardar» os agentes da pide que começaram a ser presos. Aqui, com o meu amigo Casanova, um anarco-comunista natural do Couço, divertimo-nos pelas madrugadas dentro a vasculhar os milhares e milhares de livros e discos apreendidos e a suripiar um exemplar de cada. Percorri, um a um, os gabinetes dos «chefes» da polícia, as salas de interrogatórios e os arquivos: tinha curiosidade em saber o que estava anotado a meu respeito num processo que tinha levado à prisão, no dia 7 de Abril de 1973, alguns dos meus amigos políticos. Só a 4 ou 5 de Maio, finalmente, conseguir percorrer as ruas de Lisboa e respirar os novos ares. Agora, 33 anos depois, vejam lá se comem a sopa e se se decidem a fazer disto uma democracia decente.

25 de Abril de 2007

Pelo segundo ano temos: Um presidente, Uma maioria, Um governo, defraudando quem elegeu Cavaco Silva como lider da oposição.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Boris Ieltsin.

Boris Ieltsin – um homem dos montes Urais – estava completamente esquecido até que a morte o devolveu à ribalta por uns dias. Contudo, foi um dos protagonistas da implosão da União Soviética e do império soviético. (Não esquecer que dirigia o partido em Moscovo nos anos de Gorbatchov). Teve o mérito de ser o primeiro presidente eleito na Rússia, ainda enquanto República Soviética, mas sobretudo teve o mérito de, a 18 de Agosto de 1991, enfrentar as velhas múmias comunistas e impedir o seu regresso ao poder. Foi obra!

Até amanhã.

George Grosz (Dadaist/Expressionist) - Berlín 1893-1959

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Thinking blogger award.

O André, o Eduardo e o Rui entraram no jogo do «thinking bloggers award...». E meteram-me ao barulho, o que, pese embora a dificuldade de me passarem para cima uma escolha sempre difícil, não deixo de anotar a simpatia. Não sou demancha-prazeres e como diz o Eduardo:«e eu, que sempre fujo deste tipo de jogos, desta vez, deixei-me apanhar. Uma vez não são vezes.» Ou com escreve o André, isto exige ser, citando Céline... «Punheteiro, tímido, intelectual e tudo...!»Para além disso, se por cada um tivesse, para manter a corrente, enumerar cinco blogues, em bom rigor, teria que citar quinze. Mas, isso seria um exagero. Obrigado voluntariamente a escolher, escolho: Tugir, Vida das Coisas, Contra Capa, MissPearls e Portugal dos Pequeninos (pensavas que te escapavas). Agora armem-se em finos!

Livros.

Casa Fernando Pessoa: das 10h às 24h. Descontos entre 50% e 80%. Livros a partir de 1 euro.Muitos títulos; todos os géneros.

domingo, 22 de abril de 2007

Ler os outros.

«Estarrecida ...» de Cristina Vieira (Contra Capa).
«CDS-PP», de Ana (ana de amesterdam).
««Cuidado», de José Medeiros Ferreira (Bicho Carpiteiro).
«Afinal, as comissões parlamentares podem servir para alguma coisa», de Alexandre Guerra (O Diplomata).

Eleições presidenciais francesas.

Já foi anunciado o óbvio. Não houve surpresas, a não ser a participação dos franceses. O candidato da direita, Sarkozi, vencerá esta primeira volta com 30 por cento dos votos. Ségolène, a candidata socialista, terá uma votação a rondar os 25 por cento. François Bayrou deverá obter um resultado à volta de 17 por cento. É o que diz a televisão belga RTBF e Sky News.

Blogosfera.

«A blogosfera começa a ter um peso enorme na actividade política, especialmente nos Estados Unidos. É a verdadeira consciência crítica da actividade política
Pedro Magalhães, no programa de Rolo Duarte, aqui no podcast. (Via João Miranda).

Pela boca morre o peixe.

Pela amostra, Pela boca morre o peixe, de João Pombeiro, promete ser um livro de cabeceira: uma recolha que dá dores de cabeça a quem meteu a boca no anzol.

CDS-PP: um grande partido de centro-direita?

Paulo Portas regressou à liderança do CDS-PP. «Se fosse para fazer mais do mesmo, não estaria aqui.» – Disse na conferência de imprensa desta manhã. O seu objectivo é fazer do CDS-PP «um grande partido de centro-direita». E garantiu que: «Se conseguirmos nada ficará igual na política portuguesa.» Trocado por miúdos quer dizer que Paulo Portas «descobriu a pólvora»: através do discurso, dos temas, e dos alinhamentos, tipo catavento, mas sobretudo com o PS, ele vai querer entalar «ideologicamente» o seu partido entre o PSD e o PS afastando-o da conotação de partido à direita do PSD. Se o conseguir – pensa ele – será eternamente um partido de governo, ora com o PDS, ora com o PS. Porque isto de maioria absoluta de um só partido não é coisa frequente. Depois, é só esperar pela «circunstância política» que lhe permita encher eleitoralmente com o eleitorado «centrista» daqueles dois partidos. Desenhada no papel, esta «estratégia» parece fazer sentido (do ponto de vista do pragmatismo político, porque do ponto de vista ideológico Portas está a vender a alma ao diabo). Mas tem um senão: Paulo Portas.

