sábado, 30 de junho de 2007

Eleições.

Marques Mendes deixou de ter qualquer pudor em relação à situação em que se encontra a cidade de Lisboa e sua Câmara. A sua única preocupação é o Governo e sua própria sobrevivência à frente do PSD. Bem podia dizer que o seu candidato a Lisboa tem melhores condições para solucionar o estado de paralisia a que a cidade chegou. Mas não. Prefere concentrar a sua atenção no Governo: «um voto no PS é um voto no Governo, um balão de oxigénio que o Governo não merece». Está à vista porque motivo Marques Mendes quer o referendo ao Tratado da União europeia. Caso se venha a realizar irá dizer: «votar sim ao Tratado é um voto no Governo, um balão de oxigénio que o Governo não merece». Marques Mendes é claro: sacrifica Lisboa, sacrifica a Europa e mais o que lhe aparecer pelo caminho à sua sobrevivência política. Vai ser o último a saber que por este caminho não vai lá.

Coisas do arco da velha.

O Tiago e o Nuno Ramos de Almeida abriram-me o apetite para ler uma insurgente de nome Patrícia Lança. Diverti-me imenso com a leitura. Eu não conheço pessoalmente nenhum exemplar destes – assim, ao vivo e a cores – mas pressentia que ainda existem. Mas, penso, a prosa da senhora D. Patrícia não tem nada a ver com «novos inimigos da civilização democrática» ou qualquer coisa de natureza «ideológica». Com religião ou com Bush. Com liberalismo ou com fundamentalismo. É só sexo e fantasias. É apenas uma posição defensiva, na linha do provérbio popular: «quem tem cu, tem medo». É só isso!

Distracções (2).

Escrevi aqui que nós, portugueses, somos muito «distraídos», a propósito das declarações do Ministro da Saúde que originaram o «caso Vieira do Minho». Mas, apesar das ditas declarações terem sido proferidas em Agosto, com o pessoal a banhos, alguém deu por elas. Anoto pelo menos duas referências ao assunto em tempo oportuno: Pedro F. (ContraFactos & Argumentos), a 9 de Agosto de 2006, e Paulo Gorjão (Bloguítica).

Não acredito!

Carlos Manuel Castro (Tugir) tem um post, desde do dia 27, onde inscreveu a frase «O fim». Não acredito! O Tugir é um património colectivo. Depois do dia 15 de Julho tudo volta à normalidade.

Até amanhã.

«O encontro» - é o título de uma da últimas obras do meu amigo Ricardo Paula.

Distracções.

Nós, portugueses, somos muito «distraídos». Entre nós é natural um Ministro da Saúde dizer numa entrevista: «Nunca vou a um SAP nem nunca irei». Ou seja, o Ministro da Saúde dá-se ao luxo de desvalorizar os cuidados médicos prestados por um serviço na sua dependência a que recorrem milhares e milhares de portugueses. Esta tirada não passaria incólume na maior parte dos países europeus. Seriam pedidas explicações detalhadas sobre o sentido da declaração, senão mesmo a exigência da sua demissão. Mas, entre nós, ninguém deu por isso. Ou melhor, deu por ela um médico do Centro de Saúde de Vieira do Minho. E comentou a frase de forma apropriada, como qualquer pessoa de bom senso o faria. Quase um ano depois, demos pela «coisa». E só lá chegámos porque o ministro em causa, há seis meses, deu realce à sua afirmação com uma atitude intolerante. Mas, mesmo hoje, ninguém questionou o essencial: a frase do senhor Ministro. Ficamos pelo acessório. Somos mesmo um povo distraído!

sexta-feira, 29 de junho de 2007

A democracia agradece.

Vamos ver se nos entendemos: os casos do professor Charrua, na Direcção Regional de Educação do Norte, e da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, na Administração Regional de Saúde do Norte (escrevo o nome dos organismo por extenso para evitar percalços ao Dr. Negrão) não aconteceriam, ou dificilmente aconteceriam, caso aquelas direcções regionais não fossem meras extensões partidárias do poder central. Enquanto estes cargos estiverem à mercê da sanha insaciável dos aparelhos partidários do PS e do PSD, os quais exigem «vingança» sempre que muda o partido no governo, não nos livramos destas andanças sul-americanas. Aproveitem a reforma da Administração Pública para profissionalizar estes cargos e acabar de vez com estes «deveres de lealdade» partidários. A democracia agradece.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Ao que isto chegou...

Ler os outros.

Eduardo Pitta não é de meias-tintas ao escrever sobre as propostas de revisão do Código do Trabalho.
Pedro Correia não deixa passar nada: apanhou Fernando Negrão a tomar duche de roupão…
Pedro Morgado escreve sobre a ilusão do referendo ao Tratado.

Quebra do dever de lealdade ou clima de intimidação?

Foi hoje conhecida a história da demissão da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho por alegada «quebra de lealdade». O próprio Ministro da Saúde, Correia de Campos, sujou as mãos na exoneração da senhora. Ao que consta, a directora do Centro de Saúde não retirou das instalações do centro um cartaz contendo declarações do ministro Correia de Campos «em termos jocosos». A directora não colocou o cartaz, apenas não o mandou retirar, nem deu conhecimento à hierarquia, segundo um assessor de imprensa da Administração Regional de Saúde do Norte. Desconheço o conteúdo do cartaz. Mas, provavelmente, não é mais que uma daquelas piadas brejeiramente portuguesa a merecer uma boa gargalhada de qualquer democrata. Mesmo do próprio visado, naturalmente. Exonerar a directora do Centro de Saúde porque não fez de delatora e não «investigou» quem colocou o cartaz, como sugere o referido assessor de imprensa, é um caminho perigoso. Aqui, em Portugal, como em qualquer país democrático. Cabe perguntar: estamos perante um caso de «quebra do dever de lealdade» de um funcionário ou estamos a entrar numa clima de intimidação que irá, certamente, acabar mal?

Telhados de vidro.

«IGAT propõe dissolução da Câmara de Setúbal».

A história recente contada por um comunista.

«Foi ontem, quarta-feira, 27, que a Grã-Bretanha, sufocada e desiludida por um sistema de governo impróprio de uma democracia que o primeiro-ministro Tony Blair lhe impusera, se viu livre daquela que se transformou, gradualmente, na mais detestada personalidade política que ocupou o N.º 10 de Downing Street desde há 150 anos. (...) Tony Blair era e é, na verdade, um agente ao serviço do capitalismo. Serviu-o, diligentemente, e é por isso que o presidente americano o encarregou já de representar os interesses imperialistas ante os protagonistas dos conflitos no Médio Oriente. A pátria de Blair, um distinto ‘barrister’ no sistema judicial britânico, não é a Grã-Bretanha, isso está provado desde há muito. A sua pátria é o capitalismo
Manoel de Lencastre, Avante, 28.06.2007 (sublinhados meus).

