sábado, 30 de setembro de 2006
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30.9.06
O DN de hoje, assim como quem não quer a coisa, na última página, dá a notícia breve de que Ernest Hemingway – um dos meus escritores preferidos – teria afirmado (e escrito numa carta) que, em 1944, integrado como oficial no 22º Regimento da IV Divisão de Infantaria dos EUA, matou a tiro 122 prisioneiros alemães. Depois de Günter Grass ter assumido a sua participação nas SS só me faltava esta. Mas, como é hábito no jornalismo de meia bola e força, a pequena notícia do DN fica-se pelo folclore do “escândalo”: não diz que esta “novidade” está num livro de anedotas sobre escritores da autoria do jornalista alemão, Rainer Schmitz. Anedotas – repito. Outra coisa que o jornalismo despreocupado do meio bola e força não diz é que o próprio autor do livro considera que provavelmente se trata de fanfarronices do escritor e que essa “notícia” já tinha sido publicada, sem qualquer relevância, nos Estados Unidos, em 1992, num artigo da A Life Without Consequences, assinado por James Mellow. Aliás, o jornalista alemão conta ainda que Pablo Picasso não acreditou nessa história quando Hemingway a contou durante um jantar. "Isso é mentira" — disse Picasso na cara do norte-americano. Afinal de contas o jornalismo do meio bola e força transforma uma anedota numa notícia séria. Vejam lá se trabalham um pouco mais que a produtividade em Portugal está muito baixa.
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30.9.06
Em véspera de eleições presidenciais no Brasil, após o primeiro mandato de Lula da Silva, é quase unânime a opinião dos comentadores em relação a duas questões importantes. A primeira, tem a ver com os medos (mais um argumento político eleitoral para assustar do que outra coisa) da direita brasileira (e internacional) de que o “sindicalista” arrastaria o Brasil para um populismo à Chàvez. Enganaram-se! A segunda diz respeito a outro dos medos da direita: o caos económico. Enganaram-se, também. Em síntese: “o balanço da presidência de Lula da Silva parece justificar a sua reeleição à primeira volta: a economia cresceu, a estabilidade macroeconómica está garantida, o número de brasileiros a viver abaixo do limiar da pobreza extrema reduziu-se e Lula resistiu às duas doenças endémicas da política da América Latina, o despotismo e o populismo.” (Manuel Carvalho, Público). Finalmente a corrupção. Lula da Silva não conseguiu diminuir os níveis de corrupção que afectam a complexa teia do poder (local, estadual e federal) no Brasil há muitas e muitas décadas. À falta de outros, foi este o único argumento utilizado nesta campanha eleitoral contra Lula. A avaliar pelas sondagens, tais argumentos beliscam, mas não matam. Quer isto dizer que à boa maneira brasileira, o Zé-povinho, sobretudo os mais desfavorecidos (os maiores beneficiários do crescimento económico e da redistribuição da riqueza criada) dizem: “Então é só este? E que é dos outros? Pelo menos este ajuda o pessoal.” Amanhã se verá o resultado, mas o povo brasileiro ganha mais com a vitória de Lula da Silva do que com a sua derrota.
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30.9.06
Até amanhã.
(Terry Rodges -The Inluence of Civilization, 2005, 56" x 72 ", oil on linen)
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sexta-feira, 29 de setembro de 2006
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29.9.06
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29.9.06
Alexandre Herculano, lembram-se?
Em Setembro de 1877 morreu Alexandre Herculano. Todos os anos, em Setembro, passa mais um ano sobre a sua morte. A vulgaridade do acontecimento enforca-nos no esquecimento. Herculano nada diz aos nossos jovens porque a Educação nos nossos dias apela mais ao esquecimento do que à memória. Por isso, relembro aqui um texto de Vitorino Nemésio (Se bem me lembro...) sobre Herculano: «Mais do que um escritor, ele foi o que se chama uma pessoa; quer dizer: aquilo que responde por si diante do universo e que deus não deixa perecer. Uma pessoa conhece-se pela consciência, como um veleiro pelas velas, e a de Herculano era vasta e de muito vento. O seu temperamento, tipicamente português. Oliveira Martins, que sabia disto de homens, chamou-lhe “um D. João de Castro da burguesia do século XIX”, e era. Nós de D. João de Castro sabemos sobretudo a história das barbas empenhadas; mas isso chega. Eram os tempos fantásticos em que, como diz um amigo meu, esta estupenda afirmação de um homem por um pelo era possível.»