Exemplos...

«Mas não vos preocupeis, seria incapaz de seguir o seu exemplo

(Última frase de O Homem Sentimental, de Javier Marías).

Ficções.

Havana, Abril de 2037. Hoje, num programa de diversão da TV Cuba, Fidel Castro foi eleito o «Grande Cubano», tendo ficado confortavelmente à frente de José Martí. Esta «eleição» veio dar alento a alguns intelectuais saudosistas e a pequenos partidos de extrema-esquerda que frequentemente elogiam as características pessoais do antigo ditador em oposição aos políticos que protagonizam a nossa democracia.

sábado, 21 de abril de 2007

Socráticos, sofistas e vice-versa.

Está na moda a direita democrática defender Salazar e o salazarismo por dá cá aquela palha. Não tenho nada contra porque tenho a convicção que, em termos ideológicos (e políticos) essa é a melhor maneira de não saírem da cepa torta. (Aliás, com as devidas diferenças, tem o mesmo efeito prático que exaltar as personalidades de Hitler, na Alemanha, de Estaline, na Rússia ou Ceausesco, na Roménia, por exemplo). E os resultados estão à vista, agora, e a médio-longo prazo. Mas passemos à frente porque esta conversa dá pano para mangas. Vem esta pequena lenga-lenga a propósito do despropósito de Jorge Ferreira ter aproveitado uma opinião de Eduardo Pitta sobre um artigo do Público para repetir a falácia de que Salazar é que era bom, e até «era mesmo Doutor em Direito com diploma direitinho e cadeiras regularmente concluídas com avaliação e aproveitamento». Há aqui uma demagogia à flor da pele. Pela minha parte não consigo perceber quais os critérios que levam à condenação do castrismo e ao elogio do salazarismo. Eu não os consigo distinguir.

Forma e substância.

A substância atravessa séculos; a forma perde-se na espuma dos dias. A prova está na frase de Sócrates (o Ateniense, obviamente) «só sei que nada sei» que, mesmo sem ter conhecido a forma escrita, atravessou, para já, quase dois milénios e meio - vinte e cinco séculos!

Esta noite...

Pelas indicações de bar de hotel, o síndroma de Maria Callas vai regressar ao CDS/PP.

A encher o ouvido.

Five Tango Sensations, Kronos Quartet com Astor Piazzolla (1991).

Citações.

«José Sá Fernandes Vereador da Câmara Municipal de Lisboa. Dois anos depois do previsto o túnel do Marquês em Lisboa abre finalmente. Nesta altura já poucos se lembram dos episódio causados pelo agora vereador da Câmara Municipal de Lisboa, eleito pelo Bloco de Esquerda, que, por sua acção, levou a que as obras estivessem paradas por várias vezes. É difícil calcular o quanto isso custou, mas muitos dos milhões dos desvios deviam ser facturados directamente ao cidadão José Sá Fernandes
(Em baixa, Expresso, 21.04.2007.)

Diálogos absurdos (10).

- Sabes que Pina Moura foi nomeado para a Administração da Média Capital? - Sei. O governo não tem vergonha. Só nomeia socialistas para as empresas públicas.
- Empresa Pública? Mas a Média Capital não é do Belmiro?
- Não faças confusões. Do Belmiro é o Público.

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço.

... ou: ele que nunca pecou atirou a primeira pedra.

(outros exemplos aqui)

Diálogos absurdos (9).

- Mãe, porque é que eles não querem o Sócrates no Governo? - Porque não é Engenheiro. - E se o Sócrates se for embora quem é que vem? - O Marques Mendes. - Esse é Engenheiro?

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Burocracia e sentido de humor.

De antologia: eu não sou Engenheiro: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Iraque.

«Acredito que essa guerra (No Iraque, obviamente) está perdida e que o envio de reforços não levará a nada, como mostra a extrema violência que se viu no Iraque esta semana. Sei que ontem fui o dissidente na Casa Branca, mas pelos menos disse-lhe (a Bush, obviamente) o que precisava ouvir, não o que queria ouvir»
Harry Reid, líder dos Democratas no Congresso norte-americano.

Engraçadinhos...

Diz-se por aí – línguas viperinas, certamente – que Monica Levinsky está a viver em Portugal, envergando uma opa para se disfarçar, mas desejosa que o público a reconheça.