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Fundações.

A Oliveira Salazar coube-lhe em sorte Calouste Gulbenkian. A José Sócrates saiu-lhe Joe Berardo. A arte e a cultura não tem culpa, nem de um, nem de outro...

Referendos.

Não me sensibiliza o argumento «democrático» dos paladinos do referendo ao novo Tratado da União Europeia. Não acredito na ladainha hipócrita do PCP e do Bloco, do tipo: «Deve ser o povo a decidir», mas compreendo as suas motivações políticas contra o governo e contra «esta» Europa – ainda por cima uma Europa que em menos de vinte anos integrou a maior parte das «repúblicas socialistas». Compreendo, também, que Marques Mendes defenda a realização do referendo: um líder da oposição frágil e sem propostas alternativas tem de agarrar todas as oportunidades que lhe saem ao caminho. O resultado do referendo – se se realizar –, seja qual for, quer quanto à participação, quer quanto à votação, não o ajudará politicamente em nada. Talvez, antes pelo contrário. Mas, só de pensar que José Sócrates quer fugir ao referendo (com o apoio de Cavaco Silva), até lhe brilham os olhos. No entanto, não é líquido que José Sócrates quer fugir ao referendo. A única coisa que é líquida é que não quer denunciar a opção antes de Outubro, após a aprovação do texto do Tratado. Depois, talvez a realização do referendo lhe dê jeito…De qualquer forma, resta saber se nessa altura ainda é Marques Mendes que está à frente do PSD.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Fernando Negrão vai extinguir o IPPAR, ou talvez seja a EPAL.

A «guerra das bandeiras» (2).

O braço-de-ferro continua: Joe Berardo pediu a demissão de António Mega Ferreira não só da Fundação Berardo, mas também da presidência do Centro Cultural de Belém. Não há volta a dar: partirá desta vez Berardo um braço ou Mega Ferreira sairá com os dois braços partidos? E a Ministra da Cultura, existe?

A «guerra das bandeiras».

O motivo que levou Mega Ferreira a impedir o hastear das bandeiras do Museu Berardo ao lado das do CCB, ontem, no dia da inauguração da exposição, é imperceptível ao comum dos mortais. Não se trata, certamente, de uma «chinesice» de Mega Ferreira. É o sintoma de um desagrado ou de um braço-de-ferro na luta por definição de poderes traduzido na «guerra das bandeiras». Se foi um braço-de-ferro, o primeiro resultado foi a quebra de um braço de Mega Ferreira…

Câmara ardente para os lados do PSD.

Fernão Negrão é, nestas eleições intercalares à Câmara de Lisboa, uma carta fora do baralho. Não conhece Lisboa, nem conhece os problemas da cidade. Por isso, não tem uma ideia – uma única. Nem ele, nem quem o rodeia. Os cartazes da campanha de Negrão são um bom exemplo do desnorte: nem uma ideia simples (colar António Costa ao Governo) consegue transmitir com clareza. Aqui não manda o governo, manda o presidente é de bradar aos céus. Aquela ideia de propor um jardim suspenso no Largo do Rato também é de antologia, sobretudo numas eleições intercalares em que não é exigível mais do que três ou quatro prioridade bem diagnosticadas. A cereja em cima do bolo, apesar da procissão ainda ir no adro, foi a confusão entre IPPAR, EPUL e EPAL. De tão anedótica, até parece propositada. Tão propositada que, quando lhe perguntaram se apoiava Marques Mendes, Negrão foi ágil na resposta: não sou militante do PSD. O que significa: não me comprometam. Mas este filme rasca não tem como actor principal Fernando Negrão. O protagonista do resultado eleitoral de Negrão no dia 15 de Julho é Marques Mendes. Pelo andar da carruagem, não há ninguém no PSD que, neste momento, não esteja a amolar as facas e a construir cenários. Tudo se conjuga para que o maior partido da oposição seja o único derrotado nestas eleições intercalares de Lisboa. O que não deixa de ser caricato. (Para compor o ramalhete só falta Telmo Correia não ser eleito. Não haverá amoladores suficientes…)

Merkel vista pelos polacos.

Capa da revista polaca Wprost (EFE), com título A madrastra de Europa.

domingo, 24 de junho de 2007

Citação.

«De qualquer modo, nada, nem sequer este plano de tutela dos direitos e da informação, justifica que quase todos os jornais, de referência ou não, dêem a notícia de que "o professor de Sócrates" foi pronunciado ou arguido ou acusado de corrupção ou do que quer que seja. Em título, em manchete ou em primeira página, foi esta a regra seguida pela maior parte da imprensa! Quando as redacções dos jornais não resistem à demagogia velhaca e sensacionalista, quase dão razão a quem pretende colocá-las sob tutela...»
António Barreto, Público, 24.06.2007, Retrato da Semana.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Coisas simples.

«Desemprego em queda pelo 15.º mês consecutivo : O número de desempregados inscritos nos centros de emprego diminuiu 13% em Maio, face ao mesmo mês do ano interior, pelo décimo quinto mês consecutivo, indicou hoje o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).»

Citação.

«Sempre que perguntarem ao povo português se prefere a obra ou a discussão acerca dela obterão, por regra, como resposta a discussão. Depois da obra realizada, se perguntarem ao povo português, se acha bem que se tenha realizado a obra obterão, em regra, como resposta que sim. Caso a obra tenha sido adiada, se perguntarem ao povo português, se acha bem o adiamento obterão, em regra, como resposta que sim. O problema do povo português não é ter opinião acerca de tudo, e do seu contrário, é o trabalho que dá decidir e mais do que decidir começar, e mais do que começar levar a obra até ao fim

Woody Allen e a Ópera.

Woody Allen vai dirigir uma obra de Puccini para a Ópera de Los Ángeles, cujo director é o tenor Plácido Domingo. Diz que não faz a menor ideia do que vai acontecer, mas acrescentou: «a incompetência ( o desconhecido? - depende da tradução) nunca me impediu de me atirar com entusiasmo». Os «puros» amantes da ópera é que não vão gostar, certamente, da «brincadeira».

Verão.

