sábado, 30 de setembro de 2006

Sacarlett Johansson.

Ontem, o meu amigo Eduardo publicou uma imagem de Marilyn Monroe a propósito do meu curto comentário ao texto de José Manuel Fernandes, no Público, acerca de Noronha do Nascimento, o novo Presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Estive quase um dia a meditar na resposta e cheguei à conclusão que me apetece publicar uma imagem de Sacarlett Johansson.

Distracções.
Meia blogosfera já comentou o título (aquilo não passa de um título) do Expresso «Portas e Marcelo lançam "pacto" para o aborto» Contudo, ninguém sublinhou o mais importante da "notícia": Zita Seabra organiza.

Ernest Hemingway e a anedota do DN.
O DN de hoje, assim como quem não quer a coisa, na última página, dá a notícia breve de que Ernest Hemingway – um dos meus escritores preferidos – teria afirmado (e escrito numa carta) que, em 1944, integrado como oficial no 22º Regimento da IV Divisão de Infantaria dos EUA, matou a tiro 122 prisioneiros alemães. Depois de Günter Grass ter assumido a sua participação nas SS só me faltava esta. Mas, como é hábito no jornalismo de meia bola e força, a pequena notícia do DN fica-se pelo folclore do “escândalo”: não diz que esta “novidade” está num livro de anedotas sobre escritores da autoria do jornalista alemão, Rainer Schmitz. Anedotas – repito. Outra coisa que o jornalismo despreocupado do meio bola e força não diz é que o próprio autor do livro considera que provavelmente se trata de fanfarronices do escritor e que essa “notícia” já tinha sido publicada, sem qualquer relevância, nos Estados Unidos, em 1992, num artigo da A Life Without Consequences, assinado por James Mellow. Aliás, o jornalista alemão conta ainda que Pablo Picasso não acreditou nessa história quando Hemingway a contou durante um jantar. "Isso é mentira" — disse Picasso na cara do norte-americano. Afinal de contas o jornalismo do meio bola e força transforma uma anedota numa notícia séria. Vejam lá se trabalham um pouco mais que a produtividade em Portugal está muito baixa.

Convicções.
Caro Jorge: penso que o apoio frontal a Lula da Silva não é uma questão de coragem, mas de convicção, na medida em que nunca me deixei manietar por raciocínios primários do tipo: quem apoia Lula, apoia a corrupção. Primeiro, a democracia (tal como ela é possível no Brasil); a seguir, o desenvolvimento económico e o bem-estar de quem trabalha; depois vem o resto. Esta hierarquia não desvaloriza os danos que a corrupção (que é transversal na política brasileira) provocam, quer no sistema democrático, quer na economia. De qualquer forma, amanhã saberemos o que o povo brasileiro pensa sobre o assunto. Esse é o único veredicto importante.
(Adenda: se colocamos as coisas no plano formal cabe-me perguntar se Lula da Silva foi acusado, julgado ou condenado judicialmente por qualquer facto ilícito? Estamos a falar, pois, nos planos ético, moral e político. )

Voyerismo é ... acompanhar os diálogos entre Autoestradas.

Luís Inácio Lula da Silva.
Em véspera de eleições presidenciais no Brasil, após o primeiro mandato de Lula da Silva, é quase unânime a opinião dos comentadores em relação a duas questões importantes. A primeira, tem a ver com os medos (mais um argumento político eleitoral para assustar do que outra coisa) da direita brasileira (e internacional) de que o “sindicalista” arrastaria o Brasil para um populismo à Chàvez. Enganaram-se! A segunda diz respeito a outro dos medos da direita: o caos económico. Enganaram-se, também. Em síntese: “o balanço da presidência de Lula da Silva parece justificar a sua reeleição à primeira volta: a economia cresceu, a estabilidade macroeconómica está garantida, o número de brasileiros a viver abaixo do limiar da pobreza extrema reduziu-se e Lula resistiu às duas doenças endémicas da política da América Latina, o despotismo e o populismo.” (Manuel Carvalho, Público). Finalmente a corrupção. Lula da Silva não conseguiu diminuir os níveis de corrupção que afectam a complexa teia do poder (local, estadual e federal) no Brasil há muitas e muitas décadas. À falta de outros, foi este o único argumento utilizado nesta campanha eleitoral contra Lula. A avaliar pelas sondagens, tais argumentos beliscam, mas não matam. Quer isto dizer que à boa maneira brasileira, o Zé-povinho, sobretudo os mais desfavorecidos (os maiores beneficiários do crescimento económico e da redistribuição da riqueza criada) dizem: “Então é só este? E que é dos outros? Pelo menos este ajuda o pessoal.” Amanhã se verá o resultado, mas o povo brasileiro ganha mais com a vitória de Lula da Silva do que com a sua derrota.

Até amanhã. (Terry Rodges -The Inluence of Civilization, 2005, 56" x 72 ", oil on linen)

Liberalismo à la Arroja.

Os companheiros do senhor professor doutor Arroja têm vistas curtas; direi mesmo demasiado curtas para a missão histórica a que se propõem: ganhar um espaço político para o liberalismo (entendido como eles o entendem) na sociedade portuguesa. A propósito de coisa nenhuma (um pouco ao estilo da minha prima Josefina que diz coisas para não estar calada), encontraram um cartaz do partido comunista francês de 1947 contra a entrada de dólares em França no quadro do Plano Marshall. E, demonstrando não perceberem patavina do que quer que seja, roçando um grosseiro ressabiamento, concluem: «Já na altura tinham um QI semelhante ao que demonstram hoje, o que até poderá constituir uma fortíssima prova contra o evolucionismo.» Lindo, dirá qualquer pessoa de bom senso. Como é que estes senhores poderão entender que a questão era ideológica e não de QI? Quem é que está em melhores condiões do que eu para lhes explicar isso?Porque se fosse de QI, atendendo à craveira dos muitos intelectuais que em 1947 estavam no PCF (ou eram seus companheiros de viagem) estes senhores que, hoje, escrevem estas baboseiras, seriam considerados atrasados mentais. Se querem ganhar algum espaço político levem a luta para o terreno ideológico e não para o nível do QI porque aí, por muito que se esforçem, ficam claramente diminuídos.
(Adenda: assim não vale. Este post, apesar de actual, ficou desvalorizado porque o autor do post por mim citado alterou o seu texto retirando a referência ao QI. ( Escreve agora: "Desde essa altura até hoje, mantém-se petrificados no tempo, o que até pode constituir uma fortíssima evidência contra o evolucionismo.", o que já é inquestionável e tinha dispensado o meu comentário). Se tal se ficou a dever a esta humilde referência valeu a pena!)