Palavras...

«Muitos anos depois Beckett diria que até as palavras nos abandonam e com isso fica tudo dito
(Última frase de Bartleby & Companhia, de Enrique Vila-Matas.)

Diferenças fundamentais.

É verdade! Pensei o mesmo quando ouvi. Naquela circunstância, podia ter dito:«já nada me espanta».

A Mancha humana.

«Foi o Verão em que, pela milésima milionésima vez, a bagunça, o caos e a confusão demonstraram ser mais subtis do que a ideologia deste e a moralidade daquele. Foi o Verão em que o pénis de um presidente esteve na cabeça de toda a gente e a vida, em toda a sua despudorada obscenidade, confundiu uma vez mais a América.»
Philip Roth, A Mancha Humana (citado por Eduardo Pitta(Da Literatura).

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Paradoxos à portuguesa.

- Diga senhor Engenheiro.
- Não me chame Engenheiro. Eu sou Engenheiro, mas também sou Técnico e também sou Civil. Por isso, chame-me Engenheiro Técnico Civil, se faz favor. Nada de facilitismos senão um dia ainda dizem que deixei que me tratassem só por Engenheiro.

Ler os outros.

«... verdadeiramente bombástico, nos próximos dias, seria outro desfecho que não a confirmação do encerramento imediato da Universidade IndependentePaulo Gorjão (Bloguítica).

Citações.

Extracto de Clinton, Sócrates e os media, de Teresa de Sousa, Público de 18.04.07.. (Sublinhados meus).
«Acompanhando com alguma atenção o essencial do caso que domina, nos últimos tempos, a vida nacional, direi que, quando tudo isto se começou a avolumar e quando muita gente começou a ter a boca cheia da palavra "carácter", me veio inevitavelmente à mente o caso do Presidente Bill Clinton. O último, quero dizer, porque houve vários. O chamado "caso Lewinsky". Durante meses a fio, a imprensa, incluindo a de qualidade, concentrou os seus recursos e o seu espaço noticioso no caso. Deixou de haver mundo para lá das mentiras do Presidente sobre as suas relações com a célebre estagiária da Casa Branca. A imprensa arrasou-o. Os republicanos agarraram o osso e nunca mais o quiseram largar até à tentativa de impeachment. A direita religiosa e conservadora aproveitou para se vingar de um Presidente que representava tudo aquilo que ela odiava. O procurador Kenneth Starr transformou-se num símbolo da moral pública. Cada um fez o seu juízo do Presidente americano. Eu fiz o meu e devo confessar que não mudei de opinião, mesmo perante a palavra "perjúrio". Já na altura estava convencida que ele era um grande Presidente para os americanos e para o mundo, em geral. Hoje acho precisamente o mesmo (eu e mais 70 por cento dos americanos e muito boa gente que dizia dele cobras e lagartos). Mas a verdade é que a segunda metade do seu segundo mandato ficou afectada pelo escândalo. A imprensa e a oposição quase não o deixavam respirar. Tudo o que ele fazia ou decidia era interpretado lewinskianamente. Por exemplo, quando decidiu bombardear uma base da Al-Qaeda no Afeganistão depois dos atentados contra as embaixadas americanas em África, muita gente achou por bem dizer que era para desviar as atenções. Perdeu tempo e energias, o que ajudou George W. Bush a ganhar as eleições e foi o que se tem visto. (...)
Mas não há nada pior do que transformar a moral e o carácter em noções abstractas que alguns iluminados têm o direito de definir. Não há nada pior do que a república dos impolutos e dos justiceiros.»

terça-feira, 17 de abril de 2007

Triste país (5).

Este país é uma canalhocracia feita de gente invejosa, mesquinha e maledicente, onde 32 mortes numa escola no estrangeiro é encarado de uma forma mais branda do que uma chapada que a D. Alzira, que saiu mal disposta da barraca onde vive, enfiou na professora primário do filho. Não se trata de um privilégio de ninguém, atravessa indiscriminadamente todas as classes sociais, ricos e pobres, cultos e analfabetos – é o modo de estar deste triste povo desde a batalha de S. Mamede.

Triste país (4).

Em que se substitui o essêncial pelo acessório.

Triste país (3).

Em que não se distingue um pecado geracional de um pecado pessoal.

Triste país (2).

Em que o striptease substitui a luta política.

Triste país.

Em que a chantagem pública e notória já não indigna ninguém; até é aplaudida.

Toyota.

