terça-feira, 31 de outubro de 2006
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Novo livro de Encandescente - Palavras Mutantes.
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domingo, 29 de outubro de 2006
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sábado, 28 de outubro de 2006
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28.10.06
Daniel Ortega, o aborto e as eleições na Nicarágua.
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Mãos vazias.
(encandescente, Erotismo na Cidade)
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28.10.06
O aborto.
Sobre esta “história” do aborto (ou da IVG), um assunto incontornável até à realização do referendo, Eduardo Pitta (Da Literatura) ao escrever: “Ponto um: não gosto de referendos. Ponto dois: o aborto não é matéria referendável. Existe uma lei que é para cumprir.”, exigiu-me uma reflexão, sobretudo porque estou completamente de acordo com ele, incluindo o não gostar de referendos. No entanto, tudo isto tem um percurso. Em primeiro lugar, repito: a lei actual é suficiente para que a esta questão não se colocasse mas, no entanto, é dispensável dizer que a lei actual é letra morta (devido à confluência de vários poderes) e, por mais voltas que se dê, não é possível ressuscitá-la. Em consequência é necessário encontrar uma solução – uma nova lei para ser cumprida que ultrapasse os “traumas” actuais. Há quase 10 anos, em finais de 1997, a Assembleia da República, aprovou essa necessária Lei de despenalização do aborto (com o meu voto favorável, enquanto deputado do PS). Depois da aprovação da Lei, António Guterres, então primeiro-ministro, e Marcelo Rebelo de Sousa, então líder do PSD, acordaram que esta só entraria em vigor após referendada. O referendo realizado teve os resultados que todos conhecemos. A partir desse momento, goste-se ou não de referendos, a aprovação de qualquer Lei de despenalização do aborto deixou de ser uma matéria da competência política do Parlamento. Só por referendo se pode resolver esta questão. Ora, não sendo possível aplicar a lei actual (e não vale a pena argumentar com o irrealista “devia ser cumprida”) que resolveria satisfatoriamente esta questão; nem sendo politicamente ajustado encontrar uma solução no quadro da Assembleia da República, não resta outra solução senão promulgar uma nova lei, sufragada em referendo e que, vou ser crédulo, possa ser aplicada. Por isso, vou votar sim no referendo.
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28.10.06
sexta-feira, 27 de outubro de 2006
Arder em lume brando.
A quase três anos de eleições legislativas a sondagem hoje publicada pelo DN, que tantos comentários suscitou, é favorável ao PS (e ao Governo) e impiedosa para a única oposição susceptível de substituir o PS no Governo – o PSD. Deixemo-nos de subterfúgios e de paninhos quentes: um governo (e um partido) fustigado durante quinze dias por calinadas sucessivas de vários dos seus ministros e secretários de Estado – desde que o ministro da Economia “acabou” com a crise, os seus parceiros tomaram o gosto pelo disparate – e por uma manifestação, a propósito da qual “todos os observadores bem colocados” consideraram tratar-se do maior protesto nacional dos últimos vinte e cinco anos, digamos que, no mínimo, é obra, neste quadro, recolher intenções de voto no limiar da maioria absoluta. Se lhe juntarmos o facto de, no mesmo período, ter sido apresentado um Orçamento de Estado recheado de “atentados às classes trabalhadoras” e de algumas gaffes técnicas, podemos mesmo dizer que Marques Mendes não convence ninguém. Na circunstância, e durante os próximos tempos, um a dois anos, ninguém está interessado em jogar pela borda fora o inócuo líder do PSD: nem o PS, nem o PCP/BE; nem o PSD – todos por razões óbvias. Marques Mendes está, pois, a arder em lume brando!