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

É por estas e por outras...

Pragmatismo.
O Paulo pergunta: «Em nome de um funcionamento mais eficaz do nosso sistema democrático, não seria possível que PS e PSD estabelecessem um acordo de cavalheiros segundo o qual quem estivesse no governo disponibilizaria toda a informação que a oposição solicitasse?» Mas eu sei que ele sabe muito bem qual é a resposta, tal como eu sei: quando estiverem os dois, PS e PSD, ao mesmo tempo, no governo ou na oposição.

Pequenos prazeres: «Diplomacia Pacóvia »

O metalúrgico.

José Manuel Fernandes trata, hoje, no Público, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça abaixo de cão. Não sei se é um excesso de zelo do editorialista na defesa do pacto da Justiça ou se tem razão. Mas se assim for - se tiver razão - ainda é mais grave. Se a terceira figura do Estado e a primeira do Poder Judicial é assim retratado e maltratado, o que nos resta? Transcrevo a parte final do texto A estratégia da aranha (sublinhados meus):
«Se era aconselhável que um presidente do Supremo Tribunal desse mais atenção a Montesquieu e ao princípio da separação de poderes do que à cartilha da CGTP, Noronha de Nascimento fez exactamente o contrário. Reivindicou como um metalúrgico capaz de ser fixado para a posteridade numa pintura do "realismo socialista" e, esquecendo-se de que é juiz e representante máximo do "terceiro poder", o judicial, pediu assento à mesa do "primeiro poder", o executivo. É certo que o poder do Conselho de Estado é tão inócuo como o penacho de ser presidente do Supremo Tribunal, só que a reivindicação contém em si duas perversidades. A primeira é ser sinal de que Noronha de Nascimento se preocupa mais com o seu protagonismo público do que com os problema da justiça. A segunda, bem mais grave, é que o homem se disponibiliza para ser o rosto de uma fronda dos juízes contra as decisões reformistas do poder político, neste momento objecto de um consenso alargado entre o partido do Governo e a principal força da oposição. É tão patético que daria para rir, não estivéssemos em Portugal e não entendêssemos como funcionam as estratégias das aranhas. O homem, creio sem receio de me enganar, é tão inteligente e habilidoso como é perigoso. Até porque tem já um adversário assumido: o novo procurador-geral da República, Pinto Monteiro, um dos raros que tiveram a coragem de lhe fazer frente

Foto do dia. (jordan matter - snowy night, washington heights).

Alexandre Herculano, lembram-se?

Em Setembro de 1877 morreu Alexandre Herculano. Todos os anos, em Setembro, passa mais um ano sobre a sua morte. A vulgaridade do acontecimento enforca-nos no esquecimento. Herculano nada diz aos nossos jovens porque a Educação nos nossos dias apela mais ao esquecimento do que à memória. Por isso, relembro aqui um texto de Vitorino Nemésio (Se bem me lembro...) sobre Herculano: «Mais do que um escritor, ele foi o que se chama uma pessoa; quer dizer: aquilo que responde por si diante do universo e que deus não deixa perecer. Uma pessoa conhece-se pela consciência, como um veleiro pelas velas, e a de Herculano era vasta e de muito vento. O seu temperamento, tipicamente português. Oliveira Martins, que sabia disto de homens, chamou-lhe “um D. João de Castro da burguesia do século XIX”, e era. Nós de D. João de Castro sabemos sobretudo a história das barbas empenhadas; mas isso chega. Eram os tempos fantásticos em que, como diz um amigo meu, esta estupenda afirmação de um homem por um pelo era possível.»

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Memórias.

the L word.

A melhor série actualmente na televisão portuguesa (Canal 2, depois da meia-noite, todos os dias de semana). As histórias, os sentimentos, as interpretações, a música, a actualidade. Depois do House MD só esta série me prende à televisão (para ser sincero, os jogos do Sporting, também).

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

Esclarecimento.
Em relação ao post anterior o "imaginativo" não se refere à minha pessoa, mas a quem publicou o dito post e o apagou (ou os perigos da blogosfera) no momento imediato a seguir à minha citação.

Um post imaginativo (ou os perigos da blogosfera).
fobia: Aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, , aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. Em apenas seis dias e sem ter escrito uma palavra. Notável!

Lições.
Soube aqui - fonte teoricamente bem posicionada - que Paulo Portas, Ribeiro e Castro, Telmo Correia e Companhia são sociais-democratas. De facto, ler é saber mais.

Apresentação.

Amanhã, às 18.30, no Auditório da Fundação Mário Soares, Rua de S. Bento, 160, em Lisboa: "Memórias de um Guerrilheiro, de Alcides Sakala. Apresentação porMaria Antónia Palla.