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quinta-feira, 28 de setembro de 2006
quarta-feira, 27 de setembro de 2006
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27.9.06
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27.9.06
Amanhã, às 18.30, no Auditório da Fundação Mário Soares, Rua de S. Bento, 160, em Lisboa: "Memórias de um Guerrilheiro, de Alcides Sakala. Apresentação porMaria Antónia Palla.
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27.9.06
Foi hoje dada a notícia, pelo DN, (Privados prejudicam imagem de economia portuguesa) do índice global calculado pelo Fórum Económico Mundial para medir a competitividade de 125 países. Portugal ficou em 34º lugar no “ranking”, descendo 3 lugar em relação ao ano anterior. Da leitura retiram-se algumas conclusões interessantes:
1. O “Estado Social” é mais competitivo que o “Estado liberal”. Os países escandinavos são mais competitivos que os EUA. (Exemplo, a Suécia ocupa o 3º lugar e os EUA o 6º).
2 O Estado é o maior entrave à competitividade do sector privado. Os factores mais problemáticos para os negócios em Portugal têm origem no Estado, a saber: a) Burocracia do Estado; b) Regulação do mercado de trabalho; c) qualificação da mão-de-obra (tem mais a ver com a Educação do que com a formação) e d) Impostos e sistema fiscal. Com um Estado a originar tantos e tão pesados factores negativos não há sector privado que resista.
3. O resultado obtido por Portugal referente a 2005 tem uma atenuante. O índice é calculado a partir de dados quantitativos (indicadores estatísticos, por exemplo) e dados qualitativos (inquéritos realizados aos dirigentes empresariais). Ora, estes inquéritos foram realizados na Primavera de 2005. Ou seja, no momento em que tinha acabado de passar o furacão Santana, cujo epicentro se desviou em grande correria para Bruxelas, e que arrasou literalmente Portugal durante 9 longos meses. Entende-se pois o estado de espírito dos empresários que responderam ao inquérito nesta altura. “Isto está uma grande merda” – deve ter sido o mínimo que podiam dizer.
4. De qualquer maneira, este “índice global” da competitividade do país vale o que vale: é só consultar a lista dos “factores problemáticos” e constatar que a corrupção está no fundo da lista.
Em conclusão: o título Privados prejudica imagem de economia portuguesa é, no mínimo, enganador. Seria mais adequado à leitura dos dados dizer: O Estado é o maior entrave à competitividade do sector privado. É necessário fazer a advertência não venha para aí algum Mestre Pensador propor novas nacionalizações.
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27.9.06
terça-feira, 26 de setembro de 2006
Brasil - Partido da Frente Liberal (PFL).
Os liberais brasileiros não bricam em serviço: Camila Kiss, de 28 anos, modelo e atriz, já posou nua em revistas masculinas; hoje, actua em programa televisivo humorístico e é a candidata a deputada estadual pelo Partido da Frente Liberal (PFL). Liberal por liberal, prefiro a Camila ao Professor Arroja. (Via Puxa Palavra).
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segunda-feira, 25 de setembro de 2006
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25.9.06
O amor já não é o que era.
Cheguei ao aeroporto de Lisboa ao fim da manhã. Era Novembro e um sol outonal enchia a cidade em dia de S. Martinho, contrastando com a chuva miudinha e irritante que me acinzentara os três dias que, por dever de ofício, passara em Londres. Apressado, apanhei um táxi para a Rua de S. Bento. Mal iniciámos a marcha, disse ao taxista, à laia de meter conversa: - que dia bonito! Respondeu-me, prontamente, com ar de censura, como a querer contrariar-me, olhando pelo retrovisor: – Para quem trabalha os dias são todos iguais. Depois de uns segundos de silêncio, retorqui: - Não seja tão amargo com a vida. Mesmo para quem trabalha há dias bonitos. Meu amigo – disse-me, num tom de voz menos agreste, olhando-me sempre através do retrovisor – Vou fazer um desabafo: eu estou amargo, é verdade. E sabe porquê? Destruíram-me a minha vivenda. Você sabe o que é isso? Destruírem a casinha onde eu vivi durante vinte e cinco anos? Não sabe. De certeza que não sabe, por isso diz que o dia está bonito. Mas, eu explico se não o incomodo: - Nasci em Trás-os-Montes, na aldeia do Pessegueiro, concelho de Bragança. Você que tem ar de quem nasceu em Lisboa, na capital, como vocês