Depois das eleições legislativas de Fevereiro de 2005 a direita, mesmo aturdida e baralhada pelos resultados, obteve duas vitórias eleitorais. Uma, nas eleições autárquicas, cujo símbolo vitorioso é Carmona Rodrigues, presidente da Câmara de Lisboa; a outra, nas eleições presidenciais, onde Cavaco Silva venceu à primeira volta. Em qualquer situação normal, o resultado destes dois actos eleitorais teria fornecido à direita o gás necessário para alimentar uma oposição consistente, mesmo contra um partido que governa sustentado numa maioria absoluta no parlamento. Mas tal não aconteceu. O símbolo da vitória autárquia esfumou-se em meia dúzia de meses, lançando a Câmara de Lisboa num pandemónio e, pior, desacreditando o PSD, enquanto solução alternativa ao governo. Por seu turno, Cavaco Silva, o protagonista da outra vitória eleitoral da direita (e um símbolo por excelência do PSD), mais preocupado com a resolução dos problemas reais do país do que com a satisfação do seu eleitorado – o «povo de direita» –, desde a tomada de posse que exprime, de forma mais aberta ou mais velada, que o governo está a fazer o que deve ser feito. Neste quadro, o «chefe» da oposição, Marques Mendes, é o terceiro dado do problema (nem a licenciatura em Universidade pública o ajuda). São frustrações e orfandades a mais para o «povo de direita» que, resignado, já ia admitindo outra vitória por maioria absoluta do partido socialista e de José Sócrates nas próximas legislativas. Compreende-se que, agora, quando lhes saiu uma Monica Levinsky na rifa, se agarrem ao vestido como náufragos. Parece, pois, que o folhetim Universidade Independente é como a Toyota: veio para ficar. Hoje, por exemplo, vão abrir um baú!

Ser ou não ser engenheiro.

No Jornal de Negócios de ontem, Baptista Bastos botou palavra, na sua habitual crónica, sobre engenharia - Ser ou não ser engenheiro, titulou ele o seu naco de boa prosa. Não resisto a transcrever um extracto desse texto(sublinhados meus):
«Uma Imprensa catequista tem vindo a crestar José Sócrates em lume brando. Em causa, a licenciatura do homem e a angustiante interrogação: ele é, ou não, engenheiro? A pergunta derramou-se, com lascívia, pelo País. O País, como, aliás, a Imprensa, está pelas ruas da amargura, mas é propenso ao respeitinho e à adulação. Ser engenheiro, doutor, arquitecto é muito mais importante do que ser competente, eficaz, íntegro e digno. A Imprensa portuguesa devolve a imagem do sítio onde existe: está pejada de doutores, engenheiros e arquitectos, quase todos péssimos jornalistas. E quase todos ascendentes a cargos de directoria, por atalhos amiúde sombrios. Escrevem desamparados de gramática e pouco favoráveis a reflectir sobre os acasos que apadrinham as razões. (...)
Se desconfiamos de Sócrates temos todo o direito de desconfiar daqueles que de ele desconfiam, de modo tão obsidiante. A arfante diligência com que jornais e televisões (não todos, não todas) desancam o homem – dá que pensar. E a vida ensinou-nos que nada acontece por banal prolongamento do acaso. (...)
Estou à vontade: tenho criticado a actuação deste Governo, que me parece não apenas mau: no meu entender, é muito mau. Nada me impede de tentar ver as coisas para lá dos vapores de nevoeiro criados em redor deste assunto. Repugnam-me tanto os ofícios de trevas como as liturgias sacrificiais. (...)
Deplorável a declaração de Marques Mendes, cada vez mais desorientado e confuso. Lamentável a irritação de Pacheco Pereira, cada vez mais vítima de incontrolável egolatria. »

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Até amanhã.

Não havendo mais nada a anotar, a não ser a violência nas escolas e universidades dos Estados Unidos, aqui vai uma excelente tela pintada em 1906 pelo pintor sueco Carl Larsson (1853-1919)

Braga (2)

Braga (Cristina Vieira)

Braga.

Braga (Sónia). Braga (Igreja do Carmo).

O substrato das idiossincrasias lusas?

Citações (2).

Extracto do Editorial do DN de 16.04.07: Sócrates, a Independente e o jornalismo português. (Sublinhados meus).
«Por isso mesmo, o jornalismo deveria ter seguido por caminhos mais seguros. Uma "investigação" não produz notícias avulsas todos os dias, algumas sem conteúdo nem sentido. Uma investigação séria pode também acabar sem qualquer publicação ou, então, num caso destes, tem de trazer substância.
Não é nada disto, infelizmente, que está a acontecer.
Sucede-se a divulgação de factos irrelevantes e o caso resvalou para uma guerra entre dois jornais, que podem ser ligados aos interesses dos respectivos grupos económicos, e o primeiro-ministro.
Alguns jornalistas deram mesmo em vestir a pele de donzelas que não aguentam a investida de um assessor e também há quem não esconda a inveja pelo papel da imprensa nos escândalos com Nixon ou Clinton.
Tudo isto pode não ser bom para José Sócrates. Mas tem faltado dizer que já está a ser péssimo para o jornalismo português.»

domingo, 15 de abril de 2007

Sobre o referendo à Constituição europeia...