O Estado é o maior entrave à competitividade do sector privado.
Foi hoje dada a notícia, pelo DN, (Privados prejudicam imagem de economia portuguesa) do índice global calculado pelo Fórum Económico Mundial para medir a competitividade de 125 países. Portugal ficou em 34º lugar no “ranking”, descendo 3 lugar em relação ao ano anterior. Da leitura retiram-se algumas conclusões interessantes: 1. O “Estado Social” é mais competitivo que o “Estado liberal”. Os países escandinavos são mais competitivos que os EUA. (Exemplo, a Suécia ocupa o 3º lugar e os EUA o 6º). 2 O Estado é o maior entrave à competitividade do sector privado. Os factores mais problemáticos para os negócios em Portugal têm origem no Estado, a saber: a) Burocracia do Estado; b) Regulação do mercado de trabalho; c) qualificação da mão-de-obra (tem mais a ver com a Educação do que com a formação) e d) Impostos e sistema fiscal. Com um Estado a originar tantos e tão pesados factores negativos não há sector privado que resista. 3. O resultado obtido por Portugal referente a 2005 tem uma atenuante. O índice é calculado a partir de dados quantitativos (indicadores estatísticos, por exemplo) e dados qualitativos (inquéritos realizados aos dirigentes empresariais). Ora, estes inquéritos foram realizados na Primavera de 2005. Ou seja, no momento em que tinha acabado de passar o furacão Santana, cujo epicentro se desviou em grande correria para Bruxelas, e que arrasou literalmente Portugal durante 9 longos meses. Entende-se pois o estado de espírito dos empresários que responderam ao inquérito nesta altura. “Isto está uma grande merda” – deve ter sido o mínimo que podiam dizer. 4. De qualquer maneira, este “índice global” da competitividade do país vale o que vale: é só consultar a lista dos “factores problemáticos” e constatar que a corrupção está no fundo da lista.
Em conclusão: o título Privados prejudica imagem de economia portuguesa é, no mínimo, enganador. Seria mais adequado à leitura dos dados dizer: O Estado é o maior entrave à competitividade do sector privado. É necessário fazer a advertência não venha para aí algum Mestre Pensador propor novas nacionalizações.

Rápidas:

1. «Patriarca diz que o aborto não é um problema religioso», DN.
2. «A síndrome do Cavalo de Alter», Jumento.
3. «... na Buchholz, na Fnac e na Bertrand ninguém sabe quem é o Arroja». Bloguitica.

terça-feira, 26 de setembro de 2006

Brasil - Partido da Frente Liberal (PFL).

Os liberais brasileiros não bricam em serviço: Camila Kiss, de 28 anos, modelo e atriz, já posou nua em revistas masculinas; hoje, actua em programa televisivo humorístico e é a candidata a deputada estadual pelo Partido da Frente Liberal (PFL). Liberal por liberal, prefiro a Camila ao Professor Arroja. (Via Puxa Palavra).

Comovente.
«Esta greve do metro, que deixou tanta esquerda apeada de manhã, fez mais pela profusão dos ideais liberais e da flexibilização dos mercados de trabalho que mil Compromissos PortugalRodrigo Moita de Deus (Revista Atlântico).

Sapato do dia.
AT (A Espuma) inaugurou há alguns dias uma nova secção chamada SAPATO DO DIA. (Desfeito o equívoco com um abraço ao Manuel António Pina ).

Não há nada como... um «Cocktails Molotov

Uma pequena provocação...
A propósito deste post, lembrei-me da seguinte frase:" É a primeira vez que o Presidente da República vem à Covilhã desde a última vez que aqui esteve" (Américo de Deus Rodrigues Tomás, Presidente da República de Portugal de 1958 a 1974).

Até dá gosto ler.

«A republicação, por Fernanda Câncio, da entrevista que ela fez a Pedro Arroja há mais de uma década, no seu estilo fogosamente militante. Os temas abordados continuam em aberto e mantêm plena actualidade, o que mostra como são longos e árduos os trilhos do liberalismo. Mas a luta continua...» Circula por aí - na internet, obviamente - uma entrevista da grande aquisição desta época do Blasfémias, um tal Professor Arroja, do início dos anos noventa. Costumo destacar uma ou outra passagem, mas neste caso concreto gostei de toda e entrevista. Cada resposta conduz-nos ao paraíso. Não queria citar uma única frase, mas o rigor científico do professor não me deixa margem de manobra: "os negros americanos não estão na sua própria terra"- respondeu (todos os racistas chamam "negros" aos pretos).Qualquer raciocínio de um professor minimamente honesto intelectualmente, em consequência, acrecentaria que "todos os outros americanos, também, não estão na sua própria terra" porque só os "peles-vermelhas"(quase extintos, e o que resta a viver em jardins zoológicos denominadas "reservas") são os únicos que estão na sua própria terra. Porquê só os pretos? Obviamente, porque o Professor Arroja é branco; se fosse preto mordia a língua. Com a divulgação desta entrevista o Blasfémia está à beira de esconder o dito Arroja no baú. ... Chapéus há muitos. Só mais uma coisita: aquela dos pobrezinhos venderem o seu voto aos ricos é uma grande ideia... Garanto-vos que Arroja vai ficar na blogosfera como sinónimo de anedota!

E esta?
Venezuela Portuguesa da Silva, luso-venezuelana, como o próprio nome indica, 52 anos, advogada, é candidata às eleições presidenciais de 3 de Dezembro defrontando Hugo Chàvez. A "nossa" Venezuela da Silva, cujo avô era de Aveiro, é apoiada pelo movimento Nova Ordem Social.

Até amanhã. (Eider Astrain - Medias 32 x 39 cm Óleo y carboncillo sobre cartón)

Silêncios? (3)
A Casa Branca já admite coisas ("A Casa Branca admitiu hoje que a situação no Iraque é um dos factores que contribui para a difusão dos ideais dos radicais islâmicos") que os nossos Mestres Pensadores se recusam a admitir mantendo a cabeça debaixo da areia. Teimosia ou burrice?

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Sair o tiro pela culatra.