«Quase se vê daqui, o Verão» (Eugénio de Andrade).
(Foto: Bruno Espadana).

Dissidências.

Depois de escrever este meu post, em conversa com o meu amigo Manuel, antigo militante comunista (recordam-se de «Breves notas sobre a revolução de 1917 e Portugal», Vida Soviética, n° 30, de Novembro do 1977) dizia-lhe: a minha opinião é, por razões opostas, igual à do partido, mas não é por isso que deixo de ter essa opinião. Hoje, o Avante, pela pena de José Manuel Jara, a propósito do mesmo assunto – o livro de Raimundo Narciso Álvaro Cunhal e a dissidência da terceira via – cita Álvaro Cunhal: «Álvaro Cunhal, no período agudo de turbulência interna do PCP de 1987 e 1988, que culmina no XII Congresso de 1 de Dezembro de 1988, caracterizou a situação política interna do partido como sendo expressão da «crise da consciência comunista de alguns militantes», mais do que uma crise do Partido.» Claro que têm razão, tanto Álvaro Cunhal, como Jara. E no que é que essa razão se traduz? É simples: o reconhecimento do totalitarismo (não uma ditadura de classe, como faziam crer, mas a ditadura de esquizofrénicas nomenclaturas partidárias, de Moscovo a Havana), do logro do «socialismo soviético» e da pobreza que sempre gerou e a impossibilidade de qualquer mudança interna, levaram à «crise da consciência comunista». Obviamente! Mas essa «crise», que corresponde a um outro olhar sobre o mundo, significa a conclusão de que os partidos comunistas não representam os defensores da democracia, da liberdade, do bem-estar dos povos. Representam-se a si próprios – uma empedernida nomenclatura partidária. E, por isso, por não representarem ninguém, apenas podem exercer o poder em ditadura - contra todos. Em suma: os «dissidentes» mudaram: compreenderam a natureza totalitária do partido e do seu projecto de sociedade; o partido, esse, não mudou.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

A world of diference.

A Cristina Garcia (Objectiva 3) tem um sonho: estar presente numa conferência, em Chicago, sobre o tema «A world of diference», evento que reúne mulheres de todo o mundo, organizado pelo Blogher. Mas precisa de «um sponsor que queira apostar (parcialmente) numa «aventura bloguísta» intercontinental!» – usando as suas palavras. Aqui fica, pois, divulgado o sonho da Cristina e uma das suas belas fotografias de Lisboa.

Antoni Tàpies.

O quadro «Azul LXIX», de Antoni Tàpies, foi vendido ontem pela leiloeira Christie´s de Londres por 748.000 libras (1,10 milhões de euros), o valor mais elevado já pago por uma obra do artista catalão.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Emasculação.

«Isto, por exemplo, não é concordância com feminismos vácuos e outros quejandos. Isto é um apontamento mais de uma mulher que não é indiferente à vida gretada das mulheres invisíveis; ou às gretas invisíveis das mulheres visíveis.» (Miss Allen, o regabofe)

Citações.

Extractos de Delitos à moda do Porto, de Manuel Carvalho , Editorial doPúblico, 20.06.2007. (Sublinhados meus).
«Por estes dias em que tanto se discutem as pressões do poder sobre os media aconteceu na segunda cidade do país um episódio que nos remete para os tenebrosos tempos em que se perseguiam cidadãos por manifestarem ideias em público. A história resume-se em poucas palavras: um jornalista que desempenha um cargo directivo no Jornal de Notícias decidiu participar numa acção de protesto contra a cedência de um espaço público, o Teatro Rivoli, a Filipe La Féria; o jornalista é filmado sem autorização no exercício dos seus direitos de cidadania, as imagens são então servidas no site da Câmara do Porto através de um link que acompanha um texto com o título sugestivo de que o JN "endurece oposição: director adjunto manifesta-se contra a Câmara do Porto". Quando tanto se fala das tentativas do Governo em coagir os jornalistas e de cercear o seu acesso às fontes de informação, é fundamental que se olhe para o que acontece há anos na Câmara do Porto. Porque se há lugar no país onde se respira o ar "claustrofóbico" que o PSD denunciou nas cerimónias do 25 de Abril esse lugar é o Porto. (…) a Câmara do Porto e os seus spin doctors transcenderam-se e atingiram o limiar do inaceitável. O sentido da decência e do respeito pela liberdade, incluindo a liberdade de errar, não existe naquele clube intolerante.(…)
Comparado com ele, José Sócrates, os seus assessores e chefes de gabinete são aprendizes. É por isso que, antes de atirar pedras ao Governo sobre o clima de "claustrofobia" que se vive no país, o PSD tem o dever de olhar com atenção para o exemplo que acolhe dentro das suas próprias fileiras. »

Ideias para Lisboa, uma citação.

«Por vezes não chega identificar as variáveis do problema e depois aplicá-los numa simples equação determinista, pois existem sempre um conjunto de variáveis, que são necessariamente identificáveis ou simplesmente ignoradas e que podem fazer a diferença… É o tal bater de asas da borboleta! (...) Entendo que Lisboa tem uma solução, mas esta deve ser encarada não na perspectiva da identificação das variáveis, que no meu ponto de vista é um trabalho ingrato, mas na identificação do problema e na aposta da sua resolução optando pela acção no plano da criação ou redinamização de dinâmicas. Tanto no plano das dinâmicas sociais, como no plano de parcerias que se possam desenvolver, como até no plano das apetências. Estou claro a caminhar na senda de uma teoria do caos… Muito subdesenvolvida ainda, mas que me parece o melhor caminho, quando as teorias deterministas estão a mostrar as suas limitações, tanto no plano teórico, como sobretudo na sua execução prática!Vamos Pensar Seriamente LisboaUlisses Neves Pinto, apoiante de um candidato a Lisboa (o facto de ser apoiante do candidato ao qual já declarei o meu apoio não me inibe de me rir, ou de chorar...).
(Encontrei esta pérola aqui).

terça-feira, 19 de junho de 2007

Lisboa. A cidade, hoje, foi enclausurada no Museu da Electricidade. A possibilidade dos lisboetas serem electrocutados é muito grande.

Boas notícias: é bom saber que há tribunais que rejeitam liminarmente o papel de instrumentos de luta política.

Telepatias. Francisco: eu sei que tu sabes que eu sei em quem estás a pensar.

Portugal dos Pequeninos: O João Gonçalves há 4 anos que mantém «a energia dos malditos contra as osgas e o tempo». Deus lhe conserve a língua afiada, mesmo quando se atira contra moinhos de vento.