«Cavaco abriu o caminho a Sócrates, aliás tem feito isso durante todo o mandato.» Marcelo Rebelo de Sousa, RTP.

Timor-Leste.

A bagunça no apuramento dos resultados eleitorais está completamente instalada. Já está dado o mote para que os resultados finais que forem apresentados, sejam eles quais forem, sejam postos em causa. Mais guerra civil à vista?

Assino por baixo.

«Código de conduta. De vez em quando fala-se da adopção de um código de conduta na blogosfera. O tema é recorrente e não parece inócuo, desde que seja adoptado por todos os blogs. Mas nunca deixará de ser facultativo. O passo definitivo para a adopção generalizada desse código de conduta, evidentemente, é o fim do anonimato. Desse modo deixarão de se ouvir queixas sobre esse mundo nebuloso e obscuro «que anda na internet». O que preocupa os queixosos em relação a esse mundo «que anda na internet» não é o anonimato, mas o facto de não se sujeitar aos mecanismos de controle e de validação presentes noutros meios. Este choque tecnológico (a existência da blogosfera) supõe a existência de um choque de natureza mais vasta, que pode passar pela chamada participação dos cidadãos. Não se pode querer uma coisa e limitar a outra. Por mim, aceito a ideia (indiscutível) de um código de conduta; aceito a (discutível) ideia do fim do anonimato. Mas não acho aceitável que a blogosfera seja tratada como um todo, em que, naturalmente, cabe o melhor e o pior da natureza humana. Como em tudo. »
Francisco José Viegas (A origem das Espécies).

Notícias frescas.

...e Cavaco Silva, também.

Citações.

Extracto de O ricochete que atingiu Marques Mendes, Manuel Carvalho, Público, 15.04.2007. (Sublinhados meus).
«Numa outra conjuntura (lembremo-nos, por exemplo, do exercício errático e anedótico de Santana Lopes no governo), a proclamação de Marques Mendes seria séria e gravemente ponderada - ainda que, como no actual contexto, fosse irreflectida e inaceitável. Mas Sócrates não é, visto de longe ou de perto, Santana Lopes. Os seus créditos políticos e a sua aceitação junto do eleitorado permanecem em níveis elevados. Apesar de todos os erros, de todas as polémicas, de todas as teimosias ou das muitas hesitações, o primeiro-ministro continua a ter a seu favor o crédito da preocupação reformista e a imagem de quem sabe o que quer para o país que se lembra da renúncia de António Guterres, da evasão de Durão Barroso ou das peripécias de Santana Lopes. É por isso que, a prazo, é muito provável que o dossier da licenciatura de Sócrates cause mais danos a Mendes que ao próprio primeiro-ministro - a não ser que novas revelações provem que o líder do PSD teve razão antes do tempo. Sem visão ou energia para lhe ganhar um debate parlamentar ou sequer para propor uma agenda política consistente e alternativa, o líder do PSD acabou por se estatelar no momento mais difícil do percurso do seu adversário. Com o PCP e o BE a fazerem a sua oposição e com o CDS entretido na sua autofagia, o PSD afunda-se no momento crucial da legislatura. No congresso do partido marcado para o próximo ano, este erro poderá vir a custar muito caro a Marques Mendes

sábado, 14 de abril de 2007

Embuçados (1).*

Há mulheres (pelo menos uma) que se chamam Punctum Contra Punctum. Com um nome destes inscrito no Bilhete de Identidade não é de admirar que escreva num blogue que «ACREDITA NO RÁPIDO AFASTAMENTO DE JOSÉ SÓCRATES DO CARGO DE PRIMEIRO-MINISTRO DE PORTUGAL». Não explica é se a coisa vai lá com eleições ou com golpe de Estado. (via Cristina Vieira (Contra Capa).
* Contra a opinião que se esconde atrás do anonimato.

Semear ventos para colher tempestades.

«Pelo mesmo critério... », de Ricardo Alves (Esquerda Republicana).

Memórias.

Aldeia da Luz - a antiga. Foto de João Espinho.

Blogosfera.

Já aqui escrevi, por diversas vezes, o que penso sobre a blogosfera. Disse o que penso das declarações do Primeiro-ministro a esse propósito; como disse o que pensei sobre o que escreveu Miguel Sousa Tavares acerca da dita blogosfera (que, de certo modo, repete hoje no Expresso) quando caluniado por um blogue anónimo. Mas, por incrível que pareça, Pacheco Pereira escreve agora: «Esta discussão de um "código de conduta" ( conferi Editorial de DN de hoje) dos blogues depois das críticas do Primeiro-ministro à blogosfera, parece-me muito suspeita e censória. Noutra altura, talvez valha a pena, nestes dias é auto-punitiva, é admissão de uma qualquer culpa colectiva especial.» (Abrupto, 13.04.07). Para quem «90% da blogosfera é lixo” é de admirar não aproveitar agora a boleia para a discussão de um «código de conduta» da blogosfera. O lema de Pacheco Pereira é: hoje é censória, amanhã não sabemos.