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27.10.06
quinta-feira, 26 de outubro de 2006
«Tudo começou no Expresso de 14 de Outubro, há apenas dez dias. É verdade que já havia nas revistas do coração e nos tablóides uma exploração do mesmo tema, mas nunca tinha chegado à imprensa que se pretende séria e responsável. Para se perceber como é que a coisa funciona, basta seguir a sequência: no dia 14, o Expresso titula na primeira página "Casal Sócrates pelo sim", referindo-se à presença de José Sócrates enquanto secretário-geral do PS e uma jornalista descrita como sua "namorada" num debate sobre o aborto. O título era completamente abusivo: a presença dos dois na sala e o facto de fazerem intervenções sobre o mesmo tema era mais que justificado pela circunstância de ambos, cada um de per se, como indivíduos, terem revelado interesse pelo tema e pela causa e não por serem um "casal" que era o que o título queria dizer num mecanismo puramente tablóide. Acresce que, quer um, quer outro, independentemente das relações que tenham ou não tenham, são pessoas que mantêm sobre a sua vida privada uma sadia reserva que cada vez menos se observa em pessoas sujeitas a uma exposição pública. O título do "casal" não tinha qualquer relevância jornalística, destinava-se apenas a alimentar o voyeurismo de um público que respeita pouco ou nada da privacidade alheia. Não havia um átomo de interesse público em tal "revelação", ou sequer na sugestão ofensiva para a individualidade de cada um, e aqui obviamente mais ofensiva para a mulher do que para o homem, de que ela vale mais como parceiro de um "casal", do que pelo seu mérito próprio. Os jornalistas do Expresso não podiam deixar de saber o que estavam a fazer. Quem conhece os mecanismos da comunicação e a selvajaria deontológica em que está hoje mergulhada sabe muito bem que, quando um jornal de "referência" faz aquele título, abre as comportas a uma enxurrada que, a partir da intromissão de privacidade inicial, normaliza o delito. O Expresso deu legitimidade a que todos pudessem voltar a atenção do seu voyeurismo, do seu machismo, para o "casal", neste caso em particular para a "namorada". E nos últimos dez dias a enxurrada do lixo tablóide aberta pelo Expresso levou outra vez todas as revistas do coração a pegar no mesmo assunto, agora já livres do gueto inicial onde estavam acantonadas e mais à vontade para irem mais longe, e a imprensa séria a colocar-se ao mesmo nível. Hoje [ontem], no momento em que escrevo, a Focus tem como título da primeira página "Conheça a namorada do 1.º ministro", e a procissão ainda vai no adro.»
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26.10.06
Pequenos prazeres.
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quarta-feira, 25 de outubro de 2006
Tenho lido atentamente os textos (1, 2, 3) que Maria do Rosário Fardilha tem escrito no Divas & Contrabaixos a favor da despenalização do aborto nas condições previstas na pergunta a referendar. Da mesma forma que leio-o todos os textos sérios e convictos contra a despenalização, como é o caso de Francisco Sarsfield Cabral (que é capaz de escrever: "Claro que nem toda a gente partilha esta minha convicção. E eu respeito quem pensa de outra maneira.") O que não tenho é pachorra para ler clichés, frases feitas, propaganda primária e o ruído próprio de quem nada tem para dizer (às vezes a raiar um fundamentalismo que se confunde com atraso mental ou vice-versa), seja produzida por um ou por outro lado, do tipo "betinhos" e “associações católicas de famílias numerosas” ou Odete Santos e os padrecos do Bloco de Esquerda.
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25.10.06
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25.10.06
«Cada vez que me han perguntado por qué estuve dispuesto a dejar mi vocación de escritor por la política, he respondido: "Por uma razão moral". Pero alguien que me conoce tanto como yo, o acaso mejor, Patricia, no lo cree así. "La obligación moral no fue lo decisivo - dice ella -. Fue la aventura, la ilusión de vivir una experiencia llena de excitación y de riesgo. De escribir, en la vida real, la gran novela.» (Mario Vargas Llosa, El pez en el agua)
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terça-feira, 24 de outubro de 2006
Esta semana passou pela blogosfera uma pequena polémica bem interessante, quer pelo tema, quer pelo conteúdo dos argumentos: casamentos e protecção equivalente nas uniões de facto, quer entre pessoas de sexo diferente, quer entre pessoas do mesmo sexo. A partir de umas frases sobre costumes de Agustina Bessa-Luís, numa entrevista ao Sol, João Gonçalves dissertou sobre o tema. Eduardo Pitta complementou com A Sibila e os maricas, a que veio acrescentar novos textos, como resposta a Helena Matos ou como esclarecimentos. Alguns blogues – poucos – comentaram os textos citados. De qualquer modo, uma coisa é certa: parece que o tema não suscitou a habitual participação da maralha que opina sobre tudo. Não tenham dúvidas, o Eça tinha razão: a maioria dos portugueses são verdadeiros Conselheiros Acácios.