Leituras.

A leitura atenta de Álvaro Cunhal e a dissidência da terceira via, de Raimundo Narciso, por quem tenho grande apreço, não me afastou um milímetro das conclusões que sempre retirei de outras leituras de «dissidências» do partido comunista: foram os protagonistas das «dissidências» que mudaram, não o partido. Mudou o seu olhar sobre os mesmos factos, quer no funcionamento interno, quer na apreciação política nacional e internacional. Podiam ter chegado às mesmas conclusões 10 anos antes, 20 ou 30 anos antes. Não chegaram. Aliás, isso mesmo perpassa em todo o livro. Por exemplo, a propósito da substituição de Krutchev por Breznev, no Verão de 1964, escreve Raimundo Narciso: «Mudança aliás que teve o agrado de Álvaro Cunhal que não apreciava (…) provavelmente o estrondo provocado pelas denúncias do estalinismo.» Se este «agrado» de Cunhal era uma «coisa má», era-o desde a década de 60. Antes de 1974, a ausência de democracia interna «justificava-se» aos olhos de todos os militantes pelas difíceis condições de clandestinidade. Mas, depois de 74, o PC continuou a funcionar rigorosamente como se estivesse na clandestinidade: a velha fórmula leninista do «centralismo democrático» a sustentar o pensamento único e inatacável. E esse funcionamento interno não era (é) uma questão organizativa. É uma questão ideológica. E é desde sempre. Não surge na década de 90. Insisto: não há «acontecimentos» novos no modo de funcionamento ou de análise do PC que expliquem as «dissidências», sobretudo de militantes de muitas décadas, como fundamento para o processo de divórcio com o partido. A explicação encontra-se sempre na mudança do «dissidente» e não do partido. E raramente leio, em obras deste tipo, uma explicação assente nas motivações que levaram o «dissidente» a integrar o partido comunista, a aceitar as regras de organização e a matriz político-ideológica durante décadas e, depois, explicar o seu novo olhar sobre o mundo, a sua mudança como a base sobre a qual assenta a ruptura. Contam-nos sempre a história de que o partido se transformou numa «coisa má», quando na verdade nunca houve qualquer transformação.

Aeroportos (2).

A atitude do governo em admitir à discussão, antes da decisão final, o estudo de opções alternativas à Ota – Alcochete e Portela+1 – tem provocado reacções que me levam a crer que muitos dos opositores à localização do aeroporto na Ota não são opositores à Ota, mas apenas opositores ao governo. Ou seja, tanto se lhes dá que o aeroporto seja na Ota, no Poceirão, em Alcochete ou na Portela. A localização para eles não é relevante. Relevante é o desgaste da imagem do governo até à decisão final. Antes criticavam – e bem – o governo pela obstinada opção pela Ota; mas, agora, criticam-no pelo «forma» como conduziu à admissão dos novos estudos. Andam sedentos de declarações e de cronologias para poderem avaliar a «transparência» do processo que levou à admissão dos novos estudos. Ora, o substancial é a decisão sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa. O resto é festa e foguetes. E, neste momento, estão finalmente reunidas as condições para que se decida bem sobre esta questão, depois de 30 anos de estudos e indecisões. Pelo andar da carruagem, se o governo se decidir, daqui a 6 meses, por Alcochete ou pela Portela+1, não haverá aplausos pelo abandono da Ota, mas um coro afinado que se repartirá por duas bancadas: numa, gritam – «Eu tinha razão»; na outra, gritam - «E agora, como eu que eu sei que esta é a melhor opção». Como diria Almada-Negreiros: «O povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades e todos os defeitos. Coragem, portugueses, só vos faltam as qualidades»

domingo, 17 de junho de 2007

Fim de dia fresco.

Fim do dia fresco, compensado pela conversa entre amigos de muitos tempos e de muitas histórias. E as memórias soltam-se, umas atrás das outras, como as palavras. Ou como as cerejas. Tanto faz. Às tantas alguém recordou, nem sei a que propósito, uma das notas de culpa que sustentaram o despedimento de Júlio Pinto de O Diário, onde era jornalista, em Agosto de 1981. Júlio Pinto teria chamado, em conversa entre amigos, às tantas da matina, à porta de um bar no Bairro Alto, «filho da puta» ao director do dito jornal. Um dos presentes «transportou» a informação até ao dito director. Obviamente que O Diário era um órgão do PCP; obviamente que o PCP era (é) um partido estalinista; obviamente que há sempre um delator nestas histórias. E a conversa prosseguiu para outras conversas. Mesmo frescos, os fins de tarde de domingo à conversa com amigos são sempre agradáveis.

Gostei de ler.

1. menos um herói. (Cristina Vieira, Contra-capa). 2. A coleccionadora I e II (Paulo Gorjão, Bloguítica). 3. Cair mal (José António Barreiros, A Revolta das Palavras).

UNIMET - Una semana en la calle

Venezuela.

Flores a los PM (2)

Venezuela,

Prognósticos antes do jogo? (2) : Descalçar as botas.

Prognósticos antes do jogo? Oportunidades.

sábado, 16 de junho de 2007

Será verdade?

Aquelas cenas de violência fratricida entre a Fatah e o Hamas, na Palestina, são mesmo a sério?

Quando o ministério público quer, a obra nasce... (actualizado).

A não perder: Músicas sobre Água.

«Músicas sobre água» é o tema de uma exposição de pintura de Vitor Ribeiro, no Museu da Água, Reservatório da Patriarcal, Praça do Princípe Real. Tanto o local, como a exposição merecem visita. Até final de Julho. (foto: um das telas expostas).

Marques Mendes cria grupo para atacar TGV?