Histórias...

«Não te julgues o único autor de histórias neste mundo. Mais tarde ou mais cedo há de haver algúem, mais mentiroso que Baudolino, que a contará.» (Última frase de Baudolino, de Umberto Eco)

Há sempre tempo...

«Há sempre muito tempo para magoar, quando se sabe onde estão os ferimentos de guerra.» (Última frase de O estranho mundo de Garp, de John Irving)

sexta-feira, 13 de abril de 2007

A justiça só é lenta em Portugal?

Ayrton Senna morreu em 1 de Maio de 1994, faz daqui a poucos dias 13 anos. Hoje, por sentença do Supremo Tribunal italiano, o ex-patrão da Williams foi absolvido da acusação de homicídio involuntário.

O «rigor» do Público...

O Público, na entrevista à escritora Abha Dawesar, no suplemento Ípsilon, escreve: «Somos mais de um milhão de pessoas. Uma em cada seis pessoas no mundo é da Índia e há 20 mil indianos a viver no estrangeiro».
Ora, os indianos são mais de mil milhões de pessoas. Um milhão para mil milhões é obra!
Ora, há 20 milhões de indianos a viver no estrangeiro. 20 mil para 20 milhões é obra!
Quem erra tanto pode exigir à secretaria da Universidade Independente mais rigor?

Rescaldo.

Até amanhã.

Rembrandt van Rijn [Holanda, 1606-1669 ]
Bathsheba at Her Bath, 1654

Cuspir na sopa.

Marques Mendes explicou, ontem à noite, depois da entrevista de José Sócrates à RTP, a quem ainda não sabia, o significado da expressão cuspir na sopa.

Couple coffee & Band

14 de Abril, no Músicbox, às 24 horas, concerto-apresentação do novo CD.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Parafraseando...

Jacques de la Palisse: Quanto maior for a fragilização política de José Sócrates, maior será a fragilização de Aníbal Cavaco Silva.

O velho do Restelo.

Já escrevi várias vezes neste espaço que a blogosfera é uma revolução tranquila nas esferas comunicacional, informativa e, sobretudo, na participação dos cidadãos no quotidiano político, cultural e social. As opiniões multiplicam-se, globalizam-se e questionam. A cada cidadão corresponde uma opinião – exerce-se, assim, uma democracia mais participada. Este é o exercício de uma democracia que o século XX não conheceu, mas que – entendo eu – vai marcar o século XXI. Os poderes instituídos, arautos de choques tecnológicos, mas sem lhe medirem as consequências, sentem-se incomodados com a participação dos cidadãos que estes novos registos permitem. A comunicação social tradicional é domesticável; esta nova fórmula não – concluem. Neste momento, usam como arma de arremesso a franja desta revolução tranquila, anónima por excelência e, na maior parte dos casos, por cobardia, que se constitui com uma nódoa pela irresponsabilidade a coberto desse anonimato, para zurzir neste multidão que tem opinião e que a transmite sem peias. Não ouvi, mas li três ou quatro notas sobre a apreciação depreciativa do primeiro-ministro sobre a blogosfera. Se assim foi significa que ainda não entendeu a substância do que designou por choque tecnológico. Apenas reteve a forma. De qualquer modo, não é de admirar a resistência do statu quo sobre a inovação. É um dado histórico que se repete a cada momento: o velho do Restelo, como Camões o consagrou. Mas, contudo, a terra move-se.

Pedido de desculpas.

Hoje foi notícia o pedido de desculpas do presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz, pelo aumento e pela promoção concedidos à namorada, uma funcionária da instituição. «Cometi um erro e peço desculpa», afirmou Wolfowitz num comunicado.

Arder em fogo lento (4).