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segunda-feira, 23 de outubro de 2006
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Silêncio.
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domingo, 22 de outubro de 2006
Loiras e morenas.
Como dice The Egotist, ver a Dita von Teese desnuda no es una revelación pero ver a Scarlett blandiendo un latigo con una Dita desnuda merece al menos dos avemarías y tres padrenuestros. Benditas sean las dos. (la petite claudine)
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22.10.06
sábado, 21 de outubro de 2006
Escrever direito por linhas tortas.
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quinta-feira, 19 de outubro de 2006
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quarta-feira, 18 de outubro de 2006
A Direita chilena.
Joaquín Lavín, foi o candidato de Direita derrotado, na segunda volta, por Ricardo Lagos nas presidenciais no Chile, em 1999. Outra vez candidato em 2005, contra Michelle Bachelet, foi de novo derrotado, desta vez sem conseguir atingir a segunda volta. No Domingo, numa entrevista ao jornal La Tercera, Joaquín Lavín reconhece que o principal factor que está na origem das sucessivas derrotas eleitorais da direita chilena é a negação em assumir as responsabilidades que teve no atropelo aos direitos humanos ocorridos durante a ditadura de Pinochet. Com as devidas distâncias, não se passará o mesmo com certa direita portuguesa? Certa direita portuguesa entra em estado de choque porque não consegue ultrapassar os números eleitorais dos trotskistas. Em vez de procurar os culpados por todo o lado, talvez fosse mais profícuo essa certa direita olhar-se ao espelho, tal como parece que a Direita chilena começou a fazer. (via Periodismo Global).
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Salazar em Banda Desenhada.
João Paulo Cotrim e Miguel Rocha contam uma inédita história da vida de António de Oliveira Salazar da infância à morte em banda desenhada. O lançamento será em Lisboa, dia 30 de Outubro pelas 18 horas, no Salão Nobre do Ministério das Finanças , Ala Oriental da Praça do Comércio (Átrio das Exposições).
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Tortura e silêncios cúmplices.
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terça-feira, 17 de outubro de 2006
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Prós e contras.
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Desejos.
(imagem daqui)
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segunda-feira, 16 de outubro de 2006
Cegueiras e outros desvarios.
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Tiananmem.
Estive na Praça Tiananmem 11 anos depois do massacre de 4 de Junho de 1989. Não vi tanques, nem manifestações, mas apenas turistas de máquina fotográfica. No entanto, era fácil perceber que cada cidadão que circulava na praça era vigiado por dois polícias à civil. Vem esta insignificante lembrança a propósito do despropositado convite ao Partido Comunista Chinês para se fazer representar no próximo Congresso do PS. As relações do Estado português com o Estado da República Popular da China são normais e desejáveis, mas relações partidárias? Na minha actividade profissional relaciono-me com quem tenho de relacionar-me, mas para jantar em minha casa só convido os meus amigos.
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domingo, 15 de outubro de 2006
Terramoto. (Actualizado)
Realizam-se, hoje, eleições presidenciais no Equador. Rafael Correa, 43 anos, amigo do presidente venezuelano Hugo Chávez, é o candidato favorito nas sondagens divulgadas a meio da semana. Às 10.34, um abalo sísmico com magnitude 4,1 abalou Quito. Terá sido um prenúncio do terramoto que os resultados eleitorais vão trazer ao Equador? Afinal, segundo uma sondagem à boca das urnas, ainda não há terramoto político. O milionário Álvaro Noboa, o maior exportador de bananas do Equador, ficará à frente, na primeira volta, com 26,90% e Rafael Correa ficará em segundo lugar com 25%, o que obriga a uma disputa entre estes dois candidatos numa segunda volta. De qualquer modo, só de madrugada se sabérão os resultados oficiais.