O Expresso de hoje, em título de primeira página, dá conta que: «Mendes cria grupo para atacar TGV». Independentemente dos méritos (ou deméritos) do comboio de alta velocidade, da sua necessidade e dos seus percursos, o que está em causa nesta notícia – a ser verdade - é a falta de coerência, a falta de palavra e a falta de memória daqueles que fazem da actividade política profissão. Em 12 de Janeiro de 2004, era Marques Mendes ministro no governo de Durão Barroso, quando este tecia largas loas ao TGV: «Durão Barroso, que falava no Porto, indicou que o projecto permitirá gerar um valor acrescentado bruto de 14.500 milhões e que cerca de 90 por cento será da responsabilidade da indústria portuguesa. Para o primeiro-ministro, o TGV deverá aumentar a quota de mercado do modo ferroviário dos actuais quatro para 26 por cento em 2025 e diminuir os custos ambientais de transportes em mais de dois mil milhões de euros. De acordo com o chefe de Governo, os estudos efectuados apontam também para a criação, pelo projecto, de cerca de 90 mil novos postos de trabalho directos e indirectos.» (Público, 12.01.04). Dois meses antes era notícia: «O primeiro-ministro (Durão Barroso) levantou hoje a ponta do véu sobre este processo e declarou que o comboio de alta velocidade será uma realidade em Portugal mais cedo do que muitos esperavam. O Governo já assumiu que este projecto terá de ser incluído nesta lista de projectos com "arranque prioritário" e que terá um prazo de execução de três anos. A ministra das Finanças, por seu turno, já deu a entender que aprova este empreendimento, que envolverá montantes nunca inferiores a 7500 ou mesmo a dez mil milhões de euros, se não prejudicar o desejado equilíbrio orçamental. (Público, 24.10.03). Ora, agora, Marques Mendes cria grupo para atacar TGV? O que parece é que Mendes se está borrifando para a localização do aeroporto de Lisboa, seja na Ota, no Poceirão, em Alcochete ou na Portela, como se está borrifando para o TGV, quer vá para Vigo ou Madrid. Ele apenas tem por objectivo impedir tudo o que provoque desenvolvimento económico e emprego. Prejudica o país e os portugueses, mas pode vir a ser primeiro-ministro.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Sondagens e miragens.

Pois é, caro João Villalobos. Em Lisboa, nestas eleições, as aritméticas estão todas estilhaçadas. À esquerda e à direita. O que permite todas as leituras e o seu inverso. Mas uma coisa é certa (e sempre assim foi): os partidos não são donos dos votos. Precisam mostrar que os merecem – pelas propostas ou pelo perfil dos candidatos. O PS já passou por essa experiência com o PRD, nas legislativas de 1985. Quanto à arrumação dos candidatos e às aritméticas de esquerda e direita, eu não alinho na simplicidade da «vitoriosa esquerda». Há uma esquerda moderada (ou centro esquerda) e há uma extrema-esquerda. Como há um abismo entre elas. Agora, nas presentes eleições, o que me parece é que Roseta, pela sua postura e pelas suas propostas para a cidade, está a dar um salto para galgar esse abismo. Mas, quem ainda integre Roseta na esquerda moderada, deve somar as suas intenções de voto às de António Costa. E, neste caso, o resultado é superior a 40%, segundo a dita sondagem. Neste momento, o que conta a sério é saber que o estado de saúde de Lisboa é mau e está estacionário. Vamos aguardar a evolução e ver a medicamentação que os lisboetas lhe vão aplicar.
(foto de Cristina Garcia).

Quando o ministério público quer, a obra nasce...

Carolina Salgado anda a fazer acareações com árbitros, enquanto é constituido arguido o autor do blogue Do Portugal Profundo por causa... do Dossier Sócrates.

Destaque.

«Do moinho e da vida», Carlos Romão ( A Cidade Surpreendente ).

Ameaças(4).

Na sondagem que a Intercampus realizou para o PÚBLICO, a TVI e o Rádio Clube, conclui-se que: Helena Roseta vai buscar a maior fatia dos seus votos ao Bloco de Esquerda, 14,5 por cento, 8,4 por cento ao PS, 6,8 por cento ao PCP (CDU) e 5 por cento ao PSD. São apenas sondagens, mas, para já, indicam que a candidatura de Helena Roseta «ameaça» mais o Bloco de Esquerda do que o PS. António Costa, lidera as intenções de voto, com 31,1 por cento. Fernando Negrão, é segundo, com 19,5 por cento. Carmona Rodrigues é terceiro com 13,7 por cento. José Sá Fernandes, outro candidato também «independente», mas apoiado pelo Bloco de Esquerda, é quarto, com 9,6 por cento das intenções de voto. Helena Roseta e Ruben de Carvalho tem, ambos, 9,1 por cento. Ainda falta um mês e há mais de 15 por centos de indecisos. É apenas uma sondagem.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Procissão de Santo António.

«Lisboa, Portas do Sol. Procissão de Santo António. Lisboa entre a tradição e a universalidade». (Francisco Costa Afonso, Berra-boi).

Esquerda versus Direita

A Alameda Digital é uma excelente revista de actualidade, ideias e cultura de direita, sobretudo num tempo em que os partidos de direita em Portugal não dão uma para a caixa. No tema do último número citam uma frase de Guido Aristarco, datada, mas significativa: “Quem não é comunista é fascista, use camisa negra ou não”. Não há meio termo no sectarismo comunista. Mas esta lógica não caiu com o muro de Berlim. José Saramago disse o mesmo, há dias, por palavras mais adequadas aos tempos que correm: «Já não há governos socialistas, ainda que tenham esse nome os partidos que estão no poder». Conclusão: não há meio termo: ou comunistas ou fascistas; ou comunistas ou capitalistas; ou comunistas e direita - é a mesma coisa. Por isso, e só por isso, a esquerda (os não comunistas, claro) é estúpida porque não vê que o fascismo está aí a bater à porta e nada faz para o travar. Afinal de contas, ao contrário do que Saramago pensa, quer a esquerda, quer a direita, são leques abertos e em movimento. E eu que tinha dificuldade em acompanhar Norberto Bobbio em muitos dos seus argumentos fico cada vez mais disponível para dar como certas as suas conclusões sobre a existência da esquerda e da direita. Lugar onde os comunistas não cabem.

Os «independentes»

Corre por aí, na praça lisboeta, a febre dos «independentes». A temperatura está tão alta que Luís Novaes Tito entende um ou outro comentário aqui produzido acerca das «ideias» de Helena Roseta para Lisboa como «insinuações e tentativas de catalogação dos movimentos independentes como populistas». Isso significa, em primeiro lugar, que temos leituras diferentes sobre «os movimentos independentes de cidadãos». Não considero a candidatura de Helena Roseta à Câmara de Lisboa como uma candidatura «independente», no sentido de corresponder a uma «vitalidade da sociedade civil». Antes pelo contrário. Insere-se nos «movimentos» de dirigentes partidários contra os seus partidos. São movimentos de retaliação e vingança pela perda de espaço político interno. Por razões diversas, obviamente, mas a candidatura de Helena Roseta em nada difere, na sua essência, das candidaturas de Isaltino Morais e de Valentim Loureiro, por exemplo. Em qualquer dos casos, os protagonistas – que sempre estiveram na política através dos partidos – queriam ser candidatos em nome do Partido a que pertenciam. O «partido» não lhes permitiu essa candidatura. E eles partiram para outra, como «independentes». Em segundo lugar, para obter algum sucesso, estas retaliações partidárias mascaradas de «movimento de independentes» usam o populismo como cimento ideológico. Mais concretamente: aproveitam os descontentamentos contra os «políticos» e os partidos. Caricaturando: «eu não sou político, sou independente». Foi por esta porta que, em muitos casos, se derrubaram democracias. Não é o nosso caso, naturalmente. Sobre este assunto deve ser lido o texto de Pedro Magalhães, publicado no Público, de 11 de Junho, com o título «Independentes».