enchem a boca, não sabe o que é nascer por trás do sol-posto, entre montes, pedras, galinhas e cabras. Desculpe, vamos pela Gago Coutinho ou pela Segunda Circular? Como eu quiser? O senhor é quem paga, o senhor é quem manda. Você não percebe, nem imagina o que é nascer e viver numa pequena casa de granito isolada por detrás do sol-posto, entre montes, pedras, galinhas e cabras. Vim para Lisboa com dezoito anos acabados de fazer, completamente ao deus dará, sem eira, nem beira, como se costuma dizer. A minha mãezinha, que Deus tem, deu-me o dinheiro à conta para a passagem de comboio. Não tinha nem mais um tostão. Coitada. Uma vida inteira a labutar de sol a sol. Para quê? Só para ter comida para a boca. Mais nada. Cheguei aqui em Julho de 1966, lembro-me como se fosse hoje. Estava um calor de rachar e não conhecia ninguém. Fiquei embasbacado com tudo isto. Calcorreei a cidade durante dois dias e dormi duas noites nos bancos da Avenida da Liberdade. Mas os tempos eram outros, melhores tempos, digo-lhe eu. Não me julgue mal. Eu não gostava do fascismo, ninguém gostava do fascismo. Isto assim, em democracia, é muito melhor: podemos correr com eles quando nos dá na gana. Correr com os que estão no poder, compreende? Eu voto sempre nos que lá não estão para ver se isto melhora. E pode-se falar à vontade. Dizer mal deste e daquele. É outra coisa. Mas ia eu a dizer: dois dias depois de ter chegado a Lisboa já estava a trabalhar como trolha. E era jeitoso no trabalho. Cumpridor, como ninguém. Cheguei a servente de pedreiro antes de ir para a tropa. Fiz pela vida, compreende? Eu não queria passar a vida inteira a carregar com baldes de cimento e de areia. Com o dinheirinho que trouxe do ultramar comprei um táxi. Como vê sou taxista, um profissional competente, com carro próprio e os impostos em dia. O carro já está a ficar velho, mas não devo um tostão a ninguém. Não sou como essa gente que anda por aí a comer em bons restaurantes, com bons carros, mas estão cheios de dívidas aos bancos. Quantos anos tenho, pergunta o senhor? Faça o senhor as contas. Nasci em 1948.Não tarda muito estou nos sessenta. Estive na guerra do Ultramar. Em Angola O senhor também deve ter estado lá também. Tem idade para isso. Íamos todos. Está a ver aqui no meu braço: LUANDA, 1971, está a ver? E vê aqui, por baixo do coração: AMOR DE MÃE. Gostava muito da minha mãe, coitada, que a sua alma esteja em descanso. Morreu no Pessegueiro, por detrás daqueles montes todos, sem nunca ter vindo a Lisboa. Só foi a Bragança duas ou três vezes na vida. A minha mãe emprenhou, tinha trinta anos, ali mesmo debaixo de uma árvore. E o raio do moçoilo, mal ela lhe disse que estava grávida, desapareceu que nem um raio. Até hoje. Dizem que foi para França e que por lá se acomodou com outra. A minha mãe não era mulher para lamúrias. Ele – o meu pai – nunca me procurou. Nem sei se ele sabe que eu existo. E o que ela sofreu sozinha sem despejar palavra, sem um queixume. Até morrer, coitada. O senhor não sabe a dor de alma que é uma pessoa estar na guerra, em Angola, como já lhe disse, e receber a notícia que a minha mãe tinha morrido. Já estava enterrada e bem enterrada quando recebi a notícia. Só vi a campa um ano depois. Mas não era isto que eu lhe queria contar. Vamos pelos Estados Unidos da América ou descemos a Almirante Reis? Almirante Reis, Campo Santana, Rua das Pretas, Praça da Alegria? É muito mais longe, mas o senhor é quem paga, o senhor é quem manda. A vida é uma merda, digo-lhe eu, e desculpe-me falar assim. Veja só o senhor o que me aconteceu: vivia eu sossegado com a minha Rosa numa vivenda na Musgueira Norte. Conhece? Ali mesmo por detrás do aeroporto. Era de madeira, mas eu já tenho visto filmes americanos com bonitas casas de madeira onde vive gente rica. Era de madeira, mas tinha muito espaço. E pagava só quinhentos e vinte escudos por mês. Vivi ali com a minha Rosa desde que vim de Angola. Quase trinta anos, amigo. São muitos anos. É muita vida. Não temos filhos. Coisas dela, está bom de ver. Às vezes, com voz mansa para eu não me enfurecer, a minha Rosa diz-me que posso ser eu o culpado, mas quem acredita numa coisa dessas? Quem tem de parir é ela, não sou eu. Concorda comigo, não concorda? Namorei com a minha Rosa desde os dezanove anos. Conhecia-a num baile na sociedade recreativa de S. Mamede, ali ao pé do Largo do Rato. Conhece? Aos domingos à