Meu caro Pedro: ando a insistir neste assunto há algum tempo. (aliás, fico incomodado, sinceramente, quando vejo que as mais acutilantes críticas à actuação do Presidente, sobretudo ao nível da blogosfera, provêm de alguns dos seus mais acérrimos apoiantes durante a campanha eleitoral - um exemplo patético é JCS que foi ao ponto de esconder o seu passado não permitindo o acesso ao que aí foi publicado nos meses anteriores.) No entanto, eu sou mais comezinho na análise das motivações de Cavaco Silva: primeiro, Cavaco sabe que, no essencial, José Sócrates está a fazer o que é necessário na situação em que Portugal se encontra. Mais: Sócrates está a fazer aquilo que Cavaco faria se estivesse no seu lugar (hoje, com a experiência que tem de quando foi primeiro-ministro e dos erros que cometeu, de que o exemplo mais actual foi o regime de carreiras e remunerações da Função Pública que Eduardo Pitta hoje desmontou). Daí o apoio por acção ou omissão ao Governo; segundo, Cavaco não acredita nos méritos governativos da actual direcção do PSD e teme, por experiência própria, a ganância do aparelho do seu partido; terceiro, Cavaco não quer ficar na história como o primeiro Presidente a não conseguir ser eleito para um segundo mandato (aliás, sabe como o confronto “esquerda/direita” é complicado nas presidenciais) e, por isso, este primeiro mandato joga em dois tabuleiros – obter o apoio do PS (como Mário Soares obteve o apoio do PSD em 1991) ou, caso falhe esta hipótese, ter assegurado apoio informal no eleitoral socialista que permita a reeleição sem sobressaltos. As “interpretações dos poderes constitucionais”, com todo o respeito, ajustam-se sempre às circunstâncias. Teremos oportunidade de ver como serão outras essas interpretações constitucionais num segundo mandato. Quanto ao ódio que Cavaco nutre por certa direita estamos de acordo. É uma questão psicológica, mas sobretudo de origem de classe. O que é facto, após seis meses de mandato presidencial, é que a direita que queria ver Cavaco como seu ponta de lança já percebeu que lhe saiu o tiro pela culatra: o Presidente da direita está, no essencial, de acordo como o governo do PS. Ainda bem para o país!
(PS: Escrevo sobre este assunto com a tranquilidade de quem apoiou e votou em Mário Soares - tal como o fiz desde Abril de 1975).

O amor já não é o que era.

