quinta-feira, 30 de novembro de 2006
MEMÓRIAS.
Sempre que leio este senhor lembro-me de um delicioso pequeno episódio passado em Porto Alegre, em finais de Agosto de 2001. Numa reunião preparatória do Fórum Social Mundial de 2002, que se realizou em de Porto Alegre, tal como o de 2001, Boaventura botou discurso a convite da organização. Apresentado à assistência como uma “sumidade”, durante mais de uma hora falou sobre nada. Literalmente. Mas, disse para com os meus botões: isto é o que tu pensas, talvez esteja a ver mal. Quando o senhor acabou de falar, com a sala a bater palmas efusivamente, o uruguaio sentado ao meu lado, perguntou-me: ele falou sobre o quê? Afinal, não estava errado. No dia seguinte, numa outra reunião, chamei reaccionário a Miguel Portas, também presente, sob o olhar incrédulo de Tarso Genro, perfeito de Porto Alegre na altura, que deve ter achado que, ali, era suposto sermos todos “irmãos” e, por isso, não deviam estarem presentes reaccionários. Ou eu estava enganado ou ele, que o convidara, estava enganado. Depois da reunião todos os presentes, na sua maioria latino-americanos, muitos deles me conheciam há anos, me pediam esclarecimentos completares sobre o reaccionário, solicitações a que não me fiz rogado. Perante o pequeno episódio, embaraçoso, tive um momento de fraqueza: no jantar que se seguiu à reunião, para descansar toda aquela gente, sentei-me à mesa, a sós, com o Miguel Portas. Recordo-me bem do que falámos (ficará para outra altura) e sei que o tempo me deu razão. Mas sei que aquela conversa ao jantar, a sós na mesma mesa, diante de toda a gente, desvalorizou o ter-lhe chamado publicamente, na reunião, com toda a legitimidade, reaccionário.
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30.11.06
quarta-feira, 29 de novembro de 2006
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29.11.06
ANIVERSÁRIOS (2). As palavras sucumbem ao vazio da própria pequenez. Nenhum cais tem a forma do navio, nenhum navio a forma das marés.
Torquato da Luz (Ofício Diário)
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29.11.06
Tomei conhecimento pelo João Villalobos que hoje é dia de aniversário da Gena Lee Nolin que, tal como o meu amigo João Gonçalves, é sagitário. Primeiros estão os amigos, mas a Gena também merece um abraço de parabéns.
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29.11.06
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terça-feira, 28 de novembro de 2006
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28.11.06
segunda-feira, 27 de novembro de 2006
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27.11.06
Rafael Correa, representante da esquerda equatoriana (e, diz-se, amigo pessoal de Hugo Chàvez), anti-americano, ganhou as eleições presidenciais na Equador – anunciam todos os jornais de hoje publicados em Quito. El Mercurio escreveu hoje: “Los ecuatorianos eligieron a Correa tras una década de inestabilidad política en la que ninguno de los tres presidentes elegidos culminó el mandato, presionados por revueltas populares que se saldaron con su destitución en el Congreso.” Há dois anos atrás ninguém acreditava que Ortega ganhasse as presidenciais na Nicarágua; na semana passada já todos acreditavam que Correa poderia ganhar no Equador. A América do Sul está a viver um ciclo político muito especial. O facto de se poder votar sem medo de que a consequência seja um golpe de Estado militar tem dado um outro rumo aos resultados eleitorais.
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27.11.06
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27.11.06
domingo, 26 de novembro de 2006
APLAUSO: «POR FAVOR, ALGUM PUDOR!», Paula Sá (comunicar a direito)
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26.11.06
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26.11.06
MÁRIO CESARINY (1923-2006).
Um pássaro
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26.11.06
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26.11.06
No próximo dia 30 de Novembro, às 21H30, na Casa Fernando Pessoa, autores lêem os seus textos: Manuel António Pina, José Eduardo Agualusa, Pedro Mexia, Luís Quintais, José Luís Peixoto, José Tolentino Mendonça.