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sexta-feira, 13 de outubro de 2006
CITAÇÕES: (Actualizado)
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quinta-feira, 12 de outubro de 2006
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quarta-feira, 11 de outubro de 2006
O Ministro da Saúde, no afã de cumprir o Orçamento (“tenho de cumprir um orçamento, se não o fizesse tinha toda a gente a morder-me às canelas”), desnorteou-se. A tal ponto que, na Comissão Parlamentar de Saúde, para justificar as taxas moderadoras ou utilizadoras de internamento hospitalar – nem ele próprio sabe se é moderadora, se utilizadora - jogou mão de um argumento de antologia: “Se o cidadão tiver que pagar uma pequena taxa moderadora por dia de internamento, ele próprio incentiva aqueles que o acolhem e tratam a, desde que não haja necessidade, ser libertado e enviado para casa”. Ou seja: - Senhora doutora, desculpe dar a minha opinião, mas eu considero que já estou curado e não adianta estar aqui internado, por isso ou me dá alta ou fujo já do hospital. A médica, com irritação na voz, responde: - Senhor Antunes, eu sei que o senhor está curado, mas eu adorava tanto visitá-lo aqui todos os dias, medir-lhe a tensão, apalpar-lhe o pulso. Essa decisão de querer sair apressadamente do hospital é para mim uma desconsideração pessoal. O senhor Antunes, que ainda sangra do pós-operatório, meio alucinado porque a febre se mantêm alta, responde: - Senhora doutora, qual desconsideração pessoal, qual quê, é a taxa, compreende?
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11.10.06
A minha escolha.
Craig Mello, norte-americano, Prémio Nobel da Medicina 2006, é neto, por via paterna, de um açoriano, o que levou muita boa gente a gritar que o senhor era "quase português". A minha esperança é que a Angelina (a minha professora primária tinha o mesmo nome) tenha, pelo menos, um avô originário das Berlengas. Isso facilitava a minha escolha no concurso os "Grandes Portugueses".
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Dia 11 de Outubro. Helicóptero (ou pequena avioneta) colide com prédio em Nova Iorque.
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11.10.06
Estive fora cinco dias e, por isso, só apanhei os ecos de uma entrevista de Nobre Guedes a Judite de Sousa e os comentários à dita entrevista feitos por Marcelo Rebelo de Sousa. A avaliar por este material em segunda mão, a cabecinha pensadora de Paulo Portas está de novo num reboliço. Ele, que arrasta consigo a síndroma de Maria Callas, saiu do Independente com uma estratégia ambiciosa: dar o abraço de urso ao PSD. Apostou na necessidade de Durão Barroso precisar dele – institucionalmente do PP – para formar governo. E arriscou tudo, desde as feiras ao “Eu fico” nas autárquicas de Lisboa. A obsessão foi premiada e chegou ao Governo, tal como tinha planeado. Mas, a estratégia deu para o torto: o “urso” não se deixou abraçar, nem a postura plástica de “homem de Estado” convenceu quem quer que fosse. Humilhado nas eleições, simulou a retirada porque o PP continuava a ser um partido demasiado pequeno para as suas desmedidas ambições. E, na reflexão do retiro, concluiu que para fazer do PP um grande partido à custa do PSD a estratégia não passava por estar com o PSD no Governo, mas com o PS. Daqui para frente Paulo Portas, por si ou por interposta pessoa, vai apostar na necessidade do PS, em resultado das próximas legislativas, precisar do PP para governar. Obviamente, que esta estratégia vai dar para o torto.