Cheguei ao aeroporto de Lisboa ao fim da manhã. Era Novembro e um sol outonal enchia a cidade em dia de S. Martinho, contrastando com a chuva miudinha e irritante que me acinzentara os três dias que, por dever de ofício, passara em Londres. Apressado, apanhei um táxi para a Rua de S. Bento. Mal iniciámos a marcha, disse ao taxista, à laia de meter conversa: - que dia bonito! Respondeu-me, prontamente, com ar de censura, como a querer contrariar-me, olhando pelo retrovisor: – Para quem trabalha os dias são todos iguais. Depois de uns segundos de silêncio, retorqui: - Não seja tão amargo com a vida. Mesmo para quem trabalha há dias bonitos. Meu amigo – disse-me, num tom de voz menos agreste, olhando-me sempre através do retrovisor – Vou fazer um desabafo: eu estou amargo, é verdade. E sabe porquê? Destruíram-me a minha vivenda. Você sabe o que é isso? Destruírem a casinha onde eu vivi durante vinte e cinco anos? Não sabe. De certeza que não sabe, por isso diz que o dia está bonito. Mas, eu explico se não o incomodo: - Nasci em Trás-os-Montes, na aldeia do Pessegueiro, concelho de Bragança. Você que tem ar de quem nasceu em Lisboa, na capital, como vocês enchem a boca, não sabe o que é nascer por trás do sol-posto, entre montes, pedras, galinhas e cabras. Desculpe, vamos pela Gago Coutinho ou pela Segunda Circular? Como eu quiser? O senhor é quem paga, o senhor é quem manda. Você não percebe, nem imagina o que é nascer e viver numa pequena casa de granito isolada por detrás do sol-posto, entre montes, pedras, galinhas e cabras. Vim para Lisboa com dezoito anos acabados de fazer, completamente ao deus dará, sem eira, nem beira, como se costuma dizer. A minha mãezinha, que Deus tem, deu-me o dinheiro à conta para a passagem de comboio. Não tinha nem mais um tostão. Coitada. Uma vida inteira a labutar de sol a sol. Para quê? Só para ter comida para a boca. Mais nada. Cheguei aqui em Julho de 1966, lembro-me como se fosse hoje. Estava um calor de rachar e não conhecia ninguém. Fiquei embasbacado com tudo isto. Calcorreei a cidade durante dois dias e dormi duas noites nos bancos da Avenida da Liberdade. Mas os tempos eram outros, melhores tempos, digo-lhe eu. Não me julgue mal. Eu não gostava do fascismo, ninguém gostava do fascismo. Isto assim, em democracia, é muito melhor: podemos correr com eles quando nos dá na gana. Correr com os que estão no poder, compreende? Eu voto sempre nos que lá não estão para ver se isto melhora. E pode-se falar à vontade. Dizer mal deste e daquele. É outra coisa. Mas ia eu a dizer: dois dias depois de ter chegado a Lisboa já estava a trabalhar como trolha. E era jeitoso no trabalho. Cumpridor, como ninguém. Cheguei a servente de pedreiro antes de ir para a tropa. Fiz pela vida, compreende? Eu não queria passar a vida inteira a carregar com baldes de cimento e de areia. Com o dinheirinho que trouxe do ultramar comprei um táxi. Como vê sou taxista, um profissional competente, com carro próprio e os impostos em dia. O carro já está a ficar velho, mas não devo um tostão a ninguém. Não sou como essa gente que anda por aí a comer em bons restaurantes, com bons carros, mas estão cheios de dívidas aos bancos. Quantos anos tenho, pergunta o senhor? Faça o senhor as contas. Nasci em 1948.Não tarda muito estou nos sessenta. Estive na guerra do Ultramar. Em Angola O senhor também deve ter estado lá também. Tem idade para isso. Íamos todos. Está a ver aqui no meu braço: LUANDA, 1971, está a ver? E vê aqui, por baixo do coração: AMOR DE MÃE. Gostava muito da minha mãe, coitada, que a sua alma esteja em descanso. Morreu no Pessegueiro, por detrás daqueles montes todos, sem nunca ter vindo a Lisboa. Só foi a Bragança duas ou três vezes na vida. A minha mãe emprenhou, tinha trinta anos, ali mesmo debaixo de uma árvore. E o raio do moçoilo, mal ela lhe disse que estava grávida, desapareceu que nem um raio. Até hoje. Dizem que foi para França e que por lá se acomodou com outra. A minha mãe não era mulher para lamúrias. Ele – o meu pai – nunca me procurou. Nem sei se ele sabe que eu existo. E o que ela sofreu sozinha sem despejar palavra, sem um queixume. Até morrer, coitada. O senhor não sabe a dor de alma que é uma pessoa estar na guerra, em Angola, como já lhe disse, e receber a notícia que a minha mãe tinha morrido. Já estava enterrada e bem enterrada quando recebi a notícia. Só vi a campa um ano depois. Mas não era isto que eu lhe queria contar. Vamos pelos Estados Unidos da América ou descemos a Almirante Reis? Almirante Reis, Campo Santana, Rua das Pretas, Praça da Alegria? É muito mais longe, mas o senhor é quem paga, o senhor é quem manda. A vida é uma merda, digo-lhe eu, e desculpe-me falar assim. Veja só o senhor o que me aconteceu: vivia eu sossegado com a minha Rosa numa vivenda na Musgueira Norte. Conhece? Ali mesmo por detrás do aeroporto. Era de madeira, mas eu já tenho visto filmes americanos com bonitas casas de madeira onde vive gente rica. Era de madeira, mas tinha muito espaço. E pagava só quinhentos e vinte escudos por mês. Vivi ali com a minha Rosa desde que vim de Angola. Quase trinta anos, amigo. São muitos anos. É muita vida. Não temos filhos. Coisas dela, está bom de ver. Às vezes, com voz mansa para eu não me enfurecer, a minha Rosa diz-me que posso ser eu o culpado, mas quem acredita numa coisa dessas? Quem tem de parir é ela, não sou eu. Concorda comigo, não concorda? Namorei com a minha Rosa desde os dezanove anos. Conhecia-a num baile na sociedade recreativa de S. Mamede, ali ao pé do Largo do Rato. Conhece? Aos domingos à tarde lá estava eu com a minha melhor roupinha. Até gravata levava. Ela era muito jeitosa e muito pretendida. E sabe uma coisa? Fui para a guerra, para aquela guerra traiçoeira, traiçoeira digo-lhe eu, com aquelas picadas sem fim, as minas, os tiros que saíam nem se sabe de onde, e mesmo naquele calvário nunca a traí com ninguém. Os outros, os meus companheiros, casados e solteiros, sempre que vinham a Luanda iam para a cama com as pretas gastar o pouco dinheiro que tanto custava a ganhar. Mas eu não. Preferia ficar na caserna a pensar nas mamas da minha Rosa. A Rosa tinha boas mamas, e eu sempre gostei de mulheres com boas mamas. Mas cheguei cá são e salvo e sem doença que se visse, graças a Deus. E casei logo com a minha Rosa. Ela esteve aqui à minha espera, como uma santa. Até me dá vergonha dizer isto, mas é verdade: ela é a única mulher da minha vida. E também eu sou o único homem da vida dela. Fui eu que a desflorei depois de casarmos. Não foi como essas poucas-vergonhas que agora acontecem com estes jovens: quando casam já dormiram juntos tantas vezes que estão à beira de se separarem. É por isso que agora há tantos divórcios, sabia? Eu sei porque li há dias num jornal. No meu tempo não era assim. Mas eu queria contar-lhe porque é que estou amargo, para usar as suas palavras. Veja lá: os senhores da Câmara, com essas modernices de quererem acabar com as barracas e quererem meter toda a gente em prédios de cimento, começaram a deitar abaixo aquilo tudo. Eu já lhe disse que não vivia num barraca? Aquilo era uma vivenda. Tinha dois pisos. Era toda de madeira, mas tinha dois pisos. Fui eu que construí o piso de cima com madeira que ia comprando aos poucos. Com estas mãos calejadas que aqui vê. E só pagava quinhentos e vinte escudos pelos dois pisos. Agora, meteram-me num andar pequenino e mal construído. Muito mal construído, garanto-lhe eu que percebo da poda. Fui servente de pedreiro antes de ir para a tropa. O táxi veio depois. Protestei, mas os senhores da Câmara disseram-me que para mim e para a minha Rosa chegava. Que haviam outras famílias que precisavam mais do que eu. Quem tem filhos tem direito às casas maiores, disseram-me eles. Isto assim dito até parece que faz sentido, mas não faz sentido nenhum eu, Armindo de Sousa, ficar prejudicado. Gostava de ter filhos, mas a Rosa não lhe deu para isso. Nem sei a quem vou deixar o táxi. O que é que os senhores da Câmara sabem da minha vida para decidirem que aquele andar só com um quarto e uma sala chega para mim e para a minha Rosa? E sabe que mais, amigo? Está tudo mal construído. Está tudo tão mal construído que até as paredes são de “pladur”. Veja bem: agora, depois de me mudar para aquela casita, para acalmar a minha Rosa é um transtorno. Aí há dias, por causa da merda da casa, e peço desculpa outra vez, veio à baila a conversa dos filhos. E ela a querer, outra vez, passar a culpa para cima de mim. Sabe o que é que ela me disse? Que ainda estava a tempo de tirar as teimas indo para a cama com outro homem. Isto é coisa que se diga a um marido? Amigo, falo-lhe com o coração: se fosse na nossa vivenda, aquela que os senhores da Câmara demoliram, a Rosa tinha apanhado um soco nas trombas que até voava. Mas ali tive que me conter. Está a ver? As paredes são de “pladur" e eu tive medo que ela fosse parar à casa do vizinho. Já viu o transtorno que isto me causa? Já viu porque para mim não há dias bonitos? Lisboa, Dezembro de 2002.

Meter o dedo na ferida:

Silêncios (2)
Há muita gente que assobiou para o ar em relação às manifestações (nalguns casos violentas) da direita (a que se associou a extrema-direita) que visavam destituir na rua o primeiro-ministro da Hungria eleito democraticamente.

Pequenos prazeres:
Estar de acordo com o João. (Estive tentado a reproduzir o belo quadro, mas achei que era uma forma grosseira de copiar a ideia.)

Silêncios? À atenção do Jorge Ferreira: «Que chatice para a direita

Por favor...não me deixem mal colocado.
Muitos dos votantes de Cavaco Silva não andam contentes com a sua actuação. Criticam-no por tudo e por nada. Até parece que acreditaram que o homem, uma vez eleito, ia mesmo desempenhar o cargo de primeiro-ministro. Até me sinto incomodado: quase parece que sou eu o cavaquista.

domingo, 24 de setembro de 2006

Até amanhã. (Sabine Germanier -Techniques mixtes 70/100 cm)

Isto não está tão mal como parece...
Afinal de contas, segundo reza uma notícia de primeira página do Sol, Valentim Loureiro só controla um terço dos árbitos. Pensava eu que era muito mais.