tarde lá estava eu com a minha melhor roupinha. Até gravata levava. Ela era muito jeitosa e muito pretendida. E sabe uma coisa? Fui para a guerra, para aquela guerra traiçoeira, traiçoeira digo-lhe eu, com aquelas picadas sem fim, as minas, os tiros que saíam nem se sabe de onde, e mesmo naquele calvário nunca a traí com ninguém. Os outros, os meus companheiros, casados e solteiros, sempre que vinham a Luanda iam para a cama com as pretas gastar o pouco dinheiro que tanto custava a ganhar. Mas eu não. Preferia ficar na caserna a pensar nas mamas da minha Rosa. A Rosa tinha boas mamas, e eu sempre gostei de mulheres com boas mamas. Mas cheguei cá são e salvo e sem doença que se visse, graças a Deus. E casei logo com a minha Rosa. Ela esteve aqui à minha espera, como uma santa. Até me dá vergonha dizer isto, mas é verdade: ela é a única mulher da minha vida. E também eu sou o único homem da vida dela. Fui eu que a desflorei depois de casarmos. Não foi como essas poucas-vergonhas que agora acontecem com estes jovens: quando casam já dormiram juntos tantas vezes que estão à beira de se separarem. É por isso que agora há tantos divórcios, sabia? Eu sei porque li há dias num jornal. No meu tempo não era assim. Mas eu queria contar-lhe porque é que estou amargo, para usar as suas palavras. Veja lá: os senhores da Câmara, com essas modernices de quererem acabar com as barracas e quererem meter toda a gente em prédios de cimento, começaram a deitar abaixo aquilo tudo. Eu já lhe disse que não vivia num barraca? Aquilo era uma vivenda. Tinha dois pisos. Era toda de madeira, mas tinha dois pisos. Fui eu que construí o piso de cima com madeira que ia comprando aos poucos. Com estas mãos calejadas que aqui vê. E só pagava quinhentos e vinte escudos pelos dois pisos. Agora, meteram-me num andar pequenino e mal construído. Muito mal construído, garanto-lhe eu que percebo da poda. Fui servente de pedreiro antes de ir para a tropa. O táxi veio depois. Protestei, mas os senhores da Câmara disseram-me que para mim e para a minha Rosa chegava. Que haviam outras famílias que precisavam mais do que eu. Quem tem filhos tem direito às casas maiores, disseram-me eles. Isto assim dito até parece que faz sentido, mas não faz sentido nenhum eu, Armindo de Sousa, ficar prejudicado. Gostava de ter filhos, mas a Rosa não lhe deu para isso. Nem sei a quem vou deixar o táxi. O que é que os senhores da Câmara sabem da minha vida para decidirem que aquele andar só com um quarto e uma sala chega para mim e para a minha Rosa? E sabe que mais, amigo? Está tudo mal construído. Está tudo tão mal construído que até as paredes são de “pladur”. Veja bem: agora, depois de me mudar para aquela casita, para acalmar a minha Rosa é um transtorno. Aí há dias, por causa da merda da casa, e peço desculpa outra vez, veio à baila a conversa dos filhos. E ela a querer, outra vez, passar a culpa para cima de mim. Sabe o que é que ela me disse? Que ainda estava a tempo de tirar as teimas indo para a cama com outro homem. Isto é coisa que se diga a um marido? Amigo, falo-lhe com o coração: se fosse na nossa vivenda, aquela que os senhores da Câmara demoliram, a Rosa tinha apanhado um soco nas trombas que até voava. Mas ali tive que me conter. Está a ver? As paredes são de “pladur" e eu tive medo que ela fosse parar à casa do vizinho. Já viu o transtorno que isto me causa? Já viu porque para mim não há dias bonitos? Lisboa, Dezembro de 2002.
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domingo, 24 de setembro de 2006
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24.9.06
«É por isso que eu acho que o "direito à greve" não tem lugar num Estado de Direito. Ou há violação de contratos ou não há: se há, existem os tribunais; se não há, alguém está violar os direitos legais e reais dos outros. E hoje, claramente, os violadores são os grevistas.» O que mais gostei foi "os violadores são os grevistas", sem menosprezar "o direito à greve não tem lugar num Estado de Direito". Fez-me lembrar os argumentos dos Sovietes no começo dos anos 20, quando consolidaram o poder: "Agora o poder está nas mãos da classe operária e a classe operária não faz greves contra si própria, por isso qualquer greve só pode estar ao serviço dos reaccionários internos e do imperialismo internacional". Não explicam o que se passou num dia de Maio de 1886, em Chicago. Depois o pessoal não sabe.