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26.11.06
sábado, 25 de novembro de 2006
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25.11.06
O meu amigo João nunca mais se resolve a modernizar o site pessoal que mantêm há cinco anos. Aquilo é uma cangalhada de primeira geração. Ele que adora construir, fazer. A propósito de fazer: no último dia de Novembro, comemora-se o décimo terceiro aniversário da abertura da Casa Fernando Pessoa (parabéns para o Francisco José Viegas pela programação). Poucos sabem do empenho, do carinho e da determinação do João para que aquela Casa existisse e abrisse as suas portas a 30 de Novembro 1993. O mesmo que meteu em tantas outras coisas boas de que a cidade ainda hoje desfruta. Outros tempos!
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25.11.06
INCOERÊNCIA DESAVERGONHADA.
Há gente para quem o Estado devia interferir em tudo o que mexe na sociedade. Rejubilaram com as “nacionalizações” em 1975 e sempre espernearam quando se privatizaram as empresas então nacionalizadas. (Ainda hoje lhe brilham os olhos e batem palmas quando, na Bolívia, Evo Morales decreta a nacionalização dos sectores energéticos ou expropria terras na mira de uma “reforma agrária”.) Para eles, a iniciativa privada na economia devia cingir-se aos vendedores de castanhas e pouco mais. Como em Cuba – regime que defendem (às vezes às escondidas, outras vezes abertamente) – em que o Estado é proprietários de todos os meios de produção, controla e vigia o comportamento de todos os cidadãos. É esta gente que, quando lhes convém, se dá ao despudorado luxo de escrever: “A guerra contra o véu é antiliberal. Dá ao Estado o direito de decidir como cada um se veste e se comporta.” (Daniel Oliveira, Expresso de 25.11.06). Para além de se armarem em “liberais” apenas quando lhes dá jeito ainda querem esconder a questão essencial: as mulheres árabes não decidem como se devem vestir: é o Estado quem decide, em primeira linha, depois os “chefes” das instituições religiosas (que nalguns casos são os mesmos) e, finalmente, os homens da família. Esta cadeia repressiva não preocupa minimamente os nossos “liberais” caviar porque está dentro dos seus esquemas mentais. Esta gente ignora os dramas pessoais de milhares de jovens raparigas árabes na França, na Holanda ou na Alemanha, que desejam ir para a escola com as mesmas vestes das suas colegas, ir aos bares ou jogar ténis com a mesma naturalidade que elas, terem um namorado europeu. Mas nada disso lhes é permitido pela família. A jovem rapariga árabe na Europa é obrigada a vestir-se como se veste, a sair onde lhe permitem e a namorar quem os pais decidem. É da liberdade de ela, a rapariga árabe, poder escolher que estamos a falar. A cultura democrática europeia deve proibir a proibição.
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25.11.06
sexta-feira, 24 de novembro de 2006
ESTA É A CIDADE.
Esta é a Cidade, e é bela. Pela ocular da janela foco o sémen da rua. Um formigueiro se agita, se esgueira, freme, crepita, ziguezagueia e flutua. Freme como a sede bebe numa avidez de garganta, como um cavalo se espanta ou como um ventre concebe. Treme e freme, freme e treme, friorento voo de libélula sobre o charco imundo e estreme. Barco de incógnito leme cada homem, cada célula. É como um tecido orgânico que não seca nem coagula, que a si mesmo se estimula e vai, num medido pânico. Aperfeiçoo a focagem. Olho imagem por imagem numa comoção crescente. Enchem-se-me os olhos de água. Tanto sonho! Tanta mágoa! Tanta coisa! Tanta gente! São automóveis, lambretas, motos, vespas, bicicletas, carros, carrinhos, carretas, e gente, sempre mais gente, gente, gente, gente, gente, num tumulto permanente que não cansa nem descança, um rio que no mar se lança em caudalosa corrente. Tanto sonho! Tanta esperança! Tanta mágoa! Tanta gente! (António Gedeão)
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24.11.06
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24.11.06
NÃO HÁ COINCIDÊNCIAS. A CGTP e o 31 da Armada escolheram a mesma data.
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24.11.06
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24.11.06
ANTÓNIO ALEIXO.