Até dá gosto ler:

«É por isso que eu acho que o "direito à greve" não tem lugar num Estado de Direito. Ou há violação de contratos ou não há: se há, existem os tribunais; se não há, alguém está violar os direitos legais e reais dos outros. E hoje, claramente, os violadores são os grevistas.» O que mais gostei foi "os violadores são os grevistas", sem menosprezar "o direito à greve não tem lugar num Estado de Direito". Fez-me lembrar os argumentos dos Sovietes no começo dos anos 20, quando consolidaram o poder: "Agora o poder está nas mãos da classe operária e a classe operária não faz greves contra si própria, por isso qualquer greve só pode estar ao serviço dos reaccionários internos e do imperialismo internacional". Não explicam o que se passou num dia de Maio de 1886, em Chicago. Depois o pessoal não sabe.

A verdade é como o azeite...

Relembro o que escrevi aqui há algum tempo: sobre a intervenção militar americana no Iraque, hoje, não há duas opiniões; há apenas aqueles que tiveram razão e os que não querem admitir que se enganaram. Acrescento: mas estes são cada vez menos. Hoje, foi dado eco a um relatório dos serviços secretos norte-americanos que conclui que a guerra no Iraque aumentou a ameaça terrorista. A desmontagem da aventura norte-americana a que muitas vozes lusas se associaram está concluida. Primeiro, comprovou-se a inexistência de armas de destruição maciça, em nome das quais a invasão se justificava. Por cá, as vozes carregadas de argumentos falaciosos, desastrados e patéticos que secundaram as “teses” vindas do outro lado do Atlântico, ficaram em silêncio, uns; ou disseram que, apesar de tudo, a invasão tinha valido a pena porque constituía uma derrota da Al-Qaeda e do terrorismo internacional, outros. Mais tarde, o próprio Senado norte-americano chegou à conclusão de que o antigo regime iraquiano não tinha qualquer ligação à Al-Qaeda. Novo balde de água fria sobre os senhores da guerra. Mas, mesmo assim, por cá, poucos se atreveram a admitir o logro em que caíram. Agora, este relatório enterra definitivamente as vozes dos senhores da guerra: a invasão do Iraque aumentou a ameaça terrorista. A última réstia que resta é o argumento da democracia exportada através dos mísseis para o Iraque. Mas há alguém de bom senso que tenha coragem de falar em democracia no Iraque? Por fim, a desmontagem da aventura da Administração Bush foi feita a partir dos Estados Unidos – do Senado, dos serviços secretos, da comunicação social. Este facto tem dois significados: primeiro, permitiu que a desmontagem não fosse rotulada de “teoria da conspiração”; segundo, demonstra que a Democracia nos Estados Unidos é tão forte que resiste a um personagem como o anedótico senhor Bush.

Parque Nacional da Peneda Gerês.(2) «O comandante do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC) afirmou hoje em Arcos de Valdevez que os incêndios e a área florestal ardida desceram significativamente este ano, "apesar de ter havido cinco ondas de calor". Segundo Gil Martins, em 2006, registaram-se menos 11 por cento de fogos do que na média dos últimos cinco anos e menos 67 por cento, em média, de área ardida em relação ao mesmo período.
O comandante do SNBPC falava no Mezio, Parque Nacional da Peneda-Gerês, perante o Presidente da República, Cavaco Silva, durante a sessão de apresentação, pelo Governo, do balanço provisório da época de fogos florestais que aponta para uma diminuição de 78 por cento da área ardida, face a 2005. » Sic Online.
Ou seja: Cavaco Silva foi ao Parque Nacional da Peneda Gerês dar o seu aval ao Governo pelos "resultados positivos inequívocos" no combate aos fogos florestais e repetiu o que o Governo (o ministro da tutela) disse em diversas ocasiões: não estamos satisfeitos, mas os resultados são estimulantes. Assunto encerrado porque, agora, a chuva cai a cântaros.

Vanessa Fernandes

12 vitórias consecutivas - ontem foi em Pequim - na Taça do Mundo de triatlo.

Até amanhã.

(Sabine Germanier - Phuopsis (stylos, encre, crayons de couleurs, feutres, pastels) 70/70 cm)

sábado, 23 de setembro de 2006

Catalunha. Sempre me atraiu o informalismo despretensioso catalão. Como me encanta Barcelona, Tàpies, Miró, Gaudí, Dalí, o design e a moda, por exemplo. Para além disso, a revolta da Catalunha em 1640 permitiu que em Lisboa se atirasse Miguel Vasconcellos pela janela e nos livrássemos do jugo castelhano. Obviamente, isto não tem nada a ver com o facto de mais de um quarto dos portugueses preferirem ser espanhóis.

Audiência...
Cavaco Silva vai receber a direcção da Associação Nacional de Municípios (ANMP) em audiência, no próximo dia 2 de Outubro, depois da estrutura ter contestado junto do Governo a nova Lei das Finanças Locais. E...? Estará contra a Lei das Finanças Locais? Ou está apenas a desempenhar o seu papel de "válvula de escape" do Governo? A ida ao Gerês já deu a resposta. Ou será que é esta audiência que dá a resposta à ida ao Gerês?
(Adenda: alguns jornalistas, bem como alguns votantes de Cavaco Silva, estes desesperadamente à procura de justificar o seu voto, procuram encontrar sinais de dessintonia entre Cavaco e Sócrates. Mas Cavaco não lhes faz a vontade. Quanto à audiência Cavaco disse o óbvio: destina-se "apenas para ouvir o que eles querem dizer", aliás como é seu dever. Mais tarde, debaixo de interrogatório jornalístico, o Presidente disse acreditar que "nenhum concelho do interior será asfixiado" pela nova legislação. Mais claro não podia ser)

Febre tifóide.