Ler os outros:

«MOMENTO CHÁVEZ 1 e 2», Eduardo Pitta (Da literatura). «Os que querem calar Mário Soares», José Medeiros Ferreira (Bicho Carpinteiro).

quarta-feira, 13 de junho de 2007

No gira-discos.

Jangada de pedra.

José Saramago, no decurso de uma «Lição de Mestres», em Espanha, demonstrou saber de cor e salteado a lição dos seus mestres (desde Fidel a Chávez), e disse: «Antes gostávamos de dizer que a direita era estúpida, mas hoje em dia não conheço nada mais estúpido que a esquerda». E Porquê? O próprio responde, sem equívocos: «Estamos a chegar ao fim de uma civilização e aproximam-se tempos de obscuridade, o fascismo pode regressar; já não há muito tempo para mudar o mundo». Conclusão: a esquerda que não luta contra o fascismo é estúpida. Estamos conversados!

Marchas populares (2).

Meu caro João (espero que os mestres pensadores não interpretem como «amiguismo» uma troca de opiniões): obviamente este post cheira a sardinha assada e a suor que tresanda, apesar de o essêncial ter a ver com o mesmo evento «alienar o povo» ou «preservar a identidade cultural da cidade». De qualquer modo, é só um farrapo que se desprende da memória em dia de «marchas populares». Talvez incómodas memórias de outros tempos. Nas «marchas populares», por detrás das barreiras metálicas assistem sempre, há quarenta anos e agora, os mesmos rostos. O mesmo bairrismo. O mesmo povo (agora, também, felizmente, eleitores). A diferença reside nos locatários das «tribunas de honra» – a maralha do poder: noutros tempos eram escolhidos, sem apelo, nem agravo, pelo «senhor» de Santa Comba Dão; hoje são escolhidos pela «massa» anónima e entusiasta que está para lá das barreiras metálicas. E esta «massa» anónima, quando lhe dá na gana corre com uns e escolhe outros. De plástico, uns; de pau carunchoso, outros. Mas, é por esta diferença que muitos milhões de venezuelanos hoje lutam. O resto é secundário.

Quadra popular à moda de Pessoa em dia de Santo António.

Cantigas de portugueses
São como barcos no mar —
Vão de uma alma para outra
Com riscos de naufragar.

O pessoal o que queria era o relógio.

Marchas populares.

Por esses dias, o ditador António de Oliveira Salazar definhava num quarto do palácio de S. Bento, meio tonto, meio lúcido - ao que se dizia -, talvez gozando a hipocrisia daqueles que lhe impingiam a treta de que ainda era Presidente do Conselho. Encontrámo-nos ao jantar, em véspera do dia de Santo António, num pequeno restaurante nas Escadinhas do Duque, talvez no Transmontana, para participar numa noitada de conspiração antifascista. Depois de jantar, dirigimo-nos à Avenida da Liberdade. Aí, começámos por distribuir panfletos contra a farsa eleitoral que se avizinhava e as ilusões da primavera marcelista. A noite estava quente e uma multidão bairrista, a cheirar a sardinha assada e a suor, assistia entusiasmada à passagem das «marchas populares», as quais desfilavam, bairro a bairro, avenida abaixo, mais ou menos com o mesmo figurino do evento que ainda hoje se realiza. Nessa altura, há quase quarenta anos, tratava-se - dizia-se - de um evento destinado a «alienar o povo». Hoje, diz-se, que é um evento que procura «preservar a identidade cultural da cidade». Quem saberá onde está a verdade?

terça-feira, 12 de junho de 2007

Provérbios.

Enquanto o aeroporto vai e vem folgam as costas.

Registe-se.

1. «Quem trouxe a Bragaparques para Lisboa foi João Soares», acusa Carmona Rodrigues. (Expresso, Edição 1805 de 02.06.07). 2. - Há dois casos muito polémicos na Câmara. Em relação à Bragaparques, já acusou João Soares de ter trazido a empresa para Lisboa...

Cada um diz a sua ao sabor das notícias.

«Carmona defende conjugação de Alcochete e da Portela»

O amiguismo à mestre pensador.

Um dos nossos mais profícuos mestres pensadores está preocupado com os «sinais de crise» na blogosfera. Aponta o dedo em riste ao «amiguismo» como um sintoma decadente, como se fosse uma coisa má e não uma coisa boa. O nosso simpático mestre pensador prefere ser frio. Calculista. Um exemplo: ainda não há dois anos esteve, nos jardins do Campo Grande, entusiasta, no lançamento da candidatura de Carmona Rodrigues à Câmara de Lisboa. E agora? Nem um telefonema. Nem um postalzinho. «Amigos, amigos, negócios à parte», diz o povo. E o mestre pensador, também. Não era necessário desculpar-se com a blogosfera para, indirectamente, «justificar» o desprezo pelo amigo político Carmona Rodrigues. Mudam-se os tempos, mudançam-se as vontades...

Previsões meteorológicas.

Final de Dezembro. Frio e neve nas terras altas, a par da passagem do testemunho da presidência da EU. Início de Janeiro. A remodelação governamental, a par de temperaturas amenas para a época, reconduz Mário Lino à vida civil, apesar de ficar impedido de ir saborear salmonetes a Setúbal. As temperaturas começam a descer, mas o novo Ministro das Obras Públicas é um defensor de Alcochete. A indisponibilidade ministeriável de Augusto Mateus impede o crime perfeito.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Ironias.

Os socialistas franceses, pela boca do seu líder, François Hollande, transmitiram ontem à noite a sua preocupação com a maioria absoluta obtida (mesmo antes da segunda volta das eleições francesas) pela UMP de Sarkozy. Falam na necessidade da «democracia respirar».

Lisboa ao deus dará.