Outros compromissos impediram-me de ver a entrevista do primeiro-ministro na RTP. Azar. Contudo, a avaliar pelo Público Online, pelas manchetes da imprensa de hoje – neste momento estão a passar na SIC-Notícias –, nomeadamente a do DN e a do Público (a primeira escreve «Sócrates passa no exame», a segunda nada refere sobre a entrevista de José Sócrates – o que é significativo) e pelas leituras dos meus blogues de referência (cito, a título de exemplo Francisco José Viegas , a minha primeira impressão (por via indirecta) é a de que esta tempestade, que parecia submergir o primeiro – ministro, pode estar quase ultrapassada. E, se isso acontecer, o mérito político vai todo para o único protagonista deste filme: José Sócrates. No entanto, os efeitos ao nível do zé povinho estão ainda por avaliar. Em próximas sondagens se verá. Outro facto de que a crise se está a esfumar é a reacção de Marques Mendes, a qual corresponde à interpretação da manchete do DN. Mendes, que se mantivera em silêncio até agora, deixando à comunicação social, nomeadamente ao Público e ao Expresso, o trabalho sujo, esperneou no momento em que percebeu que o filão se tinha esgotado. Pelo tom de voz, que o rádio me deu, até parecia uma virgem que nunca tinha recebido dinheiro da Universidade Independente. José Manuel Fernandes que, neste caso, fez de Monica Levinsky, ainda insiste na nódoa que tem no vestido, mas parece que José Sócrates a desbotou, o que significa que este poderá ter demonstrado que sexo oral não é sexo. Este país precisa de dar uma pirueta e não o consegue com um primeiro-ministro diariamente vilipendiado, ainda por cima por razões laterais. Os próximos dois ou três dirão o que vai acontecer: se o caso da licenciatura do primeiro – ministro vai definitivamente para o lixo ou se ainda sobrou espaço para assombrar a governação. De qualquer forma, Maio está à porta e, apesar destes dias frios de Abril, não tarda nada cheira a verão: a praia, o Algarve, as Caraíbas e sei lá que mais serão as principais preocupações da nossa classe média. E, por essa altura, chega a presidência da Europa. No fundo, já falta pouco para chegar o fim do ano e, depois, o fim do mandato governativo. No fundo, basta chegar a próxima semana.
Adenda: Afinal a primeira página do Público é ocupada por um fotografia do primeiro ministro.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Ler os outros.

«Portanto, uma de duas. Ou a entrevista de logo à noite do primeiro-ministro põe termo ao folhetim (entendendo por «termo» a extinção nas próximas 72 horas), ou ele deve apresentar a sua imediata demissão ao Presidente da República. (...) Acredito que Sócrates ganharia essas eleiçõesEduardo Pitta (Da Literatura).

Publicidade.

«Eu aprendi uma coisa: notícia é aquilo que nós não queremos que seja publicado, o resto é publicidade»
Lula da Silva, citado por Milton Coelho da Graça, Comunique-se (24 de Dezembro de 2003).
(Citado por Luis Paixão Martins).

terça-feira, 10 de abril de 2007

Arder em fogo lento (3).

«Má fé: Quando o Público faz, HOJE, uma caixa, na página 5, em texto assinado por Ricardo Dias Felner, com o texto “José Sócrates não terá entregue a sua tese de mestrado em Gestão de Empresas no ISCTE”, faz também algo que, objectivamente, só pode ser suspeito de ser acto de má fé. Um MBA, no ISCTE como na Universidade Nova de Lisboa ou no ISEG, não tem tese, ao contrário de um mestrado em Gestão. No ISCTE, a obtenção do MBA depende da conclusão, com êxito, da parte escolar (1.º ano) do Mestrado em Gestão de Empresas. Logo, NENHUM graduado com um MBA pelo ISCTE, que não seja também mestre em Gestão, entregou qualquer tese de mestrado.E o Público está farto de o saberRui Pena Pires (Canhoto)

Humor recauchutado!

por Ferreira dos Santos (Cartoonices).

Arder em fogo lento (2)

«A INVERSÃO DO ÓNUS DA PROVA: Cerca de três semanas depois, não vejo razão nenhuma para alterar a minha posição inicial. A comunicação social continua sem encontrar nada -- repito, nada -- que lhe permita inferir sem margem para dúvidas que José Sócrates não «agiu sempre de forma limpa, leal e legal».Ora, entretanto, inverteu-se o ónus da prova. A comunicação social apresentou um conjunto de dados que, por si só, nada provam. Porém, a verdade é que ao fazê-lo contribuiu para que se instalasse a suspeição. De forma perversa, instalada a dúvida, a comunicação social exige agora a José Sócrates que prove que nenhuma ilegalidade foi cometida.Eis o ciclo completo e a inversão do ónus da prova. Um péssimo caminhoPaulo Gorjão (BLOGUITICA)