Nem Chirac, nem a Administração norte-americana querem confirmar a morte de Bin Laden. Mas tudo se conjuga para que a febre tifóide tenha humilhado o senhor Bush, as forças armadas e os serviços secretos norte-americanos. É obra! Não venham, agora, com falinhas mansas dizer que foram os serviços secretos ianques que "lançaram" a febre tifóide nas montanhas entre o Afeganistão e o Paquistão porque essa da "teoria da conspiração" já deu o que tinha a dar.

A vida.
«Mas talvez então já tivesse descoberto que, apesar de tudo, a vida vale a pena ser vivida.»

(Última frase de O coração do Tártaro, de Rosa Montero.)

Parque Nacional da Peneda Gerês.
Até ao momento, o mais relevante que Cavaco Silva disse sobre o balanço provisório da época de incêndios foi que a escolha do novo procurador foi em consenso com Sócrates. Significativo: ter sido a palavra consenso a escolhida exactamente na Peneda Gerês. Ainda não está claro? Para mim está. Nestas coisas não há nada como um resposta à altura.
(Adenda: este não é um comentário de antecipação, mas uma interpretação desapaixonada de factos; a existir um comentário de antecipação é este.)

Fiasco!

São raros os momentos de (quase) unanimidade nacional. O fiasco do "Compromisso Portugal" é um desses momentos.

Anote na agenda.

O Café de São Bento, onde se serve o melhor bife de Lisboa e arredores, reabriu.

A "teoria da conspiração" volta a atacar.
«Os serviços secretos da Arábia Saudita estão convictos de que Osama bin Laden morreu de tifo em finais do mês passado.» - Informa o Público online. A ser verdade fica provado que o tifo é mais poderoso que o poderio militar norte-amaricano.

Perguntar incomoda?

Ao ler o novíssimo blogue Não li nem quero ler, assaltou-me uma dúvida: seriam os seus autores capazes de escrever com a mesma "acutilância" se os seus nomes - aqueles que constam no BI - estivessem escarrapachados no cabeçalho do dito blogue? Eu, nesta matéria, tenho um princípio: as cartas anónimas, quando não são de amor*, vão para o lixo.
(* Por exemplo, O Jumento escreve cartas de amor.)

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Até dá gosto ler:

«Defendo intransigentemente a liberdade de expressão, mas às vezes encontro-me num problema emocional à antiga. Ora, se eu fosse o Senhor Bush, calava o Senhor Chávez. Mas calava-o com um golpe palaciano daqueles que, algumas décadas mais tarde, dava uma película realizada por Oliver Stone. » O que gostei mais foi do "intransigentemente" , sem menosprezar o"golpe palaciano". Em suma: quando eles escrevem nós entendemos. Aliás, nem é necessário recorrer ao Oliver Stone. Kosta Grava tem a experiência de "Chove em Santiago". É por estas, e por outras - escritas com o coração ao pé da boca - que eu melhor entendo os apoiante do senhor Bush. O pessoal do costume, aqui, assobia para o ar ... isso é um desabafo "emocional" inconsequente - dizem.

Será desacordo?
O que mais me impressionou no novo blogue Cinco Dias foi o facto de não respeitarem os três dias de descanso propostos por Franscisco Louçã.

Até amanhã. (Terry Rodgers - Sandi, 1992, 60" x 60", oil on canvas.)

Será verdade?

Será no meio que está a virtude? ...às vezes (muitas vezes) os extremos tocam-se.

Beato. «Ouvir o que têm para nos dizer alguns dos gestores de topo de Portugal acaba por ser mais um triste contributo para percebermos porque está o País como está. Como é vulgar, há muitos conselhos para os outros, pouco ou nenhum pensamento sobre o que cada um no seu lugar pode fazer por Portugal. » Helena Garrido, DN 22-09.

Pequenos prazeres:
«É abatê-los» João Morgado Fernandes (french kissin).
«IMPORTA-SE DE REPETIR? [12]», Eduardo Pitta (Da Literatura)

Pensamentos indendiários.
Ao Paulo e, também, ao João, porque precisam de acreditar, nem por um instante lhes passou pela cabeça um pensamento incendiário: Cavaco Silva vai ao Gerês desfazer possíveis ressentimentos contra o Governo em matéria de "fogos florestais". No fundo vai ser esse o efeito prático, na medida em que nada se vai alterar, nomeadamente ao nível dos apois reclamados. Mesmo ao nível do acto em si - a preocupação de se inteirar das consequências dos incêndios florestais -, a hipótese de não ser interpretado como um reparo ao governo depende somente das declarações que Cavaco Silva prestar "in loco". Fico a aguardar.

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

O FABULOSO TEATRO DO GIGANTE

Depois de A Noite dos Animais Inventados, Prémio Branquinho da Fonseca 2005, este é o primeiro romance para adultos do jovem escritor David Machado: Thomas é um forasteiro agigantado, oriundo de um país sul-americano que, acompanhado de Eunice, uma mulher pequena de cabelos cor de fogo, um dia chegaram à aldeia de Lagares, nas entranhas do Minho. Ele é um contador de histórias que encantam os habitantes de Lagares. Um dia, porém, o Gigante adormece e o seu sono prolonga-se por meses, anos, mas continua a contar as histórias com que vai sonhando. Nessa espera interminável, Eunice decide anotar por escrito tudo o que sonha aquele homem que ama e que tanto a fascina. E será a partir daí que as coisas seguirão um novo e extraordinário curso, mudando para sempre a vida daquela gente. O realismo minhoto e o fantástico
(Ainda não há dois anos, depois de ler os primeiros capítulos do romance agora publicado, transmiti ao David, à volta de uma cerveja, no Pavilhão Chinês que era só uma questão de tempo. E foi. Mas há muito mais para publicar.)

Coisas que nunca te disse. (8)

«Hoje sabe-se que os grandes artistas modernos não são exclusivamente um produto dos ideólogos revolucionários dos tempos da guilhotina, nem tão pouco da retórica dos anti-clericais, nem das posteriores teorias da luta de classes, ainda que tudo isso tenha acontecido real e necessariamente.» - Antoni Tàpies.

Há sempre tempo.
«Há sempre muito tempo para magoar, quando se sabe onde estão os ferimentos de guerra.»