Quase todos os candidatos à Câmara de Lisboa parecem cata-ventos à procura de votos. Sem estratégia, nem ideias. Visitam um lar de terceira idade e, à saída, afirmam: «os mais idosos são a nossa primeira prioridade»; passam por uma associação de cegos, e proclamam: «a cidade é uma armadilha para os invisuais; permitir-lhes uma melhor qualidade de vida é a nossa primeira prioridade»; recebem o apoio de uma associação de auto-motorizados e, de imediato, sem pensar, disparam: «impedir a entrada de carros na cidade é a nossa primeira prioridade»; dão um passeio pela feira do livro, e exclamam: «melhorar o parque Eduardo VII e a feira do livro é a nossa primeira prioridade”. Para além das «primeiras prioridades» há os disparates primários, daqueles que até a minha prima Josefina, que acabou a 4ª classe em 1961 e não quis prosseguir os estudos, fica de boca aberta: uma candidata afirmou que, com ela na Câmara, os espaços públicos, como o Parque Mayer, teriam sido sujeitos a concurso público de ideias entre os arquitectos portugueses. «Esqueceu-se» de um pormenor irrelevante: o Parque Mayer não era (é?) um «espaço público». Tinha (tem?) um proprietário: a Bragaparques. Já chegámos a Havana ou estamos só em Caracas? E depois dos votos, o que vão fazer de Lisboa?

O aeroporto do nosso descontentamento (2).

A reacção de Vital Moreira a um suposto «Comité de Sábios» para decidir a localização do novo aeroporto de Lisboa é um bom sinal. É um sinal de que o primeiro-ministro pode estar a querer descalçar esta bota.
(Adenda: mais inteligente, Eduardo Graça prefere não reagir à flor da pele, mas analisar as vantagens).

O aeroporto do nosso descontentamento.

A localização do novo aeroporto de Lisboa é uma história antiga, como todos sabemos. Os primeiros estudos datam da década de 60 do século passado e, desde aí, há quase meio século, outras «prioridades» encafuaram no fundo das gavetas ministeriais os sucessivos estudos e, bem à portuguesa, remeteram para as calendas qualquer decisão. Há 8 anos, o governo de António Guterres quebrou o enguiço e decidiu-se pela Ota como a localização possível, pesando nessa escolha os inconvenientes, sobretudo ambientais, das outras alternativas consideradas. Guterres não se aguentou o tempo suficiente para concretizar a decisão. (E ainda bem porque na altura a decisão parecia pacífica). Seguiu-se Durão Barroso – o homem da tanga – que logo à chegada, usando a demagogia própria de quem lhe deu a formação política na juventude (muito usada ainda hoje por Saldanha Sanches, por exemplo), disse qualquer coisa do género: «não há novo aeroporto enquanto uma criança estiver em filas de espera nos hospitais». Sócrates, uma vez eleito, agarrou na decisão de 1999 e queria concretizá-la. Sem mais. Não levou em conta dois aspectos negativos da escolha susceptíveis de fundamentada contestação: a distância de Lisboa e as características físicas do local escolhido. Na defesa da Ota, Mário Lino tem ajudado, em vários momentos, o movimento «anti-Ota». Por estes dias surgiu a alternativa de Alcochete. À primeira vista é uma localização que parece merecer um consenso alargado, na medida em que supera os dois aspectos mais negativos da Ota (de fora, para já, estão uns «puristas» que já falam nas desgraçadinhas das aves que vão ser incomodadas e no porco preto que deixará de comer as bolotas dos sobreiros a abater). Na sequência, Mário Lino anunciou hoje que o governo se compromete a, nos próximos seis meses, não tomar qualquer decisão irreversível relativamente à Ota. É um passo importante para o abandono da desastrosa decisão de localizar na Ota o novo aeroporto de Lisboa. Para além do mais, a genética inabilidade política de Marques Mendes ao «escolher» Poceirão como alternativa, permite sem grandes custos políticos para o governo a escolha de Alcochete. Espero que a posição que o governo assumiu hoje, pela boca de Mário Lino, não esteja ferida de «reserva mental», ou seja, sirva apenas para daqui a seis meses vir dizer com ar cândido: «como nós dizíamos, não há outra solução a não ser a Ota. O «deserto» da margem sul do Tejo tem muitos problemas ambientais». Se isto acontecer, quem vai ter problemas «ambientais» é o governo.
(Este texto tem um pressuposto que para mim ainda não está adquirido: a Portela não é solução).

terça-feira, 5 de junho de 2007

Efemérides.

Um abraço para um bom traço.

Treinador de sofá.

O Francisco é demolidor. Mas eu não rejeito a hipótese da compra do resultado. Sempre ouvi falar no mercado árabe ... e em petrodólares.

Inquisição.

Depois da tragédia civilizacional que a Inquisição representou, outras formas inquisidoras, sustentadas na mesma «ideologia», surgiram ao longo dos tempos. Rigorosamente com as mesmas características formais e substanciais, incluindo a figura do denunciante. Os processos de Moscovo são um dos vários exemplos. Em regra, as democracias estão mais protegidas contra a «ideologia» da Inquisição. No entanto, não estão completamente a salvo. Quando a intricada teia de poderes democráticos entra em luta (por exemplo, o Ministério Público ser atraído pelos encantos da luta política; os partidos políticos se deixarem seduzir pelo exercício do poder judicial; o poder económico querer dirigir o poder político através dos meios de comunicação social de que dispõe), a coisa pode dar para o torto. Em suma, o regresso à Inquisição, mesmo em democracia, é um caminho fácil de trilhar.

Citações.

Vivien Leigh, Antony & Cleopatra, 1945

«Se o mundo fosse perfeito, qualquer detentor de um cargo político acusado de um crime no exercício das suas funções devia ter a coragem de suspender o seu mandato até ao momento em que os tribunais determinassem a sua inocência ou culpabilidade. O que está em causa neste pressuposto não é a negação do direito à presunção de inocência que se aplica a todos os políticos e todos os cidadãos; é tão-somente um juízo de natureza moral e cívica que serve para sublinhar a indispensável transparência e absoluta necessidade de responsabilização do exercício de cargos políticos. Que se saiba, porém, não cabe ao Estado legislar sobre a moralidade do exercício do poder. Cumpre-lhe, isso sim, respeitar o Estado de direito. É por isso que a "intenção" do Governo em impor a suspensão de mandatos a autarcas (a autarcas e apenas a autarcas) aos quais tenham sido deduzidas acusações é abusiva e atentatória do primado da lei que rege uma sociedade democrática.
Há apenas duas razões possíveis para explicar esta tentação do Governo em impor aos autarcas (e, sublinhe-se, a mais nenhuns outros titulares de cargos políticos) normas de comportamento não previstas da lei: a cedência ao populismo que tende a considerar sempre que "não há fumo sem fogo" e que uma acusação é sintoma da prática de crimes, ou ao politicamente correcto que tende a olhar o universo dos autarcas como um campo minado onde grassa a corrupção. Seja qual for a razão, a proposta de alteração à Lei da Tutela Administrativa revela uma atitude maniqueísta e controladora que não se compreende nem justifica.»
Manuel Carvalho, Vêm aí os juízes de fora, Público, 5.0507. (Sublinhados meus).