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terça-feira, 10 de outubro de 2006
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segunda-feira, 9 de outubro de 2006
António de Oliveira Salazar não consta da lista em que a RTP desafia a escolher "QUEM É O MAIOR PORTUGUÊS DE SEMPRE?" Há quem pergunte: Será que tinham medo que Salazar pudesse ganhar? Independentemente dos méritos e deméritos de cada um dos personagens, eu inclino-me mais para dizer que Salazar não consta desta lista pelos mesmos motivos que daqui a a 10 ou 15 anos Fidel Castro provavelmente não constará numa lista semelhante promovida pela RTCubana. Se está mal no caso da RTP não deixará, naturalmente, de estar mal no eventual caso da televisão cubana. Ou não será assim?
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Desfazer a hipocrisia. «A TORRE, A PETIÇÃO», Eduardo Pitta (Da Literatura).
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domingo, 8 de outubro de 2006
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sábado, 7 de outubro de 2006
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quinta-feira, 5 de outubro de 2006
quarta-feira, 4 de outubro de 2006
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terça-feira, 3 de outubro de 2006
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Gato escaldado de água fria tem medo. «Lula da Silva garante que participará nos debates da segunda volta.»
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Os benefícios da Democracia (II)
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segunda-feira, 2 de outubro de 2006
Reinaldo Arenas e a Direita.
Este fim-de-semana, talvez porque se realizavam eleições no Brasil, talvez porque se avizinhavam as primeiras chuvas, iniciei a (re) leitura de El Color del Verano de Reinaldo Arenas. Li pela primeira vez Arenas, já aqui o escrevi, em 1992: Antes que anochezca, editado nesse ano pela Tusquets. Comprei-o no Aeroporto de Madrid, enquanto aguardava o avião com destino a Cuba. Meia dúzia de dias depois, li nas esplanadas do Hotel Nacional, em Havana, Celestino antes da alba, Edições Union, Havana, 1967 – única edição cubana, esgotada em menos de um mês – com uma dedicatória de Arenas. Por estes dias, tinha adquirido esta preciosidade, nos “subterrâneos” de La Habana Vieja, em troca do livro recentemente publicado e que, pela minha mão, devia ser o primeiro exemplar a entrar na ilha. (Aliás, conto esta história, mais ficção, menos ficção no romance “O General…). Li durante esse ano toda a obra de Reinaldo Arenas. Nesta (re) leitura veio-me à memória como a Direita o citou a propósito da doença de Castro (o texto publicado no El País em 7 de Agosto de 2006 - Elogio a Fidel Castro) , a ele, um homem de esquerda, até teria dado voltas no túmulo. A assumida homossexualidade de Arenas e o seu estilo desalinhado e irreverente deu-lhes tantos problemas em Cuba, como nos Estados Unidos ou noutros países ocidentais. Dedico, pois, aos meus amigos de Direita que por ignorância ou devaneio o citaram a transcrição do que o próprio escreveu: “Dizia Rama nesse artigo que era um erro eu ter abandonado o país, porque tudo era devido a um problema burocrático; agora estaria condenado ao ostracismo. Tudo aquilo era extremamente cínico; além do mais, era ridículo, aplicado a alguém que desde 1967 não publicava nada em Cuba e tinha sofrido a repressão e a prisão dentro daquele país, onde, aí sim, estava condenado ao ostracismo. Compreendi que a guerra começava outra vez, mas agora sobre uma forma muito mais disfarçada; menos terrível do que a que Fidel Castro travava contra os intelectuais em Cuba, embora nem por isso menos sinistra. Nada daquilo me apanhou de surpresa; eu sabia já que o sistema capitalista era também um sistema sórdido e mercantilizado. Já numa das minhas declarações depois de sair de Cuba dissera “ A diferença entre o sistema comunista e o capitalista é que, embora ambos nos dêem um pontapé no cu, no comunismo dão-no-lo e temos de aplaudir, e no capitalismo podemos gritar; eu vim para gritar.” A Direita tem que conhecer melhor quem cita.
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2.10.06


