(Última frase de O estranho mundo de Garp, de John Irving)

Há quem não acredite em bruxas ... pero que las hay, hay!

Onde é que eu já ouvi isto:
O general Sonthi Boonyaratglin, autor do golpe de Estado em Banguecoque, declarou: "o Exército agiu em conformidade com a voz do povo" .

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Distracções

Para obter uma informação diversificada sobre os vários assuntos que diariamente nos assolam os neurónios, não há melhor do que ler a "blogosfera". Por exemplo, andava eu tão distraído que não dei conta que foi apresentada à discussão na Assembleia da República uma proposta de lei fascista sobre o estatuto dos jornalistas. Contudo, não fiquei esclarecido sobre quem apresentou tal proposta fascista? Terá sido aquela senhora de nome Fino que é jornalista no "Avante" para calar a voz dos "reaccionários que actuam a soldo dos imperialistas" ou esses desavergonhados que se denominam socialistas (estão no poder para melhor servir a direita) que querem calar a voz da "classe operária e do povo trabalhador" das Telheiras? Comigo, têm o meu voto: o Fascismo, não passará!

É uma questão de bom gosto.
quem, após o pequeno-almoço, se dedique à leitura do Correio da Manhã. Dou um conselho: não há nada mais reconfortante após o pequeno almoço do que ver como a Bomba acordou.

É evidente
... mesmo para um agnóstico, como eu, que Sua Santidade está a dar justificações a mais.

Praça das Flores. Praça das Flores (Lisboa)

Apesar de suspeito (por ser esta há muito tempo a minha aldeia), eu afirmo sem receio de contradita, grande ou pequena, que bastaria a Praça das Flores para Lisboa valer a pena. (Foto e poema de Torquato da Luz , Ofício Diário)

À atenção dos cozinheiros:
Vêm aí muitas histórias contras os aventais.

Até amanhã (hoje, excepcionalmente, é a dobrar.) (Carla Carvalho)

Até amanhã. (Carla Carvalho, Desenho a grafite e caneta, 2003)

Faz 6 anos esta noite.

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Depressão. O senhor Anacleto Louçã ainda não saiu da depressão que dele se apossou após o resultado minguado que obteve nas presidenciais. Desde aí ultrapassou a postura ideologicamente trostkista, vagamente modernizada, despejada em ritmo seminarista, e entrou abertamente no devaneio paranóico, a recordar:
1.«Temos o Carrapatoso/Corleone, o Belmiro/Corleone e o Paulo Teixeira/Corleone", que "tal como Corleone fazia aos seus colaboradores, apresentando-lhes propostas que não podiam ser recusadas, sob pena de morte, também os empresários fazem propostas irrecusáveis de rescisões voluntárias aos trabalhadores».
2. «O desemprego combate-se aumentando para 3 dias o descanso obrigatório de todos os trabalhadores.»
Dado o notório estado depressivo aconselha-se consulta a psiquiatra.
(PS: Eu sei que questões político-ideológicas não são assunto de psiquiatra, mas há aqui uma "aceleração" pessoal que merece cuidados especiais de especialistas).

Piadas sem piada.
Este restaurante encerra de Sexta a Domingo para descanso do pessoal. Nestes dias está aberto um restaurante na sede nacional do bloco de esquerda.

Golpes baixos.

Provavelmente o primeiro-ministro da Tailândia mentiu… e então vieram os militares, que não gostam de mentiras, nem que os políticos “dividam o povo”, destituíram o primeiro-ministro, suspenderam a Constituição, dissolveram as duas Câmaras do Parlamento e o Tribunal Constitucional. Mas garantem que tudo isto é temporário, que um dia vão devolver o “poder ao povo”. Parece que há quem queira o mesmo na Hungria.

Até que enfim! ... e conseguiu a proeza de se ir embora sem ter metido o Envelope na caixa do correio.

Histórias.
«Não te julgues o único autor de histórias neste mundo. Mais tarde ou mais cedo há de haver algúem, mais mentiroso que Baudolino, que a contará.»

(Última frase deBaudolino, de Umberto Eco)

Clubite?

Quando populistas de esquerda e extrema-esquerda, em países da América Latina, como aconteceu várias vezes nos últimos anos, saem à rua para destituir um presidente ou um primeiro-ministro eleito constituicionalmente, por isto ou por aquilo, as vozes do costume vêm a terreiro, escandalizadas - e bem! -, dizer aqui d'el-rei que querem destruir a democracia. As mesmas vozes mostram simpatia, agora, na Hungria pela oposição da direita e de extrema-direita que está na rua a exigir a destituição do primeiro-ministro que mentiu durante a campanha eleitoral. Estas vozes do costume têm de decidir-se de uma vez por todas sobre a ligitimidade, no quadro democrático, da destituição, através de manifestações de rua, mais ou menos violentas, mais ou menos participadas, de presidentes e primeiros-ministros eleitos constitucionalmente e sem denúncias de fraude eleitoral. Motivos para a destituição encontram-se sempre - uns mentem, outros não cumprem. Enquanto os critérios de avaliação das situações forem de "esquerda" ou de "direita" andamos a imitar os princípios da III Internacional, aplicados ainda hoje pelos comunistas (PCP/BE) portugueses: o que é bom aqui, não é bom ali e vice-versa.

Boas notícias
... para os portugueses. Más notícias para os trotskistas:«Número de desempregados registados desceu seis por cento entre Janeiro e Agosto

Até amanhã.

(Brad Holand, Óleo sobre tela).

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Será verdade?
Que o PCP não tem militantes; tem consultores.

A luta de classes dos nosssos tempos. Uns têm muito; outros têm pouco. Mas todos parecem contentes.

Ilustração (2) ((Dave Decat - Ilustrador belga).

Pasarela Cibeles: a moda em Madrid.

Atenção.
O Paulo enviou uma mensagem enigmática.

Ainda a Festa do "Avante":
«De resto foi tudo do melhor: fogueira, febras, arrotinhos e traquezitos ao ar livre, sombra de manhã, garrafas de tinto, tintos entornados nas esteiras, nem sinal de formigas nem de melgas. Não sei se foi o fim do Verão. Vamos ver
(Testemunho Aqui e Aqui)