O poeta popular algarvio morreu há 57 anos, em Loulé, num dia de Novembro. Lembrando António Aleixo, lá vai uma quadra:
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24.11.06
quinta-feira, 23 de novembro de 2006
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quarta-feira, 22 de novembro de 2006
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22.11.06
Há pessoas “bem” que, num dado momento das suas vidas, decidiram ser de “esquerda”, como quem opta por ir para Letras ou para Engenharia Informática em função das oportunidades de emprego. Porque não existe substrato ideológico que suporte tal decisão, o resultado da intervenção cívica (ou política) de “esquerda” de tais pessoas, normalmente, pauta-se pelo nível folclórico. Dizem umas coisas... É o caso de Joana Amaral Dias: mostra-se preocupadíssima com a proibição, em alguns países europeus, das vestes medievais que os árabes emigrados na Europa obrigam as suas mulheres a usar. Ela, a senhora “bem”, é tão reaccionária e tão inconsistente que não enxerga o que isso tem de discriminação contra as mulheres árabes cujos maridos, pais ou irmãos não andam pelas ruas de carapuça enfiada. Eles não; elas sim - assim deve estar escrito no Alcorão. A dita Joana, qual embaixadora de um (ou de todos) aqueles países em que a mulher é tratada abaixo de cão, em que os homossexuais são condenados a pena de morte, em que a mutilação genital é prática comum, em que um homem pode ter dez mulheres, mas uma mulher não pode ter dez homens, em que o adultério feminino dá direito a apedrejamento, mas o adultério masculino nem sequer existe enquanto conceito, e muito mais, insurge-se contra a “islamofobia”. Pergunto: porque é que a Joana, indefectível defensora da opressão das mulheres árabes, não emigra para Teerão e, aí, se passeia em mini-saia para experimentar os ares da “liberdade” árabe em contraste com a “opressão” europeia. Vá até lá Joana, deixe-se de teorias; deixe-se de conversa fiada. Pratique!
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22.11.06
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terça-feira, 21 de novembro de 2006
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segunda-feira, 20 de novembro de 2006
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20.11.06
Uma vez sonhei que tinha um bilhete de circo feito de sonhos como um chão coberto de estrelas e guardei-o na alma.
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20.11.06
E AGORA UMA COISA COMPLETAMENTE DIFERENTE!
O João sugere a “assinatura” desta petição. As petições, em regra, não se destinam a obter resultados directos e imediatos. Mas, muitas vezes, como neste caso, constituem uma tomada de posição que, mais cedo ou mais tarde, vai ter reflexos nos comportamentos. Pela minha parte já assinei.
(Escultura de George Segal)
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domingo, 19 de novembro de 2006
sábado, 18 de novembro de 2006
sexta-feira, 17 de novembro de 2006
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17.11.06
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quinta-feira, 16 de novembro de 2006
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16.11.06
MÁRIO BOTAS.
Às vezes, nestas divagações nocturnas, apenas se pretende não perder a memória: Mário Botas nasceu em Dezembro de 1952, na Nazaré e morreu no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, em Setembro de 1983. Licenciado com distinção em medicina, em 1975, nunca exerceu, dedicando-se quase exclusivamente à pintura e ao desenho – as escolhas inatingíveis da vida. Ao contrário do projecto de Baudelaire de comentar as gravuras de Meryon, Mário Botas partiu do texto para construir a “sua” pintura – numa certa medida uma exaltação da “estética do feio”. Apesar da sua meteórica passagem pela vida ainda expôs as suas obras, em vida, em mais de 30 exposições individuais ou colectivas, desde Lisboa a Nova Iorque. Só vi uma única exposição de desenhos de Mário Botas, no começo dos anos 80, na galeria Ana Isabel, em Lisboa. Deixou uma obra importante, apesar de ter morrido com 31 anos.
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16.11.06
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quarta-feira, 15 de novembro de 2006
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terça-feira, 14 de novembro de 2006
Citações.
Fé vermelha, de Nuno Pacheco, Público de hoje:
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segunda-feira, 13 de novembro de 2006
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13.11.06





