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sábado, 23 de setembro de 2006
Sempre me atraiu o informalismo despretensioso catalão. Como me encanta Barcelona, Tàpies, Miró, Gaudí, Dalí, o design e a moda, por exemplo. Para além disso, a revolta da Catalunha em 1640 permitiu que em Lisboa se atirasse Miguel Vasconcellos pela janela e nos livrássemos do jugo castelhano. Obviamente, isto não tem nada a ver com o facto de mais de um quarto dos portugueses preferirem ser espanhóis.
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23.9.06
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23.9.06
Nem Chirac, nem a Administração norte-americana querem confirmar a morte de Bin Laden. Mas tudo se conjuga para que a febre tifóide tenha humilhado o senhor Bush, as forças armadas e os serviços secretos norte-americanos. É obra! Não venham, agora, com falinhas mansas dizer que foram os serviços secretos ianques que "lançaram" a febre tifóide nas montanhas entre o Afeganistão e o Paquistão porque essa da "teoria da conspiração" já deu o que tinha a dar.
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São raros os momentos de (quase) unanimidade nacional. O fiasco do "Compromisso Portugal" é um desses momentos.
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Perguntar incomoda?
Ao ler o novíssimo blogue Não li nem quero ler, assaltou-me uma dúvida: seriam os seus autores capazes de escrever com a mesma "acutilância" se os seus nomes - aqueles que constam no BI - estivessem escarrapachados no cabeçalho do dito blogue? Eu, nesta matéria, tenho um princípio: as cartas anónimas, quando não são de amor*, vão para o lixo.
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sexta-feira, 22 de setembro de 2006
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Será no meio que está a virtude? ...às vezes (muitas vezes) os extremos tocam-se.
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quinta-feira, 21 de setembro de 2006
O FABULOSO TEATRO DO GIGANTE
Depois de A Noite dos Animais Inventados, Prémio Branquinho da Fonseca 2005, este é o primeiro romance para adultos do jovem escritor David Machado: Thomas é um forasteiro agigantado, oriundo de um país sul-americano que, acompanhado de Eunice, uma mulher pequena de cabelos cor de fogo, um dia chegaram à aldeia de Lagares, nas entranhas do Minho. Ele é um contador de histórias que encantam os habitantes de Lagares. Um dia, porém, o Gigante adormece e o seu sono prolonga-se por meses, anos, mas continua a contar as histórias com que vai sonhando. Nessa espera interminável, Eunice decide anotar por escrito tudo o que sonha aquele homem que ama e que tanto a fascina. E será a partir daí que as coisas seguirão um novo e extraordinário curso, mudando para sempre a vida daquela gente. O realismo minhoto e o fantástico
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21.9.06
Coisas que nunca te disse. (8)
«Hoje sabe-se que os grandes artistas modernos não são exclusivamente um produto dos ideólogos revolucionários dos tempos da guilhotina, nem tão pouco da retórica dos anti-clericais, nem das posteriores teorias da luta de classes, ainda que tudo isso tenha acontecido real e necessariamente.» - Antoni Tàpies.
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quarta-feira, 20 de setembro de 2006
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20.9.06
Praça das Flores.
Praça das Flores (Lisboa)
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terça-feira, 19 de setembro de 2006
O senhor Anacleto Louçã ainda não saiu da depressão que dele se apossou após o resultado minguado que obteve nas presidenciais. Desde aí ultrapassou a postura ideologicamente trostkista, vagamente modernizada, despejada em ritmo seminarista, e entrou abertamente no devaneio paranóico, a recordar:
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19.9.06
Golpes baixos.
Provavelmente o primeiro-ministro da Tailândia mentiu… e então vieram os militares, que não gostam de mentiras, nem que os políticos “dividam o povo”, destituíram o primeiro-ministro, suspenderam a Constituição, dissolveram as duas Câmaras do Parlamento e o Tribunal Constitucional. Mas garantem que tudo isto é temporário, que um dia vão devolver o “poder ao povo”. Parece que há quem queira o mesmo na Hungria.
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Clubite?
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segunda-feira, 18 de setembro de 2006
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