Arder em fogo lento

Votei nas últimas legislativas no Partido Socialista e, consequentemente, em José Sócrates para primeiro-ministro. Não votei por ele ser engenheiro técnico civil, engenheiro ou licenciado em engenharia., como não votei por tal grau académico ter sido obtido na Universidade Clássica, na Católica ou na Moderna. Votei porque era a única alternativa ao PSD/CDS-PP – um pântano político representado por Santana Lopes e Paulo Portas, depois da fuga de Durão, os quais deixaram o país à beira de um ataque de nervos e, pior, à beira da miséria. Ao votar como votei encontrei-me no resultado eleitoral com a esmagadora maioria dos portugueses. Nestes 2 anos de governação, no essencial, José Sócrates, enquanto primeiro-ministro, não gorou as minhas expectativas. Sem me alongar, direi que ficou aquém do que o país precisa em matéria de reformas, mas em dois anos não era exigível que se desatassem os nós atados durante quase trinta anos. Quanto ao seu estilo pessoal arrumo na prateleira do acessório. Há três semanas caiu-lhe, passe as distâncias, uma Monica Levinsky Blowjob na sopa. Neste momento, sob a batuta de José Manuel Fernandes (e ele sabe como estas coisas se urdem porque aprendeu enquanto novo), director de uma espécie de jornal de referência, discute-se em Portugal, a propósito do grau académico do primeiro-ministro, qualquer coisa como o que se discutiu há uns anos nos Estados Unidos: se o sexo oral será sexo ou não e se, por via de doutas interpretações, José Sócrates mentiu ou não. Neste momento, já não é possível dar explicações de pormenor sobre o que quer que seja: título académico, equivalências, professores das cadeiras e por aí fora, porque isso leva à humilhação, na medida em que, parece, José Manuel Fernandes apresentou o vestido com a nódoa. Já não se trata de saber se sexo oral é sexo ou não. No estado em que as coisas estão, José Sócrates só tem dois caminhos. Um, mais radical: apresenta a sua demissão e pede ao Presidente da República a convocação de eleições legislativas. Aí defrontará Marques Mendes e Paulo Portas e todos os Josés Manueis Fernandes que o querem ver arder em fogo lento. Se ganhar governa tranquilo, independentemente de maioria absoluta ou não. Este caminho tem custos para a economia e para os portugueses, mas maiores custos tem a permanência em exercício de um primeiro-ministro achincalhado; dois, a mais moderada, José Sócrates, explica o seu provincianismo, com simplicidade. A sua necessidade (quando veio do interior) de apresentar, num país medíocre e provinciano, um grau académico consentâneo com os cargos políticos e institucionais que desempenhava, usando o conceito popular (e não o rigor académico) de Engenheiro (em qualquer cidade de província qualquer engenheiro técnico é chamado engenheiro) e, consequentemente, pede desculpa aos portugueses por esse facto. Ao mesmo tempo, dá testemunho do seu empenho em, até ao fim do mandato, prosseguir as políticas e as reformas para tirar Portugal da miséria franciscana em que está atolado. Depois será julgado, em eleições democráticas, pelos resultados obtidos. Qualquer outro caminho debilitará a pessoa e o cargo que desempenha.

Há nacos de boa prosa a que não se resiste.

«Em finais de Fevereiro foi anunciada uma Primavera precoce por causa do "aquecimento global ": estava um queirosiano calor de ananazes , os ursos sairam mais cedo da hibernação e parece que os esquilos ficaram com tesão antes do tempo. Agora está um frio de rachar. Pobres esquilosFilipe Nunes Vicente (Mar Sagado).

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Memórias.

Terrenos minados.

Será que, segundo a douta opinião de Vital Moreira, todos os que não concordam com a localização do novo aeroporto de Lisboa na OTA passaram a accionista da Lusoponte?

Intendência.(Actualizado)

1. - Para agradecer as referências à conversa sobre blogues com Pedro Rolo Duarte, no Domingo de Páscoa, na Antena 1: MissPearls (Corta-fitas), nikonman (Praça da República em Beja), João de Miranda (Tralapraki), Rui Perdigão (Vida das Coisas), Manuel Gomes (Atento) e Luis Novaes Tito (Tugir).
2. - Para me redimir de uma distração: o agradecimento aos organizadores do Encontro de Bolgues de Cinema e Cultura, integrado no 9º Festival Internacional de Cinema de Famalicão que atribuiu ao «Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos», uma menção honrosa, a par de prestigiados blogues: A a Z, Bandida, Erotismo na Cidade e Indústrias Culturais. O prémio foi justamente atribuido aos blogues O Intruso e Piano.
3. - Para informar que depois de amanhã, dia 11 de Abril, no restaurante-café Vá-Vá, há tertúlia-jantar. Desta vez o convidado é Nuno Júdice e, como é natural, vamos falar de poesia.

domingo, 8 de abril de 2007

Até amanhã.

Francesco Hayez (Venecia 1791-1882 Milan)

Amanhã...

«Não recorram à intimidação nem à violência para chamar ao voto no vosso candidato.» - Apelou hoje Xanana Gusmão, sinal de que a democracia timorense anda pelas ruas da amargura. Parece não haver lenços brancos que a salvem. Amanhã cumpre-se mais um ritual.
(Caricatura de Ferreira dos Santos)

Momentos históricos.

Ben Webster e Gerry Mulligan (1958).
Donald Byrd (1959).
West Montgomery e James Clay (1958).