Contas.

Hoje um economista, (estará inscrito na respectiva Ordem?) jornalista do Público – Paulo Ferreira, de seu nome – abalançou-se a reproduzir uns gráficos (e a tecer uns comentários sobre os ditos) sobre as contas da Câmara de Lisboa desde 1999. Não apresentou as Receitas Correntes no dito gráfico. (Se apresentou Despesas Correntes e Despesas de Capital porque não utilizou o mesmo critério para as receitas?) Lapso? Esquecimento? Não interessava às conclusões que previamente queria tirar? Não sei, mas ele saberá. Não sei se são favoráveis à análise em causa ou não. Mas não aparecem, ponto. Depois não enquadra nos comentários que tece o que são Despesas de Capital – obras, casas, milhares de fogos construídos para acabar com as barracas, o que se traduz em acréscimo do património municipal. A diferença toda está no que o senhor jornalista não quis atingir: somar as Despesas de Capital (investimento, obra, enriquecimento do património municipal) dos referidos anos anteriores a 2001 (à volta de mil milhões de euros)(ADENDA: falta aqui a palavra e comparar, obviamente) com o Total do Passivo referido no gráfico (em 2001) – 523 milhões de euros. Ou seja, o passivo teve um crescimento muito inferior (é o que o próprio gráfico indica) comparado com as Despesas de Capital. E depois comparar, nos anos seguintes, de Santana e Carmona, o crescimento do Total do Passivo com a diminuição significativa das Despesas de Capital e o crescimento da Despesa Corrente. É aqui que reside o empobrecimento e o endividamento. É tão engraçado dizer uma larachas sobre o assunto....

domingo, 3 de junho de 2007

Sondagens.

Foi publicada outra sondagem sobre as eleições em Lisboa. É da Data Crítica para o Diário Económico. Pedro Magalhães diz não ter dúvidas, face ao conjunto das sondagens já publicadas, do seguinte: «a liderança de Costa, e começam a sedimentar-se três ideias adicionais: 1. Nas sondagens mais recentes, Carmona está, afinal, atrás de Negrão; 2. Ruben de Carvalho e Sá Fernandes sofrem a bem sofrer com a presença de Roseta; 3. Telmo Correia vai ter de fazer um esforço muito grande para que alguém se aperceba da sua existência

Piadas à Carmona (2).

«Tradutores».

Piadas à Carmona.

Carmona Rodrigues, em entrevista ao Expresso, quando lhe perguntaram pela inflação de assessores nos seus mandatos, não respondeu à questão mas, para descalçar a bota, disse que, no tempo de João Soares, «havia na Câmara seis tradutores de russo». Eu nunca conheci nenhum. Nem no gabinete de João Soares, nem no gabinete de relações internacionais, nem em qualquer serviço da Câmara. Só se estavam na clandestinidade e na dependência dos pelouros atribuídos ao PCP. Como o «muro de Berlim» já tinha caído, talvez fosse necessário traduzir o Pravda diariamente.
Ainda na mesma resposta, Carmona acrescentou outra piada: «o número de funcionários duplicou». Ora, em 1990, haviam aproximadamente 9 800 funcionários na Câmara (incluindo a Polícia Municipal e Regimento de Sapadores Bombeiros). Duplicar dá quase vinte mil. Como é do conhecimento geral, a Câmara tem hoje onze mil e tal funcionários e aumentou mais de mil nos 6 anos em que Carmona andou por lá. É só saber tabuada, como é gelatinoso sacudir, assim, a àgua do capote.

sábado, 2 de junho de 2007

Maiorias absolutas.

Francisco Louçã tem a maioria absoluta dos delegados na Convenção do BE. Na discussão do regimento, as tendências minoritários acusaram Louçã e os maioritários de quererem «limitar a liberdade de expressão» dos minoritários. Mas, ainda há quem pense que «eles» são diferentes. Ainda por cima, carregando aos ombros toda a cultura política de tantas ditaduras.

A não perder.

O Congresso do Bloco de Esquerda, minuto a minuto, visto pelos olhos do 31 da Armada.

Ella Fitzgerald Sings

Gostei de ler.

COLIGAÇÃO EM LISBOA (Tiago Barbosa Ribeiro, Kontratempos). O ZÉ É QUE SABE (João Gonçalves, Portugal dos Pequeninos) . el mandamás (Cristina Vieira, Contra Capa) . A greve que serviu ao Governo (Pedro Correia, Corta-fitas). AS GROSSERIAS DO EXPREESSO , (Eduardo Graça, Absorto). A árvore genealógica do Bloco de Esquerda (Rodrigo Moita de Deus , 31 da Armada).

Não há nada a fazer?

O tal Sérgio Galba é que nos topou logo à primeira. Mal aqui chegou escreveu a César Augusto a dar notícias desta gente: «Estes lusitanos nem se governam, nem se deixam governar».

Venezuela.

O secretário de Estado das Comunidades, António Braga, segundo o Expresso de hoje, tece loas ao governo venezuelano. É claro que o governo português deve manter as melhores relações de Estado com a Venezuela, tanto mais que por lá vivem e trabalham milhares e milhares de portugueses. Tal como mantém boas relações com outros Estados que não são exemplos de democracia. Mas, tecer loas a um governo que comanda uma acelerada «cubanização» da Venezuela, com a consequente supressão das liberdades democráticas, não é, no mínimo, politicamente prudente.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Aeroportos.

Mais uma notícia desagradável para os arautos da desgraça.

Dia Mundial da Criança.

... versão "revolucionária".

(Via TóColante)

Bons exemplos.

Miguel Sebastián, o candidato socialista à autarquia de Madrid, abandona a actividade política, quer no Município, onde foi eleito vereador, quer no partido, depois do que classificou como «uma derrota sem desculpa». Regressa à Universidade Complutense, onde era professor.